PARADOXO - Seson 3
26 Capitulo 23 - História Antiga - Parte I
Notas iniciais
ISIS
Olhando para Katoptris em minhas mãos é inevitável me perguntar o que mais de mitológico existe convivendo entre nós humanos, completamente alheios as essas coisas tão antigas quanto o tempo, e as vezes mais perigoso que ele.
‘Não existem Hobbits ou vampiros que brilham a luz do sol’ Katoptris diz em minha cabeça com aquela voz estranha que agora já me era tão familiar.
Nada de Gandalf?
‘Merlin já existiu, mas isso você já sabe. É próximo o suficiente?’
Scheherazade?
‘Andamos juntas por um tempo, queria muito ter me enfiado na garganta daquele reizinho prepotente, mas tínhamos um plano.’ não posso evitar de dar rizada daquele comentário, pela personalidade dessa adaga juro que conseguia ver a cena. ‘Não precisa imaginar, te mostro.’
Então minha mente foi invadida por um salão que supus ser persa, era de um vermelho escuro, nas paredes haviam gravuras de pavões tão reais, em tons azuis vivos que parecia que a qualquer momento saltariam das paredes e andariam pelos salões, haviam ainda vários adornos em ouro, tapetes, tão clichê, mas havia tantos tapetes, se Jasmine, a princesa, tivesse um quarto não seria diferente daquilo.
A porta se abre e um homem que aparentava seus trinta anos, puxa pelo antebraço uma mulher que não deveria ter mais de vinte. Pele em uma marrom dourado, cabelos lisos, joias adornando as mãos, braços, pescoço e orelhas, olhos pretos, e o mais importante, astutos, como se todo o conhecimento do mundo lhe coubesse ali.
Antes que qualquer coisa acontecesse a mulher que imaginei sendo Scheherazade contava uma história para uma menina muito parecida com ela mesma, os mesmos olhos astutos e cumplices, irmãs, elas eram a Katoptris. Então o tempo muda, como se visse tudo em velocidade acelerada, mas ao mesmo compreendendo cada olhar e suspiro da heroína como se tivesse sido eu a suspirar. Então estou de volta ao meu mundo.
Ela era tão forte. Como pode se apaixonar por alguém que poderia a matar a qualquer momento?
‘Todas vocês são, as escolho por um motivo.’ Em nossas vozes duplicada em minha cabeça havia um tom de orgulho como de uma mãe mostrando que seus filhos são melhores que o da amiga.
Não sei se não teria enfiado a adaga em sua garganta, o rei/ sultão.
‘Outros tempos, não dá para se fazer uma revolução com a penas uma de vocês, foi preciso todas.’
Mas muitas foram apagadas da história.
Minha mente caminha por todas as mulheres que tanto Dam quanto eu mesma estudamos quando a Katoptris entrou na minha vida.
‘Não apagadas, a maioria de vocês virou lenda, pessoas boas de mais tem essa tendência estranha, virar Lenda!’ Olha o orgulho de novo. ‘Chega disso, daqui a pouco teremos visitas.’ E uma imagem minha abrindo a porta da Casa dos mistérios vendo Lucífer do outro lado, sorrindo com o ar malicioso me faz voltar para a biblioteca, onde parece não ter se passado nada mais que um piscar de olhos.
Phoebe estava sentada em uma poltrona, seus olhos miravam os próprios pés, como se algo muito interessante estivesse acontecendo ali. Ela tinha tido sorte, Jason a jogou para dentro da casa como um saco de batata, e não ficou para ver o que faríamos a seguir, mas parecia torcer pelo pior.
Wally iria leva-la para mesma sala onde interrogamos o outro Damian, quando meu namorado, o conduziu para a biblioteca, ninguém ali pareceu quere contraria-lo, no final, até agora Phoebe havia prejudicado muito mais nós dois, não importa quão ruim eu tinha me tornado no período que era, bem, um monstro sem alma, nada se compara a ver que ao pensar estar sendo super esperta, não passava de um peão que outra pessoa estava movendo. Ser manipulado é uma titica das grandes.
—Vamos ter visitas – aperto a mão da minha cunhada, isso seria interessante.
E Phoebe levanta seu olhar pela primeira vez, a forma como nos observa me incomoda. Não havia temor, mesmo sob o olhar de julgamento de todos, bom, todos menos Lunna que estava ocupada monitorando as reações de Damian. Esse por sua vez parecia terrivelmente deprimido, a expressão de tristeza em seu rosto, é de partir o coração. Enquanto isso, Phoebe parece nos estudar, analisar cada um de nós como se fossemos um livro fascinante. Minha simpatia por ela vem caindo em uma velocidade recorde.
Saio da biblioteca para o hall de entrada, Constantine estava com Nina quase adormecida em seus braços, quem diria que seria uma babá tão boa, acho que também sabia que teríamos visitas. Nina o encarava divertida, enquanto ele a balançava de um lado a outro murmurando reclamações baixinhas enquanto a bebê tentava tocar algo entre suas sobrancelhas. Uma batida firme me desperta da cena estranha.
Abro a porta e lá está o próprio diabo em pessoa, o mesmo sorriso que vi em minha visão, estampado naquele rosto desnecessariamente lindo. Suspiro me forçando a manter o foco, antes que a Katoptris comece a tagarelar sobre isso em minha mente.
—Dormiu bem, querida? – questiona assim que coloca os olhos em mim.
—Meus sonhos foram bem perturbadores – finjo um suspiro. – Acredita que neles eu estava acompanhada pelo Diabo? – isso o faz rir e misericórdia, por todos os filhotinhos de morcegos do mundo, que sorriso lindo é esse?
—Onde está o demônio espertinho?
—Na biblioteca – Constantine aponta para a próxima porta. – Vou colocar Nina para dormir, pode mostrar o caminho para ele? – se vira em minha direção e aceno concordando. – Ótimo, já alcanço vocês.
