Overdrive & Dark End

36 Capítulo 7- Apenas negócios


Uma pessoa começou a bater na porta do lar de Rewly. Ele estava festejando, como quase sempre fazia toda noite, mas a pessoa ainda insistia. Depois de alguns minutos, um homem atendeu, parecia ter saído do banho, já que estava com a toalha presa em sua cintura. Era Daniel, com a escopeta carregada.

Daniel: É só uma mensagem para Rewly!

Daniel atirou no homem e entrou na casa. O tiro assustou a todos, e as mulheres apenas gritavam. Outro homem apareceu na cozinha, e tentou ir para cima de Daniel e tomar a sua escopeta. Daniel acertou um tiro de escopeta em seu estômago, e deixou o corpo dele no chão.

Daniel: Vou acabar logo com isso...

Daniel entrou no quarto de Rewly, e o encontrou sem camisa, com a calça quase caindo, mas ainda assim, tinha a metralhadora preparada. Os dois estavam se encarando, sem falar nenhuma palavra.

Rewly: Se acalme Daniel... Abaixe essa arma agora, e ninguém sai ferido.

Daniel: Só saio daqui morto...

Rewly: Não sei o que falaram para você, mas abaixe essa arma, e tudo acaba bem.

Daniel: Falaram? Foi só o que um açougueiro estava guardando. Sabe como é, aquela carne com gosto bem fora do comum.

Rewly: Então você descobriu aquilo, eu posso explicar... Eu juro que não é por gostar, mas... As pessoas morreriam de fome caso contrário. Isso é tudo sobrevivência, não tem como definir o certo ou errado.

Daniel: Cale essa boca!

Rewly: E daí, o que vai fazer quando atirar em mim? Acabar com todos dessa cidade, acha que é tão fácil assim?

Daniel: Pergunte isso para Abel Verrater.

Rewly: Então puxe o gatilho, se conseguir sair vivo daqui, parabéns, eu vou te aplaudir mesmo morto, caso seja possível. Mas, e depois? Acha que vai aguentar viver no mundo caótico que existe lá fora? Ninguém aguenta passar de novo por tudo aquilo, Daniel.

Daniel: Posso tentar.

Rewly: Mas, além da carne humana, qual é o outro problema desse lugar?

Daniel: Doentes mentais, psicopatas que sentem prazer com a violência. Isso é o bastante para você?

Rewly: Eles podem ter defeitos, mas também defendem esse lugar.

Daniel: O problema é sentir prazer com isso, Rewly...

Rewly: Olha que engraçado, isso não vai dar em nada. Para que eu mataria você? Aqueles dois homens que você matou, não eram nada, um deles até se drogava.

Daniel: Não me surpreendo.

Rewly: Que bom, mas mesmo assim... Nós podemos chegar a um acordo.

Daniel: Qual seria?

Rewly: Você é uma boa pessoa, Daniel, pode questionar minha moralidade, qualquer um faz isso...

Rewly largou a metralhadora em cima da cama, e se afastou. Daniel continuou com ele na mira, e estava pronto para puxar o gatilho. Aquilo tinha que acabar, não importava como.

Rewly: Eu garanto que todo estoque de carne humana vai ser queimado, Daniel. Não tem razão para mais derramamento de sangue. Lá fora nós temos outros inimigos que são mais perigosos. Quanto às outras pessoas... Não posso fazer muita coisa, depois de tudo que aconteceu, um contra-ataque é bem óbvio.

Daniel: ...

Rewly: Abaixe essa arma, e farei o possível para limpar o teu nome.

Daniel deixou sua arma cair no chão, e fechou os olhos. Esperou alguns segundos, e abriu novamente. Queria ver se algo de errado aconteceria caso ele não enxergasse por um segundo, mas tudo estava normal. Rewly ainda estava na sua frente, parado.

Rewly: Muito bem.

