Overcome
1 Despertar
Notas iniciais
Tudo estava meio tumultuado. Sasuke Uchiha tinha mil problemas a resolver do escritório de advocacia e não precisava de Sakura Haruno para distrai-lo e importuna-lo. Por isso destratou-a, dispensando sua ajuda. Sakura fora uma das primeiras contratadas do escritório e sempre se mostrou muito competente. Mas tinha um defeito: estava sempre atrás de Sasuke tentando alguma coisa. Nesse dia, dispensou-a e mandou-a para o outro escritório, do outro lado da cidade, para ajudar Naruto, que com certeza precisava mais da ajuda de Sakura que Sasuke. Ainda, disse a Sakura que pegasse um envelope para que ela desse a Naruto.
É claro que os dois já tinham tido um caso, alguns amassos aqui e ali. Sasuke não poderia dizer que não tinha sido bom, claro que tinha, mas ainda assim, ele não estava pronto para engatar em algo sério. Presava sua carreira acima de qualquer coisa e o escritório progredia e o deixava cada vez mais feliz. Mas nunca satisfeito. Ele sempre quis mais, mais, mais. E batalhava todos os dias por isso. Sakura era uma companhia boa quando queria espairecer e até ajudou-o em vários casos em que ele não conseguia uma solução. Entretanto, ainda assim, era difícil falar dela e tê-la ali no mesmo ambiente quando ele se fechava e se resignava a trabalhar sem parar. Como prova disso até mandou-a para Naruto, que tinha uma grande amizade com ela, e que sinceramente deixava Sasuke irritadiço. Não 100% porque Naruto tinha Hinata, sua namorada de anos, e a amava de verdade, bem sabia.
Sasuke parou o que digitava. Pensar em Sakura e Naruto ao mesmo tempo estava deixando ele mais que irritadiço. Olhou seu relógio e percebeu que já fazia mais de uma hora que eles haviam brigado. Achou estranho. Pela cara que ela tinha saído do escritório, Naruto perceberia a situação e no mínimo teria ligado para dar-lhe uma bronca. Fechou o notebook por um instante, mas logo se recuperou. Deviam estar com muito trabalho e Naruto nem tivera tempo de perceber alguma coisa; o que não seria grande coisa, já que ele era tapado o suficiente.
Abriu o notebook e recomeçou seu trabalho. Mais meia hora se passou e Sasuke continuou com uma pulga atrás da orelha. Começou a ficar nervoso consigo mesmo pelo fato de que não conseguia esquecer aquilo. Em sua mente voltou ao momento que havia destratado Sakura...
Sakura abriu a porta do escritório já berrando qualquer coisa para Sasuke e rindo alto. Parecia que havia visto algum tipo de briga entre homem, sua esposa e sua amante; ela chegara atrasada justamente porque o ônibus todo paralisou para ver a briga. Sasuke já estava chateado e o barulho e sua chegada tardia aumentava seu mau-humor. Ele estava sentado em sua grande cadeira, as mãos nas têmporas, tentando controlar a dor de cabeça.
— Sasuke – Sakura disse. – Estou atrapalhando em algo?
Sasuke suspirou.
— Na verdade está – respondeu ríspido. – Você conhece um aparelho chamado relógio?
Sakura paralisou. Percebeu que esse é um “daqueles” dias; quando não podia nem chegar perto de Sasuke.
— Desculpe, mas o ônibus também atrasou – ela deu um passo em direção a mesa de Sasuke. – Você está com dor de cabeça?
Sasuke suspirou mais uma vez e com todas as suas forças tentou não explodir.
— Sim, eu estou – vociferou.
Sakura ficou preocupada. Chegou mais perto ainda da mesa de Sasuke.
— Ah, Sasuke – ela começou -, essas suas dores de cabeça não são normais. Sabe, acho que você deveria procurar um...
Foi então que Sasuke estourou de vez:
— EU NÃO PRECISO DE UM MÉDICO, OUVIU? – ele bateu o punho cerrado na mesa, fazend0o um barulhão. – VOCÊ QUE ME DEIXA COM DOR DE CABEÇA! DEIXE-ME EM PAZ!
