PS. Eu te amo
2 Mesmo me odiando, irei te proteger.
Notas iniciais
— Sai agora de perto dela! – gritando.
Bianca olha fixamente para Felipe, Diego estava enfurecido.
— Não se mete, Felipe! – ele se vira, ficando na frente de Bianca.
A sala de aula tinha duas saídas, uma aos fundos e outra na frente, Bianca dá passos silenciosos até a saída de trás.
— Você tá maluco, cara. O que você tem na cabeça? – Felipe fala com um tom mais alto.
— Olha quem fala, viveu a vida toda irritando ela, machucando ela. Eu sei que foi você que machucou ela.
— Não! Você não sabe de nada, Diego! – Bianca interrompe – Você nunca tentou me conhecer de verdade, você só está incomodado com o fato de que eu sou a única garota dessa escola que não lambe seus pés!
Diego olhava pra ela, parecia ter ficado mais bravo ainda.
— Você... Não entende porra nenhuma, Bianca! – ele fala em um tom alto.
— Eu entendo sim, você quase me implorou pra me levar no baile, acha que eu não sei o motivo? – ela fala mais alto que o normal – Foi uma aposta idiota, por que acha que eu aceitei? Você sabe muito bem que eu te rejeitei.
— CALA A BOCA, VOCÊ VAI VIR COMIGO AGORA! – ele avança na direção de Bianca, ela corre para a porta, mas com o pé machucado ela cai no chão.
— DIEGO! – Felipe pula em cima de Diego o fazendo cair na direção oposta – CORRE BIA! – ele grita.
Ela se levanta, enquanto Diego se revira em baixo de Felipe, tentando correr atrás dela. Ela corre para fora da sala, pelo corredor. Era incrível como não tinha ninguém nos corredores, deviam estar todos nos jardins ou na cantina, até mesmo visitando os clubes da escola.
Até que, virando em um corredor, ela vê um professor.
— Professor! – ela grita.
Ele se vira olhando para ela. Estava com a roupa toda torta, cabeço bagunçado.
— O que houve? – ele pergunta olhando para ela, surpreso.
— Diego, Diego tentou me bater, Felipe segurou ele, estão lá na sala de matemática! – ela diz desesperada.
O professor passa por ela, andando rápido indo para a sala de matemática.
— Vá para a diretoria, chame a diretora Amanda. – ele diz e vira ao corredor.
Bianca anda com passos apressados até a sala da diretora. Agora começa a aparecer alguns alunos, muitos deles olham para ela e começam a perguntou o que houve. Ela diz que precisa chegar na sala da diretora.
Ela finalmente chega na sala da diretora, no andar da administração. Bianca bate na porta, uma voz calma vinda de dentro diz para entrar.
— Com licença, Diretora. – ela diz calmamente – Professor Fernando me pediu para chama-la. Diego Cliff me cercou na sala de aula e Felipe Simons segurou ele pra que eu chamasse ajuda, professor Fernando deve estar com eles agora.
Ao ouvir isso, a diretora já se levanta e segue para a porta.
— A senhorita poderia esperar aqui? – ela pede para Bianca, indicando uma das cadeiras – Se Diego foi violento com você e conseguiu escapar antes do professor chegar, creio que esteja te procurando. Fique aqui, feche a porta e só abra se ouvir algum professor ou eu.
— Tá bom. – ela suspira aliviada.
A diretora sai da sala e Bianca fecha a porta e tranca. Estava tudo muito confuso. Era estranho, todos eles pareciam realmente preocupados com isso. Será que eles sabiam de algo que ela não sabia?
Se passa alguns minutos e nada. Parecia uma eternidade esperar naquela sala. A cabeça de Bianca latejava, sua perda doía.
Quinze minutos já passaram. Ela escuta um barulho intenso vindo do lado de fora. Ela se levanta e vai até a janela. Vê um carro parados de mal jeito, uma mulher e um homem saem e caminham para a entrada lateral que tinha ali. Eles se encontram com a Diretora e com o Professor Fernando.
— Mas... Cadê o Felipe e o Diego?
Eles entram para dentro da escola, fora da visão de Bianca. Uma batida na porta a faz dar um pulo.
— Bia, sou eu, Felipe. – Felipe diz do outro lado da porta.
— Fe? Você está bem? O que aconteceu? Cadê o Diego? – ela diz na frente da porta.
“Ah... Faz tempo que ela não me chama de Fe...” — ele pensa.
— Está na sala dos professores com a coordenadora, chamaram os pais dele.
