PARADOXO - Seson 3

27 Capitulo 24 - História Antiga Parte II


Notas iniciais
Oi gente! Como está indo o fim de semana? Espero que vocês estejam bem... Nos vemos lá em baixo!

ISIS

Ao voltarmos novamente para a casa dos mistérios, agora com Sara e Laurel Lance juntas, todo o time estava nos aguardando na sala, todos menos meu namorado. Constantine estava escorado na parede olhando para Nina que dormia nos braços de Lunna, mas Wally e Connor estavam tão tietes quanto eu, eles quase não reparavam na gente, tentando ver quem mais passaria pelas portas até que Sara Lance atravessou. Os olhos do West se arregalaram e Connor reproduziu o mesmo sorriso de nosso pai, quando se diverte com algo um tanto duvidoso.

—Ollie? – Sara Lance olha meu irmão, confusa. – Você não deveria estar tipo, uns vinte anos mais velho? – o sorriso no rosto do meu irmão é largo.

—Sou bem mais bonito do que ele – Con brinca e vejo Laurel dar risada, com o jeito de tia boba que Connor desperta nela.

—Esse é o outro filho dos Queens – nossa Sara esclarece, revirando os olhos para os garotos. – Connor.

—Nossa, é como ver o Ollie – ela caminha até parar de frente para Connor, e o observa em silencio o estudando de um jeito que me deixaria desconfortável, em defesa do meu irmão, ele também não parece estar curtindo. – Tudo bem, ele não tem essa pinta abaixo do olho esquerdo, a do Ollie fica no queixo, e até a última vez que nos encontramos, nem esse corte no supercílio, e pode ser que você seja um pouco mais alto... – agora ela estava o apalpando e a nossa Sara tentava com muito esforço não rir.

—Hum, okay – meu irmão murmura dando um passo para traz e se livrando das mãos que passeavam por seu corpo, da forma mais educada possível.

—Você está em todos os lugares ultimamente – agora ela falava com Constantine e nem me surpreendo quando eles tocam os punhos se cumprimentando cheios de intimidade.

—Como vai a Ava?

—Continua gata, continuo precisando me controlar para não arrancar a cabeça dela – os dois sorriem, mas nós estávamos boiando com o assunto.

—Acho que conhece quase todos aqui – Laurel se adianta. – Esse é o Wally, ele é o filho do Barry e se casou com nossa Sara – indica o velocista que abre um sorriso radiante e Lance não pode deixar de retribuir. – Connor você já constrangeu – implica pulando o sobrinho. – Essa é Lunna, aprendiz da Felicity e esposa do Connor. No colo dela, a filha de Sara e Wally, Nina – Lu sorri de seu jeito tímido e Lance pisca duas vezes.

—Você realmente puxou seu pai – Sara Lance se vira para meu irmão, com um sorriso sacana. – Uau! – diz a ele sem emitir som e nós prendemos o riso.

—Ótimo, agora que já contribuiu com sua cota para os traumas das crias do Queen, vamos ao que interessa – Constantine entrega um comunicador a Sara Lance e um colar parecido com o que estávamos usando, depois entrega outro para Laurel. – Zatanna já deixou a pessoa que falta na equipe de vocês a par de tudo, ela vai atuar como uma espécie de embaixadora, para intermediar o que farão.

—E o que vamos fazer? – questiono, um pouquinho cansada de todos aqueles enigmas. Connor e Damian não precisaram ficar no escuro na missão deles.

—Conquistar a espada da Hipólita – diz como se não fosse nada.

—A rainha das Amazonas? – Lunna quem fala, a voz em um sussurro esganiçado. – Está falando da Matadora dos Deuses?

—Exatamente, mas sei que vão tirar de letra – engulo em seco. – Nem preciso avisar que o único reforço que terão é Lunna, por motivos óbvios.

—Elas vão simplesmente ir a Themyssera e pedir por favor? – Wally tinha os olhos arregalados e olhava para nós quatro.

—Não, precisaremos conquistar o direito de usar a espada – Laurel comenta, tão relaxada quanto Constantine, começo a duvidar da sanidade da minha mentora. – Não é minha primeira vez com elas, vocês vão dar conta – garante, mas não ajuda em muita coisa.

LAUREL

Coisas que não gostaria de fazer nessa vida, não são muitas, por que a maioria já fiz de qualquer maneira, mas entre o top três estão desafiar um bando de mulheres que foram treinadas desde antes de escrevermos ‘depois de Cristo’ nas datas, bom, isso pode entrar na minha lista de coisas que não quero fazer de novo, já estive em um desses torneios, não é uma lembrança agradável. De alguma forma é como se estivesse abusando da minha sorte escarça. A segunda é perder minha protegida em uma aposta, a primeira com toda certeza é ter que explicar isso aos pais dela, mas claro que só descobri esses meus itens ingratos quando já era tarde demais para voltar atrás.

Quando descemos em Themyssera o sol estava a pino, tive dificuldade para olhar para o céu para comprovar minha teoria, não quero enfrentar as amazonas sofrendo de cegueira temporária. Estávamos nas areias da praia, tão brancas que era difícil de olha-la, caminhamos para a margem onde havia um bosque e lá por fim encontramos o último membro dessa equipe. Diana, estava montada em uma égua (supus que fosse, já que sexo masculino não era permitido por ali), e em sua cela quatro cordas amarravam outros quatro animais.

—Princesa! – cumprimento quando ela salta de sua montaria e sorri para nós.

