Outsiders

10 Maybe Someday, You'll be somewhere


Teresa tinha feições de uma criança quando sorria, e agia como uma quando seus pais estavam fora de casa. Normalmente, ela vinha com aquela voz manhosa ao telefone, em seguida, reclamava de solidão e que precisava de alguma companhia. A primeira opção seguia a lista telefônica, o nome de Alex só continha uma letra mostrando o quão importante ele era nessas situações.

Ela o perseguia diante das portas do casarão, o encurralou e mantiveram um longo contato labial.

– Vocês terminaram?

– Não termino o que não começo.

Tess olhou para ele, sentia como se fosse a primeira vez deles nessa casa e do modo em que agiam. Alex só se concentrava no único ponto mais valioso que todas as esculturas no cômodo, os seus olhos azuis cintilantes.

– Eu amo você — ela disse, soava como o prometido disso nunca acontecer.

– Eu também — Respirou fundo.

– Nunca imaginei que estaria assim.

Ela saiu de onde estava e se sentou no sofá.

– Alex — Estendeu o queixo, sua voz era trêmula — nunca imaginei que isso ia acontecer, mas acho que a gente está voltando para o mesmo lugar de onde saímos.

– Que lugar? Estamos na mesma.

– Não, eu não sou mais quem eu deveria ser. Eu ando fazendo loucuras.

– Você sempre foi assim.

Alex se sentou e a envolveu com os braços. Tudo bem que ela poderia chorar e reclamar, ele sentia que Teresa estava sedendo aos prazeres do amor, mas enquanto sofria com isso queria estar ao seu lado.

– Alex, eu te amo.

– Eu amo você também.

– Mas Alex, eu quero um companheiro e não só mais um amante — mencionou. — Cansei de acordar sem você ao meu lado.

– Você quer um namorado?

– Não, só quero...

– Já tentamos isso, não deu certo.

– Éramos crianças.

– Isso não combina conosco — ele disse, olhou para ela. Aqueles olhos sonhadores cruzavam com os seus.

– A gente não precisa ser nós, só quero acordar com você ao meu lado, um ombro, apenas ser gente normal.

– Pensei que isso nunca ia acontecer.

– Você confiou na pessoa errada.

– Então, somos gente?

– A gente é a gente.

– Você poderia arrumar alguém melhor que eu, alguém que lhe dê mais amor — Tess queria chorar, ele não entendia que ele era o cara que ela queria para todo o resto do sempre. — Você é bonita, inteligente, não acha que sou um pouco de menos para você?

– O que você quer dizer com isso?

– Às vezes, acho que você é demais para mim.

– Que? — ela berrou. — A gente é igual, talvez por sermos da mesma raça podíamos ter alguma espécie de amanhã.

– O amanhã é o hoje.

Então, se o amanhã fosse hoje, Nana estaria se empanturrando de chocolate amargo e filmes que ela já tinha decorado as falas.

– Pegue mais um pacote pra mim — disse para Bento.

– Levanta e pega.

– Que pregui!

– Eu não vou pegar — ele respondeu. — Já não basta ter que assistir essa porcaria com você.

– Não é porcaria, Scarlett O'Hara não é porcaria.

– É sim.

Ela pisou nas pantufas de panda e caminhou até a cozinha, junto com os chocolates iam-se as mágoas.

– Para! — Era o final, era sobre o amanhã e como reconquistaria Rhett Butler.

– O que?

– Preciso do final! — Ele apertou o play. — "Francamente, minha querida, eu não dou a mínima."

– Você está se imaginando como Scarlett?

– Não — Ela sorriu. — Sou Melanie Hamilton.

– Tudo bem — seu irmão respondeu. — E quanto a Alex?

– Ele deve estar com Teresa, nós brigamos — Ela desbloqueou a tela do seu celular. — Andam espalhando fotos minhas.

– Você e Alex? Eita!

– Tudo bem, isso não tem nada de mais — Ela olhou de novo. — Só meu corpo sendo exposto e algumas marcas de dias passados. Não somos os mesmos.

– O que?

– Ah, nada.

Notas finais
Pregui: Preguiça