Sakura prendeu a respiração e tentou não chorar. Apertou as mãos e ficou ali parada, olhando Sasuke com olhos arregalados. Ela não imaginaria essa reação – só queria ajudar. Sasuke era uma das pessoas mais importantes da sua vida, mesmo que ela não fosse a mesma coisa na vida dele. Recompôs-se e engolindo em seco, murmurou:
— Eu sinto muito, não vou mais perturbá-lo.
Saindo da sala ela ainda o lançou um olhar de tristeza.
Sasuke sentou-se, enfurecido. Sabia que tinha passado dos limites, mas não pudera se conter. Sem querer ir até a sala de espera para falar com a Sakura sobre o que queria que ela fizesse e a visse chorando, ele a mandou um e-mail explicando o que precisava ser feito.
Um tempo depois Sasuke ouviu a porta do escritório se abrindo e então sabia que Sakura tinha ido...
A porta da sala de Sasuke foi aberta com força e bateu com um estrondo na parede. Ali, prostrado em frente a Sasuke, estava Naruto, o rosto lívido, os olhos inchados, todo cheio de poeira e cheirando a queimado.
Sasuke levantou-se, assustado, não entendendo o que estava acontecendo.
— Naruto!
Naruto não respondeu, balbuciou alguma coisa ininteligível e caiu de joelhos.
Sasuke correu para o amigo, os olhos arregalados.
— Naruto, o que está acontecendo? Naruto!!!
Naruto estava chorando. Parecia extremamente abalado e ainda não conseguia falar. Sasuke começou a suar frio. Sacudiu o amigo atrás de respostas.
— Pelo amor de Deus, fale logo! – Sasuke berrou.
Naruto parou de chorar e tentou recompor-se. Fitou Sasuke com olhar penetrante, e segurou os ombros do amigo.
— É a Sakura...
Na mesma hora Sasuke empalideceu. Sua mente virou num turbilhão.
— O que aconteceu com ela?!
Naruto baixou o olhar, totalmente derrotado.
— Ela sofreu um acidente... Ela... Ela...
Sasuke não sabia o que dizer.
— Onde ela está? – Sasuke berrou. – Em que hospital ela está?! Ai, meu Deus...
Naruto suspirou.
— Ela não está, Sasuke... Ela não está.
A verdade daquelas palavras atingiu Sasuke de uma forma irreparável. Ele sentiu o sangue sair do seu corpo e se esqueceu de como se respirava.
— Sasuke, Sasuke, ela se foi...
Uma hora se passou desde que ele soubera que ela tinha ido para sempre de sua vida. Sentado na salinha de TV da casa de Sakura, ele ouvia os múrmuros dos familiares e tentou não se concentrar na conversa. Naruto estava conversando com os pais de Sakura e, agora mais calmo, explicava o que acontecera com ela.
Sakura estava de carro e ia buscar o envelope que Sasuke pedira. Numa curva um caminhão foi fazer uma ultrapassagem e acertou o carro de Sakura de frente; totalmente machucada ela pediu que chamassem por Naruto. Entregou uma carta a ele. Ela ficou presa nas ferragens e não podiam fazer mais nada por ela... Perdera muito sangue e assim que retirasse ela do carro, ela morria. Mas de repente o capo do carro começou a pegar fogo e explodiu. Não sobrara nada do corpo de Sakura para que pudessem pelo menos colocar no caixão.
Só de pensar nisso Sasuke tinha vontade de vomitar. O gosto de arrependimento em sua boca era amargo. A culpa o consumia. Seus olhos não conseguiam focar nada e ali sentado na sala onde Sakura crescera parecia piorar a situação. Naruto voltou para o seu lado e lhe estendeu a carta que Sakura lhe dera. No verso, escrito com a caligrafia bem elaborada de Sakura, estava escrito “Sasuke Uchiha”.
— É para você...
Sasuke pegou a carta com o coração na mão. Balbuciou qualquer coisa e saiu dali, subindo as escadas procurando um lugar quieto para ler. A primeira porta que encontrou foi o do quarto de Sakura e amaldiçoou os deuses por isso.
