Pétalas de uma semideusa

9 Cap. 8: Socialização


Notas iniciais
Heeeey! Tudo bem com vocês, semideuses lindos? Eu voltei depois de... Nossa, uma eternidade, não é? Obrigada por toda a paciência e carinho! Espero de todo o coração que fique mais fácil escrever a fanfic de agora em diante. Torço muito para isso. Essa semana, em particular, foi bem produtiva... Consegui escrever esse capítulo depois de revisar todos os anteriores; fiz as correções necessárias e estou tentando retomar o humor característico da nossa Lori. É o último capítulo de 2016, gente. E desejo tudo de bom e do melhor a todos vocês nesse ano que se aproxima! Amo muito vocês! Boa leitura.

Eu sinceramente não gostava de chorar em público. Sempre evitei ao máximo, guardando tudo para explodir quando estivesse sozinha em meu quarto. Eu não sabia ao certo a razão, mas talvez fosse pelo meu rosto naturalmente pálido ficar avermelhado como um tomate maduro e meus olhos, inchados demais para alguém que estava só chorando, além da minha dignidade falar mais alto, dizendo: “Poupe a humanidade de ver esse trapo”.

Outro motivo poderia ser meu impulso de bater nas pessoas que perguntavam se eu estava bem. Ora, se o indivíduo está desidratando pelos olhos e soluçando como alguém que perdeu o bem mais precioso da vida, é meio óbvio que não está bem, então, por que perguntar? Só sei que eu adquiro uns complexos faciais de lutador de Artes Marciais Mistas (MMA) e envio uma expressão de irritação tão explícita que todos saem de perto. Ainda bem que eu ainda não havia manifestado quaisquer poderes nesses momentos... Já pensou? Ser atingido por uma rajada de balinhas de ursinhos ao invés de um turbilhão aquático? Culpem a Névoa por isso, amigos.

— Sabe, para alguém que não sabia de nada desse mundo semideus há uns dois dias, no máximo, você está lidando com tudo muito bem...

Virei o rosto na direção da voz e encontrei Jason, o filho de Júpiter e ex-pretor do Acampamento Júpiter. Ele possuía um semblante sério e comprometido com seus deveres, algo que me assustava um pouco, afinal, eu nunca fora a pessoa mais obediente e prestativa do mundo. Por isso, eu estava surpresa por me importar tanto com os sete meio-sangues e preparada para fazer o que fosse necessário para ajudá-los. Acho que até estava pronta para usar minha camiseta nova, comprada na semana passada, escrita: “Não mexam comigo. Bad girl na área”.

— Ah, valeu. — Pausei, esboçando um sorriso. — Pelo menos, até agora, não manifestei surtos psicóticos muito significantes... — Lembrei, então, do dia em que fui reclamada por meus pais e fugi em direção à floresta do acampamento grego. — Eu acho.

— Você está indo bem. — Colocou a mão sobre o meu ombro, tentando passar segurança. — Em breve, seus poderes estarão mais controlados e usá-los vai ser muito simples. Aprenderá a se apresentar mais... Ahn, pacificamente e...

Arqueei a sobrancelha no mesmo instante.

— Ei! Isso foi uma indireta? — Franzi a testa, contendo um sorriso. — Eu não parecia pacífica o suficiente quando mostrei meus poderes a vocês, romanos? É isso mesmo que está dizendo, Jason Grace?

O filho de Júpiter percebeu que eu estava apenas alfinetando sua escolha de palavras e levantou os braços em rendição.

— Bom, você sabe causar uma primeira impressão bem memorável.

Sorri, concordando. É, ele tinha razão. Como uma fita cassete, rebobinei toda a minha performance e suspirei. Relâmpagos, trovões, jatos estrondosos de água e mortos-vivos saindo do chão... Lorelai Tate, você poderia ter virado churrasco, considerando todos os romanos aguardando ordens para me atacar e ainda aquela petulante estátua explosiva...

— Jason, precisamos ajudar a limpar o Argo. — Piper aproximou-se com uma expressão avessa à essa futura organização. — Por que não podemos ter um minuto de descanso?

O loiro deu um sorriso anasalado e abraçou a namorada pelo ombro, trazendo-a mais para perto, ou seja, alerta de vela. Eu estava sobrando. Uma sirene soava em minha cabeça, gritando “Você vai ficar segurando a tocha olímpica nesse navio”. E era verdade: o Argo II tinha, basicamente, casal, o treinador exaltado, casal, Leo, casal e eu.