— Faz muito tempo que não entro em uma dessas casas, acho que a última vez foi quando Caim era zelador – Lúcifer diz com as mãos cruzadas nas costas enquanto caminha ao meu lado.
Caim? É difícil fazer todas essas mitologias se encaixarem na cabeça.
‘Posso te mostrar.’ Katoptris ri com a possibilidade.
Não, obrigada. Uma coisa de cada vez.
Entro primeiro vendo Sara e Lunna em um canto onde minha cunhada continuava visivelmente preocupada com Damian, e Sara se ocupava em planejar formas incrivelmente dolorosas para dar fim a vida do demônio sentado no centro. Bom, não sei se era isso o que ela fazia de verdade, mas aquele olhar fez até mesmo que eu me encolhesse. Connor estava escorado em uma estante entulhada de livros velhos, olhando para Lunna e Damian, como se tentasse entender o que se passava pela cabeça dos dois. Wally estava sentado na poltrona em frente a que Phoebe estava, e era a imagem do conforto.
Ao ver Lúcifer passando pela porta como se fosse o dono do lugar, pela primeira vez Phoebe demonstrou alguma emoção. Pavor. Seus olhos estavam a ponto de soltar das orbitas e todo o rosto se contorceu de um jeito desagradável. Por fim fecha os olhos com força, como se esperasse que algo acontecesse com o ato.
—Não adianta benzinho, essa casa inteira é uma armadilha para espíritos malignos – Constantine acende um cigarro, me fazendo dar três passos para longe da sua nevoa de fumaça.
—Acho que ela está com medo de ver o chefe – Sara sorri.
—Chefe? – Lunna vira rapidamente o rosto em nossa direção, ficando um pouco mais pálida que o seu tom marfim habitual. – Qual chefe?
—Eles não me apresentaram não é mesmo, gracinha? – Lúcifer pega a mão da minha cunhada e leva aos lábios depositando um beijo suave em seu dorso. –Prazer, Lucífer Morningstar.
LUNNA
Pisco algumas vezes para me situar. Claro que em algum momento o próprio Satã apareceria em minha frente, por que não? Já conheci magos, feiticeiros e espíritos vingadores que mesmo depois de mortos continuam combatendo o crime. Tenho o número de mais do que um cara que voa em meu celular, sou madrinha de uma semideusa. Um marciano é meu terapeuta e meu melhor amigo é tão rápido quanto o Sonic, eu mesma posso correr na velocidade do som, então por que minhas pernas estão bambas no momento?
Meu pai iria rir muito se estivesse no meu lugar. Afinal, se Lúcifer é real, Deus também é. Não que duvidasse, mas entendo muito bem o conceito de que fé é a crença naquilo que não se pode ver ou provar, mas confesso que ter essa certeza é incrível. Suspiro me dando conta de que finalmente posso ter alguma esperança.
—Nada – ele se vira para Isis a suas costas que me encarava entre a curiosidade e preocupação, talvez uma pontinha de culpa. – Nada de me expulsar, repreender ou sei lá, não quer tentar água benta? – se volta novamente para mim, estudando meu rosto com cuidado.
—Acha que eu vou dar um chilique? – faço careta só pela ideia, todos nos encaravam, a garota que deveria estar sendo questionada deixada em segundo plano.
—Lunna não é uma fanática religiosa! – Sara diz e ele se vira para ela com os olhos totalmente desejosos. – De onde tirou uma ideia absurda dessas?
—Religiosos costumam ser assim – dá de ombros.
—Isso é bem preconceituoso, Sr. Morningstar! – reclamo ofendida. – E não sou “religiosa”, só tenho minha fé, não tento a empurrar goela a baixo de ninguém – por algum motivo ele me fazia querer manter minha cabeça erguida, mexendo com meus raros surtos de rebeldia. Quase me arrependo quando percebo o interesse claro se ascender diante do meu desafio.
—Então me diga uma coisa – ele se aproxima, invadindo meu espaço pessoal, seus olhos capturando os meus, não posso me mover ou desviar o olhar, todo o meu corpo permanece imóvel esperando suas próximas palavras. – O que você realmente deseja? – seus olhos me prendem de imediato e posso não estar no controle do que digo a seguir.
—Queria não ser tão esperta – meus olhos vão de forma involuntária para Damian e Wally, meu peito se aperta, mas em seguida sou novamente presa pelos olhos do homem que havia me questionado. – Não quero deixar as pessoas que amo. Mas principalmente, não quero que Wally e Damian sejam tão pontuais — bufo, sentindo uma indignação enorme. – Preciso de mais privacidade com meu marido, talvez eu esconda todas as suas camisas ao voltar para casa e bloqueie o acesso aos nossos telefones por no mínimo dois dias. Wally e Damian estão destruindo minhas possibilidades de conseguir sexo pela manhã e seus treinos acabam com as minhas forças para que tenha chance de fazer qualquer coisa a noite, as vezes me imagino os espancando até que percam a consciência quando batem na porta do meu quarto para me levarem para sala de treinamento – me encolho no final, as palavras saem como uma enxurrada, só me dou conta do que disse depois, tampo a boca desejando mais do que tudo me enfiar em um grande buraco longe do mundo.
Connor prendia o riso atrás de Lúcifer, Sara gargalhava abertamente murmurando que eu estava igual ela depois de seu casamento frustrado. Isis e Wally pareciam constrangidos, e Damian olhava para o chão, como se desejasse tanto quanto eu não estar naquele lugar. Mas nenhum deles se comparava ao diabo, ele sorria com aprovação ao me observar, como se eu fosse a coisa mais interessante que ele já viu. Não tenho ideia do que pensar a respeito disso.
—Você me lembra a própria Afrodite – diz dando um passo em minha direção. – Com certeza essa aparência foi tocada por alguma divindade e você tem o cheiro do meu Pai, mas não está com medo, constrangida, mas não existe nem um pouco de temor. Está contente? – tentava a todo custo me desvendar a atenção me deixando desconfortável.
