PARADOXO - Seson 3

6 Capitulo 6 - Divididos Caímos


Notas iniciais
Oi gentes! Capitulo novo, espero que curtam!

LUNNA

Reviver todo meu passado me revirou o estômago, um gosto metálico tomou conta da minha boca e quase não posso conter a avalanche de memórias que havia enterrado e agora parecem querer seu lugar de honra no telão da minha mente. Controlar minhas expressões, manter a postura perfeita e todos os outros métodos que desenvolvi para não transparecer minhas lacunas aos olhos de quem me vê, não parecem funcionar como antes. Deixo a água quente cair sobre meu corpo, me forçando a pensar em meus pais, Phillippe e Connor, e em como tudo o que me assombra me trouxe para eles, me tornou o que sou hoje.

—Aceitar -digo baixinho olhando meu reflexo no espelho, não é tão diferente da garota que era surrada e jogada de um canto ao outro.

—Lunna? –a voz de Connor me desperta.

Me olho novamente e enxugo as lágrimas que parecem não parar de escorrer. Pela primeira vez, posso entender coisas sobre quem sou, que venho ignorando a anos. O verdadeiro motivo de baixar sempre o olhar, meus sorrisos contidos e educação polida. Sempre justifiquei como o fato do meu QI elevado, tornar meu Quociente Emocional (QE) menor. Pessoas como eu, Tim Drake ou Victor Stone são isoladas naturalmente, primeiro por que se nos soltarmos viveríamos em frustração tentando manter uma conversa com alguém, segundo por que não existe o que os outros qualificariam como relacionamentos superficiais, não para quem é como nós.

Mas não é o fato de ser um gênio que me tornou isso, minha timidez e medo de socialização foram os efeitos colaterais de uma infância sem proteção nenhuma. Aquela garotinha amedrontada está gritando em meus olhos e não havia ninguém para atender seu socorro. Cada tracinho delicado que o tempo não foi capaz de levar, mesmo tendo a enterrado o mais fundo que pude para conseguir sobreviver ao inferno que minha infância foi. Não me parece certo ou justo, uma garota precisa de um lugar quente e um colo aconchegante para se sentir segura e protegida, mas precisei amadurecer e abrir mão do centro de qualquer coisa que fosse, ser egoísta simplesmente não faz parte da realidade de quem não tem mais ninguém.

—Ela precisa do tempo dela –ouço Isis discutir com o irmão no batente da porta, quase como antes, me fazendo sorrir em meio as lágrimas que não sessaram. –Não tem que ir no mercado comprar alguma coisa?

—Acha mesmo que vou deixa-la assim? –consigo até ver os olhos de Connor se estreitando em fendas ameaçadoras, era fácil rir das reações exageradas desses dois.

—Vai. E Não esquece de trazer chocolate?

—Por que chocolate? – agora até eu tinha ficado curiosa.

—Qual é? Vocês são os nerds da família. -Isis revira os olhos com a sombra de um sorriso sapeca brincando em seus lábios. -Ela acabou de soltar um patrono em formato de flecha para afastar todos os Dementadores da vida dela, precisa da felicidade que só o chocolate pode trazer –levo as mãos a boca impedindo a gargalhada de se liberar.

Tudo estava intenso e colorido, talvez a euforia sem peso. Estranho, carrego tanta coisa em meus ombros que não me dei conta até esse momento. Como conhecer a liberdade pela primeira vez, a simplicidade de ter uma escolha livre da influencia alheia. Será que é dessa forma que as pessoas normais costumam decidir o que fazer da própria vida? Encaro meu reflexo ansiando verdadeiramente por uma resposta.

Me troco, vestindo a muda de roupas que Connor havia deixado sobre a pia. Qualquer coisa colada me faz perceber o quanto emagreci, mas não é como se pudesse treinar de vestido largo. Coloco a legging preta e o toper que faz conjunto, colocando uma regata sem mangas por cima, quase pareço realmente bonita ao me encarar no espelho. Saio do banheiro vendo os irmãos Queen travando uma disputa muda, me lembra as capas de filmes com embates de heróis. Ai Deus, por que eles complicam tanto a própria vida?

—Con -chamo com um sorriso em minha voz baixa. -Sabe das regras, se acontece um ataque de Dementadores a vítima necessita de chocolate! -mesmo as lágrimas que não paravam eram capazes de esconder a leveza que emanava. Isis gesticula com a mão para que ele fosse rápido e Connor pega sua jaqueta com uma tromba enorme no rosto.

—Foi uma boa jogada o lance do chocolate. –sento ao seu lado aos pés da minha cama.

