P.S. Eu Te Amo

9 #9 - P.S. Eu sempre vou te amar


Notas iniciais
"Atualizada: 18/03/2016 às 19:13" Gente, que vergonha, quase um mês que não atualizo. Me perdoem, mas eu estou cheia de fics, cheia de coisa para estudar (administração não é fácil) e cheia de séries para assistir (fora uma falta de criatividade que insiste em não me largar). Esse capítulo está um pouco triste e a carta do Seb provavelmente me destruiu e vou chorar por uma semana (estou bem sensível), mas espero de verdade que gostem. Boa leitura! ♥

#9

P.S. Eu sempre vou te amar

Lágrimas escorriam sem parar pelo rosto pálido e deprimido de Kurt Hummel. Ele não conseguia raciocinar muito bem, algumas vezes até esquecia para onde precisava ir. Só sabia que estava dentro de um avião, com pessoas conversando animadamente a sua volta e milhões de coisas extremamente pequenas do lado de fora de sua janela.

*FLASHBACK ON*

Os dois ficaram abraçados por um tempo, até que o voo foi novamente chamado. Kurt precisava ir embora.

— B... – Começou Kurt, secando as lágrimas de Blaine.

— O que?

— Você não quer ir para New York comigo? – Blaine pareceu perder o ar por um bom tempo, até que conseguiu voltar a realidade.

— E-eu... eu não posso fazer isso, Kurt. – Blaine disse, sentindo uma faca atravessar seu coração.

— Mas você disse que me ama. Isso é só da boca para fora? – Kurt já estava chorando de tristeza, tentando entender por quais motivos Blaine não queria ir com ele.

— Claro que não, Kurtie. Eu te amo, demais até. – Ele fez uma pausa e deu um breve sorriso. – Só que eu não posso simplesmente largar a minha vida aqui, assim como você não pode largar a sua vida lá. Você precisa conversar com as suas amigas, arrumar sua amizade com elas, ficar ao lado de seu pai. Você tem uma vida em New York, a qual nem eu valho a troca.

— Mas eu... eu te amo tanto.

— Eu também te amo e é exatamente por isso que eu preciso deixar você ir embora.

*FLASHBACK OFF*

Kurt não podia acreditar que estava novamente chorando por um amor perdido, muito menos podia acreditar que era aquele seu mesmo velho – e primeiro – amor da escola. Ele nunca pensou que um amor de ensino médio poderia durar por tantos anos e agora já fazia mais de treze anos que ele definitivamente era completo apaixonado por Blaine e o amava e continuaria assim por ainda muito tempo, talvez até o momento de sua morte. -

Quando o avião pousou, Kurt precisou ser avisado pela aeromoça, pois não tinha nem percebido. Ela o perguntou se estava tudo bem e ele apenas assentiu, logo saindo de dentro do avião.

Ele pegou um táxi e foi direto para a casa de Rachel. Ele sabia que ela estaria ocupada com coisas relacionadas ao seu bebê, mas ele precisava ir até lá igual. Logo ele chegou e foi recebido de braços abertos pela amiga. Ele pediu desculpas pelo jeito que havia a tratado e prometeu que faria milhares de roupas para seu “afilhado”.

Ao sair da casa de Rachel, três horas mais tarde, ele foi para a casa de Quinn. Quem abriu não foi ela e sim um rapaz – que provavelmente era o noivo da Fabray.

— Eu ouvi a campainha, tem alguém aí... – Ela fez uma pausa ao olhar para seu amigo. – Kurt?

— Podemos conversar? – Perguntou tímido e a garota assentiu com um pequeno sorriso nos lábios. Eles foram até a sala e sentaram, com o noivo de Quinn indo em direção a algum outro lugar.

— Se veio aqui se desculpar, isso não é necessário. Eu forcei a barra e eu que deveria pedir perdão. – Disse a loira, pegando a mão de seu amigo para si. – Você não parece nada bem.

— Mesmo você perdoando, ainda assim eu peço desculpas. – Ele falou calmamente. – Eu convidei ele para vir comigo e ele disse que não.

— Oh, meu Deus, Kurt. Eu sinto muito. – Ela falou de seu jeito tranquilo, logo puxando seu amigo para um abraço.

— Quinn, eu quero fazer o seu vestido de noiva. Será que eu posso? Você permitiria que eu fizesse isso?

— E você ainda pergunta? É claro que eu permito.

[...]

Mais tarde naquele dia, Kurt voltou para sua própria casa e descansou, desfez suas malas e assistiu um filme. Pegou no sono no sofá e por lá ficou.

Na manhã seguinte, Kurt se encontrou com seu pai para um passeio no parque. Os dois se encontraram perto das nove horas da manhã e foram caminhar pelo belo parque, que mais parecia uma obra de arte.

— Filho, eu chamei você aqui para falarmos sobre algo sério. – Disse Burt, se escorando em uma das cercas que tinha perto do lago.

