Pact Of Souls

4 Capitulo nº04: Controle.


Notas iniciais
*Voz de garoto jovem*

-Você já viu alguém morrer, sem nenhum motivo aparente? E os acidentes? Será que realmente são acidentes? A seres que brincam com as almas de humanos como se fossem meros bonecos. E um deles compartilha o corpo comigo!

.....

Após alguns dias, Soiji recebe alta, sair dali e ir pra casa parecia mesmo reconfortante, final de contas, ele não suportava mais aquele hospital. Não agüentava ouvir mais a Hinako se desculpando, afinal, ele sentia que a maior parte da culpa era dele. Na manhã de terça feira, Hinako foi buscá-lo com o carro que seu pai tinha dado pra ela quando ela fez 18 anos, era prata com um estofado preto de couro, o designer era meio moderno pra época, mas agora já tava ficando ultrapassado. A enfermeira que “tomava conta” do Soiji os acompanhou até a porta do estacionamento do hospital, Hinako tenta ajuda-lo a entrar no carro mais ele recusa e entra sozinho, ela põe uma mochila dele no porta-malas, o resto da bagagem ela tinha levado ontem à noite. Eles saem do hospital e pega uma rodovia meio movimentada, Soiji fica distraído olhando pela janela, Hinako meio sem saber o que fazer tenta puxar conversa.

-Então onii-chan, como esta se sentindo em ir pra casa?- Mas ela recebe nenhuma repostas.- O Sota fico muito feliz em saber que você ia voltar! Ele vivia perguntando quando o seu irmão ia voltar....

-Eu quero visitar o tumulo do papai!- Soiji fala ainda com o seu olhar fixo na janela. Hinako mandou construir um tumulo meio que simbólico ao lado do tumulo da sua mãe.

-...Tudo bem...- Eles viram a esquerda e pegam uma outra rua, após uns vinte e cinco minutos eles chegam no cemitério.

O cemitério ficava em um lindo campo, com algumas arvores espalhadas e túmulos de mármores de vários tamanhos e formas, cruzes, asas de anjos e outros tipos de imagens religiosas eram vista ao longe. Eles adentram os campos e caminham sobre a grama, eles chegam em dois túmulos de mármore branco um ao lado do outro, um tanto quanto simples. Soiji olha o primeiro e lê as inscrições:

Seizako Mahera Negumi:

1966~2002

Uma rosa apesar de murchar,
sua beleza continua eterna,

em nossos corações.

Uma foto em preto e bege era posta acima das inscrições, nela exibia uma mulher sorridente com olhos calmos e sinceros, lindos cabelos comprido e encaracolados nas pontas caiam sobre seu peito. O tumulo da mãe de Soiji era realmente bonito, flores amarelas posta recentemente à frente deles lhe davam uma aparência mais bela sobre os outros, a via pequenas formas de azas uma de cada lado das inscrições. Ele olha para o tumulo ao lado, era muito parecido com o do lado, com o mármore um pouco mais claro mas ao invés da foto da Negumi, no lugar tinha um espaço em branco e ainda não havia nenhuma inscrição.

— Ainda não pensei nas inscrições e ainda não escolhi uma foto.- Fala Hinako meio chorosa e com os olhos úmidos. Ela vê que seu irmão não expressa nenhuma reação, da uns passo para trás e se vira. –Eu vou deixar você um pouquinho a sós. – Ele deve ter imaginado que seu irmão esta com vergonha de chorar então o deixou sozinho, ele refaz o caminho e passa pelo portão de grades do cemitério. Soiji se ajoelha enfrente ao tumulo de seu pai.

— Eu...eu que deveria ter ido no seu lugar.- Lagrimas quentes começam a escorrer em seu rosto, escorrendo pelo seu queixo e caindo na grama. Ele encosta a cabeça no tumulo e começa a soluçar. – Me...me desculpa...Me desculpa, pai....eu sinto...sinto muito...