—Dinah, acho que vamos precisar agendar algumas outras razões para te acompanhar a minha casa – brinca tocando meu ombro. – Irmã Sara – ela se aproxima de Sara Diggle, a dando um abraço afetuoso. – Fico feliz por estar presente no dia em que estará entre minhas irmãs.

Desde o julgamento ridículo que a Liga fez com que Sarinha enfrentasse, depois de salvar uma centena de vidas acabando com Hunter, Diana passou a estima-la como uma das suas. Não é qualquer um que possui esse nível de respeito com a princesa das amazonas, mas nossa Artêmis conquistou o respeito e afeto pelos meios mais honrados aos olhos de uma guerreira. O sacrifício por um bem maior.

—Não lembro quando foi a última vez que montei a cavalo. – Diggle olhou para um dos animais meio temerosa, por cima dos ombros de Diana.

—Tinha quatorze anos, e você caiu, teve luxação no ombro e precisou usar tipoia por duas semanas. – Isis solta em seu modo Felicity.

—Ah, obrigada – não parecia nem um pouco agradecida pela recordação.

—De toda forma, é uma honra receber irmãs tão valorosas em Themyssera – Diana diz, e preciso me lembrar de ensinar meia dúzia de gírias para ela antes dessa missão acabar.

Apresento minha irmã Sara e consigo entender como Isis costumava se sentir com Connor antigamente. Minha irmãzinha acabou de secar a princesa das Amazonas sem nenhum pudor. Gostaria de dizer que Sara parou por aí, mas era como se alguém a tivesse soltado aos cinco anos em um parque de diversões com ingressos ilimitados. Seu sorriso parece ter sido pregado com cola permanente em seu rosto, enquanto cavalgamos até o castelo.

Isis provavelmente está entretida entre olhar toda a paisagem paradisíaca a nossa volta e suas visões. Ao longo dos anos passamos a reconhecer a forma que seus olhos se esvaziam e o maxilar trava. Sara Diggle como sempre está focada no que estamos prestes a fazer, seu rosto impassível em cima da sua égua a iguala a qualquer outra amazona habitante dessa ilha. Ela é a mistura de Diggle e Lyla, com um toque do Oliver, não é à toa que por mais que nenhum de nós tenha gostado, não foi exatamente uma surpresa quando ela declarou que serviria ao exército.

Desmontamos dos cavalos perto do que parecia uma arena a céu aberto, circundada por pilastras com arquitetura romana, do outro lado da arena subia uma escada enorme que passava por vários locais, em sua maioria espaços de treinamentos específicos, como arco e flecha, lutas de espada, combate corporal e outros, e no topo um palácio tão majestoso que provavelmente havia sido jogado do monte olimpo e parado ali. Sempre que venho levo um soco no estomago de tão belo que era esse local guardado pelos deuses.

—Vamos ter que subir tudo isso? – Isis reclama em seu momento Felicity. E Diana bagunça seu cabelo como se fosse uma criança emburrada. –Nada de escadas rolantes?

—É melhor começarmos, ela não vai parar de reclamar durante todo o caminho – aviso com um sorriso condescendente fazendo Diana dar risada.

—Um pouco de tecnologia não faz mal, acho que minha mãe poderia ajudar... – bloqueio sua voz, acho que só a princesa ainda a escutava, presa nos encantos da Pequena Queen. Apesar da subida ser cansativa, andar por Themyssera é encantador.

—Deveria visitar mais vocês, isso aqui é bem legal – minha irmã olha tudo, e principalmente todas as amazonas, teve momentos em que tive que cutuca-la, não que ela se importasse, e sinceramente, as próprias amazonas pareciam estar gostando.

No último degrau paradas, nos esperando haviam duas mulheres, as duas loiras e muito parecidas, porém era impossível não as distinguir. A direita uma mulher com os cabelos trançados, um elmo aberto, emoldurava seu rosto, com feições duras de quem já passou por muitas batalhas. Antíope a maior guerreira entre as Amazonas, talvez a maior que já existiu. Sua armadura revestia seu corpo, e em seus braços dois braceletes muito semelhantes aos de Diana finalizava o alerta de que ela era perigosa.

Ao seu lado a rainha Hipólita, ela poderia ser completamente igual a Antíope, porém rainha emanava uma aura de poder e grandeza, se um anjo da morte existe deve ser esse tipo de poder que emana dele, invencível e impecável, seu rosto era suave, sua coroa dourada prendia seu cabelo para trás, seu vestido não era uma armadura como o de sua irmã, mas havia sim locais de proteção, como nos seios e cintura, uma bota lhe cobria até o joelho, e para finalizar os braceletes iguais o de Diana e Antíope.

—Filha – Hipólita sorri com os braços abertos para a Diana, que ao se aproximar se curva em respeito e abraça a mãe em sequência.

— Nos trouxe guerreiras. – Antíope lhe oferece a mão em comprimento, em um toque que também finaliza em um abraço.

Nos curvamos em respeito, afinal não é todo o dia que os deparamos com uma rainha. Acho que um filete de saliva escorreu pelo canto da boca da minha irmã. Não vou precisar esperar nenhuma visita para buscar um presente de natal esse ano, o que é uma pena, estou tentando convencer Mia a fazer algo só entre nós pela primeira vez, mas provavelmente vamos acabar nos Queen como todos os anos. A quem estou querendo enganar?

—Mãe, Antíope, trago quatro grandes guerreiras, dignas, fortes e treinadas. Vieram solicitar a nossa ajuda – a voz de Diana me traz de volta a realidade.

