POSSÍVEIS PASSADOS PARALELOS
33 Massacre e Resposta
Notas iniciais
CAPÍTULO 32
MASSACRE E RESPOSTA
Na manhã seguinte, Harry acordou e revisou mentalmente os detalhes de seu plano. Logo após o café da manhã, foi para uma casa que havia sido designada como centro de reuniões, graças a uma sala de excelente tamanho. Aos poucos, os militares bruxos sob o comando do General MacAuliffe foram chegando e ocupando os assentos, até que todos os cinquenta encontravam-se lá.
—Senhores, bom dia. _ disse ele, apresentando-se _ Sou o Tenente Potter, Ajudante de Ordens do General Patton. Tomamos conhecimento de que os chucrutes irão desfechar um ataque à região das Ardenas e que Bastogne é um alvo prioritário. Além disso, tenho conhecimento de um fato que irá horrorizar a opinião pública, logo ao início de sua ofensiva.
— “Irá horrorizar”? _ perguntou o Sargento Adams, um dos melhores paraquedistas bruxos da 101ª— O senhor é Vidente, Tenente Potter?
—De uma certa forma, Sargento. _ disse Harry _ O que eu posso dizer é que, logo após o início da ofensiva, irão desfechar um ataque a Malmedy, que resultará no frio assassinato de 84 militares da guarnição. Mas, já que tenho conhecimento dos fatos ou mesmo Vidência, como disse o Sargento Adams (risos), estou seguro do que digo.
—E quem seria o responsável por essa atrocidade? _ perguntaram vários militares.
—Bem, de acordo com as informações das quais disponho, o ataque e o posterior massacre ocorrerão sob as ordens de um Obersturmbahnführer, chamado Joachim Peiper. _ respondeu Harry.
—Já ouvi falar dele. _ comentou o Tenente Caldwell _ Tudo o que importa é o resultado e ele não está nem aí para as possíveis baixas, mesmo as de seus próprios efetivos.
—Exato, Tenente Caldwell. _ concordou Harry, estendendo uma carta sobre a mesa, já com as marcações relacionadas ao seu plano _ O que eles querem é capturar uma ponte sobre o Rio Meuse e para isso, precisarão atacar e manter uma posição em um importante nó de estradas, o Cruzamento dos Cinco Pontos.
—Aldeia de Baugnez, entre Malmedy e Ligneuville. _ comentou o Capitão Horton _ Há uma guarnição naquela área, se não me engano, ela é formada por membros da 7ª Divisão Blindada e do 285º Batalhão de Observação de Artilharia de Campanha. Por Merlin! Se aqueles chucrutes fanáticos de Peiper avançarem, eles não terão como resistir por muito tempo e certamente serão mortos ou capturados, ainda mais porque o Kampfgruppe Peiper é formado a partir de uma fração da Leibstandarte SS Adolf Hitler.
—Os malditos boches não vão parar por nada e, se aquele sanguinário ordenar “matem”, eles cumprirão a ordem sem hesitar. _ disse o Sargento Henderson.
—Exatamente, Sargento. _ disse Harry _ Sabemos quando e onde será, sendo essa a nossa vantagem e que nos permitirá colocar nosso plano em prática.
—Mas, tendo conhecimento dos fatos, não seria mais fácil e prático simplesmente impedir o massacre? _ perguntou o Capitão Horton.
—Sim, seria, Capitão. Mas há muito mais implicações do que o senhor possa imaginar. Uma delas, a mais importante, é que esse massacre ajudará a sepultar de uma vez por todas qualquer manifestação favorável aos Nazistas. E o senhor pode acreditar, ainda há quem pense que eles estão certos. _ afirmou Harry _ principalmente na própria Alemanha, mesmo que, com risco de vida, vozes importantes se levantem contra Hitler e seus sequazes.
—Mesmo com tantas evidências? _ perguntou o Sargento Harris, egresso da Academia Americana de Aurores.
—Mesmo com tudo isso, Sargento. _ concordou Harry _ A máquina de propaganda alemã, uma orquestra sob a macabra batuta de Goebbels, é extremamente eficiente. Acredite se quiser mas, mesmo contra todas as expectativas, ainda há quem não creia na existência dos campos de concentração e negue a ocorrência do extermínio de judeus.
