Pétalas De Sangue
1 Parte I
Notas iniciais
Alexander olhou a fachada do posto de inscrição para o décimo quinto regimento do Exército durante algum tempo antes de entrar. Ele, no auge dos seus dezoito anos, decidira fazer do alistamento muito mais do que apenas um dever. Alex queria servir. Conseguia se ver com uns quarenta anos como capitão de um regimento. Naqueles tempos onde a humanidade enfrentava o perigo vermelho, era uma honra poder vestir a farda e lutar. E essa honra era refletida na fila de homens, alguns maiores de dezoito, que esperava para se inscrever.
Ele se sentou na última cadeira disponível, ao lado de um rapaz pequeno de cabelos loiros e pele que de tão branca parecia transparente. Não estava ali para fazer amigos, mas sem nem mesmo perceber começou a conversar com o tal rapaz. Talvez fosse o fato de ele ser tão franzino que o deixou intrigado. Alex sempre fizera parte do time de natação e por causa disso tinha os ombros largos com braços e peitoral definidos, o tempo à beira da piscina também dera a ele uma pele mais bronzeada, saudável.
— Está tentando ser o Capitão América da vida real? — perguntou em tom de brincadeira.
- Seria uma boa, mas você sabe, é fisicamente impossível que algo como aquilo aconteça. — ele respondeu também brincando.
- Eu sou Alexander. Sniper.
Ele não sabia por que dissera para qual função se alistaria, mas o franzininho entrou na onda.
- Robert. Pesquisa. Eu sou um nerd, acho que deu pra perceber.
Depois disso, a conversa acabou. Não havia intimidade, amizade era algo muito forte para se ter naquele momento. Os números foram sendo chamados um a um. A fila ia aos poucos diminuindo; a tensão aumentando. O número de Robert foi chamado e Alex deu um aceno de cabeça lhe desejando sorte.
Lá estava ele, sozinho na fila agora, pensando no que o aguardava. O colegial tinha ficado para trás, nada de garotas de biquíni, festas, piscinas, bebidas. No exército, ele não seria mais o garoto popular, ele seria apenas mais um entre milhares. Ele teria que provar o seu valor.
Depois de um tempo, Robert saiu e o número de Alex foi chamado. Ele andou até a sala anexa e sentou-se na cadeira em frente ao comandante.
- Boa tarde, senhor.
- Boa tarde.
O comandante entregou a ele os formulários e ficou em silêncio enquanto ele preenchia com atenção. Ao terminar ele devolveu os papeis que foram analisados pelo comandante.
- É meu dever perguntar se você está certo de sua decisão.
- Sim senhor. Tenho certeza.
- Apresente-se no dia seis na Academia Militar de Graz para treinamento.
Alex levantou, apertou a mão do comandante e saiu.
∞
O ônibus que levaria para a pequena cidade de Graz, no estado de Nova Jersey estava cheio de rapazes, alguns animados com o futuro, outros pensativos sobre as futuras batalhas. Alexander, porém, olhava a janela sem nenhuma emoção. Várias mães choravam acenando para os filhos recém-vestidos com as fardas, o que o fazia pensar se sua mãe aprovaria o que ele estava fazendo. Desde que ficara sozinho aos seis anos, sempre se imaginou fazendo parte de algo maior.
- Qual delas é a sua mãe? — disse uma voz ao seu lado fazendo-o se virar e reconhecer Robert. — A minha é aquela ali. — disse apontando para uma senhora tão branca quanto ele que acenava com um lenço que ora era usado para assuar o nariz.
- Nenhuma. — respondeu com uma calma invejável e Robert o olhou assustado. — Minha mãe morreu há doze anos.
- Desculpe. O que houve com ela?
- Ela suicidou-se depois que soube da morte do meu pai.
O rosto pálido do garoto expressava choque. Recuperando do susto, ele perguntou:
- Como seu pai morreu?
- Pearl Harbor. Ele era um Marine (fuzileiro naval).
- Nossa cara. Eu nunca tinha conhecido ninguém que teve alguém morto em Pearl Harbor. É por isso que você se alistou?
Alex balançou a cabeça em confirmação e perguntou:
- E você?
- Eu quero ser útil. E acho que o melhor jeito pra eu conseguir isso é me alistando.
O silêncio se instalou entre eles até que o ônibus começou a andar e não era mais possível ver os familiares na estação.
- Boa sorte para nós então. Que venha Graz. — Robert disse e sorriu.
- É... Nós vamos precisar de sorte.
∞
- Jones, Robert. — o capitão do regimento chamou fazendo Robert se dirigir até ele e bater continência. — Alojamento 5A. E é melhor você fazer da academia sua casa, filho. Quero ver esses músculos crescerem.
Assim que ele saiu, o capitão chamou o nome de Alex.
- Mason, Alexander.
O rapaz se dirigiu ao capitão que deu um sorrisinho.
- Temos um soldado de verdade aqui. Quantos quilos você consegue, filho?
- Cem, senhor.
- Podemos aumentar isso. Por que se alistou filho?
- Quero honrar meu pai e meu país senhor.
- Estamos cheios de garotos que estão aqui para realizar os sonhos dos pais e eles não passam de uns bundões. O que você tem de diferente?
- Meu pai morreu para que seus companheiros pudessem voltar para casa senhor. — disse abrindo o casaco e mostrando a Estrela Púrpura.
- Qual ataque filho?
- Pearl Harbor, senhor.
- Nós demos aos japoneses o que eles mereciam, com certeza demos. — resmungou mais para si mesmo do que para o batalhão a sua frente. Levantou a cabeça e voltou a pose normal. -Alojamento 5A.
Alex sentia todos os olhares sobre ele agora. Ele não queria que todos soubessem que ele tinha uma honra a zelar, mas ele não deixaria nunca alguém zombar de seu pai. Ele nunca fora um zero a esquerda. Tudo que ele conquistara fora por mérito próprio e Alex queria ser exatamente como ele. Sendo um legado ou não, agora era a sua chance.
Já no alojamento, colocou sua mala em um beliche vazio e tirou de lá de dentro o calção. Tirou o casaco, a farda e sem se importar com o frio vestiu o short e saiu do alojamento com uma toalha nas costas.
- Ei, novato. Aonde você vai? — uma voz grossa o fez virar e bater continência.
- Pensei em ir nadar senhor. É assim que eu treino.
O homem negro se aproximou olhando-o de cima a baixo.
- Mason, não é? — assentiu. — Eu conheci o seu pai, garoto. Excelente no que fazia. Se você está aqui para honrá-lo eu sugiro que se esforce. Capitão Andrews vai pesquisar seu nome nas fichas assim que acabar de designar os rapazes e não espere que ele seja bonzinho.
- Sim senhor. Quero provar o meu valor.
- Ótimo. Até mais filho. — disse e se virou indo embora.
- Senhor! — chamou o que fez o homem se virar. — Qual o seu nome?
- Pode me chamar de Comandante Jackson.
O homem voltou a dar as costas e Alex continuou seu caminho até a piscina, agora mais determinado que nunca.
∞
Um mês depois
- 75... 76... 77... 78... 79... 80!
Alex largou a barra e olhou no espelho. Os músculos cada vez maiores queimavam pelo esforço, o suor pingava, o cansaço fazendo com que ele quisesse fraquejar, mas um sorriso brotou em seu rosto.
