Dean desligou o telefone, mas sabia que algo não estava certo com seu irmão, percebeu a voz tremula do caçula na linha, seria mais uma visão? Dean passou a mão em seu queixo para tentar aliviar a tensão, e concentrar-se no trabalho. Não encontrou nada que pudesse levar ao misterioso assassinato de Robert.

_Droga, porque todos os casos tem que serem tão complicados!_Bufou o loiro batendo no volante de seu precioso impala.

Em outro lugar, a jovem mordiscava o sanduíche sem nenhuma vontade, aquele vento parecia o uivo de um lobo, isso a assustava e muito. Seu marido voltaria dentro de algumas horas era só controlar-se. Janet correu o olhar pela casa espaçosa, levantou-se e foi conferir o trinque da porta, fechada. Janelas, fechadas. Suspirou tranquilamente como se sua vida dependesse de tudo trancado. Não dera atenção aos seus pesadelos, mas a cada dia se tornavam mais intensos e macabros. A lembrança a fez arrepiar-se, puxou os braços para o próprio corpo com a tentativa de aquecê-los, se contasse ninguém acreditaria e a internariam em uma clinica de tratamento mental. O vento soprou mais forte que o comum, as luzes piscaram, e o frio aumentou deixando o vapor de sua boca confirmar o calafrio.

Janet entendeu os sinais, sabia que algo de ruim estava para acontecer e não iria esperar mais nenhum segundo, pegou o telefone e ligou para a única pessoa que poderia entender o que estava acontecendo.

_Alô...a voz de um homem conhecido lhe deu mais segurança.

_Bobby, sou eu Janet Lindernam. Estou precisando de sua ajuda, algo está acontecendo e não sei explicar o que pode ser. Lembro que você ajudou minha irmã de uma ...._a palavra não queria sair dos lábios da jovem que até mesmo para ela parecia surreal.

_De uma possessão, lembro é claro. Mas o que há? Ocorreu novamente?

_Não..não..Clara está ótima...eu estou com medo, tive uns pesadelos estranhos, nunca acreditei neles mas agora...Bobby, as luzes da minha casa estão piscando e...os vidros...os vidros Bobby, estão trincando de..de frio!

Bobby conhecia esses indícios, tinha que agir rápido para tentar ganhar tempo a sua jovem amiga.

_Janet, ouça-me bem. Mantenha a calma, vá a cozinha e pegue muito sal, faça um circulo de sal e fique dentro dele, não saia. Me dê o endereço e estarei aí em seguida, se tiver alguma barra de ferro ou qualquer outra coisa de ferro pegue e use caso necessário. Compreendeu Janet? Janet?Alô, Janet?

_Sim..sim. Venha logo, não quero morrer.

Após a jovem fornecer o endereço ao caçador, desligou o telefone e correu para cozinha em busca de sal e fez exatamente o que o amigo havia solicitado. E ficou em pé com os braços cruzados atenta a qualquer movimento, lembro do ferro...tinha algo assim na lareira...ficou com medo de sair do círculo de sal, respirou e correu o mais rápido que pode em busca do utensílio de ferro, com as mão trêmulas segurou-o e correu de volta ao circulo de sal. Os vidros começaram a fazer barulhos, a ponto de se estilhaçarem a qualquer instante. Mas que raios estava acontecendo? Estaria tudo sendo fruto de sua imaginação? Preferiu aguardar a chegada de alguém, não estava em condições de argumentar nem mesmo com sua própria mente.

Janet viu um clarão, era um carro chegando, seria Bobby? Ou seria seu marido Fagner, e se fosse e a visse naquele estado? E se alguma coisa o atacasse lá fora? Janet entrou em pânico, olhou para janela cada vez mais congelada, correu em direção a porta e a abriu freneticamente e chamou por Fagner, o carro era dele e estava ligado...mas onde estava ele? O crescente terror penetrava nos olhos da moça que observava de forma quase histérica qualquer som que a noite emitia.

_Fagner!!Fagner..._os olhos desfocaram, lágrimas caiam em sua face, não conseguia segurar o pranto, foi então que ela viu o que jamais poderia imaginar existir era assustador e surreal. Na calada da noite o monstro ou seja lá o que fosse estava prestes a devorar seu marido, que estava caído inconsciente do perigo iminente. A criatura demoníaca pareceu ter perdido a vontade de devorar a caça já dominada e partir para cima de Janet, o medo da jovem entrava pelas narinas da besta, deixando-o extasiado pelo instinto devorador. Um urro calou todos os animais, insetos que ali habitavam, o vento soprou os longos cabelos negros de Janet, e viu assombrada a grande sombra ganhar proporções gigantescas. Era seu fim. Aguardou fechando os olhos e tentando lembrar dos momentos de felicidades que teve na cabana com Fagner e todos seus sonhos de construir uma família. “Tenho mofado em minha cela nesse mundo de trevas a anos e hoje arranco mais uma alma porque sinto que a vida em meu corpo esta desaparecendo e sinto necessidade não somente de devorar meus escolhidos, mas também de eternizar e abrir o portal do sobrenatural para meus irmãos”.

Janet abriu os olhos, a criatura falou? Estava tão aterrorizada que acabou ouvindo “coisas”, mas logo arrependeu-se de tê-los aberto, no instante seguinte estava no chão, foi um impacto rápido, sem dor...o horror de encarar a besta com a boca escancarada, a pele úmida e quente, sem pêlos e grudenta sob sua pele lhe dava nojo. Em um ato de desespero Janet cravou as unhas na criatura, mas embora fosse daquela forma grotesca suas unhas deslizavam sem causar nenhum efeito. E Janet encarou seu algoz, já que iria morrer, morreria como uma caçadora que nunca conseguiu ser, mas orgulhava-se de seu pai e mostraria que tinha sangue nas veias. As garras da criatura penetraram os braços da moça, um grito lancinante saiu de sua boca e em poucos segundos ouviu disparos muito próximos.

_Vamos garotos, lá está a criatura. Se dermos sorte ainda salvaremos Janet. Disparem e tomem cuidado, nunca vi esse animal antes.

_Certo Bobby, venha Sam...cubra-nos.

Os caçadores fizeram o maior tiroteio que se poderia imaginar, pego de surpreso o animal encarou-os e seus olhos arregalaram-se de tal maneira que as órbitas poderiam saltar a qualquer instante. A maquiavélica criatura ficou em pé, sustentada apenas pelas patas traseiras em forma de garras ameaçadoras, prontas para trucidar o primeiro que encontrasse na sua frente. A criatura avançou para cima de Dean atirando-o longe, Sam correu para chamar a atenção da “coisa” para dar tempo ao irmão se reerguer, balas não estavam adiantando, Bobby correu até seu velho carro e pegou um antigo pistão com arpão de ferro feito manualmente e disparou no animalesco. Pareceu ter surtido efeito, atravessou a cintura da besta que saiu em disparada. Bobby suspirou, pelo menos ganhariam tempo.

Notas finais
Pessoal espero que estejam gostando, a faculdade está me cravando de provas finais..por isso perdoem-me a demora.
Espero reviews. Beijos