—Precisa do seu tempo para se curar -explica como se eu fosse uma criança. –Meu irmão quer realmente te ajudar, talvez um pouco mais do que necessário -implica por hábito, me fazendo dar risada. -Mas hoje nós abrimos sua ferida, limpamos toda a infecção, desinfetamos o local e fizemos a sutura -vários episódios de Greys Anatomy me veem a mente, e me esforço em focar nas palavras de Isis. -Vamos dizer que você está no pós-operatório agora, e sabe que a recuperação pode ser a mais difícil. Sua ferida está se curando Lu, e vai cicatrizar em breve -era fácil me lembrar da garotinha doce e petulante quando Isis tão pequena, encara o teto com ar de trabalho bem feito. Me deixo levar e passo meu braço por seus ombros a puxando para mim como se ainda fosse a menina de treze anos que aprendi a amar como minha irmã.

—Nem sei como fez isso. – admito. – Mas já sinto ela se cicatrizando.

—Isso é só o começo –retribui meu abraço, mesmo a sentindo distante. –Pode acontecer recaídas, talvez não se machuque mais, mas vez ou outra pode ser que seja tragada de volta para aquele lugar escuro. E Lunna, tudo bem isso acontecer, só que não pode ficar lá de novo. – respira profundamente. –Todos temos esse lugar dentro de nós, o que nos diferencia e quanto tempo passamos o contemplado.

—Não existem pessoas normais, não é mesmo? –me afasto e a olho já sabendo a resposta.

—No máximos pessoas como você, que estão cuidado das suas feridas.

—Você é boa –sorrio para ela.

—Nada que não saberia cedo ou tarde. Só te ajudei a pegar um atalho –sorri com a simpatia de uma profissional. Mas não sei se teria mesmo a coragem de encara tudo como fiz essa manhã. O que me lembra que preciso estar em outro lugar, se não quiser irritar o nosso morcego.

—Tenho um horário com o Wayne -me levanto pegando uma meia em minha gaveta, e corro para closet para buscar meus tênis.

— Sei que fez o que fez para ajudar o Wally. – me viro para ela novamente que me olha como se pudesse enxergar a minha alma. –Pode ter sido o estopim, mas precisa achar um jeito de fazer isso muito além de Wally, Phill, Connor ou qualquer um que seja. Precisa ser por você e para você –seu sorriso é mais uma cópia barata do que seria a dez meses atrás. –Mas me diz, é sério esse treinamento com Damian? –tenta fazer graça, mas sua voz a trai, falhando ao pronunciar o nome do Morcego, prendo a respiração ao ver pela primeira vez uma sombra fraca da antiga Isis.

ISIS

Resolvo sair antes que Damian aparecesse por ali. Peço a moto de Connor emprestado para a Lunna, seus lábios até se curvam levemente para baixo demostrando um possível desgosto, mas estou em alta em seu conceito e se antes não me negava nada, agora menos ainda. Não é como se estivesse a usando, se não me emprestasse pediria um taxi ou coisa parecida, mas como recebi um sim só sai pegando a minha mochila que ainda estava em cima do sofá, ao deixar o prédio consegui ver o rosto perplexo de Connor já voltando para casa, não estava com ânimo para uma possível briga, e não era como se fosse voltar para costa leste de moto.

Rodo pela cidade sem saber ao certo a onde ir, entrando em uma rua, saindo em outra, só pelo prazer de sentir o calor da minha cidade novamente. Depois de um tempo percebo o caminho inconsciente que estava fazendo, estava a poucas ruas da estrada que me levaria para a mansão e algo se aperta um pouco mais dentro de mim. Desde ontem, quando Connor apareceu bancando o Don Corleone na poltrona da minha sala que sinto como se tivesse pequenas partículas soltas em meu corpo, como que estivessem se colidindo e me perfurando de dentro para fora. Paro a porta, não muito certa se deveria entrar ou não. Me encho de coragem e dou o primeiro passo para dentro, e lembranças me atingem como flechas.

Não preciso fazer barulho para evitar cenas constrangedoras de afeto excessivo dos meus pais, era bem notável que aquela casa não via movimento a um certo tempo. Eram paredes vazias como se tivessem perdido toda a magia e alegria que a habitavam. A Mansão Queen sempre foi algo imponente em minha mente, um personagem místico que apesar do tempo e de todas as pancadas ainda continuava firme sobre seus pés, para mim ela é o que para a maioria das outras crianças sempre enxergam em suas princesas e personagens da Disney, mas a minha era real. Cheia de histórias e sonhos.