— Ah... Que bom. Mas, por que? O que houve? O que foi aquilo?
— Sei tanto quanto você… – ele suspira – Será que não vai abrir essa porta nunca?
— Ah, tá. Tá bom. – ela gira a tranca e abre a porta.
Felipe entra rapidamente e a fecha de volta. Bianca observa ele. Estava com um machucado do lado esquerdo do rosto.
— Ele fez isso? – ela o encara.
— Pois é, ele estava fora da casinha... – Felipe encara o rosto de Bianca por alguns segundos, ficando em silencio.
— Olha, se não fosse você, eu não sei o que ele teria feito se estivéssemos sozinhos naquela... – antes de Bianca terminar de falar, Felipe a puxa e dá um abraço apertado – E-Ei... O que foi?
— Ah, fiquei com tanto medo que ele te machucasse... – ele suspira – Que bom que você está bem...
— É... Eu estou. – ela aceita o abraço.
Apesar de Felipe sempre a irritar, sempre a deixar furiosa, ele nunca fez brincadeiras que a machucasse. Pra falar a verdade ele sempre tentava animá-la, fazê-la sorrir de alguma forma, mas nunca a machucaria. Nunca.
— Me desculpa, por hoje... Ter gritado com você. – ele diz com a voz abafada.
— Não precisa se desculpar, eu devo ter te assustado. – ela sorri de canto.
— É, fiquei com muito medo de ter te machucado... E machuquei. – ele aperta mais o abraço.
— Sei que não foi de propósito, fui dura com você sem motivo. – ela afasta o abraço – Só não me deixe sem respirar.
Ele se afasta e sorri. Felipe olha no fundo dos olhos de Bianca. Seu coração começa a palpitar e sua respiração ofegante. Ele aproxima o rosto do dela, Bianca faz uma expressão de surpresa. Até que alguém bate na porta. Eles se afastam, Bianca respira fundo.
— Bianca, pode abrir a porta, por gentileza. – era a diretora.
— Ah, sim, sim, claro. – ela destranca.
A diretora entra, encontra Felipe ali também.
— Ah, o senhor veio. – ela sorri para ele – Obrigada por segurar o Diego. Agora, senhor Simons, pode deixar Bianca a sós comigo, precisamos conversar.
— Claro, diretora, claro. – ele sorri – Eu... Vou comprar algo pra você comer, não comeu nada. – ele diz para Bianca.
— Suco de...
— De laranja, sanduiche natural, eu sei. – ele sorri – Com licença, diretora – ele caminha para a porta e a fecha com calma.
— Vamos senhorita Harris, preciso te contar uma coisa. – ela diz indicando a cadeira para Bianca.
Bianca puxa a cadeira e senta, se ajeitando. Ela passa a mão nos cabelos.
— Você e o senhor Simons formam um belo casal. – a diretora diz.
— Ah, não, não. Nós só somos amigos faz muitos anos... – ela sorri.
— Bom, vocês combinam... – ela sorri de volta – Bianca. Eu sinto dizer isso... Vocês três já fizeram parte do fundamental, não é? Se conhecem faz muito tempo. Vocês, Diego, Felipe.
— Ah sim, Diego não era da nossa sala, ele conhecia mais o Felipe e como o Felipe me conhecia eu acabei conhecendo ele também. – Bianca explica.
— Entendo. Bom, Diego Cliff vinha se consultando com um psicólogo. Aparentemente ele tomava uma medicação pra controlar a bipolaridade dele. Esse remédio ele parou de tomar. – ela cruza os dedos das mãos – O que aconteceu com você foi uma grande crise de bipolaridade.
— Ah, foi isso... – ela suspira – Ele estava achando que nós estávamos namorando ou algo do tipo, só porque ele me levou no baile de formatura ano passado, veio me cobrar satisfações por estar junto com o Felipe.
— Entendo, esse foi o motivo então. – ela suspira – O sr. Cliff vai ser levado para uma clínica onde ele vai receber toda uma atenção e tratamento adequado, fazer ele entender que precisa dos remédios e ver que o que ele fez foi inaceitável.
— Ele... Vai voltar pra escola? – a voz de Bianca parecia um pouco desesperada.
— Pode ficar calma, isso que ele tem na cabeça vai passar e ele vai se desculpar quando voltar, eu tenho certeza.
— Por que ninguém da escola sabia disso? – ela pergunta seriamente.