Já estava ali há um mês e a cada dia sentia a certeza de ter feito a escolha certa. Capitão Andrews o fazia trabalhar duas vezes, mas do que os outros, mas ele não reclamava.
Robert agora era seu melhor amigo e nas horas vagas, Alex o ajudava com o treinamento. Ele tinha ganhado um pouco de cor graças aos exercícios ao ar livre e já não parecia que ia quebrar a qualquer toque.
Um sinal anunciou que o tempo da academia havia acabado e os soldados foram para o pátio central onde o almoço seria servido. Eles se sentaram nas tão conhecidas mesas e começaram a conversar animadamente. Naqueles breves instantes, eles eram garotos normais, não soldados. Depois que todos já haviam se acomodado, o Comandante Jackson levantou-se o que fez a conversa acabar imediatamente.
- Eu não sei se todos vocês sabem, mas esta noite vai haver uma quermesse em Graz para arrecadar dinheiro para o orfanato. Como havia planos para fugir da base, nós resolvemos liberar todos vocês por essa noite. — gritos foram ouvidos de todas as mesas. — O ônibus para a cidade vai sair às seis e voltará à meia-noite. Os engraçadinhos devem estar cientes que independente da hora que chegarem ou da ressaca, os treinamentos começarão amanhã no mesmo horário e aqueles que não estiverem presentes irão sofrer uma punição. Obrigado.
Os burbúrios voltaram a ser ouvidos. Todos animados discutindo quantas garotas conseguiriam enganar com a farda. Robert sentado ao lado de Alex ria de uma brincadeira feita por um dos caras.
- Ei Alex! Você vai? — Paul Connor perguntou animado.
- Acho que não. Devo ficar treinando. Divirtam-se por mim.
- Não, não, não cara! — Robert exclamou. — Fomos liberados por uma noite e você vai treinar? Há quanto tempo você não beija uma garota? Um mês? — Alex deu de ombros como se não estivesse contando. — Agora eu não beijo alguém há 18 anos! Preciso do meu amigo lá para me ensinar como convencer uma garota.
Alex sorriu.
- Tudo bem, Rob. Tudo bem. Com uma condição: faça tudo que eu mandar.
- Sim, Senhor.
∞
A tarde chegava ao fim e todos os rapazes da base se dirigiam até o ônibus que os levaria a cidade. Todos, sem exceção, usavam fardas, não por obrigação, mas sim por honra.
A viagem durou menos de meia hora e assim que desceram do ônibus, Rob e Alex começaram a percorrer o lugar em busca de uma garota.
- Eu não me importo que ela seja fácil. Não mesmo.
- Nada disso. Nós vamos escolher para você a garota mais difícil desse lugar. Assim, nós testaremos também as técnicas do pegador aqui. — Paul disse batendo no ombro de Alex.
- Escolha a garota. — Alex pediu.
- Uou, o cara veio com a auto-estima lá em cima. — Jack, um dos outros rapazes disse. — Tudo bem Rob. Tá vendo aquela loirinha na barraca do tiro? — ele fez que sim com a cabeça.
Alex a olhou também. Ela tinha um sorriso nos lábios, apesar de seus olhos mostrarem que ela não queria estar ali.
- O que você faria Rob? — perguntou ainda a olhando.
- Eu entraria na fila e ganharia um urso para ela.
- Excelente ideia, se ela já não tivesse ganhado metade dos ursos.
- Como você sabe? — perguntaram os três juntos.
Ele sorriu de lado.
- Vocês estão vendo aquela pilha de bichos ao lado dela? Todos de pretendentes. Se você quiser conquistá-la, haja diferente. Os caras que falam com ela são todos brutamontes, então seja simples, desajeitado e tímido.
- Eu aposto 20 dólares que ele não consegue. — Peter disse.
- E eu mais 20. — completou Jack.
- 50 que ele consegue. — Alex sorriu.
Rob seguiu até a loira desejando que não tivesse contado a ninguém sua falta de experiência. Parou em frente a ela e sorriu.
- Boa noite. Quanto é para atirar?
- Três tiros por 10 doláres. — respondeu com uma voz monótona.
Ele tirou o dinheiro e entregou a ela aproveitando para ver a pilha de ursos, macacos e corações de pelúcia aos pés dela.
Quando ia começar a atirar, uma garotinha de no máximo 10 anos apertou a perna da sua calça.
- Moço, o senhor é do exército? — perguntou sorrindo e mostrando a falta dos dentes da frente.
- Sou. — respondeu tímido. — E você, de onde é?
- Do orfanato. — respondeu ainda sorrindo.
Rob abaixou ficando da altura dela e estendeu a mão.
- Meu nome é Rob, e o seu?
- Linda.
- Que nome bonito. Combina com você. Me diz uma coisa Linda, você gosta de qual desses ursos? — disse apontando para a prateleira.
- Daquele rosa ali. — apontou para um pequeno cachorrinho rosa.
Rob pegou-a no colo e sentou-a na bancada. Pegou novamente a espingarda de brinquedo e sorriu para a menina.
- É a primeira vez que eu atiro fora da base. E lá não tem meninas bonitas como você, então me perdoe se eu errar certo?
A garorinha riu sem graça, assentiu e ele atirou as três balas no mesmo lugar.
- E então, como eu fui? — perguntou para Linda.
- Muito bem.
Rob olhou para a garota da barraca que agora tinha um sorriso verdadeiro no rosto e carregava o cachorrinho rosa. Entregou para ele que o passou para a menininha.
- Obrigada Rob.
- De nada.
Tirou-a da bancada e observou a garotinha correndo para o meio da multidão. Ele sabia que deveria ter focado na missão de conquistar a menina da barraca, mas Linda o fizera lembrar de sua irmãzinha Carly.
- Sabe, você é o primeiro cara que deu atenção para uma das crianças do orfanato.
- Não é para isso que estamos aqui? Arrecadar dinheiro para elas? — perguntou surpreso.
- É, mas muitos se esquecem disso. Meu nome é Daisy. — disse estendendo a mão.
Ele beijou a mão dela.
- Uma pena. Elas parecem ser adoráveis.
- Se todos os homens fossem como você Rob, o mundo seria melhor.
As bochechas dele ficaram púrpuras com o comentário.
- Obrigado. — respondeu sem graça.
- Meu turno acaba em meia-hora. O que você acha de sair comigo?
- Eu adoraria.
Daisy lhe deu um beijo na bochecha e Rob saiu para encontrar os amigos que o esperava a alguns metros da barraca.
- O turno dela acaba em meia-hora e depois caras, nós vamos sair. — disse assim que ficou perto deles.
- Esse é o meu garoto! — Alex disse batendo na mão do amigo.- Meus quarenta dólares, caras.
- Como isso é possível? — Jack pereguntou incrédulo.
Rob deu de ombros.
- Agora é a sua vez pegador. Faça sua mágica. — Peter provocou.
Alex olhou para a quermesse. Ninguém ali o tinha interessado. Todas as meninas pareciam previsíveis de mais.
- Não tem ninguém que me interessa aqui. Fica para a próxima. — disse e saiu deixando os amigos com cara de bobos.