Eu estava saindo de perto dos dois discretamente e quase conseguia ouvir a trilha sonora de “Missão Impossível”, conforme dava passos calculados e esboçava um sorriso que só quem já segurou a vela e tentou fugir sem chamar atenção de todos conhece.

Olhei ao redor e pude ver Percy ao lado de Annabeth, ambos perto do painel de controles. Opa, casal. Depois, vi Leo e Frank conversando, mais afastados, e os dois estavam sérios demais, como se o assunto fosse complicado. Casal? Bom, até aonde eu sabia, não. Enfim, encontrei Hazel e Hedge enrolando grossas cordas que haviam se desprendido das laterais do barco. Ok, sem qualquer indício de julgamento, mas eu tinha certeza que eles não eram um casal. Decidi ir até eles.

— Lorelai!

De repente, a música de “Missão Impossível” parou, encerrando ao som daqueles discos de vinil riscados. Como se um holofote fosse aceso em cima de mim, fechei os olhos pensando “Quase consegui” e virei para trás, encontrando com uma Piper sorridente.

— Você mandou bem! — Ela ergueu a mão para um high-five, toda animada.

— Obrigada. — Aceitei o high-five, sorrindo e disfarçando minha tentativa frustrada de fugir. — Ahn, eu preciso falar com Hazel sobre umas coisas. Sabe como é, né? Temos um pai em comum e as coisas são meio complicadas, mundo dos mortos e, você sabe... Então, eu já volto.

E, finalmente, consegui escapar. Acho que quase os convenci de que eu não estava tentando escapar do meu dever de segurar um candelabro ao lado deles. Não que eu tivesse uma vasta experiência no assunto, já que eu não era de ter muitos amigos por perto, mas as situações inconvenientes no cinema já contavam, certo? Argh.

— Pelas ombreiras de Júpiter, você não pode comer essa corda, treinador Hedge. — Hazel suspirou, tentando puxar o emaranhado de cordas da mão do sátiro, se não me enganava o nome. — Além de precisarmos dela, você pode ter uma disenteria terrível, ok? É sério. — Olhou ao redor, frustrada, até me ver. — Lorelai! — Seu semblante iluminou-se. — Está tudo bem, treinador, a Lorelai pode me ajudar de agora em diante... Você não tinha uma partida de baseball para assistir?

Hedge, enfim, se deu por vencido e saiu batendo seus cascos pela madeira do navio. Ele resmungou algo que não consegui entender, talvez relacionado a pestinhas e latas de refrigerante caírem muito bem com cordas de sisal... Vai entender?

— Lorelai Tate ao resgate. — Dei um sorriso torto ao me aproximar da garota. — Precisa de ajuda com isso?

— Sim, por favor. — Ela respirou fundo. — Eu não sabia se aguentaria mais. Faunos que querem comer instrumentos de navegação, conflito entre acampamentos, Gaia, Frank e Leo conversando ali...

Segui seu olhar e fitei os dois adolescentes, ao longe. Eles continuavam a conversar, mas de maneira um pouco mais descontraída do que antes. Só um pouco. Alguns segundos depois, porém, o filho de Hefesto afastou-se e caminhou em direção ao painel de controle, empurrando Annabeth e Percy para longe, espantando-os com as mãos e um sorriso meio forçado. Fiquei intrigada pelo olhar do meu novo irmão, entretanto, como se tentasse não mostrar irritação sobre o “elfo”.

— Frank é seu namorado, não é? — Comecei a enrolar uma das cordas com mais esforço do que deveria. — Leo é o quê, então? Seu crush secreto? Você parece preocupada com o que eles poderiam estar falando.

Arfei pelo esforço mais uma vez, aguardando uma resposta. Nossa, aquilo era estranhamente pesado demais ou eu era o sedentarismo falando mais alto mesmo... Meus músculos já protestavam e gritavam por descanso e, bom, um pote de Nutella também seria muito bem-vindo, só para constar. Ok, com certeza, era o meu sedentarismo e minha fome inesgotável. Uma prova? Hazel e seus braços torneados de maneira escultural, porém, ainda mantendo os traços femininos, trabalhando como se estivesse levantando folhas de papel. Eu era, além de criança perdida, um caso perdido em minha essência. Era só o que me faltava.