Rewly avançou em Daniel imediatamente, e pegou a escopeta dele, que estava no chão. Rewly estava com a escopeta apontada para a cara de Daniel, que ficou sem reação.

Rewly: Você está conosco, ou não?

Daniel: Estou.

Rewly: Ótimo.

Rewly deixou Daniel se levantar, e devolveu a escopeta. Em seguida, as suas garotas saíram do armário em que estavam escondidas aliviadas, mesmo olhando para Daniel com certo medo.

Rewly: Agora vá para a casa, e durma. Espere aqui, por um momento, só vou acalmar o pessoal lá fora.

Rewly vestiu uma camisa, e arrumou sua calça, depois acalmou todas as pessoas da cidade. Daniel ficou esperando, sem ter ideia de que Sherry estava em seu quarto, escutando tudo.

Sherry: O que você fez?

Daniel: Tive uma discussão com seu pai

Sherry: Não minta para mim.

Daniel: Não parece óbvio? Você escutou tudo, sabe o que aconteceu.

Sherry: Sim, eu sei... No entanto, acho que estou do seu lado nessa, ou não... Fique esperto, Daniel.

Sherry voltou para seu quarto, e fechou a porta. Assim que Rewly voltou, Daniel foi embora sem dizer nada. Enquanto ia para a casa, Hacov ficou na sua frente, não o deixando passar.

Hacov: Você está morto...

Hacov pegou suas espadas, e tentou atacar Daniel, que se afastou ao ver o perigo. Hacov continuou avançando, e Daniel pegou sua espada, e bloqueou todos os ataques. Quando Daniel ia contra-atacar, Rewly apareceu, e segurou Hacov pelo pescoço.

Rewly: Já é o suficiente por uma noite. Sério que hoje todo mundo quer matar alguém? Qual é o problema de vocês. Hacov é melhor deixar Daniel ir, eu converso com você depois. E Daniel, nós também vamos conversar... Mas, eu quero que você seja... Meu braço-direito, por enquanto. Mesmo assim, só apareça quando te chamar.

Hacov: Mas, como assim? Ele...

Rewly: Ele tem coragem para dizer não, ou questionar... Além de ser um lutador muito bom. No mais, por hoje é só.

Daniel ficou chocado com aquilo, podia ser uma vantagem, ou desvantagem. Podia ficar de olho em Rewly, mas essa podia ser a intenção dele. Podia estar seguro, ou pronto para morrer. Talvez Rewly tenha mudado seus pensamentos de repente, mas, era tudo uma incógnita.

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Denos: Problemas...

Abel: Connery maldito... É óbvio que foi ele quem ordenou as mortes.

Denos: Sim.

Abel: O que nós devemos fazer?

Denos: Mas não era disso que eu estava falando.

Denos e Abel estavam na rua conversando, como sempre faziam. Faltava pouco tempo para a hora do almoço, e as ruas estavam movimentadas. Os Verraters tinham muitos problemas naquele momento.

Abel: O que disse?

Denos: Você sabe espíritos da luz e trevas? O demônio das trevas é o juiz, e da luz a defensora, em relação ao artefato. Como o mundo mudou, dragões foram libertados, e eles também. Não vou entrar em detalhes, mas o espírito da luz está aqui na cidade, agora mesmo.

Abel: E onde isso é um problema?

Denos: Agora que notei... Não é um problema.

Abel: E por qual razão isso seria?

Denos: Dependeria de sua reação.

Abel: Idiota.

Denos riu, mas ele sabia que falava a verdade. O fato é que Abel provavelmente mandaria que ela fosse executada, principalmente pelas últimas coisas que ele fez nos últimos dias. Mas foi um verdadeiro alívio saber que Abel estava mais racional, e calmo.

Abel: Me leve até ela.

Denos: Ela está morando aqui na cidade, mas parece que saiu faz algumas horas.

Abel: Ela conseguiu passar pelo Paredão de um jeito tão fácil?

Denos: Acontece que ela matou todos os soldados que ficaram na sua frente.

