PLDT-Novos conflitos
27 Descobertas Que Nos Definem.
Notas iniciais
Desde a adolescência, Melyssa sempre gostou de Milk shake, até certo ponto, aquela bebida deliciosa a acalmava, e não foi diferente naquela tarde que sucedeu a manhã em que tivera uma conversa reveladora com Gustavo. A loira consumia tranquilamente tal item, enquanto esperava sua melhor amiga, vulgo Jessy, aparecer na lanchonete que marcaram para se encontrar.
Mesmo sabendo que se a ruiva descobrisse, que ela e Bernardo só reataram por algumas horas, ela iria enche-la o saco, a mulher decidiu que se arriscaria, e pediria ao céus para, por hora, Jessy não tomar conhecimento disso.
Ela olhou em volta no estabelecimento, e sorriu quando se deparou com uma garotinha, brincando com a gravata de seu pai, enquanto encontrava-se em seu colo, a mulher ao lado deles, que parecia com a menina, apenas lançava um olhar encantado para cena.
Mel mordeu o canudo, e engoliu a seco, percebendo que se dependesse do relacionamento dela e de Bernardo, ela nunca teria aquilo.
Por sorte, parou de se lamentar por isso, quando uma animada Jessy apareceu, carregando várias sacolas e se sentou ao seu lado de forma alarmada.
—Desculpe pelo atraso, mas, é que no caminho, eu vi uma vitrine que exibia botas de veludo lindas, e eu tinha que comprar para usar nas minhas férias em Paris. — ela comunicou, como se aquilo fosse muito importante.
—Tudo bem, você não seria você, sem as futilidades. — Mel debocha.
—E você não seria você, sem esse bom humor. — Jessy retruca.
—Hum...Será que eu preciso lembrar que quem me convidou para esse lanche foi você? Então suporte meu humor. — devolve com sutileza.
Jessy revirou os olhos, e chamou a garçonete, pedindo a ela, apenas um suco e algumas torradas.
—Qual é! Eu precisava disso, passei os últimos dias, organizando o casamento do Ícaro as pressas, tenho que relaxar um pouco com a minha melhor amiga. — ela esclarece.
—Imagino o quão louca você ficou...Você é tão obcecada em tornar festas perfeitas e super bem faladas. — Mel zomba com desdém.
—Você não tem noção, minha menstruação que já é super atrasada, se atrasou ainda mais com todo esse estresse. — ela diz revirando os olhos.
—Uou, achei que não fosse possível ela se atrasar mais...Me lembro que por causa das peculiaridades dela, você já desconfiou estar grávida umas mil vezes. — a Parker ri da amiga, que suspira pela a brincadeira dela.
—Sim, ao contrário da sua que sempre foi certinha. É irritante, que uma pessoa desorganizada como você, tenha essa sorte, enquanto eu, que sou obcecada por controle, preciso sempre temer. — Jessy diz revirando os olhos.
—É...Ela sempre foi... — o rosto de Mel de repente ficou branco. — Ela sempre foi certa. — conseguiu falar meio alarmada.
—O que foi? — Jessy notou a expressão dela, e Mel se levantou nervosa.
—Eu...É...Eu lembrei que...Céus...Eu preciso fazer algo. — ela puxou sua bolsa da cadeira e praticamente fugiu dali.
Andava pelas ruas agitadas de Los Angeles, esbarrando nas pessoas a sua volta. Aquilo não poderia estar acontecendo com ela, não naquele momento. Não era possível. Não era possível realmente. Era só coincidência. Uma paranoia. Não tinha como acontecer. É claro que não tinha.
A cada minuto seu desespero aumentava mais. Ela se perguntava o que fazer. De repente, a resposta apareceu, quando ela se deparou com uma farmácia bem a sua frente.
Foi reunindo toda a sua coragem, que ela adentrou ao estabelecimento e caminhou até o balcão de atendimento.
—Em que posso ajudar? — uma moça simpática indagou.
—Eu...Preciso de teste de gravidez...Uns cinco...De diferente marcas. — ela responde com a voz embargada e a mulher assente com compreensão ao seu estado.
[...]
São cinco resultados iguais.
Cinco confirmações.
Cinco “Positivo”.
Ela sabia, eram três meses...Três meses em que ela teve sinais óbvios. Nada de menstruação. Enjoos que ela acreditou serem por conta das excessivas ressacas que teve. Muita fome, que ela acreditou ser por estresse. Engordou, e achou que isso se devia a falta de caminhadas matinais de sempre. Não era nada disso, era uma gravidez.
