Põe na conta
1 Capítulo Único
Era fim do trabalho dele no Presente dos Anjos, os poucos bêbados que ficavam ali foram ou arrastados para fora ou estavam afastados ao fundo da taverna, desmaiados de tanto beber e que apenas seriam retirados por algum conhecido, Diluc não reclamava ou achava ruim, se ocupava em limpar o copo de bebida e fechar as garrafas de vinho e suco, as colocando a prateleira logo atrás do balcão e outras pela metade logo abaixo no balcão, uma pequena arrumação já que tudo já tinha sido ajeitado antes de usar o trabalho na taverna como álibi.
O cabelo preso em um rabo de cavalo alto, tal estilo da qual não usava a bastante tempo assim como a pouca utilização das roupas pretas e formais de um Ragnvindr, sendo formal apenas a gravata e as costumeiras luvas, tal cena poderia ser estranha para quem já se acostumou com o estilo dele, mas ninguém se acostumaria já que logo voltaria a ser o mesmo Diluc de sempre para todos.
Seria até a porta da taverna se abrir, passos soarem pela madeira do piso e uma leve brisa arrepiar a pele dele.
— Estamos fechando — Se apressou em falar, nem mesmo erguendo o olhar para a pessoa e ouvindo uma leve risada.
Uma risada fraca e brincalhona, mas com segundas intenções da qual Diluc conhecia muito bem, ignorando o que ele falou e se sentando para cadeira logo a frente dele do balcão. Não precisava de muito par saber quem era, o cheiro de uma brisa suave e deliciosa era o suficiente para reconhecer.
— Está fechado até mesmo para um dos melhores bardos de toda Mondstadtt? Que pena — Falou, o cotovelo apoiado no balcão e o rosto apoiado nas mãos — E mesmo eu, sendo um dos clientes mais fiéis?
— Cliente fiel é quem paga a conta e não tem mãos suaves quando pega bebida escondido — Rebateu, o olhar se desviando para se ocupar com outra coisa ali.
Uma bela desculpa para ele próprio, para não ver o quanto o bardo parecia bonito aquela noite, mais atraente que outras vezes e que daquela vez, não usava boa parte das vestes verdes que compunham seu visual.
— Poxa, Diluc... Você me deixa tão magoado, poderia me servir um suco então? O seu favorito, de preferência — Pediu, a voz manhosa e com um tom mais baixo, tentando ficar próximo.
Um olhar discreto para porta e ver que o bardo Seis dedos não estava ali e o outro que ajudava na taverna deveria estar no segundo andar, tentando acordar alguns clientes, esse olhar era o que Diluc precisava para suspirar e pegar um copo para poder servir um pouco de suco para Venti.
Cliente fiel... Ele sabia o motivo do bardo sempre acabar passando ali ao invés de ir para o Cauda de Gato, além da alergia de gatos, Venti não era nem um pouco discreto com o que queria em momentos que a calada da noite era tão favorável a ele.
Um leve admirar para o outro enquanto bebia do suco, com um pequeno filete da bebida descendo da boca para o pescoço e que Diluc ergueu a mão com um pano para secar tamanho desastre, atraindo não só um sorriso como o famoso olhar de alguém que aprontaria algo.
— Tão doce... Não quer provar? — Perguntou em um sussurro.
Em um sussurro tão próximo que Diluc não o deixou terminar, ignorando por um momento se alguém estaria vendo e terminando com a distância, o beijando. Um beijo para poder calar a boca do sempre falante bardo, o gosto doce do suco e do vinho, não soando tão ruim como sempre achou com a boca quente, lascivo e molhado da qual apenas terminou ao buscar por ar, ofegando baixo e resmungando com a risadinha de Venti.
— Doce demais... — Sussurrou.
— É o suficiente — Venti o respondeu, se afastando para tomar impulso e passar sob o balcão, mas sentado ali e puxando Diluc pela gravata, o beijando novamente e colando seus corpos.
Uma proximidade boa e perigosa, pois ainda estavam em um estabelecimento público, perigoso demais em sentir o calor do corpo e o membro do outro através das várias peças de roupas, se remexendo e o provocando, algo perigoso até mesmo para alguém de prestígio que Diluc se afastou e se xingou por parar aquela língua que se movia tão deliciosamente contra a sua.
— Venti.
— Hm?
— Devolva a garrafa de vinho — Sussurrou, atraindo um resmungo do outro — Chega de provocações.
— Que provocações? — Sussurrou, remexendo de proposito o corpo e ondulando a cintura de encontro com a de Diluc, sorrindo provocativo até.
— Acho que chega por hoje.
— Mas Diluc... Poderia me levar até a adega para terminarmos — Sugeriu.
Não era uma má ideia, mas... Será que era aceitável?
— Ainda tem que pagar o suco e todos as outras bebidas — Sussurrou, se afastando e olhando para a taverna, vendo que não tinha nada de diferente e ouvia vozes no outro andar — Vamos, já vou embora.
— Se vai embora, é minha chance de ir também com você — Venti falou, sorrindo de orelha a orelha e se retirando do balcão — Põe na minha conta, Diluc, vou pagar da melhor forma.
Notas finais
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