—Concordo com você, Potter. _ disse o Tenente Caldwell _ Há alemães que vivem na Romênia, Polônia e em outros países ocupados. Muitos acham que Dachau, Auschwitz-Birkenau, Bergen-Belsen, Treblinka, Majdanek e outros campos são “mentiras inventadas pelos ianques”.
—Como se a fuligem e o cheiro dos fornos em funcionamento fossem meras ilusões. _ comentou o Cabo Franks _ Só com um resfriado de seburrêlho para não ficar incomodado com aquilo.
—E o pior é que conseguem convencer os cidadãos. Acho que só se convenceriam ao verem os prisioneiros nos campos e olhe lá. _ O Capitão Horton serviu-se de um café, enquanto os outros concordavam.
—Bem, como eu havia dito, nada obriga que os 84 mortos tivessem que, obrigatoriamente, estar vivos antes. _ disse Harry.
—Não me diga que vamos conjurar Inferi. Por Merlin, aquelas coisas só são invocadas por quem trabalha com Magia Negra. _ comentou o Cabo Franks.
—Não, isso não será preciso, Franks. _ disse Harry _ Mas será um trabalho em duas partes. Primeiramente, conjurar 84 corpos a partir de matéria orgânica, creio que troncos servirão. E, em seguida, animá-los. E os Feitiços de Animação precisarão ser muito eficientes e fortes, para que os movimentos dos corpos animados não pareçam mecânicos, razão pela qual vocês foram escolhidos, tomando por base o seu nível de poder. Bem, vamos dar início às nossas missões.
Naquele momento, longe dali, realizava-se outro encontro. Desta vez, entre dois dos mais perigosos homens da Europa.
—Vejo que sua parte do plano está sendo executada de forma primorosa, meu caro. _ disse um deles.
—Ja, mein Herr.— disse o outro _ Temos os nossos elementos nas posições determinadas, já provocando o caos. Em breve, os malditos ianques desconfiarão das próprias sombras, detendo, interrogando ou mesmo matando seus companheiros.
—De certa forma, esse mau tempo nos ajuda. Todo mundo agasalhado, encasacado, fica difícil identificar alguém a um primeiro olhar. Juntemos a isso a confusão com o trânsito, missões desencontradas, ordens e contra-ordens conflitantes, tudo irá desviar as atenções para longe do objetivo principal.
—Antuérpia. _ comentou o outro, passando a mão de leve sobre a cicatriz do ferimento de esgrima no seu rosto _ Graças a vocês, bruxos poderosos, esse providencial mau tempo está se mantendo.
—E assim o faremos, enquanto nos for conveniente, meu caro Otto. Creio que os Aliados não suspeitarão de nada, até que seja tarde demais.
—E será que eles já não suspeitam, Klaus?
—Não é impossível, Otto. Principalmente por causa de dois malditos bruxos, Ajudantes de Ordens do General Patton.
—Sim, já ouvi falar deles. Tenentes Riddle e Potter, se não me engano. Eles participaram de diversas missões e foram responsáveis pela reconquista de Hogwarts e pela nossa expulsão da Inglaterra. Então eles também são bruxos, Klaus?
—Mais do que isso, Otto. Além de bruxos, também são de outro tempo e lugar. Por isso eu me preocupo, porque o que estamos vivendo pode ser História para eles.
—Meio difícil acreditar em universos paralelos e deslocamentos no tempo, Klaus. Mas depois de conhecer a magia e, além disso, a fixação do Führer pelo oculto, pelo esotérico, já não me parece algo tão sem sentido.
—Acredite, Otto, não é nada sem sentido. Há energias, forças desconhecidas à nossa volta e, muitas vezes, é melhor que as pessoas nada saibam, pelo bem de sua sanidade mental. Por isso é que o conhecimento das Sonderwaffen ficou restrito a pouquíssimas pessoas, já que ele envolve tecnologia e Ocultismo.
