Over My Head
1 Love Hurts
Notas iniciais
Um rompimento era complicado, mas quando somava-se ao fato de terem um filho juntas, e que se amavam, – apesar de magoadas – as coisas ficavam um pouco mais que o habitual. Um mês que nenhuma delas se falavam, embora Henry sempre dissesse como elas estavam uma para a outra – era uma forma que ele encontrava de aliviar a preocupação de ambas, ele sabia que elas sentiam, apesar de nenhuma delas admitir. Ele não podia negar que quando tudo aconteceu o deixou chateado, apesar de ter entendido que as coisas não estavam mais funcionando como antes, ele apenas aceitou a decisão de ambas suas mães. Desde então ele ficava de segunda a quinta na casa de Regina, e sexta a domingo no apartamento de Emma, embora para ela fosse mais complicado ficar com o garoto final de semana, afinal ela era uma policial, mas no final sempre dava um jeito.
Um mês. Um maldito mês. Era o que Emma pensava enquanto tomava café sentada em frente ao computador, ela passava a foto delas juntas e ainda sentia raiva, mas não raiva de Regina em si. Sentia raiva por as coisas sempre serem tão complicadas para ela, por ela nunca conseguir ficar com alguém sem tudo dar errado, ela raramente se entregava, a última pessoa que a loira havia feito isso a colocou na prisão e foi aí que ela decidiu nunca mais confiar em alguém o suficiente para essa pessoa te quebrar, mas então anos depois Henry a encontrou, ela e Regina no começo se estranharam, afinal que mãe adotiva gostaria de ter sua campainha tocada pela mãe biológica do seu filho? Mas ela não conseguia se afastar mais do filho depois daquele dia, no começo achou que fosse só pelo fato de ter encontrado Henry depois de anos, mas não era, ela sentiu aquela conexão com Regina, algo que ela nunca havia sentido com ninguém antes. Depois de muitas brigas elas começaram a viver em harmonia por Henry, embora elas ainda brigassem, foi em uma dessas brigas que tudo aconteceu Emma tinha irritado Regina, e ela não parava de falar e então ela ultrapassou aquele limite, aquela linha invisível que estava entre elas, ela chegou perto demais, estava próxima demais e de repente Regina se calou, a tensão que sempre existiu entre elas dessa vez era sentida por ambas, Emma perdeu a fala, as palavras que estavam na ponta de sua língua para dizer a Regina haviam escapado. E ali estavam as duas, caladas, olhando uma para a outra, olhavam da boca para os olhos, Emma não conseguiu resistir mais, e a beijou.
E foi aquele primeiro beijo que definiu tudo, que começou tudo, depois de incansáveis brigas, elas estavam entregues aquele sentimento que as consumia. No começo decidiram deixar tudo em segredo, afinal, era só sexo. Até um dia Emma ir até a casa de Regina e dizer aquelas três malditas palavras, que haviam sido ditas há muitos anos para apenas uma pessoa a qual ela se arrependia amargamente de ter falado. Mas por mais que as coisas depois de dois anos tivessem começado a entrar na monotonia, Emma não se arrependia de nada com Regina, a única coisa que a consumia naquele momento apesar da magoa, era a culpa. Devia ter conversado com Regina, dito a ela como se sentia, ela era insegura. Mas preferiu guardar tudo para si e então quando finalmente colocou para fora as coisas saíram piores do que imaginava.
Emma estava cansada, todas as noites há quase dois meses era a mesma coisa, Regina chegava tarde da noite, elas mal se falavam, pois quando a morena chegava muitas das vezes Emma estava dormindo ou a própria estava cansada demais para falar algo. As coisas haviam esfriado, parecia haver um penhasco entre elas, antes de Regina começar a trabalhar todas as noites na empresa em que era chefe, o relacionamento delas ia bem, elas conversavam, namoravam, e trocavam juras de amor, e agora era algo frio, distante, era quase como se Regina estivesse cansada daquilo, delas. Ou talvez até mesmo de Emma.
Ouviu a porta abrir e olhou no celular, era 1 A.M, suspirou cansada de esperar, finalmente aquilo ia acontecer.
