Notas iniciais
é o primeiro capítulo, espero que gostem

Eu acelerava minha motocicleta cada vez mais. O vento balançava meu casaco no ar e despenteava meu cabelo – eu esqueci o capacete no meio da confusão. Olhei para trás, ele estava muito perto de mim.
Enfim, entrei na ultima rua – uma estrada abandonada que levava a uma cidadezinha, também abandonada, chamada Silent Hill. Acelerei mais e desviava dos galhos de arvores caído no chão.
Eu era rápido, o melhor piloto de motocicleta da região – se bem que a maioria dos jovens do interior não participava muito de rachas, pois tinham medo do proibido e se limitavam à monotonia.
Eu, apesar de saber dos riscos de ser pego, precisava do dinheiro – meu pai precisava. Então acelerei, não podia perder essa corrida. Olhei para trás para ver onde meu adversário estava, estava longe. Voltei o olho para a pista, então uma surpresa. Um vulto de uma garotinha pequena passou em minha frente, desviei rapidamente, mas perdi o controle da moto por causa da alta velocidade. Cai da moto, batendo a cabeça no asfalto. Ouvi uma voz feminina gritar meu nome: “- Alex! NÃOOO...”. Então desmaiei.

Acordei tonto, em um quarto, deitado no chão, parecia um quarto de hospital. Era grande, com umas cinco camas distribuídas disciplinadamente. Do lado esquerdo de cada cama, um criado-mudo, do lado direito, um aparelho estranho – mas comum de hospital. A parede estava suja, coberta por alguma coisa avermelhada – parecia sangue. O chão com os azulejos azul-marinho quebrados, marcas de pés e de mãos por todos os lados – feitos por sangue. As camas sem lençóis, os travesseiros completamente rasgados e jogados no chão.
Olhei novamente para as paredes, não encontrei nenhuma janela. E vi que, do outro lado do quarto, havia uma porta velha e enferrujada. Levantei-me do chão e senti minha cabeça doer. Coloquei a mão na cabeça e senti a ferida. Olhei para a mão e a vi manchada de sangue. Eu me feri – não sabia da gravidade do ferimento.
Andei vagarosamente em direção a porta. Mancava um pouco com a perna esquerda. Acelerei meus passos – eu tinha a impressão de que nunca chegaria. Então um susto, cai no chão, de medo.
Diante da porta, caiu do teto uma mulher. Sem os braços, as pernas com cortes profundos, o rosto estava tão deformado, que não havia nenhuma coisa que pudesse parecer uma face humana. Essa mulher estava presa pelo pescoço, com um arame farpado enferrujado.
O corpo balançava de um lado para o outro, impedindo minha passagem – era nojento e arrepiante, eu não me dava coragem para me mover. Meus dedos tremiam, meus olhos estavam arregalados, minha boca seca.