—Sim, eu sabia alguma coisa sobre aqueles equipamentos na Polônia, mas não era interessante para a minha área de atividade, portanto não dei muita atenção. Meu negócio é a operacionalidade. Mas não é apenas isso, tenho certeza. Por mais que estejamos avançando, sinto que é meio que uma tática de desespero.
—Concordo, Otto. Infelizmente, devo concordar que o Reich está com seus dias contados, desde o momento em que os Aliados desembarcaram na Normandia. Nada está detendo seu avanço e, em breve, estarão em Berlim. Agora as apostas serão sobre quem chegará primeiro, os americanos ou os soviéticos.
—Pessoalmente, preferia que fossem os americanos. Parece que os soviéticos não terão inclinações muito cavalheirescas em relação a nós. Isso como um eufemismo. _ disse Otto.
—Entendo. Eles não terão pena alguma, principalmente de alguns de nós, que agiram mais do que severamente contra os eslavos, na Frente Oriental. Esse é um dos motivos pelos quais estamos nos mobilizando com rotas de fuga. Nenhum de nós é hipócrita, Otto. _ concordou Klaus _ O Führer pode estar doente, até mentalmente perturbado, demenciado pelo Parkinson e pelas drogas, mas continua, no fundo, muito inteligente e determinado.
—Ele disse para que nenhum de nós se entregasse vivo, Klaus. Mas também não disse o que deveríamos fazer para não nos entregarmos.
—Exatamente o ponto ao qual eu queria chegar, Otto. Quem garante que o Führer não tenha as suas rotas de fuga e que já não as tenha utilizado?
—É bastante provável, Klaus. Isso já estava sendo preparado, inclusive, para nós e outros mais, de escalões mais altos. Desaparecer da Alemanha e ir para outros lugares mais... “amigáveis”, antes que os Aliados nos coloquem as mãos.
—Isso seria interessante, Otto. Sabe, eu recebi ordens de me juntar a Grindelwald, em Nurmengard. Mas não sei se essa seria a melhor jogada. Embora em qualquer lugar essa minha aparência de vilão de gibi trouxa irá me denunciar, me obrigando a passar a vida sob Feitiço de Transfiguração.
—Isso não importará, Klaus. Não se esqueça de que, bruxo ou trouxa, a ODESSA jamais irá desamparar os seus.
—Bom, muito bom. Grindelwald pode ser um grande estrategista, mas sua ligação afetiva com o Führer e suas afinidades de ideias podem acabar prejudicando seu julgamento.
—Sim, sei que, assim como eu, os dois são austríacos. Além disso, partilham o primeiro nome e Grindelwald foi uma espécie de eminência parda da ascensão de Hitler e do próprio Partido Nazista. Como você disse, Klaus, nenhum de nós é hipócrita. Acreditamos na ascensão de um novo Reich? Sim, mas não agora. E para isso, precisaremos sobreviver à queda do atual, tendo rotas de fuga e destinos seguros. Afinal, para alguma coisa tinha que servir todo aquele material subtraído dos prisioneiros judeus, nos campos.
—Entendo. Brincos, joias, relógios e mesmo obturações de ouro não teriam utilidade alguma, se enterrados ou simplesmente furtados e distribuídos. Fundidos em lingotes e depositados nos discretos bancos suíços, virão a constituir importantes fundos para nossa sobrevivência e um possível posterior retorno.
—Exato, Klaus. Diga-me, qual o grau do seu interesse em sair da Europa?
—Alto, Otto. Bem alto. E tem a ver não só com um renascimento do Reich, mas com minha própria sobrevivência. Você se lembra de que comentamos sobre os Ajudantes de Ordens de Patton, não é?
—Sim, os Tenentes Riddle e Potter. Os prováveis viajantes do tempo.
—Mais do que prováveis, Otto. Eles participaram do combate da retomada de Hogwarts e do posterior malogro da “Operação Amerika Bomber”. Quando os Horten foram liberados, Potter estava em um deles e abateu o meu, quase me matando. O rádio estava aberto e eu ouvi Potter dizer claramente que havia vindo do futuro de uma realidade alternativa, na qual havíamos perdido a guerra e o Reich havia acabado. E tenho certeza de que, para ele, a situação tem um caráter pessoal.