Andou sem rumo até uma parte da praia sem barraquinhas e deitou na areia. Podia ver ao longe a passarela de madeira avançando sobre o mar. Olhou as estrelas e pensou em seu pai, em como deve ter sido saber que ia morrer. Ás vezes, imaginava o terror que deveria ter se instalado quando os aviões começaram a bombardear a ilha. Conseguia até ouvir os gritos de socorro e os barulho dos navios afundando. Em momento algum sentiu raiva do pai por ter escolhido salvar os companheiros ao invés de se salvar. Nem mesmo para com a mãe ele conseguia sentir algo além de compreensão.
- Pai, mãe, eu estou tentando fazer a coisa certa. Espero que aonde quer que vocês estejam, eu os tenha deixado orgulhosos.
Continuou olhando as estrelas pensando nos tempos de criança quando deitava no telhado da casa junto com o pai aprendendo sobre as constelações.
Um barulho no mar fez com que ele olhasse para as águas. De início, ele pensou que fosse algum pássaro, mas depois ele viu uma mão balançando na superfície logo desaparecendo. Imediatamente, ele se levantou, tirou o coturno, jogou o casaco na areia e entrou no mar, nadando o mais depressa que conseguia até a mão. Os anos de treinamento fizeram com que chegasse rápido. Mergulhou, percebendo que a pessoa que se afogava era uma garota de longos cabelos ruivos. Agarrou-a pelo tronco nadando para cima sem conseguir muito resultado. Olhou para baixo e viu que o pé da garota estava preso em uma alga. Voltou a superfície para tomar fôlego e desceu novamente, mais fundo dessa vez e desprendeu o pé da garota. Pegou pela cintura e nadou para cima.
Ela não estava acordada o que fez Alex soltar um xingamento. Nadou o mais rápido que conseguia com a garota em um de seus braços e assim que chegou a praia deitou-a na areia e começou a fazer respirção boca a boca. Após duas séries, ela começou a cuspir água o que fez Alex respirar aliviado. Sentou-a na areia e com a voz mais calma que conseguiu e pediu que ela respirasse.
- Obrigada. — ela disse ainda se recuperando.
- Não há de que. — respondeu sério. — Acho que a senhorita deveria ir para o hospital.
A garota fez uma careta e olhou bem nos olhos dele reparando pela primeira vez no cabelo cortado no estilo militar e na calça da farda antes de responder:
- Sem chance. Olha soldado se meu pai tiver a miníma ideia do que aconteceu aqui, eu nunca mais chego a 100 metros dessa praia. Obrigada de novo. — disse levantando-se.
- Posso perguntar o que a senhorita fazia no mar?
O rosto dela se contorceu e uma expressão triste cruzou seu rosto.
- Eu estava na passarela tirando fotos da lua quando minha câmera caiu no mar. Mergulhei para recuperá-la, mas não consegui achar.
- Sinto muito. Qual é o seu nome senhorita?
- Samantha. Samantha Clark. E o seu soldado?
- Cabo Mason, senhorita Clark.
- Perguntei seu nome soldado. — disse zombeteira.
- Alexander.
- Foi um prazer Alexander. Espero que nos vejamos mais vezes.
E tirando o cabelo do rosto, voltou para o meio da quermesse cumprimentando um ou outro conhecido que pareciam não se importar com o fato dela estar toda molhada. Quando não conseguia mais vê-la, balançou a cabeça tentando expulsar os pensamentos nada decentes que vieram quando reparou que o vestido molhado deixava a mostra o belo corpo que a garota tinha.
Levantou da areia e procurou o casaco e o coturno calçando-o sem se importar com o incomodo causado pelo pé molhado. Voltou para o meio da multidão e logo avistou os amigos.
- Onde você se meteu cara? E porque está todo molhado? Deixa pra lá, Rob vai levar a garota pra sair e nós vamos ver isso de camarote. — Jack disse em um fôlego só.
Alex sorriu de lado. Ele não prestou atenção em nada do que o amigo disse. Uma certa garota de cabelos ruivos não saia de sua cabeça. Sendo empurrado por seus amigos, foi até um bar meio rústico feito de madeira com um grande timão na fachada onde estava escrito o nome do bar, mas Alex nem reparou. Seu foco agora era o casal que ia a frente, Rob e a garota loira juntos de mãos dadas. Quando chegaram a porta, Alex sorriu ao ver Rob abrir a porta e deixar a garota passar primeiro.
Os amigos se sentaram em uma mesa um pouco afastada do casal e começaram a beber. Após algumas garrafas de cerveja, os soldados já estavam um pouco alterados. Uma música alta tocava em um estilo meio country apesar de estarem longe do Texas. Alguns casais dançavam inclusive Rob e a loira.
- Alex, pede mais uma rodada para nós! — um quase bêbado Peter gritou.
- E eu tenho cara de garçom para trazer bebida para vocês?
- Você é o mais novo cara! — respondeu Jack.
Rindo, Alex foi até o balcão e pediu mais uma rodada. Beber estava fazendo bem a ele, esquecer a pressão que a guerra trazia e aliviar a mente.
Ainda esperava a rodada quando viu uma conhecida cabeleira ruiva entrar. Ela tinha tirado o vestido molhado e usava agora uma calça jeans larga e uma camisa simples.
- Hey Sammy! — um dos barmen disse. — O papai assinou a liberação hoje?
- Você sabe que não Lion. — respondeu rindo.
Alex levantou do balcão e foi até a garota. Aproveitando do fato de que ela não o tinha percebido, chegou por trás dela e falou em seu ouvido:
- Então depois de quase morrer afogada você resolveu fugir?
Sam se virou sorrindo.
- Soldado! Eu não pensei que te encontraria de novo. Lion a próxima rodada do soldado é por minha conta.
- Tem certeza Sammy? A turma dele já acabou com metade do estoque.
- Sem problema Lion. O soldado aqui merece.
Lion balançou a cabeça em negativa, mas saiu para pegar as cervejas. Samantha caminhou até uma mesa vazia e foi seguida por Alex.
- Então soldado, o que te fez se alistar?
- Meu pai. Ele era tenente da marinha.
- Tal pai, tal filho.
- Mas, e você? Por que tem que fugir de casa?
- Meu pai é o pastor da cidade e de acordo com ele o mundo é muito perigoso para uma menininha de quinze anos. — respondeu, imitando a voz do pai na última parte.
- 15 anos? — perguntou assustado.
- Qual o problema com a minha idade soldado? — perguntou fingindo indignação.
- Nenhum senhorita. É que às vezes suas atitudes se comparam as de uma garota mais velha. E por favor, não me chame de soldado, eu não estou na base. Só Alex está bom.
- Abandone esse tal de senhorita. Me chame de Samantha ou Sam.
- Tudo bem Sam. — respondeu sorrindo e continuou. — Olha, eu sou um soldado e se tem algo que nós aprendemos é que a única coisa certa é o momento que você vive. Então me desculpe se eu estou sendo impertinente, mas dança comigo? — disse levantando e esticando a mão.
Os olhos dela demonstraram surpresa, mas logo um sorriso sapeca cruzou os lábios.
- A impertinência me atrai. — respondeu entregando a mão a ele.
Alex sorriu de lado. Puxando-a mais para perto, eles começaram a dançar. Ele não sabia o que, mas algo em Samantha o tinha intrigado.
- Então Alex, você sabe em qual missão vai? — perguntou e ele a girou o que fez com que os amigos dele percebessem a presença dos dois na pista.
- Não faço ideia. Deve demorar um pouco ainda.
- Hey pegador, já está dando o bote? — Jack gritou atraindo a atenção de todos.