—Honrada Canário Negro – Hipólita sorri para mim e faço uma breve reverencia. – A oferta para se juntar a nós e treinar minhas irmãs ainda está de pé.

—Me sinto lisonjeada, majestade – digo baixando meu olhar. – Mas sou mãe agora e acho que compreende como isso é uma dádiva preciosa.

—Está certa, criança. Por mais que adoraria a ter entre nós, ser mãe é o maior presente que os deuses podem nos conceder – concorda e quando ergo minha cabeça havia um leve sorriso em seus lábios. – Diana, me apresente as outras guerreiras.

-Canário Branco, Nigthmare e Artêmis – a guerreira a nossa frente encara Diggle ao meu lado, com interesse.

—Estamos enfrentando um mago que está prestes a trazer três grandes demônios do inferno ao mesmo tempo – Isis parece muito certa do que estava dizendo, provavelmente já sabendo o que vinha pela frente. – E para isso precisamos de artefatos mágicos específicos espalhados pelo tempo e espaço.

—E o que isso tem haver com Themyssera? Nosso lar está protegido pelos deuses. – Hipólita não parecia arrogante, era apenas uma rainha protegendo o seu reino.

—Não tão protegido, mãe – o belo rosto de Diana é tomado por uma imensa tristeza. – Ele é o motivo de termos perdido nossas irmãs – declara. -Felix Fausto é o mago que estamos enfrentando, minha mãe – Hipólita e Antíope se entre olham.

—Conhecemos o mago, já tivemos alguns problemas em nossa ilha por conta desse senhor – Antíope diz a palavra senhor como se proferisse um palavrão. Me lembro de Diana sendo amparada no dia em que as crianças foram para a casa dos mistérios. Elas também tiveram baixas nas ondas de suicídios.

—Como podemos ajuda-las? – Hipólita pergunta, e por que achava que não seria assim tão fácil?

—Com a Matadora dos deuses – Diggle parece esperançosa já que havia tanto em jogo não custava nada a sorte ajudar um pouco.

—Ela é um presente do próprio Zeus. Isso é algum tipo de piada? –Antíope nos observa como se fossemos quatro bobos da corte sem graça. Não seria fácil mesmo!

—Não podemos lhe oferecer algo tão valioso.

Hipólita não tinha deixado margem para negociação, e a outra opção seria enfrentar o exército da deusa para conseguirmos o que viemos buscar ou morrer tentando. Minha irmã se coloca em posição de luta, Diana não sabia como mediar aquilo, era impossível parar a disputa iminente a esse ponto. Diggle, observa a cena apertando seu arco com tanta força nas mãos que os nós de seus dedos perdem a cor. Mas foi Isis quem deu o primeiro passo.

—Um torneio então, se ganharmos vocês nos entregam a Matadora de Deuses – Isis olha para nós quatro, colocando a mão nos ombros da minha irmã a fazendo baixar a guarda. – Claro que isso seria um empréstimo de qualquer forma, não temos interesse permanente em sua arma.

—Por que entraríamos em um torneio se a espada já é nossa por direito? – Na Antíope olha para a minha sobrinha a dois passos de distância, era possível sentir a advertência em cada palavra.

—Não sei, talvez por que se não ajudarem vão morrer como todo o resto do planeta – minha irmã parece tentar trazer as guerreiras a razão, mas só conseguiu subir ainda mais os ânimos. – Desculpe ser tão direta, mas pelo que me foi explicado, vocês não foram isentadas do que esse tal Fausto já fez, mas ainda assim se recusam a ajudar como se fossem superiores? – ela solta um riso sem humor. – Sempre dizem para não conhecermos nossos ídolos, todos no fim das contas são um bando de cuzões.

—Acabou de nos insultar em nossa terra? – Antíope dá um passo em nossa direção, pronta para bramir sua espada contra minha irmã, que parecia ansiar por isso.

—Tia! – Diana se coloca a nossa frente, e sinto certa imponência em seu tom, mesmo usando do titulo afetivo ao se dirigir a guerreira. – Se lutarmos entre nós, não vai sobrar ninguém para fazer o necessário depois – diz baixo, mas cheia de autoridade e as duas se encaram por alguns segundos, até que Antíope recua, tirando a mão de sua espada.

—Se ganharmos ficamos com a espada, se perdemos, vocês ficam com a Katoptris – Isis retira a faca cerimonial do cinto e contorna Diana que ainda se mantinha a nossa frente de forma protetora. Isis exibe sua adaga para a Rainha.

—Isso parece ser uma boa contra proposta. – Hipólita por fim parece interessada. –Mas a Katoptris não é só a adaga, mas a união com a sua portadora, estaria disposta a ficar para sempre em Themyssera quando perderem o torneio?

—Não – minha irmã entra na frente de Isis antes mesmo que pudesse ter alguma reação com aquela loucura toda. – Como não entendem que não vai haver mais Themyssera ou qualquer outro lugar, se não nos ajudarem? – exclama revoltada.

—Eu fico – Isis fala por cima do ombro de Sara. – Mas vamos tentar evitar isso – fala baixinho somente para que a possamos ouvir. – Meus pais não iriam gostar muito dessa alternativa, sabem o histórico deles com ilhas, e meu irmão iria perder todo o lado zen, sem falar do Dam, não posso lagar meu namorado de novo.

