PARADOXO - Seson 3
10 Bonus I - Terapia
Notas iniciais
DIA DE TERAPIA
DAMIAN
—Pode dizer seu nome para registro? -o marciano me pergunta, olhando para o tablet em suas mãos.
—Se não aprendeu meu nome até hoje, J’onn, anotar não vai mudar em nada -dou de ombros e coloco meus pés no sofá, os mexendo ao som de uma batida insistente me minha cabeça.
—Damian, precisa levar isso a sério -seu rosto não muda de expressão, mas ainda assim posso sentir a recriminação fluindo dele para mim.
—Que seja – bufo, irritado. -Damian Wayne, mas espera. Não deveria falar minha identidade secreta para você registrar. Apaga isso! -ordeno procurando o isqueiro, tenho certeza que coloquei em um dos meus bolsos nessa manhã.
—Não estou registrando fisicamente -bate a ponta de uma caneta digital na cabeça. -Telepata, se lembra?
—Claro, claro -relaxo de novo e fico olhando para a sala branca e sem graça dele.
—Então, me fale um pouco sobre a sua família.
—Tem o Batman, um bando de Robins que já morreram e voltaram, duas Batgirl’s e uma que não teve muita criatividade e se chamou de órfã, mas faz sentido se ela só aprendeu a falar quando a encontramos -dou de ombros e passo a puxar alguns fios da minha calça. -O Batwing, a Batwoman, e de tempos em tempos até uma gata. Somos uma família perfeitamente normal.
CONNOR
—Por que preciso falar da minha família, você conhece todos eles -bocejo cansado demais para ficar conversando com um marciano a essa hora da manhã.
—Não pensei que apresentaria resistência, não é como costuma agir -ele argumenta, tentando aguçar minha necessidade de seguir certas regras hierárquicas.
—Não acredito muito nisso -aponto para nós dois.
—Então comece me dizendo por que escolheu se chamar Arqueiro Verde -respiro fundo e acabo de me dar conta que preferia responder a primeira pergunta.
—Ainda quer saber sobre minha família? -barganho.
—Quero que se sinta confortável -oh marciano irritante.
—Não vai acontecer, mas vou falar deles já que faz questão de saber o que já sabe -fico passando um pequeno dardo entre meus dedos para me distrair. -Meu pai é melhor como pai do que como herói. O cara sempre conta a mesma história para resolver qualquer dilema emocional que Isis e eu possamos ter, mas de alguma forma o final sempre muda -percebo como ele é estranho. -Sandra passa muito tempo longe por fazer trabalho voluntário em lugares onde crianças passam fome ou lutam contra doenças difíceis.
—Sente falta dela?
—Acho que estou acostumado, sei que ela precisa estar onde está -dou de ombros. -E minha mãe, a Felicity nunca passa muito tempo longe, então fico bem, não é como se fosse uma criança, ou estivesse doente.
—Percebe que se referiu a Sandra pelo nome, e chamou primeiro Felicity de mãe para só depois se lembrar de especificar -dou de ombros de novo e percebo como é estranha ponta de sua cabeça verde.
WALLY
—Família é uma coisa muito complicada, sabe J’onn -olho para o teto, enquanto estou deitado no divã da sala do Caçador de Marte. -E vai ver que a minha daria uma novela mexicana -aviso me animando. -Primeiro eu vivia com Paul e Ester que é minha mãe biológica, mas não a vejo desde quando era muito pequeno. Paul não é nada meu -deixo claro e ele assente. -Então tem meus tios, que são meus pais adotivos, Barry e Iris, mas Barry é meu tio biológico também. Está acompanhando?
—Claro, Flash -pela primeira vez na vida o vejo mudar de expressão e aquilo não parece ser a cara de alguém que está acompanhando alguma coisa.
—Meus irmãos, Don e Dawn. São umas pestes, mas conseguem ser bons garotos quando é preciso. E como sabe me casei com Sara Diggle, você se lembra de toda a comoção da época com a coisa de “Estou morta, estou viva”. Ah e já te contei que me tornei pai?
LUNNA
—Você parece cansado, J’onn -vejo seu semblante abatido e não posso deixar de me incomodar. -Quer que te traga água ou alguma coisa que ajude?
—Estou bem Lunna, por favor, não se preocupe comigo -ele tenta sorrir de forma cordial, mas acho que essas coisas ainda são estranhas para ele.
—Como preferir -tento fazer o que ele deseja, mas não é tão fácil assim ignorar alguém tão cansado. -Esquece — me levanto e sirvo um pouco de água de uma jarra que estava em uma mesa afastada. -Aqui -o ofereço. -Wally deve ter te cansado realmente.
—Ele é bem enérgico — confessa.
—Entendo.
—Não que prefira quando vocês apresentam resistência, mas ele simplesmente despejou tudo de uma única vez, em uma velocidade impressionante!
—Sinto muito, Wally gosta muito de contar a própria história — a empatia vem de imediato.
—Nem me fale!
SARA
—Sou filha de soldados, criada para ser prática acima de qualquer coisa -suspiro pensando nos fios de cabelos brancos que começaram a nascer nas cabeças de meus pais. -Minha mãe é uma mulher forte, sem drama e do tipo que nasceu para dar ordens -pessoas assim não deveriam envelhecer. -Meu pai é o contrário, ele é esperto e cobre todos os buracos que a liderança dela deixa passar. Ele é um soldado de infantaria, feito para enfrentar tropas de peito aberto.