—Você aqui, prova que Ele está em algum lugar – dou de ombros, evitando encarar qualquer um naquela biblioteca. – Agora sei que não estive sozinha – Lucífer suspira um pouquinho desapontado. – Também entendo que assim como mulheres foram apagadas e substituídas nas escrituras, sua figura deve ter ganhado muito mais do que realmente fez, afinal onisciência não é relativa e nós humanos adoramos um bode expiatório.
—Humanos, nunca vou conseguir entender vocês – se vira para Isis agora. – Ela quem percebeu sua possessão, não foi?
—Como sabe? – minha cunhada o olha intrigada.
—Estar perto dela pode ser um tanto desconfortável para um demônio, a arca deve ter começado a dar sinais assim que ela te tocou pela primeira vez. E eu pensando que encontraria uma beata – mais decepção, então se vira novamente para mim. – Ao menos a vista é maravilhosa.
—Devo agradecer? – questiono sinceramente confusa e ele abre outra vez aquele sorriso devastadoramente perfeito.
—Isso é um fato, não agradeça – o observo me dar as costas até parecer pensar melhor e se voltar novamente em minha direção. – Mas Lunna – chama quando já estava voltando minha atenção a moldura do teto.
—Sim?
—Não sei se meu Pai estava com você, sinceramente, não costumo apreciar estar por perto quando o velho também está – cochicha a última parte em tom de piada, mas ninguém acha graça, então continua. – Anjos, esse é o proposito original, pelo qual fomos criados. Servir e confortar os humanos, por mais que nada disso aconteça a muito, muito tempo. Mas existem pessoas que nos atraem como imãs – puxa o ar enquanto me observa com atenção. – Conheço uma pessoa assim, ela costumava andar com minha irmã sem nem mesmo saber. Você possui esse mesmo tipo de alma, e com certeza nunca esteve sofrendo sozinha – sorrio para ele, suas palavras quase sem sentido foram capazes de me dar algum conforto. Agora ele piscava com se tentasse ganhar foco em seu olhar, depois solta um assovio se virando para Constantine. – Uau!
—Pois é, nunca me acostumo – o mago murmura em resposta.
Connor observava aquilo sem saber o que fazer, a expressão em seu rosto quase me faz querer dar risada. Wally tinha cara de quem sofre um grande enjoo, mas ele fica assim de tempos em tempos na casa dos mistérios, então não sei se o diabo tem algo a ver com isso. Mas ver Damian acaba com meu humor, ele estava tentando a todo custo não olhar para Phoebe e sei como nosso morcego costuma ser fiel a suas amizades, aquilo provavelmente está acabando com ele.
—Vamos começar, isso não foi divertido como eu pensei que seria – reclama se voltando finalmente para Phoebe. Era estranho ver o quanto Phoebe estava assustada, enquanto Lúcifer a olhava com um sorriso de pura satisfação.
—Me diga criança – ele caminha em direção a Phoebe, passa a mão em seus cabelos, o que a faz encolher na poltrona, até poderia sentir pena dela, por que seu pavor era tangível. – Gostaria de nos contar algo?
—Tudo, qualquer coisa, mas não me puna – lágrimas escorriam em seus olhos, um soluço trava sua voz, não sei o que Lúcifer poderia fazer para causar tanto medo, mas por sua própria divindade, juro que farei de tudo para não descobrir.
—Ah para! – ele exclama olhado para a garota que chorava sem controle, chego a me encolher ao ver o sofrimento da menina. – Vai continuar com essa tortura até quando?
—Tortura? – Isis questiona, tão confusa quanto o resto de nós.
—Ela acha divertido mexer com o emocional do seu namorado – diz com um gesto de mãos que nos conteve de fazer mais perguntas.
Dam levanta os olhos assustado e quando dou por mim, já havia me colocado ao seu lado e ele dá um passo em minha direção, até que seu braço está tocando o meu. Acho fofo como ele sempre me lembra o Phillipe ao agir dessa forma. Lanço a Phoebe um olhar irritado e por algum motivo isso a faz se encolher e Lúcifer ergue uma sobrancelha ao perceber isso.
—Interessante – murmura ao sacudir a cabeça como se quisesse se obrigar a manter o foco. – Então garota – volta novamente para Morley. – Suponho que se encontrou com Rath no inferno, enquanto eu ainda estava de férias, não é isso?
—Sim, senhor – responde baixando os olhos.
—Já disse para parar com essa tortura – avisa e isso faz Phoebe se sentar de forma elegante, revirando os olhos e seu rosto perdendo toda a expressão de dor. – Muito melhor, não tenho nenhum saco para drama.
—Não pode me culpar, é fácil demais – a garota dá de ombros e só o que consigo focar é no braço gelado de Damian.
—Vaca! – Sara solta e vejo Wally a conter, aparecendo ao seu lado no momento exato em que estava prestes a avançar na direção da Phoebe.
—Pode ver que seu tempo de boa recepção está se exaurindo – Lúcifer gesticula para todos nós, todos a encarando cheios de fúria. Então caminha até Constantine que lhe entrega uma espécie de moeda antiga. — Existem dois velocistas aqui, só um está contendo quem quer te ferir e a outra bem — ele me olha, mas meus olhos estavam totalmente focados em Phoebe, enquanto a indignação apenas crescia em meu peito. – Ela parece ser do time que quer sua cabeça e por algum motivo acho que você preferiria qualquer um, menos ela te tocando. Então seja rápida.
—Rath me ofereceu a oportunidade de fugir e me manter longe do radar tanto do inferno, quanto do céu. Só precisava conseguir uma coisa para ele – aponta para Isis. – Apontar a menina para a direção certa, e depois estaria livre.
—E?