Merda, duas das três coisas que não gostaria de fazer estou fazendo. Espero conseguir evitar a terceira. Não que Oliver me assuste de alguma forma, mas Felicity Smoak sabe colocar terror quando algo envolve um de seus filhos e depois de Mia, passei a entender completamente as suas motivações.

ISIS

Katoptris me mostrou três alternativas de um futuro possível enquanto tudo era negociado. A primeira era iniciarmos uma luta direta, enfrentando uma a uma as guerreias da ilha, Diana não tomaria partido, então nos quatro estaríamos mortas nos degraus tingindo de sangue, uma imagem bem forte, agradeci a adaga por me poupar de ver nossas mortes. Mas ver a minha Sara com o pescoço degolado a minha frente enquanto sentia o ultimo resquício de vida saindo do meu corpo nem era a parte pior, já que Katoptris também me mostrou um futuro após isso, onde meus pais, e metade da Liga se juntariam a eles em um ataque a ilha enquanto Diana lutaria ao lado das guerreiras do seu lar, acompanhado de alguns dos seus deuses, eles acabariam com o mundo antes de Fausto. Era uma droga, nada de bom sairia dali.

A segunda alternativa era um torneio, esse torneio que vamos enfrentar agora, só que com duas possibilidades, nós perdemos e ficar presa aqui como pagamento, eu insistindo para meus pais, Connor, Damian e todos os outro de não começarem a mesma guerra. E o mundo se acabando da mesma maneira só que agora por obra do mago, eles não teriam todas as armas, os guardiões da Nina não estariam juntos e BUM! Fim do mundo.

E a terceira e mais incerta das três, saímos vitoriosas com a espada e coroa de louros entregue pela própria rainha. Odeio brincar de uni dune tê com a sorte.

—Isso não vai ser fácil – Diana diz quando entramos em uma espécie de ante sala da arena que me lembrava o Coliseu. – Laurel não pode lutar, já venceu um desses torneiros antes para libertar Shayera e eu.

—Jurei para mim mesma que nunca mais passaria por algo assim, mas agora é a vida das minhas crianças em jogo D – Laurel quase implora, vejo a dor no rosto de Diana ao negar isso a amiga, mas não era algo que estivesse em suas mãos.

—Você será a testemunha delas, é o que acontece com a guerreira mais valorosa – pousa a mão no obro de Laurel. – Dinah, precisa aceitar esse termo, assim me tira do combate com você.

—Não quero lutar contra a Mulher Maravilha – Diggle fala girando uma de suas flechas na mão. – Isso seria insanidade até para nós duas – acrescenta me olhando de lado e concordo com um aceno breve.

—Não iria gostar de enfrentar vocês – Diana declara nos olhando com afeto escancarado. – Não quero ser obrigada a isso, o torneio é um ato de honra diante dos deuses, se Laurel entrar eu seria obrigada a representar meu povo, por mais que seja contra a ideia, não tenho autoridade para contrariar meu pai.

—Eu entendo – minha mentora a conforta, depois volta seu olhar para nós. – Fiquem perto da minha irmã, esperem o momento certo de atacar e nunca, jamais, se distraiam. Entenderam? – assentimos e vejo as grades se abrindo, Laurel e Diana seguem por outra porta enquanto nos encaminhamos para o centro da arena.

—Nina me disse essa manhã que meu cheiro é como cobertores quentinhos – Artêmis dizia entre nós duas, com os olhos focados de uma forma que nunca vi até então. – Falou, “mamãe, tem cheirinho de cobertor quentinho. Gosto de ficar quentinha, é meu preferido do mundo todo”.

—Vai voltar para sua filha. Isso é uma promessa – Canário Branco declara com os olhos em chamas e posso ver a semelhança na postura e determinação das duas. – Nossa família não vai perder outra Sara.

Doze amazonas completamente armadas saíram do outro lado da arena. Nem posso começar a dizer como isso é desproporcional. Laurel estava de pé, ignorando a cadeira pomposa ao lado de Diana e Hipólita, olhando aquilo indignada. Bom, poderia chamar Lunna, mas não quero que a primeira batalha oficial dela seja contra amazonas que treinam desde que nascem, nem toda a velocidade do mundo seria o bastante contra guerreiras divinas.

—Serão três fases – de alguma forma a voz de Hipólita se projetava perfeitamente a todos na arena. – Cada desafiadora vai enfrentar quatro de nossas guerreiras, depois as vencedoras se enfrentarão e por último a grande vencedora enfrentará Antíope.

“Isis, precisa me deixar ajudar” Katoptris diz em minha mente.

Não serei eu a te impedir, querida.

“Ótimo, vamos estar juntas, não estranhe o formigamento, isso não vai durar”

O formigamento estava muito mais para uma queimação leve, não do tipo desagradável, mas era como se todo meu corpo estivesse sendo revestido por uma grossa camada de algo impenetrável. Meus olhos parecem mais fortes e meus pés mais firmes, eu era a Katoptris e ela era eu, estávamos juntas.

“Parece que não é a única protegida” Nossa cabeça se vira em direção a Sara Diggle e todo aquele papo de aura de Tupã começa a fazer sentido quando um claro brilho dourado a revestia.

—Qualquer um pode ver isso? – sussurro incapaz de dizer apenas em pensamento, tamanha a minha surpresa.

“Não bobinha, somos a Katoptris, enxergamos o espiritual”.