Eu poderia pedir espinafre do Popeye àquela engenhoca extremamente conveniente, a qual Leo criara. Era uma opção, certo? Ficar instantaneamente preparada para acabar com qualquer um que ousasse atacar o Argo II... Era provável que não funcionasse, mas o que valeria seria a intenção. Afinal, eu ainda era mais um peso morto que qualquer outra coisa. Não sabia me defender, não sabia controlar meus poderes totalmente — estava longe disso —, não conseguia comer um mísero taco sem ser surpreendida por loucuras atrás de outras. É, o negócio estava feio.

— Não! — Respondeu, histérica, assustando-me. — Quero dizer, Frank é meu namorado, sim, mas Leo é... Bom, só o conheci, de fato, hoje.

Sorri pela sua expressão.

— Não está mais aqui quem falou. — Franzi os lábios. — Ei, já que estou aqui, eu posso perguntar algumas coisas?

Hazel pareceu aliviada por mudarmos de assunto e concordou. Ela já havia enrolado umas três cordas e eu ainda estava tentando terminar a primeira. Uau, eu precisava muito de uns exercícios de fortalecimento muscular. É isso mesmo, Lorelai, seus dias sedentários na cama, assistindo Netflix, chegaram ao fim.

Como a filha de Plutão aceitou, passei a organizar as perguntas em minha cabeça cuidadosamente, temendo que detalhes ficassem de fora. Coitada de Hazel... A enquete de Lorelai Tate estava prestes a começar...

— Como conheceu Nico?

Senti a menina com pele cor de chocolate ficar tensa e me arrependi levemente por ter começado com essa pergunta. Por que tudo relacionado ao Príncipe dos Mortos precisava ser misterioso e cheio de peculiaridades? Eu possuía o mesmo parentesco que ele, mas não ficava “sequestrando” pessoas em becos assustadores, nem conseguia fazer aquilo com os olhos, de torná-los estranhamente sombrios. Ou será que conseguia?

Enquanto Hazel se perdia em seus próprios pensamentos, discretamente, tentei imitar Nico e seus olhos sombrios. Não era bem uma carranca que ele fazia, porém, não tinha muitos sorrisos malignos envolvidos também. Talvez se eu franzisse um pouco a testa, mas só um pouco...

De súbito, no entanto, ela começou a falar e eu, mais uma vez, fiquei sem saber se conseguia copiar os olhares sombrios do Príncipe dos Mortos.

— É uma longa história... — A garota esboçou tristeza. — Para você entender, provavelmente eu teria que falar sobre minha infância em Nova Orleans, como tive que me mudar para o Alasca e como, bom, morri em 1942.

Várias coisas passaram por minha cabeça no exato momento em que ela disse “e como, bom, morri em 1942”. Primeiro, imaginei que fosse uma gíria romana, afinal, meu parentesco grego não era obrigado a conhecer os costumes romanos tão a fundo. Depois, entretanto, ao analisar suas feições que temiam um desmaio meu, respirei fundo e decidi não dar piti. Ok, talvez só um pouquinho de piti não trouxesse maiores problemas.

— Você morreu?! — Fiquei boquiaberta. — Tipo, morreu mesmo? Simplesmente ‘‘Adeus, ares gélidos do Alasca, fui”? Esse tipo de morreu?! Espera, então como você está aqui agora? — Arfei, arregalando os olhos. — Deuses, você está morta neste instante?

Hazel não parecia surpresa por meu ataque e minha postura defensiva fez com que um mínimo sorriso surgisse em sua face, como se fosse cômico e, talvez, esperado me ver naquela situação.

— Neste instante, estou viva. — Voltou a atenção às cordas mais uma vez antes de prosseguir. — Só que, sim, morri em 1942. Vou contar um breve resumo, ok? Minha mãe, Marie Levesque, enfeitiçou Plutão para que ele se apaixonasse por ela. — Deu de ombros, tomada por um ar melancólico. — Mamãe poderia ser... Bom, ela era um pouco ambiciosa quando queria. Ela desejou todas as riquezas do Reino de Plutão, mas com isso, consequências negativas também foram trazidas, por meio de sua filha, eu.

Acho que abri a boca e fiz menção de perguntar mais centenas de perguntas, porém, ela indicou para que eu esperasse, pois concluiria sua história antes. Assenti, assim, levemente envergonhada.