Mas não agora, hoje só existe um corpo sem vida do que fora meu castelo de princesa. Um paciente em coma que por anos torce para não ser esquecido por seus entes queridos, ansiando despertar. Acho que deveria me sentir triste a vendo dessa forma. Pensando bem, ela está como todos os outros, lutando para permanecer entre nós.

Não ando pelos cômodos, não me faria bem algum, apenas subo os degraus, meus dedos percorrem o corrimão na vã esperança que meu lar sinta um pouco da ternura que me lembro já ter sentido por ele. Abro a porta do meu quarto, e tudo estava como sempre, bom o sempre desde destruir a parede que o separava do de Connor. Jogo a mochila no chão e deito na minha cama, abraço um dos meus travesseiros me sentindo confortável pela primeira vez em dias. E sem perceber o tempo excessivamente longo cobra o seu preço e a inconsciência me abraça.

Sou transportada de um sonho a outro, sem me fixar em nenhum. Andava por salas e cenários, mas não permaneço o suficiente para integrar nenhum deles. Como se não existisse nenhum lugar para chamar de meu, caminhando sem desejo de me conectar a nada, apenas um percurso, era o que tinha como objetivo.

Abro meus olhos quando ouço um barulho, meu corpo se torna rígido reclamando por minha negligência. Privação de sono faz com que dormir se torne cansativo. Levo um tempo para lembrar que estava em casa. A luz do dia estava quase indo embora. Me sento na cama arrumando meu vestido, quando Connor aparece a porta.

—Você desapareceu o dia todo, precisei ativar o rastreador da minha moto para te encontrar -espero a raiva, o sermão, mas nada. Connor apenas me conta o que o levou até a casa de nossos pais.

—Nem percebi quando peguei no sono, desculpe –respondo com sinceridade, esfregando meu rosto.

— Tudo bem –dá de ombros se sentando na minha cama. -Vim saber se quer me ajudar com uma surpresa? –sorri com cumplicidade.

—O que você está aprontando?

CONNOR

—Então, como é isso da Lunna e o morcego viajando juntos? -Isis tentava soar natural, enquanto olhávamos para a saída de passageiros do saguão no aeroporto. -Ele frequenta mesmo sua casa diariamente?

Se esforçava muito para soar indiferente, com seus braços cruzados e olhar distante. Talvez esteja sendo complicado para ela ver a nova versão do Wayne, mas sinto uma satisfação imensa em perceber que seus gatilhos não mudaram muito. Olho para minha irmã, tentando não sorrir.

—Eles foram a Central City, não Aruba. -corrijo, por não gostar de como soa isso de Lunna viajando com ninguém. -Nós queríamos ela distraída e o treinamento deles levantou algumas perguntas interessantes que nós resolvemos explorar. -Isis continua me encarando, como se esperasse uma explicação melhor. -Ah, claro. O lance dele lá em casa.

—Connor! -perde a paciência.

—As coisas mudaram Isis. -sou vago, por que não tenho como explicar isso sem fazer com que ela se sinta julgada. -Damian só esteve por perto e de alguma forma acabou nos trazendo de volta aos trilhos.

—É, parece que sim. -desisto de entender toda a irritação e volto a focar no que esperava.

—Talvez devesse falar com Lunna, ela vai saber te explicar. -não parece satisfeita com minha resposta. -Quanto tempo esse voo já está atrasado...

Paro de falar no instante que reconheço uma cabeleira castanha apontando no fim do corredor. Corro arrastando Isis comigo e paramos na linha de desembarque, finalmente Sara entra em nosso campo de visão. Não sei descrever o que senti primeiro, choque ou confusão. Ainda era a Sara, linda com cabelos cacheados e sua pele morena estava bronzeada, ela simplesmente brilhava e não era exatamente a imagem de Sara que nós esperávamos encontrar. No entanto isso não foi o motivo do choque.

Sara sorria para nós, enquanto brincava com uma garotinha de dois ou três anos, que carregava em seus braços e apontava em nossa direção. A garota se parecia com ela, cabelos escuros em cachinhos que balançavam, olhos grandes e cheios de emoção e um rosto delicado. Era um pouco magrinha, mas estava confortável nos braços da minha amiga. Ao meu lado Isis parecia fazer várias contas mentalmente, tentando entender como aquilo seria possível.

—Oi Queens! -para a nossa frente com seu sorriso naturalmente debochado, se divertindo com a confusão estampada em nossos rostos. -Olha Nina, esses são seus tios. -a menina se esconde em Sara, antes de nos olhar com cautela. -Connor, Isis, essa é minha filha, Nina West.