Abel: E eles não conseguiram acertar um tiro nela?

Denos: Aí é que está... Eles a fuzilaram, mas ela continuava em pé.

Abel: É óbvio, pois ela é um espírito... Pensando bem, Denos... Isso sim é um problema.

Denos: Não posso discordar.

Abel: De qualquer forma, vamos até o Paredão, quando ela voltar, conversaremos de forma pacífica.

Denos: Boa ideia.

Quando Abel disse aquilo, o seu olhar era assustador, estranho... Parecia desejar a morte de alguém. Denos já viu aquele olhar antes, e ficou com medo. Mas, Abel era imprevisível, então não dava ara saber o que pensava.

Denos: Aliás, quanto ao almoço... Alguns guardas comeram a metade da lasanha de hoje, pelo o que eu sei.

Abel: Eu quero todos eles mortos. Aliás, Denos como você sabe dessas coisas?

Denos: Ter espiões, ficar de olho em tudo... É importante. Mas, nesse caso, foi só ir na cozinha e dar uma olhada na lasanha.

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Daniel não conseguia sair da cama, tinha preguiça, e medo. Margaret preparou o almoço, e logo foi conversar com ele. No final, ambos acabaram apenas falando de teorias, e tramando alguma outra coisa.

Margaret: Então você está ainda mais próximo de Rewly do que pensava, não é?

Daniel: Sim... Mas, agora, o que podemos fazer?

Margaret: Se aproxime dele, mas fique de olho em qualquer possível armadilha.

Daniel: Ele sabia que eu não seria capaz de acabar com todo mundo. Sabia que era só uma ameaça idiota.

Margaret: Você foi idiota em atacar Rewly diretamente, seria um suicídio caso fizesse aquilo. Mas, você provou do que é capaz, e ele pode te respeitar por isso. Acha mesmo que alguma pessoa seria capaz de fazer tudo aquilo só para provar seu... Ponto de vista? Ou mostrar que não vai virar a cara para os erros desse lugar?

Daniel: Realmente, isso pode ser bom.

Margaret: Você me contou da carne humana, a parte mais horrível disso tudo, coisa que Rewly vai acabar de vez por causa dessa madrugada.

Daniel: Ele vai queimar todo o estoque que sobrou da carne.

Margaret: Ninguém vai ficar sabendo.

Daniel: Exato. Eu sou um aliado, e inimigo para ele.

Margaret: Outra vantagem, mas eu repito, fique de olho...

Daniel: Não se preocupe.

Margaret: Aliás, eu fiz o almoço, e já vou trabalhar, até mais.

Daniel: Até...

Foi bom para Daniel conversar um pouco, especialmente em quem ele confia. Comeu a feijoada que Margaret tinha feito, e se sentou no sofá. Olhou para a escopeta que estava ao seu lado, e depois para a espada.

Daniel: ...

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Rewly chamou Shupert para almoçar, em particular. Sherry, e suas ‘’pessoas companheiras’’ não estavam lá. Ele queria falar algo que nem Daniel ou Hacov podiam saber. Ambos comeram um peito de frango e salada, depois começaram a conversar.

Rewly: O que eu vou dizer é confidencial, não pode falar nem para Hacov. Entendeu?

Shupert: Sim.

Rewly: Vou pedir ajuda aos Verraters.

Shupert ficou surpreso, nem falou nada. Era meio inesperado, já que Rewly odiava todos eles. Mesmo assim, deixou-o continuar a explicação.

Rewly: Como você sabe, a gente está passando por problemas, os Caçadores vão contra-atacar em breve, e isso é óbvio. Além disso, com o apoio deles, podemos conseguir comida, água, suprimentos, e tudo mais. Vou dar a proposta de pelo menos duzentos homens nos ajudarem, podemos conseguir recursos para construir mais prédios, expandir a cidade, entre outras coisas. Mas, Daniel ou Hacov, não podem ficar sabendo, ninguém pode, na verdade, só os citei por... Terem assuntos pessoais com Abel.