Não temos mais tempo de conversar, as guerreiras amazonas se dividem em grupos de quatro e nos separamos da mesma forma. Nos mantendo no centro a distancia calculada uma das outras enquanto elas nos rodeiam. Uma espécie de trombeta soa e tudo começa a ficar brutalmente violento, mas não da forma que estava acostumada.

A primeira coisa da qual me dou conta é que sou eternamente grata a Laurel. Por que se não estivesse acostumada com a potência absurda de seus socos, esses golpes das Amazonas me fariam chorar como um bebê. Só posso me defender a princípio, nunca havia visto nada daquela forma. Uma delas acerta em cheio minha bochecha e cambaleio dois passos para trás, sentindo as costas da Artêmis me amparando.

—Não pode se intimidar – Sarinha diz por cima de todo o som horrível da batalha. – Pensa que está lutando contra alguém com o dobro do seu tamanho e força, como seu irmão, ou o Capuz Vermelho!

Isso ajuda de alguma forma. Firmo meus pés no chão, acertando minha guarda e mentalizo o quanto preciso sair disso inteira. Levo mais um chute em minhas costas que enche meus olhos de lágrimas. Estou perdida!

“Para de resistir, baixa a guarda e me deixa fazer isso com você!” Katoptris esbraveja em nossa mente.

—Desculpe – suspiro em meio a dor. – Não fiz de propósito – a Amazona que estava prestes me atacar com sua espada, me encara confusa, sem entender do que estava falando.

Quando o tempo parece desacelerar e vejo os movimentos antes de serem executados, afinal somos a Katoptris, consigo armar contra golpes e desarmar duas de quatro, cirurgicamente, sem excessos. Pela visão periférica vejo Artêmis subir nos ombros de uma das suas oponentes e pender seu corpo agarrando suas pernas em volta do pescoço enquanto atira uma flecha com cordas que prende duas das amazonas de uma única vez. Isso durante a queda que mobilizaria a terceira e lança um dardo tranquilizante na quarta. Ela havia terminado.

Lance também estava prestes a acabar, mas seu caso era muito mais sangrento e violento do que a nossa Sara. Ela se movia como a Liga dos Assassinos, silenciosa e brutal, paro de prestar atenção, sabendo que ela poderia lidar com qualquer coisa que viesse. Lanço a Katoptris da minha mão esquerda para direita, passando no ligamento do ombro da última amazona que me restava e golpeio a parte de trás de sua coxa a fazendo cair de joelhos. Finalizo com um chute na nuca e por mais incrível que pareça fui a última do meu time a acabar.

—Isso foi surpreendente – novamente a voz de Hipólita se faz ouvir.

Laurel e Diana pareciam soltar o ar, como se não tivessem se quer respirado durante nossa luta. Nos agrupamos no centro da arena, concentradas em recuperar o fôlego, mantendo nossas costas coladas uma na outra.

—Agora precisamos decidir qual de vocês vai enfrentar a Antíope – continua e acho que levo um segundo para entender o significado daquilo.

—Quer que lutemos entre nós? – solto incrédula. – Isso é absurdo!

—Não a Katoptris – Hipólita responde e não tenho ideia de como conseguiu me escutar. – Foi a última a terminar, a decisão está entre Artêmis e a Canário Branco.

Lance solta um palavrão em voz baixa e acho que a Diggle gostaria de fazer exatamente a mesma coisa julgando a expressão de fúria em seu rosto. Um pequeno exercito entra na arena e sou escoltada por ele para fora dela. Engraçado eles pensarem que precisam de um, dois, sete, nove amazonas para me conter. Damian se sentiria orgulhoso se visse isso, Connor teria um de seus raros ataques de fúria.

Elas me guiam para as arquibancadas e antes que perceba estou entre Laurel e Diana, que passa o braço por meus ombros, enquanto Laurel segura minha mão. No centro da arena Diggle e Lance se olham, nenhuma delas parecia querer lutar.

—Se não cederem, podemos encantá-las e assim não terão escolha – Hipólita reforça e parece o bastante para as motivar.

A trombeta soa por uma segunda vez, posso ver a aura de Diggle se intensificando ao inicio da luta, ela resplandecia como uma deusa. Sara Lance era tão imponente quanto minha amiga, mas seus golpes são mais furiosos do que o da Diggle. Começam o que se assemelha a uma dança, onde minha Sara levou uma série de golpes em seus ombros e pernas, Lance queria desiquilibrar para a levar o nocaute, mas não é como se ela não estivesse acostumada com esse tipo de ataque, muito parecido com a forma de meu pai lutar. Diggle prende um dos bastões de Lance com seu arco, o lançando para longe e gira seu corpo acertando com seu pé o outro bastão, então descarta seu arco. Aquilo era um sinal de respeito a mulher que a deu o nome, ela lutaria de igual para igual com ela, da forma mais honrada possível.

Depois disso a luta acelerou, Lance restringia o espaço o que é o mais inteligente a se fazer contra um arqueiro, mas nós tivemos alguns treinamentos sobre isso no caso do Zoom, não que Lance tenha essa informação. Diggle segura uma de suas mãos e usa seu cotovelo para acertar a têmpora da outra, um soco no quadril e por fim uma rasteira. Sara Lance cai nocauteada.

Dig se abaixa ao seu lado, tentando a fazer recobrar os sentidos, vejo Laurel ficar tensa e me inclino para frente apreensiva. – Droga Lance, nem foi assim tão forte – escuto perfeitamente o que Sara Diggle diz, a voz cheia de desespero. – Por favo, por favor!