—Oi Nina -repito o nome estendendo uma mão para a garota que abre um sorriso largo nos pegando de surpresa.

—Olha meu amor, depois vamos conversar sobre manter distância de caras como ele. -Sara brinca quando estendo meus braços para a criança que aceita sem resistência.

—Oi bebê -balanço a garota completamente encantado e vejo Sara e Isis se abraçarem por um tempo. -Consegue falar Tio Connor? Em? -a menina ria e sei que devo parecer um idiota. -Connor.

—Con. -repete e nós três a olhamos abobados.

—Viu isso? -pergunto olhando para Isis e Sara. -Tio Connor!

—Con. -diz parecendo orgulhosa.

—Essa aqui é sua tia Isis, pode falar Isis? -a viro para minha irmã, mas seu rosto fica triste. Se inclina na direção dela e quando pensamos que iria passar para seu colo, Nina toca a bochecha de Isis com a feição pensativa.

—Oh dodói. -olha para Sara, como se quisesse que ela visse. -Mãe Sara, dodói.

—O que ela está falando? -Isis pergunta tentando disfarçar o desconforto.

—Nina pensa que você está machucada. -responde, depois se vira para a criança. -Como faz para sarar? -Nina passa para o colo de Isis e faz um biquinho exagerado antes de beijar a bochecha da minha irmã, estendendo os braços para Sara em seguida. Pego a mochila de suas costas e a mala de rodinhas.

—Então, quando vai nos contar essa história? -Isis pergunta quando caminhamos em direção ao meu carro.

—Conto em breve, mas vocês viram como ela é esperta. -responde com ar orgulhoso. -Não quero falar disso com meu bebê por perto.

—Por falar em coisas que você não quer dizer. -começo, colocando suas malas no porta malas. -Felicity me mandou um artigo sobre uma “Amazona Guerreira” no Brasil. -olho para Sara que contém o riso ao me encarar de volta.

—Então, pode ser que essa “Amazona” ao procurar dar um pouco de -ela tenta encontrar a palavra correta. -Disciplina para um homem muito mal- faz careta e posso ver que se continha para não dizer palavrão com Nina a observando tão atentamente. -tenha conseguido matar dois coelhos com uma flecha bem entre as perninhas dele!

—Como pode dizer algo tão violento com o ar tão carinhoso? -Isis pergunta chocada.

—Você ainda é minha psicopata favorita, Sara -falo dando um beijo no alto de sua cabeça antes de abrir a porta do carro para ela.

—Então Queens, como nós vamos fazer isso? -pergunta quando estamos dentro do carro. Isis e eu nos olhamos, nosso plano acaba depois de Damian distrair Lunna no treino e pedir comida por telefone em minha casa. -Ah, por favor! -revira os olhos. -Isis liga para seu namorado e pergunta se ele ainda está com minha amiga -começa a receber o espírito da Mônica Galler, mas não tem reação. Nina brincava com seus próprios dedinhos, alheia a todo o resto, eu mantenho meus olhos na estrada e Isis parece incapaz de se pronunciar. -Olha, é melhor me dizerem o que está acontecendo -avisa.

LUNNA

Damian e eu estávamos jogados no tatame de lados opostos, cansados demais para levantar. Descobrimos que minha enxurrada de emoções novas que ainda não sei bem como controlar, me tornava mais veloz, não apenas em golpes evasivos como antes, estava atacando com mais velocidade e armando contra-ataques mais rápidos. As lágrimas pararam em algum momento, mas nada do Wally, é como se ele não estivesse por aqui, ou estivesse silencioso por medo do que poderia desencadear.

—Acha que isso te torna meta-humana? -Dam questiona ainda deitado.

—Não sou uma velocista, isso é certo -minha voz ainda é ofegante e sai com dificuldade.

—Mas sua força está maior -reclama massageando os ombros antes de se sentar e estender sua mão me puxando para que sentasse também.

—Pura física -dou de ombros. -Wally não está falando nada.

—Bom, eu também estava com medo de te atingir e fazer com que chorasse ainda mais -debocha, fazendo graça dos meus problemas emocionais, a personificação do politicamente incorreto.

—É bom alguém não me tratar com cuidado -comento abrindo uma garrafa de água.

—Se precisa alguém para te lembrar dos seus defeitos, problemas e pontos fracos. — Entrego a garrafa a ele depois de dar um gole. -Eu sou esse cara!

—Acho que ele está simplesmente em outro lugar agora, com uma companhia melhor -se pudesse também estaria com ela.

—Faz sentido, se pudesse estar em qualquer lugar sem ser visto, não ficaria parado por muito tempo.