- Vai a merda, Jack! — respondeu sem graça.
- Então você é um pegador, heim soldado?
- Não liga pra eles. É só encheção de saco. — ele disse bagunçando os cabelos nervosamente.
Sam lançou um olhar inquisidor e ele sorriu.
- Pode-se dizer que sim.
Ela riu com gosto deixando-o sem graça.
- Acho que eu vou te chamar de Pegador agora.
- Não faça isso, por favor. — pediu ficando sem-graça.
Sam parou a dança e olhou para o rapaz.
- Você está ficando vermelho soldado?
Alex abaixou a cabeça. Era estranho encontrar uma menina que não ligava para quantas ele já tinha beijado e isso o deixava sem jeito. E talvez seja isso que o tenha atraído. Já que a merda já tinha sido jogada no ventilador, Alex levou-a até a mesa dos caras.
- Peter, Jack, esta é Samantha. Samantha esses são os loucos dos meus amigos.
- Oi caras. — disse sentando na cadeira sem vergonha nenhuma.
- Então Samantha, o que você fez para fisgar o pegador? — Jack perguntou jogando o corpo para o lado dela.
- Ótima pergunta garoto bêbado. E então soldado o que eu fiz para te fisgar?
Alex olhou para ela intrigado.
- Eu diria que se afogar, não querer ir para o hospital e depois fugir de casa para vir a um bar foram suficientes para chamar a minha atenção.
Sam riu, uma gargalhada de verdade, que deixou os amigos sem entender.
- E Rob? — Alex perguntou- Foi ou não?
O comentário pareceu despertar Peter e Jack para o real motivo de estarem ali. Os quatros viraram a cabeça e viram Rob e a loira se beijando.
- Aquela ali é a Daisy? — Sam perguntou assustada.
- Então esse é o nome da loirinha? — Peter perguntou. — Conte mais sobre ela.
- Ela é uma das meninas da paróquia. Eu nunca vi ela sair com ninguém. Esse seu amigo deve ter muita lábia. — disse admirada o que fez Jack e Peter rirem e deixou Alex sem graça. — O que foi? — perguntou sem entender.
- Esse é o primeiro beijo dele. E advinha quem ensinou ao Rob como chegar na sua amiga? — Pete comentou.
- Alex, o pegador. — Jack continou.
- Então não é só fama soldado? Você realmente é um conquistador?
Alex deu de ombros e um sorriso sem graça cruzou seus lábios.
- Samy, olha a hora! — Lion, o barman gritou o que fez a garota olhar para o relógio que ficava acima do balcão.
- Saco! Foi um prazer garotos, mas eu tenho que ir. — disse levantando-se.
- Eu vou com você. — levantou também. — São tempos perigosos.
- Alex, eu faço esse caminho todos os dias. Não é como se alguém fosse me atacar.
O rapaz rolou os olhos. Por que ela não podia entender a indireta? Sem se importar com o que ela disse, passou o braço pelo dela e caminhou até a porta sentindo-a bufar.
- Agora eles vão achar que nós estamos namorando.
- Você vê algum problema nisso?
- Não, mas papai verá todos os problemas possíveis. Soldados não tem lugar fixo por causa desssa guerra inútil.
- A guerra não é inútil Sam. — a voz dele era séria, transmitindo toda a certeza que ele tinha no "perigo vermelho". — A cada dia que passa, várias pessoas são corrompidas por ideias falsas de igualdade enquanto na verdade eles estão elaborando armas e espionando cada canto de nossas vidas.
- Vocês realmente paranóicos com a União Soviética. — e ao perceber que ele ia retrucar continuou. — Mas, por favor vamos mudar de assunto. Nós dois sabemos que não temos a mesma opinião.
Alex bufou meio inconformado. Aquela garota o deixava completamente sem ação. Rindo dele, ela o guiou até a sua casa. Quando eles chegaram embaixo da janela do quarto dela, Sam tirou o braço do dele e o virou-se para olhá-lo de frente.
- É aqui que eu fico soldado. Mas, saiba que você fez seu trabalho direito, já que nenhum comunista maluco me atacou.
Alex a olhou magoado.
- Sam, se tem uma coisa que eu aprendi é que não existe Deus na guerra. Mas, eu não te julgo por suas crenças. — disse pegando o pingente de cruz que ela carregava no pescoço e langando-o logo em seguida. — Boa noite Sam, até qualquer dia.
Dando as costas, ele seguiu seu caminho.
- Alex, espera! — a garota gritou indo até ele. — Me desculpa, tá? Eu não sei a hora de calar a boca às vezes.
- Tudo bem Sam. Mas, eu realmente preciso ir agora. — disse e deu um beijo na testa dela.
Surpreendendo-o, ela ficou na ponta do pé e colocou os lábios nos dele. Passada a surpresa, ele passou a mão na cintura dela e transformou o selinho em um beijo de verdade.
Separando a boca da dele, ela disse:
- Bom, parece que eu fui mais uma a cair na sua rede soldado. Que bom que eu não ligo para números.
Sorrindo, ela deu às costas a ele e voltou para baixo da janela. Sem nenhuma dificuldade, subiu na árvore ao lado e pulou para dentro do quarto.
Ainda meio bobo, ele se perdeu olhando para a janela agora fechada em que ela havia desaparecido. De repente, um estalo o fez sair correndo. Já era quase meia-noite e a ideia de ir andando até a base não era nem um pouco atrativa.
O ônibus estava quase partindo quando Alex chegou. Jack e Peter começaram a rir no instante em que ele pôs os pés no veículo. Alex se sentou ao lado de Rob que sonhava acordado com Daisy e sorriu involuntáriamente.
- Jack parece que o pegador foi fisgado de vez.
- Verdade Pete. Ele e Rob foram fisgados pelas garotas do interior.
- Calem a boca! — Rob pediu exaltado.
- Deixa falarem Rob, isso tudo é inveja porque nós conseguimos as garotas e eles ficaram chupando dedo. Você e Daisy vão sair de novo?
- Vamos. Semana que vem vai ter outra folga e eu combinei de levá-la para jantar. E você e aquela ruivinha que eu vi você sair?
- Samantha? Cara, aquela garota é estranha. Eu a salvei de um afogamento e quando eu pedi para levá-la para um hospital ela negou e foi embora. Depois, ela foge de casa para ir a um bar e acredite, ela não se intimidou com os idiotas ali. Então quando eu fui deixá-la, nós começamos a discutir porque ela não concorda com essa richa de Estados Unidos e União Soviética e aí eu pensei que tudo estava perdido, mas quando eu fui me despedir ela me beijou.
- Ela te beijou? — Pete perguntou assustado.- Tipo, do nada?
Alex acenou que sim e os rapazes ficaram em silêncio.
- Você vai sair com ela de novo? — Rob perguntou. — Por que deixar alguém como ela escapar é burrice.
- Eu não sei. Se depender de mim sim, mas Sam é diferente e eu não me surpreenderia se o beijo não tivesse significado nada.
- Surpreenda-a então. — Jack disse. — Apareça de surpresa.
- É... Boa ideia.
∞
Uma semana havia se passado desde o beijo e ao contrário de Rob que tagarelava sem parar sobre Daisy, Alex preferia manter para si os momentos que passara com Sam.
- Alex! Alex! — Rob gritava à medida que corria até ele.