—Isso é tocante, Sara – Lance abre os olhos e cospe sangue, sorrindo para a oponente como se ela a tivesse presenteado ao lhe dar uma surra a ponto de a deixar desacordada, insana. – Estou orgulhosa que tenha o meu nome – sua voz é intercalada por murmúrios de dor, e mais sangue.

—Me assustou – Diggle a puxa, a abraçando apertado. – Me desculpe...

—Não se atreva – Lance a interrompe, devolvendo o abraço na mesma intensidade. – Fez o certo, não tem nunca que se desculpar por fazer o que é necessário! – seria mais impactante o conselho se não fosse o filete de sangue que escorria pela lateral de sua boca.

—Majestade, minha irmã precisa de atendimento – Laurel se vira para Hipólita que assente e imediatamente duas amazonas entram na arena para tirar Sara Lance de lá.

—Parabéns Artêmis – Hipólita se levanta para cumprimentar minha amiga, Sara devolve com uma reverencia. – Se provou uma oponente a altura da Antíope – declara.

Uma amazona usando vestes de linho entra com um cálice sobre uma bandeja e o oferece a Sara, que só o toma depois de Diana explicar que aquilo aliviaria suas dores para a próxima luta acontecer de forma justa. Não sei como isso pode ser justo, mas estou fingindo não estar muito irritada com tudo o que está acontecendo no momento. Fingir exige muito da minha energia.

Antíope é a mestre das Amazonas, responsável por treinar a própria Diana, e só a forma que o clima muda aos primeiros passos que a guerreira dá em direção a arena já é o suficiente para mostrar o quanto ela é respeitada entre seu povo. Sara faz uma pequena reverencia, sinal de respeito e é retribuída. Ela move seu arco e ele se estica em sua mão, não é grande como o do meu irmão, e ao contrario do dele em que as pontas se assemelham a katanas, o de Sara tem as pontas em formatos de Khopesh, antigas espadas egípcias. Antíope empunhava uma grande espada e reprimo minha vontade de tapar os olhos e ouvidos ao soar da trombeta.

Não consigo nem mesmo respirar quando a luta se inicia. A amazona era algo de outro mundo e vejo o quanto Sara parece apenas tentar minimizar os danos no início. Não consigo ver o que aconteceria, as duas tem proteção de deuses, isso torna tudo ainda mais imprevisível. Engulo em seco quando Sara cambaleia ao levar um golpe com a base da espada da amazona.

—Ela precisa se soltar, não está sendo ela mesma – reclamo apreensiva e vejo os olhos da minha amiga me encontrarem na arquibancada, no instante em que ela leva um chute e cai de joelhos. Antíope aproveita e arma um golpe com sua espada contra o pescoço de Sara, que me faz prender a respiração, mas de alguma forma, Diggle rola saindo do caminho no último momento.

Laurel aperta minha mão tentando me confortar e sinto o braço de Diana me firmando. Mas Sara se apoia no arco para ficar sobre seus pés e posso ver a aura ao seu redor ganhar espessura e tamanho, ela avança e atinge Antíope em seus calcanhares usando seu o arco, a amazona é pega de surpresa e antes que pudesse revidar, nossa Artêmis já estava em seu modo trator. A sequência de golpes que seguiu deveria ter sido gravada.

Um mortal sem as mãos, atingindo os ombros da guerreira mais velha, ao firmar seus pés novamente no chão, a mão esquerda de Sara que segurava o arco atinge o outro ombro enquanto a direita vai em direção a aljava e ela lança uma flecha que a amazona intercepta com a mão livre, mas no instante em que um sorriso presunçoso é estampado em seu rosto, uma nuvem de fumaça verde escapa da ponta da flecha e ela cai desacordada. Dessa forma, Sara Diggle conseguiu minha passagem para fora dessa ilha!

SARA DIGGLE

A comitiva da rainha Hipólita nosç8 acompanhava até a praia, depois de uma pequena comemoração e duas horas que gastamos a procura de Sara Lance, que Isis para sua tristeza encontrou pegando a enfermeira em um quarto da ala hospitalar estilo grego delas. Agora a Pequena Queen cavalgava tentando não olhar para a irmã caçula de sua mentora, que pelo Grande D, é uma cópia feminina do que Connor foi antes da Lunna.

A Matadora dos Deuses está em um suporte dourado em minhas costas, minha aljava e arco presos na de Isis, sou ladeada por Diana e Antíope, que é a primeira a me cumprimentar ao desmontarmos dos cavalos.

—Foi uma grande honra enfrenta-la, a Princesa Diana me contou sobre seus feitos. Pude comprovar que é realmente uma grande guerreira – diz fazendo uma reverencia graciosa que reproduzo tentando passar o máximo de respeito possível, o simples ato me faz morder os lábios para suprimir um gemido de dor.

—A honra é toda minha – declaro baixando meu olhar.

—Quando quiserem nossas portas estarão abertas para acolhe-las – Hipólita diz, tocando o ombro de Laurel. – Suas aprendizes são notáveis, está fazendo um trabalho incrível ao preparar guerreiras desse nível, Dinah.

—O mérito é delas, minha rainha – sorri de forma serena ao fazer uma última reverencia e vejo o sorriso doce se formando nos lábios da rainha.

Diana nos abraça e se despede, as amazonas nos saúdam e vou ter essa cena gravada em minha mente pelo resto da minha vida. Giro a carta de baralho velha em minha mão e a porta multicor paira a dez centímetros do chão a minha frente. Dou a última olhada para a Ilha Paraíso, certa de que poderia ser uma dessas mulheres em outra vida.