— Seria melhor para o convívio, ele não ia se sentir bem em um ambiente onde as pessoas tem medo dele. – ela dá de ombros – Não funcionou muito, já que provavelmente todos irão saber agora, mas creio que seja uma oportunidade do Diego perceber o que ele próprio causou.
— Certo. – ela suspira – Então é só isso que eu precisava saber?
— Sim, só não se preocupe demais. Eu decidi liberar você e o sr. Simons hoje, passaram por muita coisa. Não é todo dia que tem que ver um amigo de infância passando por isso.
— Ah, certo. – ela se levanta – Muito obrigada diretora, vou me certificar de pegar todas as matérias de hoje e fazer o Felipe fazer o mesmo.
— Não tenho dúvidas.
Bianca empurra a cadeira pro lugar e se vira, saindo da sala. Felipe estava do outro lado, sentado no banco com o lanche de Bianca.
— Ei! – ele diz olhando para ela.
— Ei... – ela sorri – Fomos liberados.
— Sério? – ele abre um sorriso enorme.
— Sério, mas você, senhor Felipe, vai pegar todas as matérias de hoje amanhã. – ela ri.
— Ah, tá. – ele dá de ombros – Eu posso pedir pra Wendy o caderno dela e buscar hoje.
— Ir buscar o caderno na casa dela?
— Sim. – ele estende o lanche para Bianca, que os pega.
— Desde quando é amiga dela? – ela pergunta um pouco na defensiva.
— Desde quando você se importa com isso, Bia? – ele sorri.
— Desde nunca, só que eu nunca vi vocês conversando. – ela dá de ombros.
— Tá. Vou fingir que eu acredito. Admita, está com ciúmes. – ele dá um sorriso malicioso.
— EU? – ela fala surpresa – Eu nem sei o que isso significa.
— Tá. Vamos lá pegar nossas coisas antes que termine o intervalo e todos fiquem perguntando pra gente o que aconteceu. – ele pega no ombro dela e os dois seguem pelo corredor – Vamos parar na praça pra você comer.
— E você? Você não come não? – ela o encara.
— Claaaaro que não. Como acha que eu mantenho esse meu corpinho?
— Até parece, Felipe. – ela começa a rir.
— Olha só, a cdf riu! – ele sorri.
— Já vai começar de graça, Felipe? – ela fica séria.
— Ah, para de ser assim. Sabe que é brincadeira, pra que levar tudo a sério? – Sabe, gosto de te ver sorrir.
O rosto de Bianca começa a esquentar. Ela ficou realmente com vergonha do que ele tinha acabado de dizer.
— N-Não precisa mais falar essas coisas. Eu não te odeio mais tanto assim, não me faça mudar de ideia. – ela diz tomando o suco.
— Ei, ei, ei. – ele pega a garrafinha da mão dela – Você só vai comer quando estiver sentada no banquinho da praça. Nunca ouviu que quem come em pé não alcança o que quer? – ele diz sério. Bianca começa a rir muito – O que? O que foi? Tô falando sério.
— Ai, Felipe, qual é... – ela ri mais – Pareceu que você tem tipo, uns 70 anos agora...
— Ah, muito engraçadinha. – ele fica sério.
— Ahhh, viu como é legal?
— Tá bom, tá bom... Eu já entendi. Eu paro. MAS, se me prometer que seremos amigos. – ele a encara.
— Claro. – ela sorri – Finalmente você me entendeu.
Os dois seguem para os armários, Felipe se oferece pra ir até a sala pegar as coisas de Bianca. Ele organiza tudo, fecha os cadernos e sai da sala, indo para os armários. Ela guarda o caderno e o estojo na mochila, deixando o resto no armário, pega o celular e vê mensagens. Ela leva um susto.
— Fe! – ela diz para Felipe, ele olha imediatamente – Olha...
Ele pega o celular de Bianca e o que lê dá um arrepio na espinha.
“Eu ainda vou ter você.”
— É o... – ela diz, mas Felipe se adianta.
— É o número do Diego... – ele encara Bianca, que estava com uma expressão de medo. – Calma, eu não vou deixar ele te fazer mal.
— Tá certo... – ela suspira – Vamos embora.
Os dois pegam as mochilas e vão embora. Assim que saem, o sinal toca indicando o final do intervalo.
— Quem diria, todo esse rolê aconteceu em trinta minutos. Pareceu uma eternidade. – ele diz.
— Sim... Pareceu.
Ela estava inquieta. Olhava para todos os lados, estava com medo, mas de alguma forma ela confiava que Felipe iria ajudar ela no que for. Isso dá uma sensação de alívio.
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