—Pessoal, Klaus? Como assim?
—Bem, acontece que matei a garota com quem ele iria se casar, após o fim da guerra. A filha de um funcionário do Ministério da Magia, chamada Elaine Rutherford. Mirei nele, mas acabei atingindo a garota no tórax e ela morreu quase na hora. E, acredite, tenho bases para afirmar que não quero aquele cara atrás de mim. Você disse que há lugares mais amigáveis para nós, não é?
—Sim. Creio que a América do Sul é bastante aprazível, o ano todo. No Brasil, mesmo que o país faça parte dos Aliados, inclusive com presença de tropas na Itália, há células da ODESSA para apoiar nosso pessoal. O Paraguai é neutro e a Argentina pende para o nosso lado, Perón nos é simpático e acolherá nosso pessoal com satisfação. O que você acha?
—A ideia é tentadora, Otto. Eu poderia ir para a Argentina, quem sabe. O clima é bom e eu já falo bem o Espanhol, seja o raiz, da Espanha, seja o Castelhano das ex-colônias. Só precisaria, talvez, de um Feitiço “Vernaculum Hispânica” para melhorar a fluência.
—Então, conte comigo quando chegar o momento, Klaus. Como eu já lhe disse, seja bruxo ou trouxa, a ODESSA não desampara os seus.
E, com um aperto de mãos, Klaus von Feuer-Adler, também conhecido como “Coringa” e Otto Skorzeny, dois dos mais perigosos homens da Europa, despediram-se e seguiram seus caminhos, cada um com suas missões.
Aliás, uma delas, um lançamento noturno de paraquedistas para capturar e manter estradas e junções de ruas, comandada pelo Coronel von der Heydte e denominada “Operação Stösser”, resultou em um quase completo fracasso, inclusive com a captura do Coronel von der Heydte, até mesmo porque já havia previsão de 10% ou menos de sucesso desde o planejamento por parte do Marechal Walter Model, embora o mesmo também tivesse dito que a campanha poderia ser a última chance de reverter o quadro da guerra.
Em 16 de dezembro de 1944, às 05:30 h, mesmo com mau tempo, as forças Nazistas desfecharam seu ataque, com uma intensa barragem de artilharia, cobrindo cerca de 130 Km e durando cerca de uma hora e meia, que despertou as forças Aliadas e as fez imaginar que seria um contra-ataque localizado. Na verdade, o objetivo era chegar a Liège, o que ficou a cargo do 6º Exército Panzer SS de Josef “Sepp” Dietrich, que atacou Losheim e Elsenborn Ridge, ao norte. Ao centro, o General von Manteuffel atacou, com o 5º Exército Panzer, as cidades de Bastogne e St Vith. Ao sul, o 7º Exército de Erich Brandenberger avançou até Luxemburgo.
Dentre todos esses acontecimentos, vamos nos ater aos que envolveram os incidentes ocorridos em Bastogne, Malmedy e Baugnez.
No dia seguinte ao início do ataque alemão, 17 de dezembro, a 1ª Divisão Panzer SS, comandada pelo Obersturmbanführer Joachim Peiper avançava para o oeste, vindo de Büllingen, Bélgica. Nesse deslocamento, acabaram por convergir com um comboio da Bateria “B” do 285º Batalhão de Observação de Artilharia de Campanha, com um efetivo de cerca de 140 homens e 30 veículos, pouco antes do meio-dia, em Baugnez, no Cruzamento dos Cinco Pontos.
Os alemães imediatamente abriram fogo contra os Aliados, evitando explodir as viaturas, pois necessitavam do combustível. Pegas de surpresa, as tropas americanas foram rapidamente vencidas, sendo que parte do efetivo conseguiu escapar, mesmo que deixando viaturas, equipamentos e até mesmo objetos pessoais para trás.
Em seguida, o Obersturmbahnführer ordenou que os militares americanos capturados formassem em oito fileiras em um descampado, no cruzamento. Então, um Untersturmführer (Segundo-Tenente) dirigiu-se ao Comandante.