E ela também sabia com quem especificamente transou a três meses atrás, e a resposta a fazia ficar mais alarmada que nunca.
Não conseguia entender, como aconteceu, segundo sua médica, ela não podia engravidar. Foi um erro dela então?
Chorava enquanto segurava um dos testes em suas mãos. Era algo misturado com medo, culpa e felicidade; Medo por não saber o que faria a parti dali, afinal, se ela não conseguia cuidar de sua própria vida, com cuidaria da vida de uma criança?. Culpa por temer que algo pode ter acontecido a esse bebê, por causa das irresponsabilidades que cometeu ao longo desses três meses. Felicidade, por conseguir, algo que já tinha se conformado que nunca teria.
Tremendo, ela aproximou a mão livre de sua barriga, e com hesitação, a tocou, rindo nervosamente, quando notou que já havia uma elevação ali, mas, ela fora distraída demais para notar.
De repente, um barulho interrompeu seu momento. Uma mensagem acabara de chegar ao seu novo celular, que continha o número antigo. Com receio, ela pegou o aparelho e a abriu.
Mel, os diretores da empresa exigem uma reunião com você, eles querem uma explicação para seu sumiço por todo esse tempo, tentei enrolar eles, mas, eles não caem mais no meu número. Posso pedir para Scarlett marcar uma reunião para amanhã?
— Joeye.
Ainda tinha isso. Ela nem ao menos sabia, se ainda queria aquilo para sua vida. Ser a presidente daquela empresa, nunca foi algo que ela almejou, e aparentemente Joeye se virava muito bem sem ela lá.
Ela resolveu deixar de lado. Depois do que descobriu, nada seria mais importante que aquilo para ela.
[...]
Ponto de vista : Gustavo Bennett.
Era bem mais fácil fingir ser o adolescente bobão, que tinha somente um coração quebrado, antes de conhece-la. Aceitar Melyssa Parker como uma missão, revolucionou tudo na minha vida. Porque, ela em si revolucionou tudo. Achei que conhecesse todo tipo de pessoa, mas, quando a vi, e tentei entende-la, descobrir que Mel era diferente de qualquer coisa que eu já possa ter descoberto.
Ela nem sabe, mas, ela atrai, ela encanta, ela vicia, e ela fascina. Melyssa Parker é basicamente o sonho em conjunto com um pesadelo de qualquer um. Ela é intensa, corajosa e apaixonante. Eram por esses motivos que eu a amava. Céus. Eu havia aprendido a ama-la de uma forma que eu nem ao menos sabia que podia amar.
Cecília bagunçou tudo para mim, e eu quebrei tudo dela, mas, nem com isso, senti o furacão de sensações que tenho, quando estou com Mel, quando a vejo sorrindo, sendo livre, ou simplesmente lutando pelo que quer.
Eu sabia, nunca seria digno dela, porque por mais ruim que ela se acha ser, ela é boa. Ela tem uma boa alma, e apesar do sofrimento, que de vez em quando causa, ela é uma cura. Pelo menos foi a minha.
Talvez um fim doesse menos, eu não podia mais magoa-la com essa história triste. Desde o princípio, eu venho a magoando, mentindo, e a enganando. Melyssa precisa de alguém que a valorize, e que não erre tanto com ela, e eu não pareço ser essa pessoa. Eramos péssimo juntos e eu não sabia mais como tentar, assim como ela não sabia se ainda me queria.
Voltei a realidade, e passei a colocar em uma gaveta, as pastas que continham minhas missões já finalizadas. Afinal decidi que não precisava mais fazer isso. Não quero mais fingir ser outra pessoa para ninguém.
Eu executava essa função sobre o olhar atento de Clove, que havia chegado faziam alguns minutos. Eu não havia trocado nenhuma palavra com ela, até agora. Conhecia ela o suficiente, para saber que ela me encheria de lições de moral sobre Melyssa; Logo que é isso que nossos melhores amigos sempre fazem, nos irritam pensando em nosso bem.
—Você sabe que em algum momento, vai ter que falar comigo, certo? — ela indaga, arqueando uma sobrancelha.
—Não tenho problema algum em falar com você, tenho problema em ouvir o que você quer dizer. — disse após um suspiro.
—Okay, seja infantil e não ouça a Clove...Isso não vai me impedir de falar, é ridículo você dar tempo a Mel, vocês não precisam de tempo, precisam de ação, de declarações, e de luta...Conceder essa exigência dela, é só uma forma de dizer que não coragem de batalhar por ela...O que você acha, que magicamente ela virá até você? — ela estava ponto de responder aquela pergunta retórica, quando um batido na porta fora ouvido.
