Notas iniciais
Só continuo com reviews, e sim, sou chata. Um beijo e um queijo.

Crianças correndo, carros derrapando nas curvas esburacadas, vizinhos esbaforidos correndo afoitos para comprar o pão para o café da manhã. Assim começava o dia, normalmente, naquele pequeno bairro de classe média de Paris.

Essas crianças, esses carros, e esses vizinhos citados, sequer serão importantes nesta curta história á qual lhes narro agora. São apenas figuras, colocadas aqui para preencher o cenário em suas cabeças.

A única peça importante aqui é a garota rabugenta e antipática, que neste exato momento, está fitando, séria, a pintura descascada de seu quarto. E acredite, ela não gostava daquela tinta meio caindo, meio colada na parede. Ou oito, ou oitenta para a garota.

Nossa querida Francesinha, não era e nunca foi uma garotinha comum. Para começar, nunca gostara de usar vestido. O que, em sua família, era algo um tanto peculiar. Segundo, ao contrario da maioria das garotas de sua idade, Monique, não tinha pais. Talvez por isso, nunca era vista com um sorriso nos lábios. Nem mesmo quando ganhou um colar de prata de sua avó.

Na verdade, naquela época, ela vivia com a avó materna, uma vez que seus parentes mais próximos faleceram em um acidente de carro, alguns anos atrás. Perdera, de uma vez, um irmão, a mãe e o pai.

Três coelhos numa cajadada só, como diz sua avó, toda a vez que chegava o aniversário da menina. Você é uma garota forte, Monique.

Agora, vamos falar um pouco dessa figura materna que é a avó da nossa personagem.

A avó de Monique ,é uma doida varrida. Pirada, mas no fundo, boa pessoa. Quando jovem, fazia todas as loucuras possíveis e impossíveis, até mesmo a de fugir da escola. Rachelle sabia que nunca fora um bom exemplo para sua neta, mas a conhecendo bem, sabia que a garota sequer sentia necessidade de fugir da escola, ou fazer peripécias.

Se Monique quisesse sair da escola, bastava dizer. O que a avó poderia fazer?

Correr atrás da menina com um pedaço de madeira? Era melhor que a garota estudasse em casa mesmo.

Até porque, a escola tem duas funções principais, ao ver de Rachelle.

A primeira é ensinar aquele conteúdo chato, bem pé no saco mesmo, pra daqui a quinze anos, quando você para de estudar, nunca mais usar na sua vida. Rachelle era uma senhora bem vivida, e nunca usara as poucas coisas que aprendera na escola.

A segunda, obviamente, era ingressar a pessoa na sociedade, a partir das amizades que você acaba fazendo no ambiente escolar. O que, por sinal, não estava funcionando com Monique.

Depois que perdera os pais e o irmão, a garota nunca mais trouxera uma amiga sequer para brincar, e muito menos, pediu permissão para sair com alguma de suas amizades.

Sua rotina se resumia a: Primeiro, sair para a escola. Segundo, Voltar da escola, direto para casa. E nunca se vira variações em sua rotina, exceto quando ela tinha de ir com a avó até a mercearia.

A menina podia agir como um robô, mas não sobrevivia de vento.

Mas tudo isso não passa de coisas aleatórias, as quais você, supostamente, precisaria saber. Mas na verdade, não precisa.

O que é realmente necessário saber, é que um dia, Monique sorriu. Só por um momento, e foi de canto, mas ela sorriu. E foi por culpa de uma garota.

E é por conta desse acontecimento, que nossa história vai ser contada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.