—Herr Kommandant, die Gefangenen werden gemäß Ihren Befehlen gruppiert. Was sollen wir tun (Sr. Comandante, os prisioneiros estão agrupados, conforme suas ordens. O que deveremos fazer)?
Sem ao menos olhar para os soldados americanos, agrupados à beira da estrada Peiper disse, de forma totalmente desprovida de emoção:
—Was uns interessiert, sind Treibstoff und Ausrüstung. Diese Yankees sind komplett wegwerfbar. Sie können sie erschießen (O que nos interessa é o combustível e o equipamento. Esses ianques são totalmente descartáveis. Podem fuzilá-los).
Alguns dos militares alemães, mesmo sendo das Waffen-SS, se arrepiaram com a ordem dada por Peiper. Mas, como não eram idiotas, preferiram não se manifestar, pois poderia sobrar para eles.
Os soldados das Waffen-SS engatilharam suas MP-40, apontaram e dispararam rajadas de projéteis 9 mm em direção aos prisioneiros, que caíram ao solo.
Aliás, falando em “cair”, os alemães caíram direitinho no truque criado por Harry. Os tiros atingiram os corpos conjurados e os bruxos que os controlavam utilizaram Feitiços Escudo e Confundus, para que os projéteis se desviassem para longe e os atiradores pensassem tê-los atingido, rindo sadicamente.
Os alemães, após certificarem-se da “morte” dos prisioneiros, recolheram as “Dog-Tags”, carregaram suas viaturas com o combustível, munição e equipamento saqueados e retiraram-se do local. Assim que a tropa das Waffen-SS se perdeu de vista, alguns dos 40 bruxos vivos levantaram-se e começaram a fotografar os corpos espalhados ao redor do cruzamento, com destaque para as manchas de sangue conjurado. Ao concluírem sua tarefa, desaparataram para Bastogne, a fim de relatarem a Harry o sucesso da missão. Em breve, o mundo tomaria conhecimento do Massacre de Malmedy.
De volta a Bastogne...
—Então tudo correu de acordo com o esperado? _ perguntou o General MacAuliffe.
—Sim senhor, General. _ respondeu Harry _ Os chucrutes caíram direitinho na nossa armação. Pensaram ter fuzilado uma tropa americana quando, na verdade, gastaram munição em corpos animados, conjurados a partir de troncos de madeira. E os militares vivos, como eram todos bruxos, usaram Feitiços Escudo e Confundus. Assim os boches pensaram que os atingiram, quando os projéteis foram defletidos para longe.
—Um problema a menos, Harry. Agora, precisaremos dar jeito nesse mau tempo enfeitiçado. _ comentou o General.
—Já está sendo providenciado, General. Também deveremos estar preparados para a “visitinha” que teremos nos próximos dias.
—Ah, sim. Eles acreditam que estamos com poucos suprimentos, não sabem do salto que sua equipe fez, antes do início do ataque. Acredito que ficarão bem surpresos com isso. _ disse o General _ E se isso coincidir com a melhora das condições climáticas, melhor ainda.
—Pode esperar que sim, General. _ disse Harry, com um sorriso. Pelo seu conhecimento de História, ele já sabia qual seria o resultado da “visitinha”.
O mau tempo persistiu pelos dias seguintes, juntamente com os ataques alemães, que os sitiados percebiam estarem sendo executados com dificuldades materiais. Enquanto isso, a tropa sitiada fingia estar passando pelas mesmas dificuldades.
Até que, no dia 22 de dezembro, o tempo pareceu melhorar. Aquilo significava que os bruxos Aliados haviam conseguido superar os feitiços da equipe de Grindelwald. Então, por volta das 12 horas, um grupo de quatro parlamentares alemães adentrou Bastogne com uma bandeira branca, levando uma mensagem do Comandante da 26ª Divisão de Granadeiros, General Heinz Kokott, intimando a capitulação do General MacAuliffe e suas tropas, nos seguintes termos:
“22 de dezembro de 1944
Ao Comandante dos EUA da cidade cercada de Bastogne.