— Pode falar, pai. – Kurt abriu um pequeno sorriso para seu pai.

— Por que você se casou com Sebastian? – Aquela pergunta atingiu Kurt feito um raio. Ele não sabia o que responder, pois não sabia se realmente obtinha aquela resposta.

— Eu não sei. – Respondeu sincero.

— Mas eu sei. – Afirmou Burt. – Você se decepcionou com Blaine e usou Sebastian para preencher o vazio que ficou em seu peito. Mas me diga, Kurt. Esse vazio alguma vez foi preenchido?

— Só quando eu estive com Blaine... – Disse triste. – Eu realmente amei Seb, pai. Só não tanto quanto eu sempre amei Blaine. E eu sei que ele sabia disso. Ele me conhecia melhor do que eu mesmo.

— Às vezes eu penso que só fiz o que fiz por causa dele, porque ele te amava demais. – Kurt arqueou a sobrancelha, sem entender o que aquilo queria dizer. Ele só entendeu ao ver seu pai tirar um envelope do bolso. – Essa é a última.

— Espera! Você estava me mandando as cartas? – Perguntou ao pegar o envelope e Burt assentiu. – Por que? Você nem gostava dele.

— Mas ele te amava e te fazia feliz. Era o que eu precisava, entende? Eu só precisava ver você feliz. Sebastian realmente sabia o que se passava na sua cabeça, até nos lugares mais longes, internos e profundos possíveis, os quais você talvez nunca tenha descoberto sobre a existência. Mas a questão é que, querendo ou não, você o usou. O amor dele só se tornou grande demais para ele reclamar. – Burt disse, colocando o braço no ombro do filho. – Ele só quer o seu bem, não importa onde ele esteja. Eu nunca duvidei que você também amasse ele, mas você nunca o amou com a paixão que ele precisava.

E, dando uma batidinha no ombro do filho, Burt saiu andando pelo parque.

Com as mãos trêmulas, lágrimas escorrendo por seu rosto e uma interrogação brotando em sua cabeça, Kurt abriu o envelope e tirou de lá a maior carta que tinha recebido de Sebastian. Ele não sabia se queria ler, mas sentia que precisava.

Querido Kurt, se você está lendo isso agora, significa que chegamos ao final das cartas, mas nunca ao final de nossa jornada, embora nosso relacionamento tenha chegado ao fim no momento em que parti. Não nascemos para ficarmos juntos e você sempre soube disso, não? Se você não sabia, eu sim e eu preciso te contar toda a história de como isso começou. Éramos jovens, tínhamos nossos dezessete ou dezoito anos e queríamos experimentar novas coisas, descobrir novas experiências e encontrar nossos sonhos todos juntos. Eu, você e Blaine éramos inseparáveis, nos amávamos como ninguém e tínhamos aquela amizade impecável e invejável. Todos queriam um trio verdadeiro como o que nós tínhamos. Blaine veio até mim e disse que estava perdidamente apaixonado por você e eu sabia que, assim que você soubesse daquilo, nosso trio se separaria. Eu sabia que você também gostava dele e sabia que ele roubaria você de mim em um piscar de olhos. Assim como a maioria das pessoas no mundo, eu senti inveja, eu senti raiva e senti ciúmes, já que vocês eram os meus melhores amigos e me doía mais do que tudo apenas pensar em perder vocês. Então eu mandei ele se afastar de você, porque se, por algum motivo, vocês começassem a namorar, eu faria algo muito ruim para prejudicar vocês dois e a dor entre vocês seria tanta, que vocês nunca mais iriam se falar. Eu comecei a investir em você e ele ficou com uma raiva de mim, que eu pensava que ele poderia me matar com o mínimo olhar. Eu destruí a amizade mais perfeita que poderia existir e eu me odeio tanto por isso.

A raiva dele só aumentava, assim como a paixão que, tanto eu quanto ele, sentíamos por você. Mas eu sabia que você queria ele e ele estava tão cego que pensou que você gostasse de mim. No dia em que você me beijou, não era para você estar beijando a mim e sim a ele. Era para vocês estarem juntos, mas eu estraguei qualquer possibilidade de aquilo acontecer. Eu não queria vocês juntos.

Quanto mais eu te amava, mais eu sentia que nos distanciávamos, pois você não estava inteiro. Sempre tinha um pedaço seu faltando. Ele sempre estava faltando. Ele era a maior e mais importante peça do seu quebra-cabeça, aquela pela qual você lutou tanto para não perder, pela qual você esperou por tantos anos que voltasse, aquela pela qual você tanto chorou de saudade, aquela sobre a qual eu fiz questão de fazer você perder.

Saber que eu era o culpado da sua tristeza simplesmente me matava, mas eu não conseguia evitar aquilo. Eu pedi para Quinn convidá-lo para o nosso casamento, porque eu sabia que aquilo iria agradar a você, mas ele negou. Então eu mesmo liguei e pedi para ele vir, não por mim, mas por você.