—Esse era o trato, mas com o tempo ele passou a me procurar esporadicamente, por último me deu alguns seguranças. Disse que só estava me mantendo segura, mas acho que sabia que tentariam me levar.
—Tentar? – Sara ri com desdém.
— O que fez se aproximar de Damian? Se o seu trabalho era Isis, por que continuou? – falei antes que pudesse perceber, algumas peças ainda não estavam se encaixando, o mesmo temor passa por seu rosto ao me encarar, mas ela se apressa em disfarçar com indiferença.
—Era interessante lutar contra o que foi traçado – cruza as pernas. – A principio queria só saber se conseguia manter Damian separado para que a Arca se estabelecesse. Mas depois ele passou a ser interessante. Gostava de não precisar ficar inventando mil histórias, por que ele simplesmente não fazia perguntas. Com o tempo passei a me interessar pelas pessoas que ele interagia, queria saber quem eram, esse foi o meu erro. Quando toquei a garota – acena em minha direção. – Na festa em que Damian me levou, percebi que não poderia manter esse corpo se teimasse em continuar com ele, então o liberei do que estávamos tendo, era hora de o deixar voltar para seu caminho.
—O que Lunna tem a ver com isso? – a voz seca de Connor exala seu desconforto.
—De todos ela parece ser a única que te assusta, além de mim, é claro. A questão é, por quê? – Lúcifer olha do demônio para mim enquanto lança a moeda de volta para Constantine, não era exatamente surpresa o que percebi em seus olhos faiscantes, era entendimento.
—Foi doloroso – sussurra esfregando a mão de forma inconsciente. – Quando nos conhecemos, ela me ofereceu um aperto de mãos... – sua voz morre, e a garota estremece na poltrona.
—O toque te machucou? – Constantine dá um passo à frente, parecendo interessado.
—É mais como se fosse arrancar meus ossos sem se importar com o que estivesse no caminho – o demônio responde se encolhendo como se ainda pudesse sentir a dor.
—E o que isso significa? – questiono confusa, e um tanto irritada por estar mais uma vez no centro dessa reunião.
—Como eu disse antes, algumas pessoas possuem esse tipo de ligação com o divino. A chamamos de “Os Escolhidos” – Lúcifer me olha e explica calmamente. – Existem lendas que falam sobre linhagens que descendem de povos desde antes do diluvio.
—Filhos de Deus, se deitando com os filhos dos homens – recito automaticamente, sentindo um frio na espinha. — Nefilins? – ele assente. – Mas eles morreram afogados, não foi por isso que aconteceu o diluvio afinal?
—Não exatamente, querida – murmura coçando a nuca. – Alguns dos meus irmãos não poderiam ver seus descendentes morrendo, e bem, solicitaram um pequeno favor... Eu os escondi até que o chilique do meu Pai acabasse, e cada um seguiu seu caminho depois. Cresceram, se multiplicaram, blá, blá, blá. Já conhece o resto da história. E no fim aqui está você, a divindade quase completamente diluída pelas gerações, mas algumas coisas restaram como a forma como pode sentir o divino e atraí-lo, sua inteligência é maior do que de um humano normal, deve ter talento para música e oratória, faria muito sucesso se tentasse – automaticamente penso em meu irmão. – Poderia atrair um exército se quisesse e todos lutariam por você, e claro, qualquer ser das trevas que te tocar vai sentir uma terrível dor, chamavam de purificação antigamente. Mas tirando isso, é um ser humano completamente normal.
—Caracas, o capeta salvou os ancestrais da Lu de morrerem afogados! – Wally pensa alto, acharia graça de sua cara de espanto, mas mal posso me lembrar de como formar uma frase.
—É só olhar para esse rosto – Lúcifer gesticula em minha direção. – Ninguém é tão bonito normalmente.
—A órfã que foi tocada pelo inimigo e não se corrompeu – recito. – É a minha parte na profecia. Meu irmão também... Phill é músico e bem...
—Lindo de morrer – Sara completa.
-Ele é isso de “escolhido” também? – me viro para Constantine.
—Sim, assim como seus filhos serão – completa com uma simplicidade que não cabia em toda aquela situação estranha.
—Isso explicaria a atração da Katoptris por ele – Isis murmura torcendo o nariz. – E bem, a atração de todos por Lunna – sinto minha face esquentar quanto todos os olhos se voltam em minha direção.
Tentando desviar o caminho que minha mente trilhava, pondero quantos criacionismos já colecionamos até agora. Estou de frente para o diabo em pessoa, com um demônio preso de forma sobrenatural a uma poltrona, minha melhor amiga foi abençoada por um deus Tupi e sua filha aparentemente descende dele, assim como eu e Phillippe descendemos de nefilins. Vamos lutar contra demônios piores do que Phoebe Morley e claro, minha cunhada divide a mente e corpo com uma espécie de entidade milenar que protege mulheres durante o decorrer dos tempos. Deus, eu preciso muito de férias!
—Agora que esclarecemos sua linhagem eterna, preciso terminar com isso, não deveria estar tanto tempo em terra – suspira claramente frustrado antes de se voltar para Phoebe. – Como consegue falar com Rath? – ela imediatamente encolhe sob seu olhar cortante.
—Ele entra em contato, mas como minha parte já foi feita, tenho esperanças de nunca mais o ver – por algum motivo ela estava relaxada, como se entendesse que nenhum de nós a causaria nenhum mal.
Morley estava claramente brincando com os sentimentos do Damian. A submissão poderia ser real, mas o choro e a fragilidade era uma continuação da tortura bizarra que vinha o infringindo durante todo esse tempo. A compreensão turva meus olhos e me pego desejando avançar na direção da garota, chego a sentir a energia fluindo pelo meu corpo, o que faz Wally me encarar com uma sobrancelha levantada. Mas não tive chance, sua manipulação acabou por despertar a fúria de alguém ainda mais assustadora do que o diabo.
