Notas iniciais
Mais um capítulo pra vocês, espero que curtam!!!

O restaurante estava bem movimentado para a sua localização no meio de um deserto. Ao redor de uma mesa de madeira redonda, o grupo terminava o café.

– Acho que meu amigo precisa se aliviar um pouco... — Matt disse se levantando e seguindo para o banheiro.

Nolan se levantou também.

– Vou abastecer o carro no posto aqui ao lado. Quando eu voltar, a gente continua a viagem.

O negro saiu do restaurante, entrou em seu Ford branco e partiu.

Ana deu um longo suspiro. Enfim, acabava com seu pão. Seu gato de estimação estava em seu colo, ela o colocou rapidamente sobre a mesa e deixou-o devorar o que ainda tinha no prato.

Bree remexia suas mãos com o celular, tentando melhorar a sua conexão. E Midney lia um jornal, até ver uma notícia e achá-la interessante.

– Ei, escutem: "Público recorde é esperado para a Hereafter desse ano. Na mais famosa festa do deserto, milhões de jovens de todos os continentes se reúnem numa madrugada de pura diversão, que é certamente inesquecível para a grande maioria deles." Não vejo a hora de estarmos lá!

– Eu vejo: Assim que o Nolan voltar! — Bree comentou. — Só espero que não estejamos muito longe ainda...

Ana perdeu-se de seus amigos quando viu as imagens de um noticiário na televisão do restaurante. Uma pickup estava toda amassada, devia ter sido uma batida feia.

– Olhem...

"- Hoje faz dois dias da morte do casal Garry Blauman e Kate Sing's num acidente violento de carro. A Pick-up onde estavam colidiu com um animal que atravessava a pista na altura do quilômetro 53 e perdeu o controle, saindo da estrada e capotando várias vezes. Ambos morreram na hora. Garry teve um corte profundo na cabeça e traumatismo craneano, e a namorada Kate foi partida ao meio pela porta do carro. (...)"

– Que horror! — Bree retratou chocada.

– Sabiam de uma coisa? — As questionou Midney com uma cara nada feliz. — Vamos passar daqui a pouco no mesmo local que aconteceu este acidente...

Ambas ficaram sem reação, apenas trocaram um olhar de receio. Matt chegara até a mesa, beijando o pescoço de Bree e lhe dando um pequeno susto.

– O Nolan me mandou chamar vocês... Estamos prontos pra partir!

O atleta pegou a loira nas costas e saiu correndo com ela para a saída. Midney e Ana se levantaram.

– Pode ir indo... Vou pagar a conta e sigo vocês! — Midney avisou.

– Tá bem, mas não demore...

– Okay.

O jovem pálido viu a namorada sair do restaurante e seguiu para o caixa. Um funcionário de nome Jean logo o atendeu com o típico "Posso ajudar?".

– A conta da mesa 06, por favor. E... uma carteira de cigarros...

– Já vou somar.

Jean entregou os cigarros e Midney rapidamente os colocou no bolso de sua jaqueta.

– Sua namorada não sabe que você fuma, não é?

– Não, e nem quero que ela descubra. Por isso estou parando, esses vão ser os últimos...

– Não é tão fácil largar um vício como você pensa... Eu já fui fumante, demorei oito meses pra me livrar dele.

– Só é questão de querer, Jean. Estou disposto a levá-la pra morar comigo, por isso estou disposto também a me livrar de tudo que a incomoda!

Midney ouviu uma forte buzina vinda de fora do restaurante e sabia perfeitamente quem era.

– Olha, eu tô com um pouco de pressa...

– Já estou terminando... A propósito, fiquei sabendo que vão passar pelo "km 53"?

– Sim, por quê?

– Tomem cuidado... Coisas estranhas acontecem com quem passa ali.

Midney o olhou torto.

– Que tipo de "coisas estranhas"?

– Deu R$ 45,60!

***

Além de buzinar sem parar, Nolan também gritava como uma prostituta sendo estuprada.

– Vão atirar na gente com essa gritaria do Nolan! — Matt falou.

– O que houve com o Midney? Será que ele foi cagar? — Disse o negro, impaciente.

De repente, o amigo saíra pela porta e correu para o carro. Aguentou mais algumas buzinadas e entrou no veículo.

– Porque demorou tanto?

– O funcionário era um pouco... maluco. Mas será que dá pra ir logo? Tinha gente ameaçando vir aqui e quebrar o carro com um pedaço de pau!

Nolan girou a chave, passou marcha e pisou fundo no acelerador. O carro prosseguiu na estrada... Agora Matt estava no banco da frente com Nolan. Bree estava atrás do motorista, Ana no meio e Midney no outro canto. Pra continuar, Nolan ligou o rádio num roque pesado.

– Desliga essa merda! — Bree gritou.

– Para de reclamar! Vai transar com o Matt!

– Queria muito, mas aqui não tem espaço! Agora da pra abaixar essa música de psicopatas?

Da fachada do vidro do restaurante, Jean olhava para o veículo do grupo sumindo no horizonte com uma expressão de temor.

– Espero que eles saibam onde estão se metendo...

***

Alguns minutos depois, todos estavam em silêncio. Matt roncava fundo debruçado em seu banco. Nolan mantinha-se atento à estrada. O resto observava a paisagem.

– Eu nem consigo pensar no que eu faria se ficasse a pé num lugar desses... — A loira quebrou o silêncio. — Esse lugar é distante de tudo e de todos!

– Em "todos" você se refere aos homens ou aos puteiros? — Nolan perguntou tolo.

– Aos shoppings, idiota!

– Não comecem de novo, pelo amor... — Matt sussurrou ainda de olhos fechados. — Ou eu jogo os dois pra fora do carro e deixo-os ai!

Ana e Midney seguraram os risos. O casal permanecia abraçado. O rapaz se virou para a moça, a beijou e fechou os olhos.

– Nem pense em dormir de novo! — Ana dissera. — Não quero passar o resto do ano tentando te acordar!

– Eu não durmo tanto assim... Durmo?

– Nem queira saber... É uma mistura de branca de neve e alguém em coma.

– Só acredito vendo...

Midney se virou para a janela da sua porta e, após alguns segundos, viu passar uma placa. A leu rapidamente:

– "Km 53".

Notas finais
Próximo vem logo, logo! Até!