Shupert: Entendi. Mas, e quanto a Daniel?

Rewly: Ele está tramando algo contra mim, ou não. Tirando dessa vez, eu vou deixar ele bem próximo a mim. Ganhar a confiança dele, ou ele vai acabar ganhando a minha, sei lá... E depois...

Shupert: Depois?

Rewly: Eu não tenho ideia do que vai acontecer.

Shupert: Tudo bem.

Rewly: Chame Daniel e Hacov. Falem para me encontrar na praça.

Shupert: Pode deixar.

Depois de uns minutos, os três estavam reunidos na praça, para conversar. Não tinha muito movimento, na verdade quase todos falavam dos eventos na última madrugada, na vizinhança e em particular, obviamente. Daniel até conseguiu escutar algumas pessoas fofocando enquanto caminhava.

Daniel: O que queria dizer?

Rewly: Eu vou sair sozinho, numa missão de recrutamento, só isso.

Rewly: Eu vou falar com um povo pequeno, ameaçado por Larry Feitel, a condição era que eu fosse para lá sozinho.

Daniel: Tudo bem.

Rewly: Fora isso, eu ainda fiz negócios com outros povos lá fora, mais desenvolvidos, seriam de grande ajuda mais alguns homens.

Hacov: Só isso que tinha para dizer?

Rewly: Sim. Daniel, você vai cuidar desse lugar enquanto eu não voltar. Aliás, te dou o direito de fazer o que quiser com quem causar problemas.

Hacov entendeu aquilo como uma possível ameaça, mas não ficou espantado, continuou agindo normalmente.

Rewly: E Daniel, você sabe o que fazer com aquele monte de carne estragada.

Daniel: Pode deixar.

Rewly pegou um carro vermelho, e saiu da cidade. Daniel pegou uma caminhonete, e levou alguns junto dele também para fora. A caminhonete estava cheia de sacos pretos, e foram para uma área bem longe da cidade.

Daniel: Sabem o que fazer.

Eles começaram a queimar os sacos, foi rápido, como tinha que ser. Daniel ficou quieto, subiu na caminhonete, e disse algumas palavras para os homens ao seu redor.

Daniel: Eu estou no comando, por enquanto. Não sei como as coisas eram antes, na verdade, eu tenho ideia, mesmo assim, tudo vai ser diferente nesse tempo. Rewly me deu o direito de fazer o que quiser com os causadores de problema, então espero um bom comportamento vindo de vocês. Além disso, repitam essas palavras para cada pessoa na cidade, caso não façam isso, eu mesmo faço, pois a coisa é séria.

Frio, calmo, e sem gritos, foi desse jeito que o discurso foi feito. E foi desse jeito que todos ali passaram a temer, Daniel, por mais estranha que fosse a decisão de Rewly em deixar ele como líder por um tempo.

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Abel e Yin finalmente se reuniram no Paredão. O lugar era bem iluminado, e tinha uma bela vista da cidade. Ambos se sentaram numa mesa, e a conversa começou. Os dois estavam frios, e tentavam continuar assim. Denos não estava lá, tinha outra coisa para resolver.

Abel: Primeiro de tudo... Por qual razão você matou meus homens?

Yin: Eles não me deixaram entrar ou sair, então tive que acabar com eles.

Abel: Eu sei o que você é.

Yin: E eu sei o que você é. Eu sei que você se tornou mais poderoso, resistente, e imune a doenças, ou mortes por causas naturais. Mas, qual é a diferença entre mim e você? Eu não posso morrer pela maneira convencional, mas qualquer um pode cortar a tua garganta, ou decepar a sua cabeça. Essa é a diferença.

Abel: Isso não é uma ameaça.

Yin: Acertou. Eu só estou aqui pelo artefato, e sua energia. Acontece que você possui a energia e o artefato, então... Eu devo me aliar a você, querendo ou não.