—Olha garota, vai ser o seguinte – Sara estrala o pescoço dando um passo à frente, Wally estava ocupado demais ponderando se precisaria me conter para se atentar para a real ameaça. Lúcifer sorri admirado lhe dando passagem. – Vamos a suas opções – fala se abaixando para ficar com os olhos na altura dos da garota. – Pode falar logo o que precisamos saber e bem, eu não faço com que Lunna lhe encha de abraços bem demorados, ou fica fingindo não ter respostas e posso apenas pular logo para os abraços. Estou louca para estudar os efeitos que eles podem causar a longo prazo – estremeço pensando que eu é quem seria torturada ao precisar tocar uma estranha por tanto tempo.
—De qualquer forma eu termino no inferno – Phoebe desdenha. – Tortura é uma coisa que até curtimos.
—Existem níveis diferentes no inferno? Como em O Inferno de Dante? – questiono, sem poder me conter.
—Não são círculos, e eu não estou acorrentado em um mar congelado – Lúcifer suspira, como se sempre tivesse que responder essa pergunta. – Mas os demônios possuem funções, algumas melhores, outras miseráveis.
—Acho que podemos fazer um acordo, e talvez, só talvez, eu o convença a te colocar sob condicional. O que acha Luci, precisa de uma nova assistente pessoal? – agora ele está boquiaberto, mas um grande sorriso de uma diversão perversa se espalha por seu rosto tentadoramente bonito.
—Não a quero atrás de mim – reclama provocando um olhar assassino de Sara. – Talvez seja útil por um tempo – acrescenta baixinho e minha amiga volta novamente sua atenção para o demônio que se estremece ao ver o chefe ceder tão facilmente.
—Posso te ajudar com isso – continua se aproximando ainda mais da garota, a voz perigosamente baixa, quase acolhedora, fazendo minha espinha esfriar. – Ou posso aproveitar que está em um corpo humano e te mostrar os tipos de tortura que usamos para fazer pessoas da sua laia abrirem o bico. Posso não ser um demônio, ter um super toque purificador, ou entender como fazem no inferno, mas prometo que não vou deixar a desejar.
—Definitivamente encantadora – Lúcifer fala com os olhos presos em Sara. Me viro para o Wally esperando ver alguma reação enciumada, mas ele partilhava da mesma admiração do diabo por sua esposa assustadora.
—Ouvi alguns rumores sobre ele e seus irmãos estarem prestes a fazer um grande movimento – Phoebe diz rapidamente. – Parece que isso vai deixa-los na reta final, então vão ter todo o poder que precisam.
—Quando? – Constantine pergunta, o rosto pálido me deixando alarmada.
—Ninguém sabe, eles só dividem esse tipo de informação entre eles – murmura em resposta, se encolhendo quando Sara se afasta em um movimento rápido.
—A manterei sob custódia e entro em contato com Constantine quanto tiver notícias – então se vira para Phoebe. – Isso, ou posso te dar como presente para essa mulher adorável, sua escolha.
—Vou com o senhor – decide após um longo suspiro cheio de pesar.
Ao meu lado Damian a encara com o rosto impassível, e posso entender que acabava de decidir passar por cima daquilo. Isis o estudava com clara preocupação, mas não parece saber o que dizer para aliviar o clima. Como não me encontro em um estado diferente, decido que a melhor coisa a se fazer é ir procurar por Nina, já que todos estão aqui e Sara provavelmente faria o mesmo. Preciso muito de um tempo com minha amiga, e sempre pareço conseguir pensar melhor com Nina por perto. Mas ao começar a me mover, a mão de Damian para em meu braço.
—Você está bem com tudo isso? – a preocupação em seu rosto me pega de surpresa, ele vem sendo alvo de uma tortura psicológica demoníaca a meses, e ainda quer saber se vou lidar bem com meus ancestrais sendo anjos. Abro um sorriso com uma admiração escancarada que o faz corar em resposta.
—Eu quem deveria te perguntar – brinco acariciando de leve a mão que me segurava. – Você está bem? – ao seu lado, Isis parece ansiar pela resposta, mas Dam apenas dá de ombros.
—Acho que sendo neto do demônio, em algum momento da minha vida, acabaria atraindo um para minha cama – faz careta e me esforço para segurar o riso com o desgosto estampado na face da Pequena Queen. – Tem coisas piores na minha mente agora – acrescenta de forma sombria, ao lançar um olhar magoado na direção do Wally. Bom, isso me preocupa.
—Não precisa ficar bem, sabe disso, não é? – Isis diz com carinho acariciando seu ombro. – Sei que ela foi importante para você. Tudo bem se estiver de coração partido.
—Ninguém além de você pode partir meu coração desse jeito, Queen – responde a ela com um sorriso charmoso que tinge suas bochechas de um tom rosado a deixando ainda mais fofa do que o normal.
Decido que aquilo era pessoal demais para continuar sendo plateia e deixo os dois com seu amor e vou em busca da Nina, sentindo Sara a minhas costas. Exatamente como precisava que fosse.
WALLY
Lúcifer o diabão em pessoa acaba de sair dessa casa bizarra e resolvo dar um jeito em minha última bagunça. Deixo Sara com Lunna e Nina em nosso quarto, minha esposa deveria deixar a Delphine aproveitar suas raras folgas com o Connor, e espero nunca mais precisar escutar esse tipo de relato constrangedor. Lu é como uma irmã, não quero saber o que ela faz ou deseja fazer em sua privacidade. Mas Nina está interessada demais na madrinha e sinceramente nós só mimamos a garota, ela tem o que quer, quando deseja. Seus olhos escuros e puros colocam os de Isis no chinelo e isso é algo significativo, a pequena Queen era até o momento em que minha filha chegou, nosso nível hard em fofura.