Assim que Regina notou a presença de Emma acordada no quarto sentada no pequeno sofá que havia em um dos cantos, suspirou, provavelmente elas teriam alguma conversa ou discussão e Regina não estava com cabeça para aquilo. Emma percebeu que ao a sua namorada vê-la ali ainda acordada não havia gostado, provavelmente porque elas iriam ter que conversar e sentiu seu coração partir. Em que momento virou algo tão maçante conversar com ela?
— Emma, o que aconteceu? – indagou com a voz cansada enquanto tirava os saltos.
— Regina... eu acho que precisamos conversar. – seu tom era sério, embora a vontade de chorar fosse imensa.
— Ok. – Regina sentou-se na cama e virou-se para Emma olhando em seus olhos – Vamos conversar então.
Emma riu sem humor.
— Você não consegue nem ao menos disfarçar que isso para você é uma grande perca de tempo né?
— Emma...
— Não! – cortou – Eu não sei o que está acontecendo, eu não te reconheço mais, Regina. Faz sabe quanto tempo que não conversamos? Mais de um mês, que não sentamos para ter uma conversa descontraída, você não para em casa, você esqueceu que tem uma namorada – engoliu em seco – Se você está cansada disso, Regina, pelo menos seja sincera comigo.
— Do que diabos você está falando, Emma? – perguntou a morena começando a se irritar com tudo aquilo.
Emma sabia que aquela conversa talvez não fosse uma boa ideia, mas precisava continuar, se fossem para consertar tudo ela tinha que ser sincera sobre seus sentimentos.
— Você sabe como me sinto? Todos os dias? Te esperando até pegar no sono. – a voz da loira tremulou por alguns segundos – Esperando que você lembre que eu tô aqui, eu moro com você.
— Emma... – ela massageou a tempora com seus dedos – Olha, eu sinto muito, ter me afastado... Mas as coisas na empresa...
— São mesmo as coisas na empresa, Regina? – perguntou a cortando novamente – Ou você tem alguma outra coisa para me contar?
— O que você está insinuando? – indagou Regina franzindo o cenho, claramente irritada com o tom que Emma começou a usar.
— Você sabe muito bem.
— Me esclareça, Swan. – ordenou – Para eu ter certeza que estou entendendo errado.
A loira balançou a cabeça levantando do sofá onde ainda estava sentada e começou a andar pelo quarto, pensando em como perguntaria aquilo sem seu coração se quebrar mais ainda.
Regina encarava aquele silêncio como a resposta que precisava, sabia que tinha culpa também naquilo tudo, mas no momento estava chateada, magoada com Emma, por ela estar insinuando aquele tipo de coisa.
— Você está apaixonada por outra, Regina? Ou até mesmo está com outra? — perguntou sentindo que mal conseguiria respirar.
Regina sentiu naquele momento como se estivessem esbofeteado sua face. Não poderia ser realmente real aquela conversa, aquelas perguntas sem cabimento, aquela insegurança, começou a querer socar a cara de Emma por ser tão idiota ao ponto de pensar aquele tipo de coisa.
— Eu realmente não acredito que você fosse capaz de pensar esse tipo de coisa de mim. – balançou a cabeça ainda desacreditada e com raiva.
— Você acha que sou a única que percebeu isso, Regina? Qualquer pessoa pensaria o mesmo! – exclamou.
— Se você não confia em mim, Swan, eu não faço ideia do porque ainda estarmos juntas.
Emma suspirou deixando seus ombros caírem, seus olhos marejados.
— Porque eu te amo, Regina.
— Amor nem sempre é o suficiente, muito menos para sustentar um relacionamento. – Emma a olhou chocada enquanto ela continuava a falar – Se for pra continuarmos assim talvez devêssemos terminar.
Emma sentiu como se o chão aos seus pés estivessem se abrindo e encostou-se rapidamente na parede com medo de cair. Ela realmente tinha ouvido aquilo.
— Regina... – sua voz estava falhando quando pronunciou aquele nome que inúmeras vezes lhe trouxera felicidade e sentiu doer seu peito – Talvez devêssemos mesmo.