Ao passar pela porta uma garotinha de pele escura corre em minha direção com os cachinhos pulando em sua cabeça. Abraço minha filha e vejo meu marido olhando para a espada a minhas costas com um sorriso nada surpreso em seu rosto. Todo meu corpo relaxa e sinto como se tivesse tomado uma caixa de analgésicos.

—Mamãe! – Nina me envolvia com seus braços e vejo Connor abraçar Isis e Laurel ao meu lado. – Papai disse que você iria ganhar de todo mundo – cantarola com sua vozinha infantil.

—Sua mãe é incrível, pequena – Wally me beija e vejo Nina concordar com um aceno exagerado.

—É sim – Sara Lance concorda, tocando meu ombro. – A muito tempo não experimentava um soco tão forte!

—Acho que precisa treinar mais vezes com Laurel – Isis comenta os olhos em Damian e Lunna que entravam na sala.

Os dois se adiantam e Lu abraça a cunhada rapidamente afastando seus cabelos castanhos claros do rosto, para ver se havia algum machucado necessitando de cuidado. Quando se dá por satisfeita a beija e vem em minha direção. Dam ergue o queixo de Isis para a observar antes de puxá-la para um abraço intimo demais para continuar xeretando.

—Não estou surpresa – Lu diz parando a minha frente com um sorriso radiante em seu rosto.

—Acho que Nina também é algum tipo de analgésico – declaro fazendo careta. – Todo meu corpo está ferido, mas não sinto mais nada.

—Vem aqui, princesa – Wally tira nossa filha de meus braços e Lunna começa a me examinar.

—Não sente mesmo nada? – sua voz soa um tanto incrédula, e confirmo com um aceno, enquanto ela tocava minhas costelas. – Vamos ao seu quarto cuidar disso – ela desaparece e ressurge em seguida com uma maleta da Star Labs nas mãos, preciso me acostumar que minha melhor amiga agora também tem super velocidade.

Antes de a seguir me despeço das irmãs Lance, e recebo um abraço cuidadoso de Connor que estava ocupado com Sara Lance secando sua esposa, apesar que aquilo parecia o divertir, bom, seria hipocrisia dele reclamar julgando como costumava ser. Entro no meu quarto e retiro a parte superior do meu uniforme, o estrago foi grande, eu já estava com a lateral do meu corpo completamente roxo.

—Acho que rompi uma costela – comento me virando para Lunna que assente com cara de dor.

—Cait me deu várias ampolas de soro acelerante, e me ensinou como proceder em situações diversas, mas acho que deveria aproveitar a anestesia que sua filha te deu para se limpar, antes que eu a imobilize.

Aquilo faz sentido, estou coberta por terra e sangue. Enquanto vou para o banheiro Lunna separa um short e top branco, que seriam fáceis de colocar e não atrapalhariam as ataduras. À medida que a água carrega a sujeira com ela, começo a ver vários cortes espalhados por meu corpo. Só volto a sentir meus ferimentos quando já estou completamente vestida. Lu aplica uma anestesia e começa a apertar minhas costelas com uma atadura apertada, quando termina de imobilizar, volta meu ombro para o lugar o que me faz morder os lábios para conter um grito e finalmente aplica o soro.

Começo a me sentir sonolenta quando está suturando os cortes em meus braços, rosto e um mais profundo em minha coxa. A última coisa que vejo é Wally passando pela porta com Nina, que reclama até que ele a permite se deitar ao meu lado na cama e então quando minha filha segura minha mão, sou puxada para a inconsciência.

ISIS

Depois de um banho demorado, que me fez perceber que não estava tão ruim quanto Sara, mas também não estava intacta como pensei, me visto com um short jeans e uma blusa antiga com emblema do Robin que fez meu irmão pirar a alguns anos atrás. É divertido me lembrar de como Connor era um bobão ciumento, isso faz com que saia do banheiro sorrindo enquanto prendia um suporte para a Katoptris em minha coxa, a tempo de escutar uma batida delicada na porta. A imagem de Lunna com a mesma maleta de primeiros socorros preta que usou para cuidar de Sara, e Nina abraçando uma de suas pernas surge em minha mente e me apresso para as receber.

—Minha Isiss tá dodói, Tia – Nina murmura para Lunna fazendo um biquinho de tristeza que me dá vontade de apertá-la até que seus olhos saltem da face! – Quem te machucou? – questiona cruzando os bracinhos e franzindo a testa, reproduzindo o que acredito ser sua expressão de brava, mas era tão lindinha que não saberia dizer.

—Hum, não está tão ruim assim – digo testando as juntas dos meus braços e saindo da frente da porta para que as duas entrem.

—Quarto legal – Lu sorri com um suspiro sonhador na voz.

Ela deixa a maleta sobre a cama e se abaixa para pegar Nina nos braços, a sentando na cama e apertando seu narizinho de brincadeira. Vejo a garotinha sorrir com seus olhinhos brilhando enquanto recebia atenção da madrinha. Depois engatinha até meu travesseiro e se joga nele, cheia de drama, fazendo Lunna e eu gargalharmos ao ver sua atuação ruim ao fingir adormecer.

—Acho que isso é a forma dela de me fazer cuidar de você logo – Lu comenta se virando para estudar meu rosto. – Esse é o pior, vai começar a latejar em breve – toca de leve minha bochecha, antes de me fazer sentar na beirada da cama. – Está sentindo?