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Após alguns minutos eles estão no carro a caminho de casa, ele não esta chorando mais e Hinako ainda esta com os olhos úmidos. Mirai Raizen não tem dado nenhum sinal desde aquele dia no banheiro, Soiji não tem tido as dores de cabeças provocadas por ele, mas ele sabe que o “demônio de olhos vermelhos” observa tudo o que acontece de dentro do seu corpo, ao chegar em casa, Hinako lhe oferece ajuda para sair do carro, mas ele sai sozinho e percorre o quintal da residência dos Seizako’s até a porta.

-Eu posso me virar sozinho Hin! Eu não sou nenhum deficiente!!- Soiji fala rudemente, ele tem agido assim desde que descobriu que Mirai derrubou o avião de seu pai, ele aperta a campainha e escuta paços dentro da casa.

-Soiji onii-san!! – Sota abre a porta sorridente para Soiji.

-Ola...ola Sota.- Soiji acha estranho seu irmão esta contente em lhe ver, sem saber o que fazer ele retribui o sorriso.

-Sota, você comeu direitinho?- Hinako pega uma mochila no porta-malas do carro e vai rumo a porta a onde esta seus irmãos.

-É isso ai pirralhinho. Se você não comer vai continuar na altura do meu joelho.

-Não acredito que você já vai começar com isso!! Volta pro hospital ta!

-Como é?! Oras seu..

-Por favor, vocês acabaram de se ver depois de meses!- Hinako fala com uma voz arrastada pelo cansaço, mas ao mesmo tempo alegre em vê seu irmão do meio de volta ao lar

-Ele começou....- Sota entra apressado em casa antes que Soiji poça apanha-lo em mais comentário mau-humorados.

Soiji e Hinako entram na casa de pisos de madeiras e um pouco quanto escura por causa das cortinas fechadas que ocultavam a janela da sala, Soiji vai devagar e meio que mancando até a sala onde se joga no sofá de dois lugares de estofamento felpudo e vermelho, ele olha para as cortinas fechadas que filtram os raios de sol, além do sofá, havia uma poltrona e um estante com livros logo atrás dela, um tele-visor um tanto quanto grande apoiado no chão e uma abertura na parede que dava para o corredor que vai para o resto da casa.

-Senti falta desse lugar.- Soiji sussurra pensativo, deixando sua irmã que acabara de entrar no cômodo com duvida por não ter ouvido o que ele dizia.

-O que foi Onii-chan?

-Nada...- Hinako sai do cômodo deixando seu irmão voar por seus pensamentos, apesar de não demonstrar, ele sentia duvidas sobre o que aconteceria com ele no futuro, A voz de Mirai Raizen, apesar de ser quase idêntica a dele, ecoava em sua mente trazendo consigo sentimentos de dor, angustiantes e desesperadores.-O que foi o que eu fiz?

-Você sabe o que fez!- A voz de Raizen ecoa por todo o cômodo como se fosse vários deles falando ao mesmo tempo. Soiji leva um susto e percorre toda a sala com os olhos a procura dos olhos vermelhos.

-A...A ONDE VOCÊ ESTA!!!- Soiji desesperado grita com o nada, como algo fosse surgir no corredor.

— Soiji?! O que foi?!- Hinako grita na cozinha ao ouvi seu irmão

-Hahahaha! Se fosse você não faria isso, vão achar que você esta louco Soiji!- A voz dos olhos vermelhos volta a soar no cômodo com força, ela mantinha o seu tom debochado e folgado de sempre.

-Você..esta falando na minha mente de novo?!- Soiji sussurra com a voz tremula e esganiçada como se faltasse ar no seus pulmões.

-Você nunca aprende! Eu estou sempre na sua mente.- Soiji sente seu corpo formiga e ao poucos ele para de senti-lo, ele não conseguia se mover, apesar do todo esforço que ele faz, seu corpo não o obedecia!

-“O que você fez?!”- A voz de Soiji não saia pela boca, era como se fosse apenas um pensamento alto.