- Oi cara. — respondeu distraído.
- Estou pensando em pedir Daisy em namoro esse fim de semana.
- Vocês saíram duas vezes. Não acha que é meio precipitado?
- Alex, nós estamos em guerra. Nós fazemos coisas precipitadas em tempos de guerra. Tudo fica mais intenso.
Alex riu. De repente, ele se lembrou de uma história que a mãe contava a ele antes de morrer. Uma história sobre um rapaz e uma garota que se apaixonaram no fim da Primeira Guerra Mundial e se casaram simplesmente porque era guerra. No caso deles era amor de verdade, tanto amor que a mulher acabou se matando quando ele morreu. Tudo é mais intenso quando se há uma guerra como plano de fundo.
- Você me lembra alguém que eu costumava conhecer. Ela também achava que em tempos de guerra vale a pena fazer tudo.
- Quem sabe você nos apresenta um dia. — pediu sem reparar no uso do verbo no passado.
- É, quem sabe. — respondeu meio sonhador. — Vamos, está na hora do alinhamento.
Os dois foram até o pátio e se alinharam com os colegas. Uma vez ao dia, todos os soldados eram obrigados a jurar a bandeira como uma lembrança de que acima de tudo você estava ali para matar e morrer pelo seu país.
Comandante Jackson desfilou por entre as filas analisando cada um de seus protegidos. Ele sabia que apesar de mais da metade deles não estar pronto para guerra, estava chegando o tempo de eles serem enviados. Jackson não sabia o nome de nenhum deles, mas nem mesmo o distanciamento fazia ficar menos doloroso.
- Pelotão, sentido! — todos os soldados bateram continência. — Descançar! O alinhamento de hoje tem uma função informativa. Foi feito a mim um pedido e eu não tive como recusar. James Clark, o pastor da cidade de Graz, me pediu encarecidamente para fazer um trabalho com vocês. A partir de amanhã, o prédio 6A fará as vezes de capela.
Vários cochichos começaram, alguns indignados, outros animados o que fez com que o Comandante gritasse por silêncio.
- Já chega! A decisão foi tomada e ponto. Uma vez por semana, o pastor virá aqui. Ninguém está os obrigando a ir.
Os murmúrios pararam imediatamente.
- Dispensados.
Alex olhou para Robert no mesmo momento. Um sorriso havia brotado nos lábios do garoto.
- Que felicidade é essa Rob? Parece que viu um passarinho.
- Um passarinho não. Uma flor. Daisy provavelmente vai estar nesse grupo, o que significa que eu a verei mais vezes. Você deveria estar feliz também. Samantha não é filha do pastor?
Alex confirmou com a cabeça. É claro que ele havia pensado em Samantha no momento em que ouviu o nome do pastor. Algo o dizia que tinha dedo dela nisso. Porém, ao contrário do que Sam poderia pensar, Alex era decidido com suas convicções.
- Antes que você insinue alguma coisa, eu não sei nem se a verei. Ela provavelmente vai ficar junto com o pai e eu vou ficar treinando bem longe daquele prédio por sinal.
- Isso é você quem sabe. Mas, Sam provavelmente vai arranjar um modo de te ver.
Alex bufou irritado e seguiu para o campo de treinamento. Dar uns tiros era melhor do que ouvir as baboseiras de Rob. O problema era que as baboseiras de Rob já tinham entrado na cabeça do rapaz. Ele continuava a pensar naquela garota estranha que não se intimidava com muita coisa. Automaticamente, entrou no campo de tiro, montou a arma e começou a praticar.
- Mason! Mude o alvo! Você quer abrir um buraco na parede? — o instrutor gritou fazendo Alex acordar. Ele tinha esvaziado um cartucho em um único lugar no alvo de papel o que abriu um rasgo. — Ah! Saia daqui, se você melhorar mais vai poder ensinar para metade dos coronéis dessa base.
Resignado, Alex guardou a arma e saiu do campo indo para o dormitório e desejando um tempo sozinho. Deitou em sua cama e de tão concentrado na garota acabou dormindo e sonhando com ela.
Alex vestia uma farda desconhecida. A que antes era marrom clara fora substituída por uma verde escura com várias condecorações. Assustado, se olhou no espelho e se viu mais velho com uns 40 anos. Aquele era ele mesmo, mais velho. Um orgulho tomou conta dele fazendo com que um sorriso brotasse. Arrumando o quepe na cabeça, ele saiu do quarto e caminhou por entre os corredores procurando alguém. De repente, um gritinho agudo ecoou fazendo-o ficar alerta. O gritinho continuou e agora, identificou de onde vinha e correu até lá.
- Papai! Papai! — uma garotinha correu até ele. Não deveria ter mais do que quatro anos, os cabelos negros como os dele balançado como um véu às costas dela.
Alex se abaixou abrindo os braços. A garotinha correu ainda mais rápido e se chocou contra ele que a agarrou e levantou o corpo. Uma dor atingiu seu lado esquerdo fazendo o sorriso vacilar, mas ele não a soltou.
- Luna! — chamou uma voz feminina.
Samantha surgiu no corredor preocupada.
- Luna seu pai está machucado. — disse repreendendo a garotinha e pegando-a no colo. — Como você está se sentindo amor? — perguntou e deu um selinho nele.
- Melhor agora.
- Bobo. Eu estou falando sério. Você não deveria pegar peso. Você levou um tiro no ombro.
- Fiquei “peocupada” papai.
- Papai está bem princesa. — disse e beijou a testa dela.
∞
A sirene anunciando mais um dia na Academia soou acordando os soldados. De acordo com a nova programação, ao contrário do que era costume, alguns homens se dirigiram para o prédio 6A que por ironia do destino era ao lado do alojamento de Alex. Ignorando a onda que seguia para o prédio, o garoto foi até o refeitório cumprimentando um ou outro colega.
As cadeiras estavam parcialmente vazias, pessoas espaçadas, em grupos pequenos. Alex sentou à mesa sozinho, afastado dos outros, planejava usar aquele tempo para pensar nas coisas que sua cabeça insistia em ficar revivendo. Samantha, o beijo. Não que ele não gostasse dela. Muito pelo contrário, estava claro que o jeito desbocado dela, o fato de ela ser contra as filosofias dele e ter coragem de dizer tinham o feito ficar doido com a ruivinha. E era essa certeza que o fazia querer se afastar. Ele era um soldado, que vida ele poderia dar a ela? Sempre no campo de batalha, deixando-a preocupada com ele: Será que ele está bem? Será que ele foi ferido?
Ele não queria isso. Preferia passar a vida sozinho a submetê-la a algo parecido.
Enquanto pensava, remexia a comida, distraído.
- Sabe, é feio brincar com a comida. — Samantha disse e riu da cara de assustado que ele fez.
- Sam? Você não deveria estar com o seu pai?
- Eu estava. Aí eu lembrei que meu soldado favorito é ateu. — disse e se sentou a frente dele.
Alex deu um sorriso de lado.
- Eu sabia que tinha dedo seu nessa história de igreja dentro da Academia.
- Soldado que calúnia! Eu apenas alertei meu pai para o fato de muitos combatentes perderem a fé por causa dos horrores da guerra. — disse de cabeça baixa brincando com o crucifixo no pescoço. — Ele ficou preocupado e resolveu tomar uma atitude.
