A milhares de quilômetros de lá, ainda em San Francisco, a equipe continuava trabalhando. Bruce e Lloyd ainda debatiam sobre as informações que obtiveram a partir da autópsia e do interrogatório que fizeram.

– Esse segundo pobre coitado não tem nada a ver com o primeiro – diz Bruce – aparentemente o assassino não segue um padrão, as vítimas não se conheciam, possuem características físicas diferentes e foram mortas em lugares e de maneiras diferentes. Teve mais sorte ? Alguém disse alguma coisa ?

– Não cara, assim como da primeira vez ninguém viu ninguém chegar ou sair do galpão onde o corpo foi encontrado, os pescadores disseram que ficaram a madrugada inteira no píer, então não seria difícil se alguém tivesse entrado lá escondido sem que eles percebessem. – responde Lloyd não muito mais entusiamado que o parceiro.

– Que droga, não acredito que deixaram a gente aqui sozinho. Cadê todo mundo ? – pergunta Bruce irritado .

– O Esser e a Lucy estão algum tipo de missão pelo que o capitão disse agora o Keith eu não faço ideia .. – responde Lloyd.

– Ele não veio trabalhar hoje ? – indaga Bruce indignado.

– Ele veio, mas saiu mais cedo .. disse que era uma emergência e que precisava ir , não disse aonde ia nem quando volta. – completa Lloyd.

– Já chega não aguento mais , esse caso já está virando palhaçada .. vamos beber alguma coisa .. não vamos ser os únicos idiotas da “ equipe de investigação “ aqui – rosna com impaciência já saindo da sala puxando o parceiro.

Era um início de noite frio em San Francisco quando os dois policiais deixaram o Departamento rumo a um bar nas imediações. Mas isso não impediu que um dos membros da equipe continuasse nas ruas.. o Oficial Clayton parecia agitado e nervoso, mesmo não sendo um homem fácil de se intimidar assim, andava de um lado para o outro em um beco deserto, estava apreensivo .. olhava seu relógio constantemente como se estivesse esperando por alguém. Até que cansou de esperar e pegou o celular.

– Rashid ? Que droga , cadê você ? Estou esperando aqui faz quase meia hora.

– Calma cara, eu tenho um trabalho pra fazer, além disso não sou eu que tá indo aí te encontra. — responde Rashid .

– Como assim ? — questiona Keith.

– Tem um cara aí egípcio, ele disse pro chefe que queria trocar ideia contigo.

– Egípcio ? Será que...

– Tenho que ir.. Boa sorte.

– Pera aí .. mas ele não ... Droga!

– Sr. Clayton, presumo ? – ouve-se uma voz saindo de dentro das sombras do beco mal iluminado.

– Até que enfim , tem ideia de horas são ? Do quanto esperei aqui como um idiota nesse beco deserto ? Está um gelo aqui fora...

– Alguém te seguiu ?

– Pareço idiota ? Claro que não , ninguém me seguiu... – responde Keith ligeiramente incomodado com a companhia.

– Ótimo , vamos entrar então ?

Os dois se dirigiram para um estabelecimento do outro lado da rua , sentaram numa mesa no canto afastada das janelas. — Boa Noite querida, pode me trazer uma xícara de chá Karkadeh por favor ? Poderia lhe oferecer algo para beber Sr. Clayton ?

– Não, obrigado .. que droga de lugar é esse ?

– É uma casa de chá , Khan el Khalili.

– Que tipo de pessoa bebe chá ? Você é inglês por acaso ?

– Minha avó era inglesa, mas se mudou para o Egito durante a ocupação britânica, onde conheceu meu avô. É uma prática que adquiri desde criança, além de ser revigorante e extremamente tranquilizante.

– Se você diz ..

– Sr. Clayton, o que tem a me dizer sobre as investigações ?

– Bom algumas coisas mudaram .. tem um novo integrante na equipe , o nome dele é Arthur Esser.

– ESSER ?!

Em instantes o semblante calma e sereno de um bebedor de chá se transformou em um ataque de fúria chamando a atenção de todo o lugar.

– Você o conhece ? – pergunta Keith assustado

– Queira me desculpar.. sim, pode-se dizer que temos um passado. – diz o homem retomando sua compostura.

– Então é você realmente.. quer dizer .. o que ele disse sobre seu pai e ..

– Basta! O que ele sabe ? – pergunta o homem com seriedade novamente.

– Eu não sei ... quer dizer .. achávamos que o pai dele tinha prendido o cara errado e ele estava meio mal mas eu não sei bem se ele ainda acredita nisso ..

– Então diga-me Sr. Clayton até alguém com o seu QI é capaz de chegar a essa conclusão, se você é uma droga de um informante, e não tem informações ... o que isso faz de você ?

Keith começou a suar frio, sabia que agradar aquele homem lhe faria com que sua vida ficasse mais fácil mas após tê-lo conhecido, o fato de continuar vivo já lhe parecia uma vitória.. não queria nem imaginar o que seria dele se o desagradasse.. pelo que ele ouviu de outros.. era a última coisa que faria na vida.

– Eu .. eu quero ser útil senhor ... eu posso ser útil ainda. — diz Keith assustado.

– Eu espero.. para o seu bem. Onde ele está agora ?

– Eu acho que foi para o Colorado

“Ele sabe..” pensava o homem.

– Você acha ?

– Não .. não eu .. ele foi para lá senhor, ele e a Lucy .. mas o capitão não me disse o que foram fazer.

– Ok .. – suspira profundamente decepcionado – Muito bem Sr. Clayton, eu entrarei em contato .. assegure que ninguém o veja quando sair.

“Ele sabe. Ele está em Florence. As coisas estão começando a ficar interessantes.. É hora do show de verdade começar. É hora de sair das sombras e começar a me mostrar. Essa cidade vai contemplar um horror nunca antes visto, vão se arrepender amargamente por tudo que fizeram a mim e a minha família.. receberão a punição divina de seus atos. E todos aqueles cujos corações se tornem pesados como pedras devido a sua culpa perecerão, assim como Osíris pune aqueles que são impuros. Assim está escrito. Assim Será. ”

O homem então disca um número em seu celular..

– Rashid ? Sou eu, você sabe o que fazer ...

– S-Sim, Senhor..