Abel: Ótimo.

Yin: Você vai me odiar, Abel, mas não pode fazer nada quanto a isso.

Abel: Está tudo resolvido.

A conversa foi curta, e direta. Abel não podia fazer nada, ali, além disso, Yin ao seu lado seria uma vantagem considerável na guerra. Ambos saíram do Paredão, e foram para o castelo. Enquanto andavam, ficaram quietos, não expressando felicidade ou tristeza, mas sim uma vantagem na guerra, ao menos para Abel. O que Yin pensava era um mistério, mas a mesma não podia fazer nada contra ele.

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Marie, Schatten e Laura viajavam até chegarem ao líder do grupo. Era um caminho longo, e bem complexo. Ele vivia longe do território em que o resto da gangue se localizava por precaução, além de ficar longe da maioria dos problemas. Enquanto isso, os três andavam perto de uma estrada, vazia e abandonada, como todas as outras.

Schatten: Quem é o líder do grupo? Eu sei que já perguntei isso um monte de vezes nesse longo caminho, mas diga, por favor.

Marie: Poucos sabem quem ele é, e pretendemos deixar assim. Ajuda na privacidade, e segurança.

Schatten: Ele vai continuar vivendo lá, mesmo que aceite nosso acordo?

Marie: Isso depende, é ele quem decide. Nós não somos um grupo tão pequeno, ao contrário do que muitos pensam.

Laura: Não são?

Marie: Falei demais. Mesmo assim, logo vocês vão ver.

Na estrada um carro vermelho passou em alta velocidade, não deu nem para ver o rosto do motorista. As estradas na maior parte do tempo eram quietas, então foi uma surpresa ver um carro passando por ela, ainda mais sozinho.

Marie: Esse cara vai estar morto logo.

Schatten: O que?

Marie: É difícil alguém sair fazendo esse barulho sozinho, num mundo como esse.

Schatten: Eu sobrevivi meses nesse mundo, só com meu amigo.

Marie: Difícil, mas não impossível.

Schatten: O carro parecia estar inteiro, ele pode ser de algum grupo.

Marie: De fato.

Laura: Sério que no meio desse caminho, vamos falar de um carro vermelho?

Schatten: É só curioso...

Marie: Esse mundo tem mais sobreviventes do que aparenta. Nesse fim de mundo, no começo, achei que... Sei lá, tinham restado apenas cem sobreviventes, mas no fim... O número é bem maior.

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Jack se sentava numa cadeira, olhando o movimento da rua, em Nerk. Estava desanimado, e se levantou, e achou Terry fazendo a mesma coisa. Jack começou a fumar, e Terry também. O nervosismo que os dois sentiam era enorme, difícil de descrever.

Terry: Nervoso?

Jack: Talvez.

Terry: Que bom, não é idiota.

Jack: E se o acordo for uma emboscada?

Terry: Daí a gente perdeu dois amigos. Garoto, quando você vive nesse mundo, caso tenha uma morte natural, é um sortudo. Caso morra de alguma doença, é um sortudo. Simples assim. Caso chegue aos quarenta ou cinquenta, lutando em guerras, parabéns, teve muita sorte.

Jack: Tem razão.

Terry: Rewly é um idiota, louco, e perigoso... Mas, sabe lutar bem, eu respeito ele por isso. No entanto, eu faço melhor.

Jack: Só é de deixar preocupado.

Terry: O garoto sabe o que faz, foi ele quem sugeriu.

Jack: Espero que esteja certo.

Terry: Fora isso, Laura vai proteger ele.

Jack: Ela é uma boa guerreira?

Terry: Não sei se guerreira é a palavra certa, mas, ela é boa no que faz. Já acertou cinco flechadas na cabeça do mesmo número de inimigo, uma seguida da outra, sem parar. Ela é rápida, e brutal. Se lutar ao lado dela um dia, vai saber.

Jack: E caso aquele grupo se alie a nós, o que faremos?