Alex ficou olhando para ela durante um tempo. Sam parecia tímida, quase sem jeito de ficar perto dele. Levantou-se fazendo com que ela subisse o rosto e esticou a mão convidando-a a ir junto com ele.
Sam sorriu e pegou a mão dele. Aquele soldado tinha mexido com ela. Apesar de conhecer muitos rapazes que serviam, nenhum deles o fazia com tanta convicção pelo medo do socialismo. Isso a tinha deixado sem palavras e a feito fazer aquilo. O beijo. Não, ela não tinha se arrependido. Na verdade, ela queria outro, mas dessa vez ele teria que tomar a iniciativa. Estava tão distraída pensando que não percebeu onde ele estava levando-a.
- Um dólar pelo que você está pensando. — ele sussurrou próximo ao ouvido dela fazendo com que ela se assustasse.
- Vai ficar só na vontade soldado. — sorriu e desviou o olhar reparando pela primeira vez onde estava. Os prédios da Academia tinham ficado para trás e eles andavam por uma rua deserta que levava até uma mata. — Aonde você está me levando?
- Para um lugar onde eu vou quando quero pensar.
Sem que ela tivesse tempo para protestar, ele a pôs no colo, carregando-a como uma noiva.
- Alex! O que você está fazendo? — perguntou batendo as mãs no peito dele. — Ponha-me no chão!
- Sem chance. É uma mata Sam, com terra, barro. Eu não vou deixar você sujar a sua roupa.
A garota bufou.
- Seu cavalheirismo pode ser bem irritante às vezes.
Ele começou a entrar mata a dentro tomndo cuidado com os galhos soltos. Agora que ela havia se acalmado, Alex podia sentir a respiração dela batendo tranquila em seu pescoço. Era impressionante como ela se transformava da garota certinha de dia para a revolucionária a noite. A calça jeans larga e surrada com a blusa branca foram substituídos por um vestido azul claro na altura dos joelhos e a perna era oculta por uma meia branca, o tênis vermelho tinha sido trocado por um sapato boneca branco, o cabelo liso tinha ganhado cachos e um pequeno chapéu branco repousava em sua cabeça.
- Sabe, pelo pouco que eu te conheço, posso dizer que estou confuso.
Ela o olhou curiosa.
- Explique-se.
- Quem é você? A certinha ou a revolucionária?
Samantha soltou uma gargalhada.
- Nenhuma das duas eu diria. Eu me visto assim por causa do meu pai, que acha que nós ainda estamos na década de vinte, esses vestido são extremamente desconfortáveis. Eu não diria que eu sou rebelde, apenas acho que o fato de vestir calça jeans me faz ter mais ou menos caráter.
- Mas, seu pai acha. — ele completou entendendo o que ela queria dizer.
Andaram em silêncio por mais alguns minutos até chegarem a uma clareira com um pequeno lago no centro. Alex a colocou delicadamente no chão e Sam abriu a boca em choque.
- É lindo Alex. Como você descobriu esse lugar?
- Eu estava correndo e quando vi já esava no meio desse bosque.
Os dois caminharam até mais perto do lago e ele começou a tirar a camisa.
- Soldado! O que você está fazendo? — perguntou assustada o que o fez rir. Ele notou que pela primeira vez ela tinha ficado vermelha.
- Calma, não precisa ficar sem-graça, estou apenas sendo cavalheiro.
Ele terminou de tirar a camisa ficando apenas com uma regata branca justa que demarcava os músculos de seu abdome e colocou-a no chão fazendo um gesto para que Sam se sentasse.
A garota olhou para ele surpresa e ao desviar o olhar reparou no corpo do soldado o que fez o rosto dela corar no mesmo instante pela segunda vez. Sam sempre achou Alex bonito e agora ao reparar em seu tanqinho ela sentiu algo mais. Desejo talvez?
Ela se sentou sendo seguida por Alex que deitou-se na grama colocando a mão atrás da cabeça. Sam arredou o corpo para trás de forma que pudesse vê-lo.
- Você não deve estar entendendo porque eu te trouxe aqui. — começou após algum tempo e Sam o olhou com mais intensidade. — A verdade é que eu não sei porque, mas eu gosto de você mais do que deveria. E eu sei que talvez nós não tenhamos um futuro juntos e que seu pai não vai aprove, mas eu precisava te falar isso.
Samantha ficou em silêncio. Tudo que Alex falara encaixava com o que ela pensava. Um soldado. Ele não tinha destino, poderia morrer semana que vem, ou bem velho. Porém, tudo que ela conseguia pensar era que naquele momento, o imediatismo não fosse tão ruim.
- Eu também gosto de você mais do que deveria. — respondeu com o rosto corado.
Alex se levantou ficando sentado de frente para ela. Ele a conhecia há apenas uma semana e já não conseguia mais parar de pensar nela. Sorrindo, ele beijou o nariz dela fazendo com que uma risadinha escapasse da boca de Sam. Alex abaixou o rosto e encostou os lábios nos dela em um selinho casto. Não houve um beijo como da primeira vez. Não havia pressa, nem incertezas. Havia ali algo que tinha começado com o acaso e se tornado belo.
Eles se separaram e ficaram se olhando sem saber o que fazer.
- Me promete uma coisa Sam? — perguntou sério.
- O que foi?
- Eu quero que você me prometa que quando eu for embora você não vai me esperar. Eu quero que você continue a sua vida. Eu não quero te privar de nada.
Algumas lágrimas começaram a brotar nos olhos dela, mas Sam engoliu o choro, pegou a mão dele e sorriu.
- É muito egoísmo eu querer que você não vá então? — disse olhando para baixo, evitando olhar em seus olhos. — Mas, tudo bem. Eu prometo.
∞
Várias semanas se passaram e o namoro de Sam e Alex estava cada vez melhor. Um havia aprendido a respeitar o outro e a sombra do convocamento de Alex estava cada vez mais distante, não porque ele não era um bom soldado, mas sim porque o fim da guerra da Coreia estava chegando, o armísticio estava quase sendo assinado e a possibilidade de outra guerra era quase nula.
Apesar disso, o pai de Sam não era muito a favor do romance dos dois. Para ele, Alex não poderia dar o que a sua garotinha merecia. James Clark conseguia ser um general quando queria e Alex tinha certeza que se ele descobrisse suas opiniões religiosas, a situação ficaria ainda pior. Ao contrário da primeira vez que foi a base, quando Sam ficou livre para ficar com Alex, agora a garota ficava sempre sobre o olhar vigilante do pastor.
Uma das coisas que Alex mais gostava em Samantha era o fato de ela conseguir se camuflar para se adaptar as exigências do pai. Se perto dele, ela era a típica garotinha do papai, era longe dele que se podia conhecer a verdadeira Sam: alegre, esquentada, sincera até demais e um pouco revolucionária. A única caracteristica que se via nas duas Sam's era a religiosidade; a cruz de prata não saía de seu pescoço.
Alex e Sam brigavam mais do que tudo, mas isso não significava que ambos não se importavam um com o outro. Alex era capaz de maluquices para proteger e impressionar Samantha como na vez que ele arranjou briga com dois idiotas do tamanho de armários que mexeram com sua garota. Sam também não ficava para trás, apesar de parecer desencanada e de não ligar para muita coisa, a garota quase saiu no tapa com uma loira de farmácia que deu em cima do seu namorado.