Ponto de vista : Terceira Pessoa.
Querendo evitar Clove, Guto mandou a pessoa entrar, e surpresa foi pouco para definir o que ele sentiu, quando uma hesitante Mel, adentrou a sala dele no departamento de policia de Los Angeles.
—Bem, acho que ela veio. — Clove zomba, antes de sorridente, se despedir deles com um sorrisinho e fugir dali.
—Achei que depois daquele papo, nunca mais fosse falar comigo. — Guto revela desconfortável.
—Era um opção...Depois de ter odiado sua existência por um tempo. — Mel debocha.
—Uau. — ele finge surpresa.
—Eu percebi que não falei que sinto muito, hoje mais cedo. — ela assume uma postura séria.
—Sinto muito por quê? — Gustavo está curioso.
—Que eu sinto muito pelo que você perdeu...Pela vida que esperou, mas, não pôde ter, pelo filho que não teve e os momentos incríveis que se foram juntos com ele...Sinto muito que isso tenha destruído uma parte de você...Sinto muito por tudo isso...Mas, não tanto quanto sinto, por não ter sido uma garota menos problemática quando te conheci...Porque, talvez, se eu tivesse sido menos Mel, teria te ajudado a sair da sua escuridão, em vez de te convidar a conhecer a minha. — praticamente murmura.
—Foi justamente por você ter sido a “Mel” que as coisas melhoraram para mim. — Gustavo esclarece.
—Quando descobri que estava apaixonada pelo Bernardo...Eu achei que senti aquilo, por o conhecer desde sempre, por ele não ser um risco, entende? Eu era a garota que não sabia amar, e então amei ele...Só que quando encontrei você, eu descobrir que amar alguém, não tem nada a ver com conhecer essa pessoa, tem a ver com mergulhar no que não entende, e mesmo com medo, ir mais fundo. — Melyssa conta séria.
—Olha Mel, eu não te conheço completamente, mas, te conheço o suficiente para saber que nesse momento, você está enrolando para chegar a um ponto. — Gustavo é claro ao dizer isso, e Mel estala a língua.
—Okay...Quer ouvir um conselho interessante? Quando alguém te disser que algo é impossível, é bom checar. — Mel debocha.
—Sobre o que estamos falando? — Guto indaga.
—Lembra-se quando eu te disse, que minha médica havia decretado que eu estéreo? — ela questiona sucinta.
—Sim...Onde... — ele não termina a pergunta, pois de repente fica estático.

—Eu estou grávida. — ela revela finalmente direta. — Especificamente de três meses. Fato mais interessante; Há três meses eu não estava transando com o Bernardo, porque ele tinha uma rotina de shows horrível...Fato preocupante e revelador; Há três meses eu transei com você. — ela explica de maneira irônica.
Os olhos de Gustavo marejaram, quando aquela informação por fim foi processada. Tudo bem, que depois do filho que perdeu, ele sempre quis ter outra criança, mas, saber que essa viria de Melyssa, a quem ele considerava seu grande amor era mais do que o paraíso.
Era como se todos os seus sonhos pudessem ser realizados, como se tudo tivesse sentido.
—Eu vou ser pai? — ele precisava de uma confirmação.
—Sim. — Mel concordou séria. — Eu só não quero que encare isso, como eu dizendo “Ei, devíamos ficar juntos agora”. — ela pede.
—Por que me contou? Por que me deu o prazer de saber? — seu sentimento de culpa fez com que ele perguntasse.
—Como assim? — Mel indaga sem compreende-lo.
—Depois do que eu disse ter feito a Cecília, confia em mim, para ser o pai desse filho? — a Parker ofegou quando ouviu aquilo, e mesmo contra sua segurança sentimental, se aproximou de Gustavo, e segurou o rosto dele, com suas duas mãos.
—Ouça-me Guto, independente do que você me disse ontem, eu sei que posso confiar em você, porque no fim, você não é aquela pessoa...E você me salvou mais vezes do que se pode contar, então eu sei, que não haverá lugar mais seguro para essa criança do que ao seu lado.
Foi ali, que ele desistiu da ideia de não tentar. Ele sempre tentaria. Sempre lutaria por um recomeço com ela. Com a mulher de sua vida, e agora com a mãe de um filho seu. Melyssa Parker.
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