—Acha que se parece mais com um deles do que com o outro?
—Não -pondero. -Depois de um tempo com os Diggle’s, é fácil se dar conta que os dois são como um só. Gosto de pensar que tenho o que preciso dos dois.
—Você parece uma adulta de verdade agora, Sara -sorrio por seu tom de aprovação. -Muito diferente da garota que auxiliei a um ano.
—Feridas saram, J’onn -dou e ombros. -Tudo só vai ter a importância que você dedica, e aprendi com um amigo que preciso ver tudo pela perspectiva correta. Tenho meus pais vivos, não são todos nós que podem dizer isso e entendo como sou abençoada. Wally está de volta e ganhei uma filha incrível -dou a ele um sorriso largo. -Claro que sempre estamos enfrentando algo, mas quando é que não vamos estar dessa forma? Cabe a nós escolher aproveitar, ou lamentar durante nossos momentos de paz.
—É uma boa forma de ver as coisas.
—É sim, não é?
ISIS
—Minha família? -repito a pergunta e o vejo assentir. -Já esteve rodeado por pessoas mais fortes e inteligentes que você?
—Acho que todos nós estamos -claro, ele não é filho de Felicity Smoak, pois ela definitivamente não está. Mais fortes talvez, mas dificilmente mais inteligentes.
—Bom, as pessoas têm certas expectativas que na maioria das vezes não posso alcançar -abraço meu próprio corpo.
—Acredita mesmo que as pessoas têm essa expectativa, ou estaria projetando seus próprios sentimentos nelas? -pondero a respeito por um tempo.
—Também pode ser que eu me cobre demais -assumo. -Mas sou filha dos meus pais e irmã de Connor Hawke, acredite em mim, se ele fosse seu filho -me inclino para frente o confidenciando. -Qualquer outro que viesse depois teria um padrão impossível para igualar!
DAMIAN
—Não estou perguntando como heróis, Damian, quero saber de sua família de verdade.
—Está nos investigando J’onn? Tentando montar algum tipo de perfil? -volto a procurar o isqueiro...
CONNOR
—Já disse que não tenho rancor da minha mãe biológica -falo lentamente, começando a pensar que ele tem dificuldade em entender o que sai por minha boca.
—Então por que sempre a especifica, como sua mãe biológica? -ele parece querer muito me fazer dizer em voz alta algo que só parece existir em sua mente.
—Não sei, talvez por que você conheça minha mãe, e Sandra seja apenas um nome.
—Acaba de fazer de novo! -ah que saco, deveria ter ficado na cama com Lunna e certamente minha manhã estaria mil vezes melhor.
WALLY
—E tem os filhos do Arqueiro Verde que são como meus verdadeiros irmãos, Lunna e Phill -conto nos dedos para me certificar de que não esqueci ninguém. -Os Robins, Kaldur’am, Konnel, sua sobrinha, Cisco, Caitlin...
—Parece ser muita gente -tenta me interromper.
—Ah são sim, mas não acabou ainda -explico. -Ronnie Raymond, Thea, Roy...
LUNNA
—Então ele começou a falar de estranhos que já foram seus vizinhos. -J’onn solta exasperado. -Pessoas que conheceu em um dia qualquer, que fez questão de me dar todos os detalhes insignificantes.
—Não tem como pará-lo uma vez que começa -digo em tom de desculpas.
—Wally realmente se apega emocionalmente a essas pessoas? -me olha e acho que esse é o momento em que só consigo ver seu lado humano, pela primeira vez desde que me lembro, o poderoso Caçador de Marte, não pode encontrar uma resposta para algo.
—Wally precisa se prender -explico calmamente. -Não é que ele queria te enlouquecer nem nada, ele só vive em um tempo lento demais para seu corpo e precisa de motivos para continuar assim, então se apega a cada ser humano que conheça. Ele se importa de verdade com todos eles. Acho isso bem incrível.
SARA
—Nina transformou todo meu mundo, J’onn -mostro a ele uma foto dela que uso como proteção de tela do meu celular. -Não é perfeita?
—É realmente uma linda criança!
—Vai ver só quando a conhecer, ela tem um jeito todo especial de marcar presença -comento animada.
—Mal posso esperar.
ISIS
—A primeira lembrança que tenho, daquelas de quando nos damos conta que existimos. -especifico. -É a mansão sendo invadida e Connor me lançando dentro do esgoto que passa atrás de nossa casa. Ele saltou em seguida -as imagens passam em minha mente enquanto falo. -Não sei quanto tempo ficamos lá, mas ele passou cada segundo me contando diferentes histórias, fingindo que estávamos em uma jornada encantada e dando seu melhor para me distrair.
—Parece ser um bom irmão.
—Ele não tinha mais do que dez anos, isso é incrível, mas nenhuma criança tão pequena deveria ser tão responsável -limpo uma lágrima que escorre por minha face. -Connor cresceu com peso demais sobre seus ombros e não adianta meus pais tentarem o fazer mudar agora, ele foi criado para ser um soldado.
—Isso te deixa irritada?
—Não deixa você? -desafio o olhando séria.
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