Os caras da Academia estranharam, no início, o romance dos dois, a fama de Alex, mesmo em pouco tempo de convivência já tinha se espalhado e o fato de ele ter se apaixonado por alguém com valores tão diferentes dos dele causou fofocas durante dias.
A fama dele foi o motivo de eles terem a primeira conversa séria. Porém, ela acabou se desviando da seriedade. Ao contário do que se esperava, Samantha achou graça. Os dois estavam sentados na passarela de madeira vendo o mar. Era o dia de folga de Alexander e ele fora visitar a namorada.
- Alex. — a garota chamou quando cansou de olhar as nuvens deitada com a cabeça apoiada no colo do rapaz.
- Sim, Sam. — ele respondeu enquanto acariciava os cabelos ruivos da garota.
- Quero te perguntar algo. — disse levantando-se para olhar nos olhos dele e vendo-o acenar em afirmativa, continuou. — A sua fama de... Ficar com muitas garotas, ela é verdadeira?
- Sam, achei que não se importasse. — respondeu surpreso.
- Eu não me importo. — respondeu firme. — É só que, às vezes, bate uma insegurança e eu fico pensando, se ele tinha tantas opções, porque eu? E pelo que eu vi, em pouco tempo, todos os seus amigos da base já sabiam.
- Você é surpreendente garota. Você nunca corresponde às minhas expectativas e eu adoro isso. Mesmo agora, eu não esperava essa insegurança. Um dos motivos é esse. O outro é o seu sorriso. Ele só aparece quando você está feliz. O seu sorriso de sarcasmo ou o irônico não chegam aos pés do seu sorriso verdadeiro. — Sam sorriu e Alex retribuiu como se dissesse: "É esse o sorriso perfeito". — Seu jeito meio maluca, meio sincera demais. Você não consegue mentir, é verdadeira. E para completar, você é linda. Acho que você é perfeita.
- Alex, isso foi lindo. — respondeu emocionada. Ela ainda era uma menina no fim das contas
- E quanto aos idiotas saberem. Bom, não foi minha culpa. Na minha primeira semana, eu levei um soco no olho de um cara chamado Brad. Ninguém entendeu nada, ele simplesmente me parou no pátio, me deu um soco e saiu. Eu devia explicações.
- O que você fez para ele, Alexander Aaron Mason? — perguntou curiosa.
- Aparentemente, eu fui um cachorro com a irmã dele. Nada do que você está pensando. — continuou rápido quando ela levantou a sobrancelha. — Eu a conheci em uma festa da minha antiga escola e nós nos beijamos. Ela não me disse, mas ouvi algumas meninas dizendo que eu fui o primeiro. Acho que ela esperava algo sério e bem antes de você, eu não pensava em namoro. O irmão dela me acha um cafajeste.
Samantha começou a rir.
- Do que você está rindo? — perguntou rindo também.
- Ele realmente te bateu por causa de um beijo? Eu achava que a minha família era conservadora.
- Não é caso para rir Sam. Ele realmente me machucou. A direita daquele bastardo é forte.
- Coitadinho de você soldado. — ironizou e apertou as bochechas dele. — Onde foi o soco?
- Bem aqui. — respondeu apontando o olho esquerdo.
Sam levantou e deu um beijo no lugar onde ele havia apontado.
- Acho que agora você melhora.
Alex a puxou pela cintura e a deitou o que fez Sam gargalhar. Ele beijou o nariz dela descendo para a boca logo depois.
Contra todas as adversidades, eles estavam juntos e aproveitariam cada segundo daqueles momentos já que a qualquer momento a bolha de felicidade em que eles etavam poderia estourar.
∞
- Mason! — Capitão Andrews gritou fazendo com que Alex laragasse o peso e virasse para ele batendo continência.
- Senhor. — respondeu quando ele estava perto.
- O Comandante quer falar com você. Agora.
- Estou indo senhor.
Alexander limpou o rosto suado em uma toalha e seguiu atrás de Andrews até a sala do Comandante. Estava ali a quase um ano e tirando aquela vez no primeiro dia, ele não tinha conversado com ele. Alex não fazia ideia do que ele queria, não havia infringido nenhuma regra, ele e Sam não se encontravam na base exatamente por isso.
Andrews abriu a porta e Alex entrou batendo continência para o chefe. Ele olhava para qualquer lugar menos para o rosto do comandante o que o fez conhecer cada canto do escritório. Era simples, a mesa de madeira escura ficava na parede oposta a porta embaixo da janela, as paredes claras eram adornadas com condecorações e algumas fotos de família.
- Senhor, queria me ver? — perguntou tenso.
- Sim soldado. As avaliações pessoais chegaram essa semana e quero lhe dizer que estou impressionado. Seus números são inacreditáveis. — discursou olhando para Alex que agora respirava mais aliviado. Abaixou a cabeça e começou a ler nos arquivos. — Índice de erro em tiro direto: 1%; índice de erro em atividades de simulação: 2%. — levantou a cabeça e olhando diretamente nos olhos de Alex perguntou. — Quantos tiros você disparou soldado?
- Aproximadamente cinco mil senhor.
- Cinquenta tiros errados. — o Comandante disse parecendo refletir. — Vou te fazer uma proposta soldado, mas sinta-se a vontade para recusar. — o garoto assentiu e o Comandante continuou. — Estamos enviando uma tropa para a península da Indochina. Quero indicar o seu nome como um dos atiradores de elite.
Alex engasgou. Lá estava a chance que ele tanto queria a apenas uma palavra de distância. Foi então que o rosto de Sam veio a sua mente, ele finalmente tinha conquistado a confiança do pai dela e ele tinha certeza que isso era resultado da falta de combates armados e da chance quase nula dele ser convocado. Alex sabia que ira magoá-la, mas era a hora dele honrar a promessa feita no túmulo do pai.
- Eu aceito Senhor. Seria uma honra ter meu nome indicado. — falou sem nenhuma dúvida na voz.
- Você embarca semana que vem. Pode parecer prepotência, mas eu sabia que você iria aceitar. Dispensado soldado.
Alex bateu continência e saiu. Assim que chegou no pátio de treinamento soltou um grito de felicidade atraindo a atenção de um grupo de soldados incluindo Jack que veio correndo até ele.
- Que foi cara? Tá tudo bem? Frank disse que Andrews te levou para o comandante. — perguntou preocupado.
- Eu estou ótimo Jack. — respondeu sorrindo. — Eu vou para a guerra. Semana que vem.
- Vo-vo-você foi chamado? Cara! Como assim?
- Eu não sei! Ele me indicou para o batalhão que parte semana que vem.
- Semana que vem? — perguntou assustado.
- Eu sei. Estou a beira do surto. Tenho que contar para Sam. — respondeu andando de um lado para o outro.
- Uou man, relaxa. Ela vem aqui hoje certo? — Alex concordou. — Então não saia espalhando por aí antes de falar com ela. E tire essa cara de sonso do rosto porque ela não combina com você.
Alex riu da piada e botou um sorrriso no rosto, mas por dentro, ele continuava aterrorisado. Pela primeira vez em três meses, ele faltou ao treinamento e ficou apenas sentado à beira da piscina olhando a água, calma, sem perturbações e desejando que sua vida fosse assim. Antes de Sam, aquela convocação teria sido o ponto alto de sua vida, mas agora, tudo parecia estranho, quase fantasioso. Parecia loucura largar a segurança dos Estados Unidos para ir a uma terra de ninguém, onde ele poderia levar um tiro a cada esquina e morrer sem que houvesse alguém para chorar por ele.