Terry: Garoto, nem parece que você foi um Leone, vamos atacar.

Jack: Tem algum plano?

Terry: Eu tenho. Planos são essenciais, mas no fim, o que importa é a habilidade de cortar a cabeça do inimigo.

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Dois dias depois, Rewly chegou em Noline, passou pelo Paredão, e deixou sua arma no carro. Todos os Verraters estavam desconfiados dele, mas ao explicar o plano para Abel, não teve mais problemas. Abel até deixou-o passar a noite num quarto de hóspedes do castelo, e preparou um jantar para discutir negócios. Antes do jantar, Yin, Abel e Denos conversavam sobre a visita inesperada.

Denos: Visita meio... Estranha, não?

Abel: Deixem o cara falar, pode ser que tenha alguma coisa boa em mente.

Denos: Só estou comentando.

Rewly apareceu, depois de tomar um banho. Estava sendo tratado como um convidado de honra. Todos se sentaram, e começaram a comer. Saladas variadas eram o que mais tinha na mesa, além de algumas carnes.

Abel: Então, Rewly... Poderia explicar a razão de sua visita?

Rewly: Sem problemas. Eu quero paz, simples assim.

Abel: E por qual motivo eu concordaria com isso?

Rewly: Você não era a nossa prioridade, a guerra é com os Caçadores. Peço alguns homens seus, nós acabamos com os Caçadores, e Defensores por você, e pronto, teremos paz.

Abel: Por mim tudo bem.

Rewly: Só vou inventar alguma desculpa, digo que achei os soldados perdidos, e eram de um grupo pequeno. Um cara chamado Daniel, e outro que se chama Hacov, não podem saber disso. Ambos possuem um ódio mortal por você.

Abel: Eu não subestimo o desejo de vingança, Rewly. Eu vou lhe dar trezentos homens, a partir desse momento, eles são seus, e pronto. No entanto, não tente me ferrar, e quando essa guerra entre vocês Defensores e os Caçadores acabar, eu quero... Daniel e Hacov mortos, e só.

Rewly: Feito.

Rewly e Abel deram um aperto de mão, e continuaram o jantar. Aquilo era só um sacrifício pequeno para o rumo da guerra, e Abel podia tirar vantagem daquilo. Ele sabia que estava enlouquecendo, mas, Abel nunca é capaz de subestimar o desejo de vingança. De qualquer maneira, ele estava agindo com a cabeça mais fria nos últimos dias, planejando cada movimento com cautela, algumas vezes dava certo, outras não.

Rewly: Obrigado pelo jantar, Abel.

Abel: De nada, aproveite essa noite aqui.

Abel e Denos se retiraram, e foram direto até as celas de prisão. Enquanto isso os dois conversavam, e Lince escutava tudo.

Denos: Eu passei o dia inteiro investigando, a Contra-Verrater vai conseguir novos ‘’guerreiros’’ hoje, daqui a algumas horas. Vão partir escondidos numa carruagem, onde ficava o antigo chafariz colorido.

Abel: Chafariz colorido?

Denos: Eles colocavam umas luzes embaixo, era bem bonito. Mas, tudo isso acabou assim que nós atacamos esse lugar.

Abel: Você nem estava por aqui nessa época.

Denos: Não, mas você escuta coisas do tipo na rua. De qualquer maneira, vamos atrás deles?

Abel: Não, provavelmente essas pessoas já estão preparadas contra coisas do tipo. Deixe eles se tornarem cada vez maior, vamos ganhar no campo de batalha, caso aconteça. Aliás, por qual razão você está aqui, mesmo?

Denos: Pensei que precisasse de ajuda.

Abel: Pois então se retire.

Denos se retirou, e Abel encarou Lince em sua cela. Pediu para um guarda ficar de olho nele, enquanto tirava as algemas. O guarda estava com uma metralhadora apontada para a cabeça de Lince, sinal que Abel tinha trabalho para ele.