-“Estou controlando um pouco meu novo corpo! Afinal ele também é meu, e não seria justo se só você tivesse os comandos!”- O corpo de Soiji agora controlado por Mirai levanta a mão e a deixa enfrente ao seu rosto, ele mexe os dedos um por um e em seguida começa a balançar a perna esquerda.-“A sensação de se mover. A quanto tempo eu não sinto isso? É maravilhoso!!”

-“Pare!! Devolva o meu corpo!!”

-“Da pra calar a boca?!”- Mirai move o corpo até a cozinha a onde esta Hinako, ele olha todos os enfeites de gatinho espalhado pelo cômodo e faz uma careta, vai até um dos bancos do balcão, se senta e fica olhando a irmã do Soiji mexendo na geladeira com um sorriso no rosto. Ela se vira e vê seu irmão parado ali e acha um tanto quanto engraçado.

-O que foi onii-chan?- fala voltando sua atenção para a geladeira

-
Não é nada!- Finalmente Soiji escuta sua voz saindo da boca, mas apesar de ser a dele ele não disse nada

-“Pare!! Pare com isso!!”

-Irmã, eu estou com fome!

-É...sério? Você quer que eu faça um sanduíche pra você?-

-Seria muito bom!- responde com um sorriso no rosto.

-Nossa, estou gostando de ver que seu humor esta melhorando!- Hinako começa a pegar algumas coisas da geladeira e põe em cima do balcão, ela faz um sanduíche e o “Soiji” pega o e da uma mordida.

-“Eu ainda não sinto gosto”...

-Então? Como é que ta?

-Eu não sei!...Bom, obrigado!- Mirai responde com um sorriso.

Ele termina o sanduíche agradece e sobe até o quarto do Soiji, agora as roupas jogadas no chão e a toalha vermelha mofado tinham desaparecido, parece que a Hinako fez uma faxina por ali, ele mexe no armário e pega algumas roupas. Uma camiseta branca com mangas compridas e azuis, uma calça jeans escuro e uma jaqueta jeans também.

-“O que se vai fazer?!”

-Quero dar uma volta!-Mirai responde despindo o corpo.

-“O que?! Você esta louco?! Minha irmã não vai deixar!!”

-Hum...você tem razão! Afinal, você acabou de sair de um hospital!-Mirai termina de se vestir, vai até a porta e a tranca.

Ele põe um par de tênis. Se dirigi até a janela, põe um pé nela e salta para fora, o corpo sobe uns metros, atravessa o quintal antes de cair lentamente na rua da casa, ele se vira e olha pra janela.

-“O que?! O que foi isso?!”- Soiji estava completamente assustado e maravilhado, ele que nunca foi bom em nenhum tipo de esporte ou atividade física, acabou de saltar o quintal inteiro em um único pulo como se fosse nada.

-Tsc! Meus poderes foram absurdamente reduzidos!- Essas palavras foram como uma pancada em Soiji, o momento feliz dele acabou de ir embora, ele se lembrou que seu corpo estava sendo controlado por o demônio que acabara de afirmar que é muito poderoso, aquele pulo não foi dele, mais sim fruto do demônio que o controla.

O corpo começa a se mover, atravessa a rua, segue até o fim e vira para a esquerda, dando em uma rua um pouco tanto desértica, tirando algumas aves que voaram assim que Mirai entro nela, a rua continha algumas arvores e todas as casas que haviam ali tinham cerca de madeiras.

-“Mirai...Mirai Raizen....Esse é o seu nome né?”– Soiji pergunta, ou pensa calmamente.

-Como eu já havia lhe dito, é sim! –O corpo de Soiji responde com um tom debochado.

-“Me diga, se você é um demônio poderoso, porque você quis fazer esse tal pacto de alma comigo?”

-\"Pacto de almas”!- corrigi o demônio- Eu tenho meus motivos!- Soiji não se surpreende que o demônio não tenha lhe dado uma boa resposta.

Um cachorro de pelo marrom, magro e comprido sentado na soleira da porta de uma casa se levanta assim que Mirai passa por ele, corre até o garoto e comece a rosnar em ameaça e a latir.

-Tsc. O que esse bixo quer?- Mirai demonstra stress na sua voz

-“O nome dele é “Dynamite! É o cachorro da senhorita Kamire!”