O quarto tinha duas, das quatro paredes, pintadas de rosa. Era um rosa idêntico ao de seu cabelo. As outras eram brancas. Sua cama era de casal e tinha muitas almofadas, todas com a paisagem de alguma cidade ou país que ela pudera conhecer em apenas 27 anos de vida. Tóquio, Pequim, Sydney, Londres... Londres era sua cidade preferida no mundo, e quando ela teve a oportunidade de ir, em um congresso superimportante do ramo de advocacia, Sakura ficou extremamente empolgada. Sasuke a ouviu muitas vezes falar da cidade e de como um dos seus grandes sonhos virara realidade. Assim como ela, Sasuke também tinha o sonho de conhecer uma cidade, Oslo, na Finlândia. Sakura sempre dissera para que ele fosse até uma agencia e comprasse uma passagem, tirar umas férias, para variar um pouco. Entretanto, Sasuke nunca foi. Não que o dinheiro fosse problema, mas era sempre algo que ele pensava “para depois”; com o escritório progredindo e sua total falta de tempo, aliado a sua juventude, pensava que tinha uma vida toda ainda pela frente para realizar esse sonho. Naruto também gostaria de conhecer Oslo e cansou de tentar fazer Sasuke ir com ele. Agora, no entanto, com a morte precoce de Sakura, ele conseguia enxergar o quanto a vida podia ser curta...
Ao lado de sua cama havia uma foto dela e de Sasuke num dos finais de anos do escritório. Depois de beberem uma garrafa de uísque, não podiam mais falar por si, e como a foto pode mostrar, Sakura estava no colo de Sasuke, os braços ao redor do seu pescoço, e Sasuke com as mãos na sua bunda. Sakura ria de alguma coisa idiota que Sasuke falara, e que ele nem lembrava. Ele podia ouvir em sua mente a risada dela, o quanto ela estava sensual com um vestidinho vermelho e salto alto. Sasuke fechou os olhos e cerrou os punhos com força. A lembrança daquele dia doía seu coração. Fora Hinata quem tirara a foto, num momento em que os dois não estavam vendo. Com certeza mandara para Sakura, como uma recordação. Pensando bem, essa era a única foto dos dois. E ela guardava no seu criado mudo, olhando para ela enquanto caia no sono...
Sasuke não aguentou. Naquele momento, sentou-se na cama de Sakura, e chorou feito um bebê. Não se importou se fazia barulho ou se estava soluçando, nem que seu nariz começou a escorrer. Ele chorou por 5 anos de beijos e sexo selvagem com Sakura, mas por nunca tê-la chamado para um encontro de verdade; chorou por 5 anos de mau-humor, rancor e destrato para com ela, quando ela sempre o tratou como um rei; chorou pela culpa de tê-la mandado buscar um documento que não era assim tão importante, quando poderia tê-la deixado no escritório sã e salva. Chorou pela culpa, pela vida de Sakura, pelo amor que ele nunca deixou que brotasse dentro de si. Cada lágrima parecia queimar seus olhos. Sasuke estava completamente derrotado, amargurado e triste. Naquele momento abriu a carta já amassada, e começou a ler.
Konoha, 24 de agosto de 2013.
Querido Sasuke,
Acabei de sair da sua sala e você não estava num bom dia. Eu sei bem como são esses dias, em que você está tão irritado que uma mera mosca o faz berrar. Foi assim comigo há dois minutos. Você berrou comigo pela simples fato de te ajudar... Eu sei que você não fez por mal; dentro de mim eu acredito que há em você um lado bom que nem mesmo você conhece. Há o lado Sasuke que se preocupou uma vida toda com seu melhor amigo, puxando no seu pé para que estudasse e virasse alguém na vida. Você não teve pais para que pegassem no seu pé, mas mesmo assim correu atrás dos seus sonhos, de subir na vida e ser alguém importante. E você é. Mesmo na faculdade, você era uma lenda. Quando conheci Naruto nunca imaginaria que ele falasse bem de mim para você; naquela época o meu amor não passava de uma paixão tola, e Naruto me conhecia bem o suficiente para que soubesse disso. Porém, quando vocês abriram o escritório, ele não pensou em mim como uma amiga, mas sim, como uma das alunas nota 10 da faculdade, como uma formada dedicada que eu era. Assim que fui aceita para trabalhar, ele me disse uma coisa que nunca vou me esquecer:
“Sakura, o Sasuke te contratou pela sua competência. Não deixe que sua paixão atrapalhe o quão inteligente você é. Mostre a ele que você é capaz.”