A sorte da guerra está mudando. Desta vez, as forças dos EUA em Bastogne e arredores foram cercadas por fortes unidades blindadas alemãs. Mais unidades blindadas alemãs cruzaram o rio Ourthe perto de Ortheuville, tomaram Marche e chegaram a St. Hubert passando por Hompre-Sibret-Tillet.
Libramont está em mãos alemãs.
Há apenas uma possibilidade de salvar as tropas dos EUA cercadas da aniquilação total: a honrosa rendição da cidade cercada. Para pensar sobre isso, será concedido um prazo de duas horas a partir da apresentação desta nota.
Se esta proposta for rejeitada, um corpo de artilharia alemão e seis batalhões pesados da A. A. estão prontos para aniquilar as tropas dos EUA em Bastogne e arredores. A ordem de tiro será dada imediatamente após esse prazo de duas horas.
Todas as perdas civis sérias causadas por esse fogo de artilharia não corresponderiam à bem conhecida humanidade americana.
O comandante alemão”.
—Prolixo ele, não é mesmo, Harry? _ perguntou o General MacAuliffe.
—Prolixo, arrogante e pomposo. _ concordou Harry _ Eles também estão com redução de suprimentos e munições, inclusive pensam que nossa situação é muito ruim, pior do que realmente é.
—Temos condições de resistir por bastante tempo, sem depender dos reforços do General Patton. _ disse MacAuliffe _ Mas não podemos ficar dando na vista.
—Bem, eu já faço uma ideia da resposta que eles merecem e que o senhor vai dar. _ disse Harry _ E temos de dizer algo aos chucrutes.
—Tem razão, Harry. Seria deselegante não responder ou despachá-los sem resposta alguma. _ concordou MacAuliffe, pegando um bloco de papel timbrado e começando a escrever sua resposta aos alemães. Ao terminar... _ O que você achou, Harry?
—Acredito que vai dar motivos para eles pensarem. Afinal de contas, sua resposta pode ter vários significados. _ disse Harry, vendo o que o General MacAuliffe havia escrito e conscientizando-se de que estava protagonizando um importantíssimo episódio na história da II Guerra.
Em resposta ao texto prolixo, pomposo e pedante do General Heinz Kokott, a resposta do General Anthony Clement MacAuliffe resumia-se a uma palavra, além do cabeçalho e rodapé de praxe em um documento oficial.
“22 de dezembro de 1944
Ao Comandante Alemão
‘NUTS’.
O Comandante Americano”
Aquilo poderia significar “LOUCURA”, "VÃO PARA O INFERNO”, "NÃO NOS RENDEREMOS” ou, em um contexto mais ofensivo, “MINHAS BOLAS”.
De qualquer forma, era a resposta que passaria para a História como um símbolo de resistência.
Quando a resposta chegou ao General Heinz Kokott, a ação dos alemães não se fez esperar, ainda que pífia. Em lugar do prometido furacão de fogo, dois débeis ataques, prontamente rechaçados pelos sitiados, surpreendendo as tropas alemãs com um poder de fogo que os boches não imaginavam.
Aquilo também ensejou um bombardeio noturno, por parte da Luftwaffe. Mas o que os alemães não esperavam era que o Feitiço Climático de Grindelwald tivesse sido neutralizado pelos bruxos Aliados, resultando em diversas aeronaves Nazistas abatidas.
E, para melhorar a situação dos Aliados, a partir do dia seguinte o tempo melhorou por completo e as aeronaves Aliadas começaram a lançar munições, combustíveis e víveres, o que se prolongou por todo o dia e pelo dia seguinte, acompanhadas de mensagens do General Patton, dizendo: “Aos combatentes de Bastogne, Feliz Natal estou a caminho. Mantenham os hunos fora”, criando cada vez mais condições de resistência, remessas que continuaram até o dia 26 de dezembro.
Os combates se arrastaram até 25 de janeiro, quando Patton e o 3º Exército libertaram a 101ª Divisão e os alemães se renderam, colocando um ponto final ao Cerco de Bastogne.