O cachorro continua a latir ameaçadoramente para o garoto de cabelos pretos magricelo que parece ficar cada vez mais nervoso e irritado com a situação

-Cachorro chato!!

-“Engraçado ele agir assim! Ele sempre foi muito dócil!”

-Hu, pelo menos vai servir pra isso!!- Mirai da um sorriso maléfico e estala os dedos, de repente o cachorro começa a se contorcer.

-“O que você fez?!!”- Soiji se espanta ao ver que o cachorro está sofrendo.

Algo acontece que deixa Soiji aterrorizado, o cachorro entra em chamas e começa a se contorcer no chão, ele começa a rolar em uma tentativa deapagar as chamas. Ele uivava e gemia de agonia enquanto o corpo de Soiji gargalhava histericamente sem parar.

-“Para com isso!! ELE ESTA SOFRENDO!!!”

-Mas é lógico que esta! Os seus órgãos estão queimando de dentro para fora!!- Mirai responde debochadamente.

O cachorro se contorcia no chão e rolava para os lado, dava para notar que alguma espécie de gosma em chamas grudava no chão por onde ele passava, era a sua pele que já estava derretendo.

-“Pare!! Ele vai morrer!! Ele vai morrer!!”


-Porque eu deveria parar? Estou me divertindo muito com isso!! E agora já é tarde!!-. Ao dizer isso o cachorro para de se mexer, não dava mais pra ver a cor do pelo dele por que as chamas já tinham tomado conto de tudo, a única coisa que dava para ver era uma forma preta dentro delas. –[purple]Morra pulguento!

-Dynamite.....

-Droga. Acabo a diversão...- Mirai Raizen se vira e começa a refazer o caminho deixando o Dynamite em chamas.

-“Por que...Por que você fez aquilo?!”

-Só queria fazer um teste.- Mirai responde sem alteração na voz, parecia tranqüilo e calmo como se tivesse vendo a grama crescer.

-“Um teste? Mas...mas porque você deixo o corpo do Dynamite lá, vão acabar achando!”- Ao ouvir isso o corpo de Soiji para de se mover e começa a gargalhar.-[blue] O que?! Do que você esta rindo?![/blue]

-Afinal, com o que você esta se preocupando mais?- O corpo de Soiji fala com um tom irônico na voz.-Com o tal cachorro ou com que não descubram o seu segredinho?- Ao ouvir isso Soiji se sente mal, ele sente um profundo remorso, afinal, o “olhos vermelhos” estava certo! Ele estava com medo que descobrisse que ele dividia o corpo com um demônio, medo que todos o odiassem por ter feito o “pacto de almas”, medo com que o Sota e a Hinako iriam sentir se soubesse que a culpa pela morte de seu pai era dele. –Você é muito mais interessante do que eu pensei, Soiji!

O corpo volta a se mexer e vira na rua da casa dos Seizako, para na frente do portão e da um pulo que atravessa o quintal e pousa no para-peito da janela do quarto do Soiji, desce da janela. Soiji começa a se sentir mais pesado e cai com tudo no chão, ele sente a dor da pancada, ele volta a ter o controle do corpo. Ele fica um tempo ali jogado pensando no que aconteceu, ele se levanta, anda até a porta, a destranca e a travessa, desse as escadas e vai para a sala. Ele vê Hinako dormindo no sofá felpudo vermelho, ele anda até ela e se ajoelha a sua frente, apóia sua mão direita sobre o rosto da irmã adormecida, era tão bom sentir as coisas de novo, a pele quente e macia do rosto da sua irmã. Ela abre os olhos e sorri ao ver seu irmão ali parado.

-Que horas são?- Pergunta com a voz baixa e doce.

-Não sei...- Ela se levanta e fica sentada no sofá.

-Já vai escurecer?! Eu tenho que fazer o jantar!!- Ela se levanta em pulo e corre até a cozinha, Soiji sorri com a situação, e fica feliz ao ver que sua irmã continua a mesma....

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.