Aquilo me atingiu de uma forma que me fez pensar por um longo tempo. Quero dizer, havia algumas explicações pelas palavras que ele usou. A primeira frase deixava claro que qualquer sonho que eu tinha de um relacionamento estava fora de questão; minha admissão não tinha nada a ver com o fato de você ter me contratado por eu ser bonita ou por algum sentimento em relação a mim. A segunda frase era que ele queria me dizer que eu era muito mais que uma fã bobinha; eu tinha chances de ser uma grande advogada e não podia deixar que você me abalasse. No momento em que consegui perceber isso eu fiquei extremamente chateada. Não conseguia entender que a minha capacidade estava acima de qualquer coisa. Quando finalmente comecei a trabalhar com você eu me vi sendo algo tão grande quanto você. Nos casos que resolvemos juntos eu podia me imaginar sendo o sonho que um dia sonhei. E eu sou uma grande advogada. Nesse momento, passando pelo passado, eu sei que sou. E vou ser mais. Eu posso ser mais. Todavia, ao seu lado, eu não posso prosperar. Ao seu lado eu sempre vou ser mais uma secretaria que uma advogada, e no máximo uma coadjuvante. Cinco anos aqui e eu virei seu pônei acompanhante.
Sasuke, não me entenda mal. Eu o amo, amo de verdade, e não pense que eu ainda sou apaixonada por você. A minha paixão evoluiu; eu vi você nos piores e nos melhores momentos. Seu lado ruim foi mostrado para quase todos que te conhecem, mas seu lado bom foi poucos os que puderam compreender. O lado Sasuke de todo fim do ano doar uma quantia para o orfanato que você e Naruto cresceram; de ajudar aqueles pobres que tinham que lutar contra grandes empresas e que não podiam pagar meia hora pelos seus serviços. O Sasuke que adotou um cachorrinho atropelado em frente ao escritório, e apelidou-o de Naruto. Toda vida que me lembro desse episódio um sorriso se espalha pelo meu rosto, como nesse momento. Você é um bom homem, Sasuke Uchiha. Você é um homem bom.
Quando começamos a nos relacionar mais que amigos, um sentimento aflorou dentro de mim e eu pensei que finalmente poderia pensar em você como um namorado ou algo do tipo. É claro que eu estava totalmente errada. A primeira noite que passei com você, em seu apartamento (você se recusou a ir à minha casa), nós estávamos tão bêbados que eu não consegui distinguir que aquilo era apenas diversão. Tinha sido bom, na verdade mais que bom, e você sabe do que eu estou falando. Por isso, no outro dia, pensei que você fosse querer mais. Não me leve a mal, mas eu sei que sou boa na cama. Eu sei disso. Mesmo assim, quando você me dispensou logo cedo, achei que fosse esse o motivo. Olhando para trás agora percebo o quanto sou influenciada por você. Nem mesmo a minha maior certeza da vida fica intacta ao seu lado. Você me traz o benefício da duvida a cada segundo... E a cada segundo eu deixo de ter certeza de mim mesma. Entende o quanto isso é fatal? Eu estou me perdendo. Estou perdendo a grande mulher que tenho aqui dentro de mim. Quando você berrou comigo agora pouco, foi como se um murro me atingisse no estômago: eu finalmente aceitei que você não gosta de mim. Finalmente percebi que sou mais, muito mais que isso.