A morena fitou Emma por alguns segundos sua expressão não demostrava nada embora por dentro sentisse que estava com seu coração pequeno. Não poderia dizer que esperava que Emma concordasse com aquilo, mas talvez fosse melhor, certo? Elas estavam magoadas e continuar assim num relacionamento só traria mais dor.
— Então, acabou. – disse Regina com a voz rouca e apenas recebeu um aceno de volta antes de ouvir a porta bater atrás de si.
Emma lembrava-se vagamente das coisas depois que Regina havia dito aquelas seis letras. Ouvir aquilo a tinha deixado desnorteada, em choque, lembrava-se de ela sair de casa e ir até seu apartamento que ainda mantinha, depois de ligar para Ruby, bêbada e chorando, e depois tudo era um vazio em sua memória, lembrava-se apenas do outro dia quando acordou suas coisas estavam todas colocadas numa mala em sua sala, o que fez seu peito apertar ainda mais, a dor parecia crucial, ela sentia vontade de arrancar seu coração, embora isso não fosse possível.
A verdade era que depois que Regina começara a chegar tarde a casa tudo havia desandado, o relacionamento delas nunca foi um conto de fadas, onde tudo dá certo e ninguém briga, sempre tiveram brigas, mas sempre se resolviam, mas aquele dia, não foi assim. Emma sabia que eram também pelas inúmeras discussões que haviam tido desde que os horários da morena tinham se desregulado, apesar de a loira achar que o distanciamento ajudou pelo menos um pouco. Se elas estavam em um relacionamento cada uma tinha pelo menos 50% de culpa no fim dele. Emma havia errado em guardar tudo, ser impulsiva e ter dito as coisas na raiva, Regina por outro lado deixou tudo cair na rotina, se focou no trabalho e esqueceu que tinha Emma, que tinha um relacionamento, e ela assumia a culpa disso, mas mesmo assim também ainda estava magoada com a loira, com a falta de confiança, talvez isso fosse besteira aos olhos de outras pessoas, mas sempre é diferente quando você está envolvida naquilo.
Dizem por aí que as pessoas passam por sete estágios após um fim de relacionamento. Emma estava no terceiro, o único problema é que seria muito mais fácil se fosse raiva de Regina, mas não era, pelo menos 90% era raiva de si mesma.
Fechou o computador e resolveu ir trabalhar, era melhor do que ficar pensando naquelas coisas.
Over My Head
Regina por outro lado não encarava as coisas como Emma, ela fingia que nada estava acontecendo, embora as coisas estivessem desmoronando em sua cabeça e ela sentisse falta ao mesmo tempo em que sentia magoa e raiva de Emma. Ela deitava toda noite em sua cama e sentia falta da loira lá, de seu cheiro, de seu sorriso. Mas ao mesmo tempo tudo isso de certa forma doía.
Ela desde que haviam rompido colocou a cara no trabalho mais do que antes, embora ainda tivesse Henry e ela demonstrasse que estava tudo bem, ele sabia que não, sempre que ele entrava em contato com Emma, ele dava um jeito de introduzir um “ela está bem” e ela sabia que seu filho lia em seu olhar que ela estava aliviada em saber que Emma pelo menos não havia feito nenhuma besteira.
Tentava ficar ao máximo longe de tudo que lembrasse Emma, que a fizesse pensar em Emma, embora ainda estivesse na sua casa, que era uma das coisas que mais faziam lembrar-se da loira.
Se ela pudesse definir em que estágio estaria depois daquele um mês separadas, e sem se verem diria que estava no estágio da raiva, que também incluía magoa. Claro que ela nunca poderia negar que tinha sua parte culpada naquele fim, devia ter dado mais atenção ao relacionamento delas, tentar chegar mais cedo, mas estava tão envolvida nos problemas da empresa que isso a consumiu, e tudo isso levou ao o que aconteceu.
Devia ter notado antes como Emma estava insegura, devia ter feito tanta coisa para tentar salvar aquele relacionamento, mas se focou em seu trabalho. Mas aquele não era momento para sentir culpa, já bastava a magoa e raiva que sentia, não poderia deixar aquilo a sugar também.
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