Encontro os irmãos Queens conversando em voz baixa na sala, Connor provavelmente está tentando fazer com que a Katoptris conte tudo o que sabe sobre essa história de “escolhidos”, em qualquer outro dia me juntaria a ele, mas ando atarefado demais, tentando evitar o pior, o que me faz passar pelos dois sem nem tentar escutar a conversa. Quando chego ao corredor, Constantine aponta para uma sala que até então não conhecia, ela só tinha uma mesa cumprida de madeira antiga com várias cadeiras e as paredes escuras eram decoradas com obras de arte bizarramente assustadoras, e havia algumas cortinas em um tom de vinho para piorar ainda mais o arrepio em minha espinha. É o tipo de lugar onde espero encontrar o caixão do Dracula, mas o que encontro na verdade é ainda mais intimidador. No fundo, sentado em um canto no chão sozinho estava o caçula dos Wayne. Uma versão devastada do garoto marrento que nos encanta dia a dia, isso me provoca mais pavor do que qualquer vampiro milenar. Me sento ao seu lado e Dam levanta a cabeça para me olhar, voltando a apoiá-la nos joelhos em seguida.
—Onde nós estamos? – pergunto olhando em volta.
—Parece uma das salas em Nanda Parbat, eu me escondia da Thalia nesse lugar quando era criança, era um anexo do quarto da minha tia Nyssa, o lugar mais seguro que conhecia até meus oito anos.
Deprimente. Mas prefiro não comentar a respeito. Esfrego meu rosto e respiro fundo me preparando para o que precisaria fazer a seguir. Merda, é por esse motivo que nunca se deve viajar na droga do tempo. Pena que resolvi ignorar meu próprio conselho no pior momento possível.
—Sabe que não estou falando o que aconteceu por que é o certo, vocês não podem ser influenciados, isso pode destruir tudo – digo encarando minhas mãos, sem conseguir olhar para ele. – A velha história de que as profecias só se concretizam quando tentamos impedi-las.
—Claro – a sua voz grave não passava de um sussurro.
—Os outros estão se esforçando para não me decifrar, mas acho que isso é como sua segunda natureza – suspiro e ele faz o mesmo, parecendo exausto.
—Quando voltei para o time, eu estava procurando por ela – começa a dizer, ainda de cabeça baixa. – Queria alguém para me ajudar a entender o que estava acontecendo, e bem, a Delphine costuma ser boa em encontrar respostas para qualquer coisa.
—Eu sei – concordo com tristeza. – Acompanhei todos vocês, sei que estava tentando entender o que me fez desaparecer.
—Quando a encontrei ela parecia um abismo humano, nunca escutei nada como aquele choro – também sei disso, eu estava lá ao lado deles durante toda aquela noite, mas prefiro ficar em silencio. – Delphine é estranha, provavelmente a pessoa mais esquisita que conheço, o que vindo de mim é alguma coisa – quase consigo sorrir, se não estivesse contendo essa mesma angustia desde que voltei. – Ela começa a se importar a um ponto que só o que você consegue fazer é retribuir.
—Isso é bom – ele me encara confuso. – Agora que ela tem super velocidade – tento explicar por alto. – Nós velocistas precisamos de ligações fortes o bastante para nos manter parados, a velocidade é como uma droga viciante.
—Por isso a história de âncora? – como sempre, ele se interessa por qualquer coisa nova que acrescente em seu conhecimento.
—Sim, mas existe a âncora, no meu caso é a Sara, a de Lunna é o Connor. Uma pessoa que simboliza sua ligação com o tempo real, te mantêm fixado nele. Mas isso se torna mais permanente com cada outra ligação que possuo. Nina firmou um pouco mais meus pés ao nos escolher como seus pais, minha família, padrinhos e vocês. Basicamente cada pessoa com a qual me importo – suspiro. – Lu tem o Phillippe que pode ser tão eficiente quanto Connor para a manter presa, mas cada um de nós simboliza uma parte com a qual ela não poderia viver sem. Isso a torna uma candidata excelente para a super velocidade, não tendo risco de se perder.
—Não quero ter que vingar a morte dela – murmura com uma voz cortante que faria qualquer pessoa comum se encolher de medo. – Por que sabe que vai ser exatamente isso que perder a Delphine vai desencadear em todo o time, não sabe?
Tenho certeza. Mas não digo nada, ele sabe que não posso dizer. Será uma crescente, tirando o membro capaz de acalmar e fazer com que cada um de nós reflita melhor sobre qualquer coisa, o restante cairá como um dominó. Lunna não é só a luz de Sara, como minha esposa insiste em dizer. Ela é a luz do time inteiro, nos faz pessoas muito melhores apenas por nos compreender, sua falta de julgamento a torna um pilar que nos mantêm de pé. É engraçado descobrir sobre sua descendência agora, mas a verdade é que todos os Delphine que conheci, passado, presente e futuro, foram o mais perto que já estive de algum anjo, e bem, eu estive na presença do Lucífer a alguns minutos, apesar de não ter ideia se ele pode ser o melhor dos exemplos.
—O que posso fazer para ajudar? – pela primeira vez ele me encara, vejo o abismo em seus olhos, o mesmo que venho contendo a todos esses meses.
—Vamos treiná-la, forçar ao máximo – escondo meu rosto com minhas mãos. – Falhar não é uma opção para nenhum de nós dois, acredite em mim.
Ainda consigo escutar as palavras de sua versão mais velha, a forma como me pediu para impedir isso, a suplica sombria em seu modo de dizer. Deus, não posso falhar com Sara e Lunna, não importa o custo que isso vá ter.
SARA D. WEST
Segunda parte da missão, agora que conseguimos o ingrediente do feitiço, só precisávamos da arma. É animador estar com meu arco em mãos, sem precisar andar as cegas atrás de demônios ou fazer uma excursão ao inferno. Só eu, meu arco, coisas para bater e a Pequena Queen em minha retaguarda, perfeito. Quero muito ver uma versão mais nova dos nossos pais outra vez, espero que nos deixem em 2016, quero ver se o drama do Wally pode ou não ser justificado.