Abel: Pally se machucou enquanto brincava, vou te levar até ela.

Lince: Fazendo o que?

Abel: Isso não é da sua conta.

Lince: Está bem.

Abel: Guarda, fique de olho nele, só vou até o banheiro, e já volto.

Lince esperou Abel sair, e mais dois minutos. De repente, o guarda começou a sentir frio, e uma tempestade de neve infestou o castelo, em segundos. Era estranho, e em breve todos do castelo entraram em pânico. Lince pegou a metralhadora do guarda, e acertou dois tiros no pescoço dele. Sabendo que escutariam o barulho, Lince correu pelo corredor.

Lince: Porcaria, nunca gostei de metralhadoras!

Dois Verraters estavam no final do corredor, esperando Lince. Não dava para eles enxergarem muito bem, pois a tempestade de neve era muito forte, mas começaram a atirar em todas as direções. Lince se abaixou, e acertou cinco tiros nas barrigas de ambos. Aproveitou, e pegou dois facões que os guardas estavam guardando. Os Verraters estavam correndo para todos os lados, não conseguiam enxergar direito, batendo em paredes, ou neles mesmos. Lince viu que tinha uma janela, a qual poderia pular e ir para os fundos do castelo, e o caminho estava livre de guardas. De repente, ele escutou Abel saindo do banheiro, e gritando.

Abel: Eu sei que essa magia é só ilusão!

Lince pulou a janela, e teve sorte de estar nos andares mais baixos do castelo. Ele caiu em cima de uma moita, e vários Verraters estavam preparados, sem metralhadoras, usando apenas escudos e lanças.

Lince: Que sorte...

Um dos Verraters tentou atacar Lince diretamente, que desviou e fincou a faca no pescoço dele. Lince também pegou a outra faca, e jogou no olho de outro Verrater, que morreu gritando de dor. Lince pegou a lança do Verrater morto, e estava pronto para lutar.

Lince: Snowball!

Ele invocou uma bola de neve que acertou um Verrater, e derrubou ele no chão. Lince viu que tinham muitos Verraters lá, e estava em desvantagem. Além disso, Abel estava tentando acertar estacas de gelo nele, pela janela. Lince conseguiu cobertura em uma árvore, e viu que precisava fugir.

Lince: Icestorm!

Lince invocou outra tempestade de neve, e conseguiu escapar, indo para as ruas. O problema é que os Verraters já tinham ideia para onde ele iria, e começaram a correr atrás dele. Lince viu um homem saindo com o carro, e parou ele. Em seguida, jogou ele para fora do carro, e roubou, saindo daquele caos. Os Verraters ficaram para trás, e já tinham perdido Lince de vista.

Lince: Tudo bem... Perto do antigo chafariz colorido... As ruas mudaram bastante, mas ainda conheço a cidade.

Lince demorou algum tempo, mas achou o lugar. A carruagem estava quase partindo, mas Lince pediu para ir junto deles. Explicou tudo o que aconteceu, e eles deixaram Lince entrar. A carruagem sairia por uma passagem secreta dos muros, que os Verraters não conheciam. Depois disso, era só questão de tempo, e Lince finalmente encontraria um novo lar.

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No meio da madrugada, em Nerk, Terry e Jack escutaram barulhos de carros chegando, os portões foram abertos, e eles entraram. Schatten e Laura tinham voltado, com notícias.

Terry: E então, conseguiram um número bom de soldados?

Schatten: Espere.

De repente, começaram a aparecer centenas de carros e caminhões do lado de fora, incontáveis, quase não sobrava espaço. Do carro que estava na frente, saiu um rapaz, jovem, e com um pouco de barba, roupas boas, e sorrindo. Quando Jack o viu, sabia que era Daewron Sword.

Daewron: Como pode ver, sou o líder aqui, pouca gente fala comigo, então pode se sentir... Único. Quero dormir uma boa noite de sono, sem previsão para acordar, depois disso... Vão ser apenas negócios.