— Eu consigo sentir as riquezas do Reino de Plutão pulsando por debaixo dos nossos pés, apesar de que agora estamos voando... — Fez uma careta de enjoo. — Enfim, todas as joias que eu conseguia e que eram vendidas por minha mãe traziam muitas infelicidades e tragédias aos seus compradores... — Engoliu em seco. — E sob várias tentativas frustradas de Plutão, minha mãe não queria parar, então, fugimos para o Alasca. O Alasca está fora dos domínios dos deuses; lá eles não têm poderes, entende? Tive que abandonar minha vida em Nova Orleans e pessoas que eu amava...

Hazel parou de falar e começou a fitar algo ao longe. Eu, com meus dotes de curiosidade à flor da pele, é claro que virei o rosto para trás, seguindo seu olhar. Adivinhem só? Ela estava encarando Leo, no painel de controles, que conversava com alguém desconhecido. Quero dizer, invisível. Talvez ele estivesse falando sozinho.

— Por que eu tenho a impressão de que Leo foi o seu amor deixado em Nova Orleans? — Perguntei como quem não quer nada.

Os olhos cor de âmbar da garota pareceram brilhar, mas ela piscou e voltou-se a mim.

— Ahn, aonde estávamos? — Fingiu não escutar a pergunta. — Ah, sim... Basicamente, no Alasca, fui forçada a levantar um gigante, Alcioneu, filho de Gaia e Urano. Sim, a mesma Gaia. — Respondeu antes que eu pudesse sequer pensar em questioná-la. — Quando percebi o que eu estava fazendo, destruí a ilha em que vivíamos, morrendo com minha mãe. Os juízes do Submundo, no entanto, não quiseram ter muita misericórdia e enviaram minha mãe aos Campos de Punição e eu fiquei sozinha, nos Campos do Esquecimento. — Pausou para respirar fundo. — Depois de 70 anos, Nico me encontrou e me trouxe de volta ao mundo dos vivos.

Ela contou que Nico trouxe ela de volta à vida com tanta naturalidade que quase caí de costas. Como isso era possível? Quero dizer, era meio tolo imaginar que existiam coisas impossíveis no mundo, sendo que a minha própria existência seria rotulada dessa maneira, mas aquilo era loucura. Só que pensar em Nico di Angelo, Príncipe dos Mortos e Embaixador de Plutão — podemos ignorar o último título, pois era simplesmente uma ofensa a todos os apelidos legais do planeta —, resgatando nossa irmãzinha romana dos Campos do Esquecimento horripilantes era, no mínimo, estranho, não era? Uau, meu irmãozinho era bem hard core.

— E você está bem? Digo, você passou por bastante coisa, certo? Então, você está bem?

Hazel abriu um sorriso e acenou positivamente para mim.

— Considerando que estamos prestes a entrar em guerra, estou bem.

Um arrepio percorreu minha coluna e suspirei, derrotada.

Touché.

Como Hazel parecia não estar disposta a responder à minha enquete inteira, decidi deixar as próximas perguntas para outra ocasião. Sim, Lorelai Tate sabe, sim, quando parar com suas perguntas... O quê? Eu tenho autocontrole.

Decidi, assim, finalmente largar a pesada corda, pendurando-a na lateral interna do navio, levemente satisfeita por meu trabalho. Bom, pelo menos até ver as quatro demais cordas devidamente penduradas, resultado do trabalho de Hazel. Sabe quando seu sorriso some no mesmo instante? Pois é... Eu estava até considerando aquele espinafre agora...

— Acho que vou falar com Leo... — Queria deixá-la a sós para que pudesse falar com Frank. — A gente se fala depois.

Ela assentiu e, como previsto, ela rumou em direção ao namorado no mesmo instante. Não leve isso para o lado pessoal, Lori. Você é uma ótima companhia, só precisa trabalhar um pouco com sua mania de ser inconveniente e levemente petulante em relação à sua usual curiosidade... Pelo menos eu era consciente de meus defeitos. Argh, o que eu estava fazendo? Por que eu precisava falar comigo mesma toda hora? Parecia um grupo de apoio composto só por mim.

— Princesa Avatar! — O filho de Hefesto abriu um sorriso, enquanto trabalhava com os botões do painel de controle, olhando-me de soslaio. — Saudações do centro nervoso do Argo II.

— Nossa, complexo. — Arregalei os olhos, meio perdida entre os diversos botões. — Desde que não tenha mais um dragão escondido aos arredores, tudo de boas, certo? — Dei um riso nervoso. — O quê?