Sasuke, eu me demito. Daqui a pouco encontrarei com Naruto e o aviso, não se preocupe. E também não tenha medo de achar que me farei de vítima; há mais ou menos um mês e meio eu recebi um convite de um escritório dos Estados Unidos. O dono, Rock Lee, soube do caso do assassinato em Tóquio e foi atrás do meu currículo. Ele diz que sou um prodígio e que está precisando de uma advogada. Você já imaginou isso? Eu tendo minha própria sala! Uma assistente só para mim! Que loucura. E ele ainda disse que paga todas as minhas despesas de viagem. É claro que de primeira eu não aceitei. Mas ele foi persuasivo; ele também é bom no que faz, viu. Disse-me que não importava quanto tempo se passasse, a proposta estaria sempre de pé. Por isso, acabei de mandar um e-mail para ele, aceitando o cargo e, por incrível que pareça, estou animada para contar à Naruto. Não surte nesse momento: eu sei do meu mês de aviso. E quanto a isso, peço encarecidamente que você me deixe cumpri-lo no escritório ao lado de Naruto.
Eu finalmente estou me desvencilhando de você e abrindo a minha vida a novas oportunidades. Estou me libertando de minha própria prisão particular. E estou feliz. Tomei minha decisão e vou lutar por ela até o fim.
Nesse momento, eu só quero agradecer você. Aprendi muito ao seu lado, mesmo sendo só um pônei acompanhante. Você me mostrou a ver através das coisas, a ver o que ninguém viu. Vou levar você no meu coração até o ocidente. Estarei longe o suficiente para não voltar atrás e livre para buscar novas amizades.
Eu quero te desejar toda a felicidade do mundo, Sasuke. Que o escritório progrida ainda mais e que você finalmente se sinta realizado. Ainda, espero que você encontre uma pessoa que ame como eu amo você, tão puro quanto água cristalina. Que você possa sentir esse sentimento tão contraditório, mas tão bonito. Que essa mulher seja tão espetacular quanto você. E que vocês formem uma família linda. Não se esquive dessa parte da vida, Sasuke, muito menos tenha medo. Você será um ótimo pai – mas não seja rude com eles, viu? Sei que a partir do momento que você amar sua futura esposa, você verá quão fascinante isso é. E que a vida não é só trabalho. E ah, quando isso acontecer, agradeça essa mulher por mim, e diga que ela é sortuda demais por você amá-la.
Eu me despeço aqui. Você será sempre parte de mim, Sasuke Uchiha, mas não se preocupe com isso. Nunca mais atrapalharei sua vida, são apenas as condições de amar. Um dia você me entenderá.
Boa sorte.
Um abraço da sua assistente mais cabeça dura de todos os tempos.
Sakura Haruno.
Sasuke chorou copiosamente relendo a carta mais que duas vezes. Sentiu tão derrotado que estava com vergonha de si mesmo. Não conseguia pensar em nada bom o suficiente para responder a altura de Sakura. Cada palavra daquela carta o machucava, e o fazia repensar a vida. Como aquilo era possível? Como ela conseguia chegar tão perto de seu coração?
Nesse momento, Naruto abriu a porta do quarto. Sasuke mal conseguia enxergar o amigo através das lágrimas. Naruto sentou-se na cama, e Sasuke chorou ainda mais no ombro do amigo. Disse que era um verdadeiro idiota e que tinha matado Sakura.
— Claro que não... Olha, Sasuke... Sasuke, isso não é verdade. – Uma lágrima escorreu sobre a face de Naruto. – Foi um acidente...
Sasuke não conseguia entender.
— Por que, Naruto? – Ele balbuciou. – Por que com ela? Sakura tinha a vida toda pela frente, meu Deus, por que o senhor fez isso a ela...
Para isso Naruto não tinha resposta. Estava tão aturdido quanto Sasuke. Não conseguia imaginar o mundo sem aquele sorrisão da Sakura, muito menos sem suas piadas idiotas, ou a sua revolta constante com os preços dos morangos, sua fruta favorita.
— Naruto... – Sasuke finalmente secou as lágrimas e fitou o amigo nos olhos. – Eu a amo.
Sasuke se surpreendeu com as palavras. Faladas elas pareciam mais reais do que em seus pensamentos. Finalmente ele percebera. Seu estômago revirou-se. Ele amava Sakura Haruno como jamais amou ninguém.
— Eu sei. – Naruto balançou a cabeça. – É claro que você a ama, Sasuke.
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