—Dam... -começo temerosa, e o garoto me olha coçando a nuca.

—Quer falar da sua cunhada -conclui com expressão de dor. -Vai logo Delphine, não vou aguentar você rodeando até conseguir abordar o assunto.

—Vai parecer hipocrisia vindo da garota que tem enterrado seus demônios desde que se entende por gente -começo. -Mas algo não está certo nela, e não estou falando de negação ou rebeldia. Isis conseguiu me tratar como uma paciente, pode imaginar a nossa pequena Queen deixando de ser emocional? -seus lábios se tornam uma linha rígida. -A menina que acreditava de verdade naquela história horrível da garota árvore, não me ouviria descrever formas de tortura que sofri na adolescência com o semblante impassível -o rosto dele se contorce e percebo que Damian não sabe minha história, bom, não sabia. -Viu, olha aí a empatia -comento para provar meu ponto, vendo seu rosto preocupado. -Estou bem -abro mais meus olhos quase que em ameaça, só o que me falta é o Wayne também passar a ser cheio de dedos.

—O que te faz pensar que ela não possa ter apenas amadurecido? -não era um argumento, estava juntando peças assim como eu.

—Por vezes ela retribui abraços, e recria o que deveria ser um sorriso, mas não tem emoção, Damian -desenfaixo minhas mãos apenas para ter o que fazer. -Connor me contou que... -tento procurar uma forma de explicar.

—O que?

—Quando ele foi confrontá-la, disse que Isis o culpa por ter deixado de ser Nigthmare, não ter mais contato com os pais, por ter trancado a Katoptris e por... te deixar -minha voz vai diminuindo e encaro minhas mãos incapaz de olhar para ele.

—E por que seria culpa do Connor? -seu rosto estava triste, mas era uma tristeza transposta por incredulidade.

—Por que ele morreria um dia para protege-la -a exaustão parece maior do que eu.

Dam deixa seu corpo cair no tatame outra vez, e coloca suas mãos em baixo da cabeça, encarando o teto quando volta a falar. -Quando nós terminamos, já fazia um mês que ela não atendia minhas ligações, e sempre tinha um lugar importante para estar quando a visitava -parece ver todas as cenas em sua mente. -Foi aos poucos, ela se desprendeu e foi embora.

—Sem explicações? -não é algo que Isis faria normalmente, mas nada do que ela tem feito soa normal para o molde antigo.

—Disse que assim eu teria uma chance de ter uma vida -ergue uma sobrancelha me olhando sugestivo.

—Isis está mentindo.

—Você já sabia que ela estava -volta a se sentar. -Quer encontrar respostas? -pergunta e gesticula para os computadores da Felicity.

—Ou! -me levanto em um salto, recuperando energia não sei de onde. -Quer que eu hackeie a maior hacker que existe? -sussurro olhando para os lados.

—Só consigo pensar em uma pessoa que pode fazer isso -se levanta e como um verdadeiro diabinho no meu ombro, gira a cadeira da minha mentora como um convite. -Anda, Delphine.

—Olha, essa é a primeira vez que percebo o “Q” de verdade na história do demônio.

—É o meu charme -bate de leve no encosto da cadeira quando me sento, puxa a minha para ficar ao meu lado.

—Isso é lindo! -murmuro encantada enquanto quebrava os códigos de acesso e contornava o controle remoto para que o alarme dela não disparasse, fico nisso por uns quarenta minutos. Era uma espécie de queda de braço, precisava ter cuidado pois o menor descuido nos entregaria de bandeja -Aí Deus, espero que minha sogra não passe a me odiar quando descobrir... -cantarolo vendo seus arquivos abertos.

—Você conseguiu! -a incredulidade em sua voz me faz olhar torto em sua direção. -E agora, o que fazemos? -deve ser assim que as pessoas se sentem ao escalar o monte Everest. Tenho literalmente todas as respostas ao alcance dos meus dedos e não sei se devo ousar olhá-las.

“Lunna!” o colar em meu pescoço brilha quando uma linda voz feminina e rouca sai dele.

—Credo! -Damian exclama, saltando de sua cadeira assustado. -Pensei que fosse a Felicity... -não sou capaz de entender o que ele dizia.

—Sara? -sussurro com a voz fraca, sorrindo para o nada e sentindo as malditas lágrimas voltarem a escorrer.

“Sou eu.” Cada palavra transborda emoção. “Vem para casa, preciso da minha amiga.”

Notas finais
Sara is back!!! Back again!!!! Muita coisa para processar nesse caítulo, mas o que importa de verdade é saber o que acharam. Não deixem de me contar pessoinhas!!! Bjnhos!