—Isso parece nosso bunker – Isis comenta assim que colocamos os pés para fora do portal. – Não acredito que vamos lidar com nosso próprio mundo – seu rosto transparece toda a decepção que eu sentia.
Se havia dúvidas quanto estarmos ou não em nosso tempo, elas acabaram assim que olhamos para o centro do Covex. Tia Fel e Laurel estavam em frente aos computadores, Felicity virava uma garrafa de vinho, Lance tinha um grande copo de milkshake em sua mão, seu rosto vermelho rindo da amiga bêbada. Okay, isso sim pode ser divertido. Me animo de imediato, correndo em direção as duas.
“Precisam da Laurel, têm cinco minutos antes do novo portal se abrir” a voz de Lunna preenche minha cabeça, através de meus brincos de estrela.
—Missão com a Canário Negro! – Isis sorri radiante.
-Não são nossas crianças? – Felicity diz com o rosto culpado, passando a garrafa para Laurel que a esconde atrás das costas e deixa sua própria bebida sobre a mesa, preciso conter o riso.
—Ela não está bebendo em serviço, só precisava relaxar – Laurel diz, tirando a mão de Felicity do seu rosto. – É complicado, vocês duas nem uma palavra! – repreende antes mesmo que pudéssemos formular alguma piada a respeito. – O que fazem fora da casa dos mistérios?
—Mistérios – Felicity canta, girando em sua cadeira como uma criança com excesso de açúcar no sangue, Wally adoraria ver isso. Laurel trava a cadeira e olha de cara fechada, tentando a alertar. – Shiii! – coloca um dedo sobre os lábios, fazendo bico. – Não pode deixar a Isis saber que estou bêbada, fica quietinha!
—Devo me preocupar? – a pequena Queen questiona sua mentora que faz careta, negando em seguida. Ela prendia o riso como eu, agora Felicity encarava Laurel irritada, tentando girar a sua cadeira novamente, mas a Canário a impedia de fazer isso.
—Precisamos levar você para nossa missão – digo a Laurel que assente.
—Ollie, preciso que volte para buscar a Felicity – toca seu comunicador, e revira os olhos para algo que meu padrinho responde. – Esquece a noite das garotas, Isis e Sara precisam que eu as acompanhe a próxima...
Antes que terminasse de falar, meu pai e meu padrinho se materializavam no centro do bunker. Eles correm em nossa direção e nos abraçam apertado. Minha vontade é de não sair dos braços de John Diggle nunca mais.
—Conheci sua versão mais nova de outra terra – conto quando ele se afasta para me observar.
—Bonitão, não é? – brica, mas vejo como tenta memorizar meu rosto, o cuidado que segura meus ombros, meu velho está apavorado com o que estamos fazendo.
—Não posso negar, tio John – Isis diz fingindo se abanar o fazendo rir com vontade e nós trocamos os pares de braços que nos apertavam. – Era mais legal que o papai – sussurra, mas Ollie a encara ofendido, fazendo Isis se esconder atrás dos ombros do meu pai.
—Connor é realmente a cópia do senhor – falo para ele que não contém o sorriso orgulhoso, se esquecendo da ofensa da filha. – Mas seu garoto modelo não se deu nada bem com ele!
—Sério? – é Laurel quem parece interessada, ainda tentando manter Tia Fel quieta. – Connor nunca responde o pai, ou reclama de nada.
—Eles não os deram tempo de explicar muita coisa, Con e Dam não revidaram, não até uma Canário Negro que não era você, usar o grito dentro do bunker, com a mamãe bem no meio do fogo cruzado – agora todos eles têm o rosto fechado, menos Felicity que sorria divertida.
—Connor é tão super protetor, que exagero! – ela dá risada lutando para tirar a mão de Laurel que estava travando sua cadeira.
—Não estava errado, espero que ele tenha dado uma boa lição nesse idiota – Tio Ollie não parecia estar falando dele mesmo.
—Meu marido! – Felicity aponta para meu padrinho que a encara encantado por um segundo. – Me leva para casa, as crianças estão fora – sussurra a última parte, Isis e eu fazemos careta, mas nossos mentores parecem se divertir.
—Em um minuto, Hon – ele responde fazendo um sorriso gigantesco se abrir no rosto da minha madrinha.
—Só precisam da Laurel? – meu pai pergunta.
—Sim, missão de garotas – balanço meu corpo, animada. – Se cuidem quando estivermos fora – fico na ponta dos pés para beijar seu rosto e repito o mesmo gesto com meu padrinho. Depois me abaixo em frente à minha madrinha bêbada. -Você é adorável, Felicity Queen! – beijo seu rosto, seu sorriso sapeca idêntico ao de Isis.
O portal se abre e nós estávamos de volta a casa do mistério, mas nem esperamos, abrindo a porta em seguida. Agora estávamos dentro de um lugar metálico, me lembra seriados antigos sobre vida no espaço. Colamos nossas costas, sei que precisaríamos de mais uma aliada que estava nesse local, mas onde raios é isso?
“Alerta de intrusos” uma voz feminina robótica dizia, o som ecoando por todo o local. Só consigo ter tempo de tirar Isis do caminho, no instante em que Snart e Onda Térmica aparecem usando suas armas contra nós.
LAUREL
Os vilões do Flash são os que mais torram meu saco. Tirando um ou outro, a grande maioria não é se quer malvada. Já encontrei com Barry bebendo com o Trapaceiro Jr. Mais de uma vez em Central City, onde ele oferecia o ombro amigo para o criminoso, antes de o levar de volta para a cadeia. Barry Allen é um cara realmente estranho, esperar algo diferente de esquisito de seus vilões é desejar um milagre.