Quando eu planejei essas cartas, eu apenas planejei te levar até ele. Eu sabia que meus dias estavam contados, sabia que meu tumor estava apenas aumentando e sabia que nunca mais veria seu sorriso. Por isso eu não te contei. Eu queria partir lembrando que você sempre foi a pessoa mais incrível que eu conheci. Eu queria partir sabendo que você me amava da sua maneira, e eu queria até mesmo sofrer por saber que você nunca poderia me amar da maneira que sempre amou ele.

Por isso fiz todas essas cartas. Eu sabia que você sofreria por me perder, mas não por perder o marido e sim por perder aquele melhor amigo do ensino médio, então fiz tudo isso para te levar diretamente para os braços daquele que você tanto sentiu falta.

Eu combinei tudo isso com Quinn, Rachel e Burt. Eles foram contra, mas no fundo sabiam que você precisava disso. Por isso criei tantos planos durante minhas últimas semanas de vida. Por isso eu vivia saindo de casa, dizendo que estava cheio de compromissos. Por isso eu não queria que trocássemos de apartamento ou tivéssemos filhos, porque eu sabia que iria morrer. As cartas que fiz, eram apenas lembretes para você sempre saber do meu amor. As passagens para Londres foram propositais. Eu sabia exatamente onde Blaine estava e queria te levar até ele. Eu descobri onde ele trabalhava e disse para as meninas te levarem até lá.

Eu espero, mais que tudo, que vocês tenham ido até aquela roda gigante e tenham tido o melhor primeiro beijo de todos, porque se Quinn e Rachel não levaram vocês até lá, é porque elas foram muito estúpidas e fizeram algo de errado (se ele convidou foi melhor ainda, porque isso já era o começo do plano, o qual ele nem sabia sobre). Espero que tenham passado uma noite de amor juntos e espero que finalmente tenham dito um ao outro o quanto se amam.

Eu quero ver vocês juntos e felizes, tendo o romance que todos sonham. Aqueles romances dos filmes que você tanto gosta, sabe? Eu planejei tudo para poder te ver feliz, eu só me arrependo de ter tirado onze anos de alegria sua, os quais você poderia ter passado ao lado de quem realmente amava. Eu poderia ter encontrado alguém para mim e nós quatro poderíamos realizar o sonho de passar a vida todos juntos, sempre se visitando, tendo filhos que seriam amigos e tudo o mais. Talvez tudo tivesse sido mais fácil.

Me perdoa por ter demorado tanto para finalmente te contar isso. Me perdoa por ter ameaçado Blaine. Me perdoa por ter destruído um relacionamento que tinha tudo para ser perfeito. Me perdoa por tudo. Eu juro que eu queria poder mudar, mas não posso.

Dizer que te amo não vai mudar o que aconteceu, nem amenizar a dor que causei, mas pelo menos vai mostrar que tudo teve algum sentido – pelo menos para mim.

Eu te amo, Kurt. Sempre amei. Desde que te conheci. Seria difícil não te amar. E eu espero que você ainda tenha um filho lindo de cabelos morenos e cacheados com olhos azuis, ok? É só o que quero: ver o amor da minha vida feliz.

P.S. Eu sempre vou te amar.

Kurt não conseguia mais parar de chorar depois de ler aquela carta. Era tudo que ele precisava ouvir. Ele precisava de uma luz de seu ex-marido lhe dizendo que estava tudo bem e que nada foi uma traição. Ele só precisava disso para poder seguir em frente.

Ele chorava por tantos motivos, incontáveis até. Ele sentia saudade de Sebastian, sentia saudade de seu ensino médio e agora sabia como tudo era para ter acontecido. Ele só precisava de uma coisa agora, para completar o último desejo de seu marido que, por algum acaso, se tornava também seu último desejo.

Kurt pegou seu celular e discou aquele número conhecido, fazendo a pessoa atender depois da quarta chamada.

Kurt?! Aconteceu alguma coisa?” – Perguntou Blaine do outro lado da linha.

Sim. Você estava errado.” – Falou o castanho, ainda trêmulo com a carta em mãos. Ele agradecia a Sebastian por ter conseguido coragem o suficiente para ligar para Blaine. Se o ex-marido lhe incentivava a fazer isso, então qual o problema, não é mesmo?

Sobre o que eu estava errado, K?” – Perguntou ainda confuso.

Sobre eu ter uma vida aqui. Eu já consertei minha amizade com minhas amigas e vi meu pai e percebi que não tenho uma vida aqui.” – Kurt fez uma pausa. – “Você é a minha vida, Blaine, e eu não tenho nada sem você.

Notas finais
Foi triste o B ter dito que não, mas foi por um bom motivo. Essa carta do Seb me destruiu por completo, não sei nem porque que doeu tanto, mas doeu. Me digam o que acharam ♥ Bjo ♥