Minha voz receosa surgiu assim que o semideus me fitou com um semblante retórico. Imediatamente, a cor sumiu de minha face, dei um passo para trás e um “Não pode ser” ficou estampado em minha cabeça.

— Ah, mas a gente tem, sim, um dragão. — Leo sorriu. — Festus é muito “parça”, para a sua informação, e ele tem sentimentos, ok? Então, cuidado ao falar sobre dragões, Princesinha Avatar. Ele está aqui. Festus, dá um oi especial para a Lorelai.

Uma série de cliques e rangidos preencheram o nosso redor e comecei a olhar para os lados, procurando a origem dos sons e tentando com todas as minhas forças disfarçar o temor em relação aos grandes répteis. Por alguma razão, eu imaginava que minha cabeça pudesse ser engolida de repente e o resto do meu corpo gesticularia um SOS básico até cair sem vida no chão de madeira do Argo II ou um godzilla voador fosse passar por cima de nós com um cartaz — daqueles carregados por aviões — saudando minha entrada na equipe "Bota Tudo para Quebrar: Semideuses e Sátiro de Plantão”, mas a minha pequena parte racional chiou, chamando-me de ridícula e silenciando-me.

— Ele se comunica por Código Morse, sabe?

Ergui as sobrancelhas, hesitando em concordar. Ah, claro, tão comum as pessoas saberem Código Morse hoje em dia... Aliás, provavelmente vou aderir à nova tendência. Usar a boca, nunca mais, agora a questão era Código Morse e boa sorte àqueles que não soubessem.

— Ei, amigão, acho que ela merece mais que isso, não é?

Em resposta, mais cliques ritmados soaram até um dubstep contagiante tomar conta do Argo II. Vire e mexe, uns "Leo gostosão", "Festus, não negue... Você sabe quem eu sou" ou "Garoto dos Reparos arrasa geral" apareciam no meio, criando uma música nova e cômica.

— Foi mal, Princesinha Avatar, isso é o que temos para hoje. — Leo sorriu, olhando para mim após tanto tempo ocupado com os botões do painel. — Festus falou que vamos acabar naufragando no ar se não pararmos para reparar alguns danos...

Era impressão ou todos os semideuses sabiam dar notícias estranhas e preocupantes com uma naturalidade surpreendente? Eu havia perdido essa aula de socialização, tinha certeza, algo como “mantenha uma voz serena e a pessoa nem perceberá que você acabou de dizer que o mundo vai acabar”. Primeiro, Hazel e sua história controversa e, agora, o filho de Hefesto anunciando nossa morte iminente, caso não consertássemos alguma coisa no navio. Bela situação a nossa..

— Não se preocupe, boneca. — Piscou ao notar meu espanto. — Nosso amigão de todas as horas, Festus Valdez, já deu um jeito nisso. Vamos ter que fazer um pouso forçado, mas vamos encontrar tudo que precisamos em um lugar só, o que é um milagre. Então, fechou, Lorelai, vamos contar aos outros... — Ajeitou seu cinto e bateu uma mão na outra. — Festus, assuma o comando do Argo.

Eu não sabia muito bem o que mais me preocupava: o tal pouso forçado ou o “Festus, assuma o comando do Argo”, mas a única coisa que pude fazer foi seguir Leo até o restante do grupo, afinal, eu tinha um claro e objetivo dever: ajudar os meio-sangues como pudesse e evitar a todo custo a vitória de Gaia em sua terrível empreitada.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Ainda me sinto muito mal por ter demorado tanto para escrever, mas fiz o meu melhor. Sei que faltou um pouco daquele senso de humor da nossa protagonista... Culpem esse tempo tão grande sem escrever e a espécie de bloqueio que se forma na cabeça do autor. Peço sinceras desculpas por isso. Tenho grandes planos para o próximo capítulo, entretanto, e espero que dê para escrever tudo o que estou planejando no capítulo 9 mesmo, pois acho que vai ficar engraçado... Querem um SPOILER? Sim, eu disse SPOILER! SPOILER!!! Bom, se você continuou a ler, vou contar: "Que comece o treinamento de nossa linda criança perdida". Pensamentos e opiniões? Bom, mais uma vez, desejo que 2017 seja aquele ano maravilhoso e saibam que amo muito vocês! Xxxxxx
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.