Ainda estava divagando sobre a vida quando sentiu braços finos o abraçando por trás e um conhecido perfume floral.
- Hey baby.
- Ei Alex. O que está acontecendo? — perguntou preocupada e vendo que ele não respondia, continuou. — Eu nunca te vi perder um segundo de treinamento, e quando não te vi no campo fiquei preocupada. Mas aí, Jack me disse que você tinha que pensar em algo que estava para acontecer. Mas, além dele, ninguém sabe o que deu em você...
- Eu fui chamado. — ele interrompeu o discurso dela e a cara de preocupação deu lugar a uma de verdadeiro pânico.
- Tem certeza? — perguntou se sentando e colocando a cabeça no ombro dele. Pela primeira vez, ela estava de calça jeans perto do pai.
- Recomendado pelo próprio comandante. Jack me encontrou quando eu saí do escritório e eu contei para ele. O único da base que sabe.
- O que eu te digo? Parabéns? Sorte?
- Acho que sorte seria apropriado.
Os dois ficaram em silêncio durante muito tempo pensando na sutuação em que eles se encontravam.
- Alex, a nossa promessa... Ainda está valendo?
Ele pareceu pensar por um momento e depois balançou a cabeça em afirmativa.
- Eu não quero que você se sinta como a minha mãe, esperando que eu chegue da próxima missão, sempre preocupada, achando que eu morri se o correio atrasar... — ele balançou a cabeça querendo afastar essas ideias. — Eu não conseguiria.
- Eu não vou te esperar então. Mas, você vai ter que me prometer algo também. Eu quero que você me prometa que vai me procurar. — Alex levantou uma sobrancelha e Sam continuou. — Quando você voltar das missões, me procure. Se você quiser e eu também, nós podemos continuar de onde paramos. Eu manterei a promessa, tentarei seguir com a minha vida e te esquecer, mas se eu não conseguir, eu quero poder ter a chance de te ter de novo.
- Sam, não é como se eu estivesse de férias. Não haverá garotas para que eu me apaixone. Já você, bom, você vai conviver com tantos caras que vai se envolver com algum. Eu não quero alimentar esperanças e quando eu chegar aqui perceber que sua vida continuou.
- Alex, faça isso, por mim. Mesmo que a minha vida tenha continuado, como você diz, eu ainda me importarei com você. E ter a certeza de que você está vivo e bem... Eu só preciso ter essa certeza.
- Tudo bem, eu prometo baby.
Então, eles se beijaram. Um beijo de despedida, algo meigo, sem nenhum desejo carnal.
- Eu vou poder me despedir de você?
- Faço questão que você esteja aqui quando eu for. Na verdade, eu irei embarcar em Graz.
- Por favor, me avise. Eu quero estar lá. Mas agora, vá treinar. Eu não quero que você morra na primeira batalha porque não treinou o suficiente.
Durante a conversa, nenhum dos dois derramou uma lágrima. Talvez porque Alex se achasse durão demais e Sam não achasse realmente que fosse uma despedida.
Eles se levantaram, andando juntos, de mãos dadas. Não havia sorrisos, havia tensão. E só.
∞
Alex arrumou a farda pela centésima vez em menos de uma hora. A mesma bolsa de três meses atrás estava arrumada com as poucas fardas que ele tinha e alguns itens pessoais. Os colegas passavam por ele e cumprimentavam, uns com inveja, outros admirados, outros ainda desejando que a vez dele não chegasse tão depressa.
Ele saiu do dormitório com a mochila nas costas e foi até os portões da base onde o comandante e os amigos mais próximos o esperavam. Após bater continência, sentiu os braços de Andrews ao redor dele em uma tentativa tímida de abraço.
- Boa sorte Mason. — ele se despediu, bateu continência e saiu deixando Rob, Jack e Peter de boca aberta.
Eles entraram no carro e foram em silêncio até o porto de Graz que ficava na saída da cidade. Sam já estava lá, olhando o mar do píer com uma expressão triste.
O comandante foi o primeiro a descer, indo conversar com o comandante do Warrior. Rob o olhava com pena, desejando que Alex não fosse tão cedo. Sam os avistou e andou lentamente até eles enxugando as lágrimas discretamente.
Jack e Peter apertaram a mão de Alex e deram tapinhas em suas costas. Rob o abraçou com vontade e se segurava para não chorar.
Quando Sam chegou, Rob o largou para que ela pudesse abraçá-lo. Eles ficaram assim, durante muito tempo, o queixo dele apoiado na cabeça dela, a respiração calma, mesmo que o coração de ambos batesse tão rápido que chegava a doer.
- Mason, está na hora! — comandante Jackson gritou e ele se separou de Sam que havia voltado a chorar e estava fungando.
- Hey baby, não chora, por favor. — ele pediu. — Seja forte. Eu aposto que daqui a pouco tempo você não se lembrará de mim.
- Eu não apostaria nisso. — ela reclamou. — Eu sei que você não acredita em Deus, mas eu quero te dar um presente. — ela continuou e tirou a cruz do pescoço. — Fique com ela. Não como proteção, mas como lembrança.
Ele abaixou a cabeça e ela passou a corrente pelo pescoço dele.
- Se cuida soldado. — ela sussurrou em seu ouvido.
Alex a puxou pela cintura dando nela o último beijo. Sem olhar para trás, ele caminhou até o ancoradouro dando adeus ao soldado Mason pronto para se tornar o Sniper Mason.
Alex esperava que fosse o único ali indo para a Indochina, mas surpreendeu-se ao encontra uma equipe completa. Aparentemente, vários atiradores — alguns experientes, outros tão inexperientes quanto ele — haviam sido solicitados.
Em uma semana, eles chegaram a Nova York, o destino final do Warrior. Alex já tinha se tornado relativamente próximos de seus futuros companheiros (ou pelo menos tão próximo quanto poderia ser sem falar muito), afinal, eles teriam que confiar a vida uns aos outros.
A equipe Boyle, nomeada em homenagem ao comandante do membro mais velho da equipe, ficou em terra o mínimo tempo necessário para traçar rotas de ataque e carregar o avião e logo já estava no ar a caminho da base norte-americana no Camboja. Era uma missão quase secreta, a França havia pedido ajuda para os Estados Unidos na guerra da Península da Indochina visando uma vitória. Os americanos, então, resolveram mandar um destacamento de poucos soldados de elite querendo gastar pouco e acabar rápido com o problema.
Eles demoraram quase dois dias para pousar na Indochina. Foi também o tempo necessário para que Alex ganhasse outra fama, a de antissocial, já que ele não havia aberto a boca, respondendo as perguntas apenas com um aceno de sim ou não.
Por mais que soubesse que relutar em aceitar o fato de que eles agora eram a sua "família" só pioraria as coisas, ele desejava que ao invés de Mark, Drake e Luke, ele pudesse ter John, Peter e Rob. Rob, quem diria que o "Capitão América" faria tanta falta? Alex já sentia falta das ladainhas sobre Daisy.
Involuntariamente, pôs a mão na cruz de prata que agora ficava em seu pescoço e sorriu. A dona daquela corrente iria sempre ficar na cabeça dele. Apertou o pingente com força e se preparou para sua nova vida.
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