Assim que as viaturas estacionaram e Patton desembarcou da viatura de comando, com o Tenente Tom Riddle ao seu lado, Harry perfilou-se e prestou continência ao General, que apertou sua mão e o abraçou, como a um filho. Em seguida, cumprimentou Tom e os três foram ao encontro do General MacAuliffe.
—Então o meu garoto cumpriu bem a missão, Tony? _ perguntou Patton.
—Perfeitamente, George. _ disse MacAuliffe _ Inclusive, enganou o grupo daquele sanguinário do Peiper.
—Como é? _ perguntou Patton.
—Eu havia mencionado ao senhor, General. _ disse Harry, pegando um envelope com fotos _ Registramos o “Massacre de Malmedy” com uma profusão de fotografias de dar inveja à TIME ou à LIFE. Apenas substituímos os soldados por corpos conjurados e animados. Os alemães pensaram que haviam eliminado militares vivos. Um dos que estavam controlando os corpos conjurados me revelou que Peiper disse claramente que só queria as viaturas e equipamentos, que os militares eram descartáveis.
—Desgraçado. _ disse Tom _ Nem mesmo como Lord Voldemort eu agia assim.
—Esse é apenas e tão somente mais uma hiena sedenta de sangue na matilha Nazista. _ disse Harry _ Nuremberg irá se encarregar dele.
—Assim espero. _ disse Patton _ Torço para poder assistir a esses julgamentos.
Naquele momento, Harry contraiu os maxilares. Ele sabia que Patton não sobreviveria para assistir às sessões dos julgamentos de Nuremberg e aquilo o entristecia. O bruxo se questionava sobre se deveria fazer algo, alterar ainda mais a História naquele universo, preservando a vida de um homem que poderia ajudar a barrar o avanço vermelho na Europa e evitar (ou pelo menos diminuir) o flagelo da Guerra Fria. Além disso, simpatizara com o General, logo de início.
Aquilo não passou despercebido a Tom Riddle. Depois que a reunião terminou e os dois foram liberados, foram para seus alojamentos. Sentados a uma mesa, com taças de Cognac Hennessy, os bruxos deliberavam sobre o que fazer.
—Eu notei sua reação às palavras do General Patton e faço uma ideia do que você pretende, Harry. _ disse Tom.
—Seria pretensão demais, Tom? Tentar salvar a vida de alguém que poderia ser importante na reconstrução da Europa no pós-guerra? Não estaríamos interferindo além da conta no continuum deste universo?
—Sinceramente, Harry, depois de resgatarmos Rommel, não creio que qualquer coisa que façamos irá alterar mais a História. Daqui a pouco, só falta recebermos ordens para reduzir os danos das bombas de Hiroshima e Nagasaki.
Um estalido de aparatação e um General do Exército Escocês, de uniforme e Kilt, surgiu à frente dos dois.
—Prof. Dumbledore! _ disse Tom _ Ou melhor, General Dumbledore! O que houve?
—Harry, Tom, é muito bom revê-los. _ disse Dumbledore _ Eu já soube do sucesso de sua missão aqui em Bastogne e em Malmedy. Acabei de ter uma conferência com Churchill e creio que vocês terão uma nova missão, desta vez mais longe.
—Longe o quanto? _ perguntou Harry.
—Onde nasce o sol. _ disse Dumbledore.
—Eu acho que você é dotado de Vidência, Tom. _ disse Harry _ E acho que também teremos outro assunto para discutir.
Depois de dizerem a Dumbledore o que os preocupava, o velho bruxo se manifestou.
—Sinceramente, jovens, eu concordo. _ disse Dumbledore, servindo-se de uma dose de Cognac— Pelo que vocês me disseram, o acidente poderia ter sido evitado e creio que o continuum não irá se alterar de forma significativa. Afinal, parece que é uma folha em branco e a História está sendo escrita.
—Então, vamos tratar de realizar um bom “Vernaculum Nipponica” e preparar nossa viagem. _ disse Tom.
—Além de planejar como realizaremos o encontro. _ disse Harry.
—Hirohito-Sama, aqui vamos nós. _ disseram os dois, juntos.
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