—Minha Isiss não está doilorida— Nina responde antes que eu abra a boca, então volta a fingir estar dormindo.

—Hum, acho que ela não precisa tocar para anestesiar as pessoas, só gosta de fazer isso com Sara – Lunna fala baixinho, enquanto passava pomada em minha bochecha com o auxílio de um cotonete. Depois a mostro minhas costas e ela cuida do ferimento, me dando um comprimido para dor em seguida. A observo juntar todas as coisas e coloca-las na maleta. Nunca perdi ninguém tão próximo a ponto de entender a dor com a qual ela convive todos os dias após ficar órfã, mas hoje eu quase precisei abrir mão de todos eles, e isso seria bem parecido com a morte.

—Por que está me olhando assim?

—Fiquei assustada, digo, na missão – suspiro vendo os olhos da minha cunhada ficarem completamente castanhos ao voltar a me observar, todo seu rosto se enchendo de preocupação. – Tive medo de não conseguir voltar. O trato era que se nós ganhássemos ficaríamos com a espada, se perdesse eu como a portadora da Katoptris, ficaria para sempre em Themyssera.

—Nossa – Lunna solta o ar e se senta ao meu lado como se precisasse de um tempo. – Fico feliz por terem conseguido, mas isso foi arriscado demais. Acho que não preciso classificar todas as prováveis consequências, não é mesmo?

—Não precisa – baixo meus olhos para minhas mãos. – Não queria ficar, mas era a única forma de todos saírem vivos.

—Eu entendo que o fato de você ser uma heroína a torna propicia a fazer diversos sacrifícios – seu tom de voz agora é quase maternal, o que me faz suspirar ao sentir um estranho aperto em meu peito. – Admiro isso de verdade, mas nada no mundo valeria o risco de perder você – acaricia minha bochecha como se fosse uma garotinha, tão pequena quanto a Nina. – Todo o tempo que ficou sobre controle da Arca, foi o suficiente para que entrássemos em uma vibe mais sombria do que os filmes dos Zack Snyder – brinca e dessa vez consegue gerar um mínimo sorriso em meu rosto.

—Eu ignorei meus pais por meses, fiz Damian pensar que o desejava fora da minha vida, fui relapsa com você e meu irmão. Ainda não pude me redimir... Não poderia suportar ficar – minha voz custa a sair com o nó que se forma em minha garganta.

—Isis, você não tem que executar um plano mirabolante e complicado para se redimir com ninguém – Lunna diz calmamente. – Nós não te culpamos por nada, e não pode ser responsável pelo que a Arca fez, meu amor. Seu único erro foi confiar em Phoebe, mas sabemos que foi manipulada ao fazer isso, então vou repetir mais uma vez. Não é sua culpa.

A mão de Lunna cobre as minhas e seu toque leve me faz levantar o olhar em sua direção. Sei que estou segura, mas as vezes só desejo que isso acabe e eu possa voltar para meus pais. Sinto tanta falta deles, e tanto tempo me foi roubado pela Arca que não sei como recuperar. Ela me puxa para um abraço e deixa que me desmonte em seus ombros, Nina permanece quietinha, como se soubesse que eu precisava do conforto de sua madrinha.

Ficamos dessa forma até uma batida firme me tirar do meu momento de auto piedade, limpo minhas lágrimas e trato de me recompor. Nina desce com cuidado da cama e saltita em direção a porta para abri-la, mostrando meu irmão que sorri de lado ao ver a afilhada imediatamente exigir colo. Connor a pega e entra no quarto olhando em volta com a expressão serena, não fala nada a respeito do que vê, apenas olha para Lunna e eu, depois abre um novo sorriso acolhedor.

—Fiz tacos. Todos estão na cozinha só faltam minhas três garotas preferidas – brinca fazendo cosquinhas em Nina que ria se debatendo nos braços dele.

—Eu comeria uma travessa inteira de tacos – Lunna se levanta em um salto e pega a maleta de primeiros socorros. Adoro a forma como o rosto do meu irmão se ilumina ao observá-la.

—Claro que comeria, amor – debocha quando ela caminha em sua direção, mostra a língua em resposta e pega Nina de seus braços, desaparecendo em seguida, tudo o que vemos é um rastro prateado. – É irritante quando o Wally faz isso, mas quando a Lunna faz é extremamente sexy – pensa alto olhando para o caminho que sua esposa havia seguido.

—Tem alguma coisa que ela faz e você não acha extremamente sexy? – debocho encaixando meu braço no dele e o puxando para fora comigo.

—Algumas coisas são apenas incríveis, outras lindas, impressionantes – começa a enumerar contando nos dedos. – As vezes são super fofas, ou...

—Tudo bem, já entendi – o corto gargalhando e me prendendo ainda mais em seu braço. – Sou sortuda por ter nascido sua irmã, Con – suspiro sentindo o beijar o alto da minha cabeça.

—Sabemos que isso é verdade – reviro os olhos em resposta a seu ego gigantesco. – Quer conversar sobre o que te fez precisar do colo da Lunna?

—Podemos, mas não é realmente necessário – dou de ombros. – Sua esposa foi incrivelmente eficiente— aproveito para o remendar o que gera um sorriso de diversão em seu rosto.

—Então, quer me falar a respeito daquele quarto? – comenta me fazendo congelar e ele dar risada da minha reação.

Notas finais
Então galerinha, é isso. Não deixem de me contar o que estão achando da história. Bjnhos!