Mas agora estamos fugindo das armas de fogo e gelo de dois dos seus amiguinhos. Às vezes eu queria ser mais paciente, a parte engraçada é que percebo que as meninas estão compartilhando do mesmo estado de espírito do que eu no momento. Até que Ray surge de uma das portas, quando estava decidida a ceder e arrancar todos os dentes da boca do Snart a base do murro.
—Laurel? – murmura, os dois idiotas param de tentar nos acertar e encaram Palmer como se ele fosse o louco entre eles.
—Dá para colocar seus cãezinhos na coleira? – reclamo jogando o que parece um pedaço de uma cadeira que estava usando como escudo no chão. – Como vai, Ray?
Ele sorri caminhando em minha direção, me abraça apertado e depois olha as garotas sobre meus ombros. – Nossa, essa é a Diggle? – balanço a cabeça concordando e faço um sinal para que elas se aproximem.
—Mike! – Isis exclama animada demais para quem está de frente para um ante herói que até poucos segundos queria assar todas nós.
— Filha da Felicity – dou de ombros justificando a garota saltitando em direção ao cara mais mal encarado do ambiente.
—Nossa, a última vez que te vi, era um bebê – Palmer diz a Sara, mas eu estava mais ocupada vendo Isis retirar a máscara em frente ao Onda Térmica, os olhos dele quase parecem os de um ser humano emocionado.
—Estou tão orgulhosa – a Pequena Queen sorri com seu ar angelical e Mike parece envergonhado, coçando a nuca com a boca de sua arma. – Vem aqui! – abre os braços, e ele dá alguns passos vacilantes, permitindo que a garota o envolvesse, os braços de Isis mal conseguiam se encontrar em suas costas. – Sempre soube que seria um herói!
—Perdi alguma coisa? – Ray murmura enquanto todos nós assistíamos a cena boquiabertos.
—Acho que a alguns anos ele a ajudou em um sequestro – Sara diz por alto.
—Ela puxou muito mais da Felicity do que do pai – conclui com um sorriso admirado. – Mas o que fazem aqui?
—Onde é aqui? – Sara olha para os lados, tentando se situar.
—Espaço – a voz que responde faz um sorriso tão grande se abrir em meu rosto que pensei que poderia se romper feito o Coringa. – Oi Sister!
ISIS
Era ela que a Katoptris vinha me mostrando sem parar, não tenho dúvidas de que é a aliada que procurávamos. Sara Lance usava um uniforme parecido com o de Laurel, mas completamente branco. Ver as irmãs se abraçando era o tipo de coisa que me faz desejar ter uma câmera em mãos. Ela é exatamente como eu pensei que seria, linda, imponente e com uma aura que impõe medo sem esforço, igualzinho a nossa Sara.
Me solto de Mike e vou na direção das duas com meus olhos arregalados, tenho medo de piscar e a visão desaparecer. Okay, pareço uma tiete agora. As duas se afastam após muito tempo e ainda passam alguns segundos apenas se olhando, encostam as testar uma na outra e finalmente se separam.
—Sara, essa é Isis – me aponta, Laurel estava brilhando diante da irmã. – Filha do Ollie e Felicity.
—Você se parece com sua mãe e Thea – diz tocando meu rosto com cuidado e um sorriso lindo ao me observar.
—Não se engane, é quase um Oliver o retorno, tirando a fofura da Felicity, todo o resto é do pai – Laurel recrimina, mas nem me sinto ofendida com o ar de orgulho gigantesco em sua voz.
—Sou aprendiz da sua irmã – acrescento e agora Sara Lance parece ainda mais interessada do que antes.
—Estou feliz por te conhecer garota Queen. Mike me contou que o convenceu a voltar para casa, muito obrigada – beija meu rosto e volta sua atenção para Sara D. Minha amiga tinha um ar deslumbrado, parecia não conseguir encontrar a própria voz, isso é inédito.
—Mas você está viva – sussurra sem piscar.
—Bom, não exatamente – Sara Lance começa a dizer. – Sou de antes da minha morte, pode chamar isso de Paradoxo Temporal, mas não vivo em tempo algum, minha equipe e eu meio que somos os responsáveis por manter as merdas que na maioria das vezes o Flash comete em uma ordem minimamente aceitável.
—Policia intergaláctica – concluo. – Maneiro!
—Essa é a Sara Diggle – Laurel finalmente apresenta e vejo a outra Lance perder o ar por um momento. – Bom, é Sara West agora, mas não consigo deixar de enxergar todos eles como bebês.
—Escutei muitas de suas histórias – Lance diz a Diggle, claramente emocionada. – É uma honra que tenha recebido meu nome.
—É muita responsabilidade tentar estar à altura – Diggle sorri com a mesma emoção espelhada em seus olhos escuros.
—Ela consegue dar conta – Laurel brinca, empurrando os ombros de Sara D.
—Não tenho dúvidas – Lance concorda, em seguida limpa a garganta tentando deixar sua voz mais firme. – Do que precisam?
—De você, acha que pode deixar os marmanjos por conta própria por um tempo? – Laurel encara os três homens que apenas nos observavam estáticos.
—Se eu voltar e qualquer coisa estiver um centímetro fora do lugar, eu arranco as orelhas de vocês e as prego em suas testas! – ameaça encarando cada um por alguns segundos, e prendo o riso ao os ver estremecer. Isso deve ser um dom de todas as Saras, só pode.
—Se cuida Mike – sopro um beijo para meu amigo improvável, que me retribui com um sorriso tímido e suas bochechas ficando vermelhas.
—Você também, garota – escuto sua voz trovejante com um toque de emoção, que faz valer toda a missão até aqui. – Se precisar de reforços, sabe onde me encontrar – pisca um olho e já estava vendo quando começaria a me debulhar em lágrimas, então me sinto aliviada ao escutar a voz da minha Sara em seguida.
—Lu, estamos com elas – Sara Diggle diz tocando seus brincos encantados e uma porta multicor paira entre nós. – Vamos!
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