Outsiders
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Mariana balançou seu novo bracelete da Tiffany’s pela segunda vez, talvez pensasse que era alguma espécie de objeto mágico e ele fazia os problemas serem substituídos por vinis. Quando ela virou para a direita, viu um casal, era o anel de noivado sendo escolhido.
Virou o rosto e encarou os olhos de seu irmão. Bento sabia o que eles diziam: Vamos sair daqui, o amor me enjoa.
– Deixe na conta de mamãe – Nana disse.
– Tudo bem, Senhorita Veiga.
– Então, vamos? – Seu irmão lhe perguntou.
– Vamos.
Ao sair pela porta, ela trombou com sua amiga de infância Alicia. A sua bolsa Chanel se esvaiu pelo ar, ambas agacharam para juntar as coisas que caíram, incluindo seu celular, uma agenda preta e alguns brincos. Nana sentia que seu vestido ia rasgar, pois era justo demais para ocasiões diurnas.
– Desculpe!
– Calma – Ela disse para Nana, que estava desesperada. – Não foi nada.
– Ai, Alicia! Sinto muito, muito mesmo!
– Não foi nada – Alicia respondeu. – Você anda sumida, hein?
– Um pouquinho, mas a gente volta a se encontrar logo – Nana acenou com a cabeça.
– Espero que sim — Alicia entrava na loja, com um sorriso por trás das costas. — Até mais.
– Até!
Seu irmão ainda estava vidrado na maneira em que ela caminhava, ela tinha uma queda por bundas e vestidos curtos. Depois, ele sorriu e Nana olhou para ele com desdém.
– Pare de olhar para a bunda dela, todo mundo já percebeu! – Ela sorriu.
– Pelo que eu me lembrava, ela não era tão gostosa.
– É...
Eles caminharam até o carro, houve o mesmo conflito de sempre entre os CDs de Indie e Eletrônica, mas acabaram ficando com MGMT. O caminho até o apartamento não era tão longo quanto à caminhada para chegar à resolução dos problemas dos dois.
– Eu quero sair, ir para algum lugar longe daqui.
– Ok, vamos para a casa do Alex.
– NÃO! – ela berrou. – Não quero, não me recuperei.
– Ele nem é teu namorado, ainda mais que eu tenho de resolver as coisas sobre a faculdade com ele.
– Bento, você sabe que eu estou emocionalmente fodida, né? Então...
– Você só acabou de saber que sua amiga deu pro cara que você estava a fim, isso não significa que você não possa fazer o mesmo.
– Mas ela não ta a fim dele.
– Mas deve ter alguma espécie de sentimento de posse por ele. Qual é, até eu teria.
– Você não é galinha, esse é problema.
– Você entendeu.
– Bentinho, eu vou ter esse mesmo sentimento se isso acontecer.
– Você precisa de uma solução – Ele estava atento no volante. – A solução é você e seu jeitinho calmo.
Mariana pegou um cigarro na sua bolsa, acendeu e começou a tragar. Nana se sentia aliviada, que seus problemas sumiam unto com a fumaça. A trilha sonora da situação atual da sua vida amorosa seria toda composta por Arctic Monkeys, começando por Suck It And See, mas Alex já estava sendo cruel com ela.
Bento estacionou frente ao muro coberto por cerca verde.
– Você vai entrar? – Ele buzinava.
– Não.
– Ok.
Ele saiu do carro e apertou a campainha, disse no interfone para que ele saísse e pediu para irem até a biblioteca da escola. Alex saiu do portão, vestido para matar: blusas pretas justas, topete mal arrumado, calças escuras e os mesmos mocassim de hoje de manhã.
– O que você está fazendo aqui? – Nana perguntou.
– Vou ir para a biblioteca com seu irmão.
– Isso inclui tentar me expulsar do meu lugar ao sol?
– O certo seria que você me cedesse seu lugar.
– Não.
– Sem discussão – Bento disse fechando a porta do automóvel. – Meu carro é lugar de paz.
Nana se lembrou de um trecho de uma música: ele veio e substitui minha paz.
– Vá para trás!
– To indo – Alex entrou no carro e a atormentou até chegar à faculdade.
Quando saíram, o irmão de Nana ainda procurava a vaga no estacionamento. Eles estavam parados, Alex de cabeça olhava para os óculos de Nana, pois naqueles ninguém veria que ela chorara por alguns minutos antes de vir para o foco dos problemas. O suéter de cashmere estava na mão de ambos, uma espécie de coincidência interpessoal de estilos vintage.
– Por que você cismou em ficar ao meu lado?
– Porque você é tão frágil.
– Não sou frágil – Ela sorriu.
– Parece que você anda fumando, culpa minha.
– A culpa é minha, eu gosto de queimar coisas. Você ,inclusive, apenas atiçou minha vontade interna.
– Espero que você não se queime.
– Você já me queimou.
+++
Foi quando o irmão saiu da biblioteca, as luzes se apagaram, disseram que o jantar já podia ser servido: corpos nus, livros jogados ao chão e corpos sobre a mesa de vidro.
Alex segurou a cintura dela, ela via seu corpo nu pelo reflexo das luzes lá fora. Sua esticava pelo seu pescoço, ela nunca tinha sentido nenhuma vez essa situação tão prazerosa quanto agora. Ela nunca se sentiu tão à vontade consigo mesma, nem tão segura quanto aos seus atos.
Ele alcançou todos os pontos tensos do seu corpo, entrava dentro dela com tal velocidade impossível de ser medida.
– Todos seus problemas são resolvidos dessa maneira? – ela perguntou, a sua voz mal saía.
– Depende.
– Depende do que?
– Da garota.
– Bem – Ela olhou para a situação que eles se encontravam. – Foda-se.
Ele ia parando aos poucos, Nana teve uma leve sensação de que a mesa ia quebrar.
– Isso aqui vai quebrar, Alex!
–Não vai, relaxa.
– VAI! – Ela largou da mesa e deu um pulo.
Talvez aquele surto de confiança era graças à falta de luz. Ela começava a vestir suas roupas, Alex pediu ajuda com a camisinha.
– Por que você não tira sozinho?
– Porque não usei sozinho.
– Que MERDA! – ela berrou.
Ela sentiu o pênis dele bater nas suas coxas quando ele lhe deu o beijo de despedida. Aja normalmente, aja normalmente, pensou.
– Te vejo amanhã – ele disse, olhando para aquele corpo que ele despiu com a mesma facilidade que uma banana.
– To ocupada.
– Que bom, não queria gastar meu dinheiro num encontro.
Ela mandou um beijo no ar e passou pelas janelas, mal conseguia andar direito, coitadinha!
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