Outsiders

4 Capítulo 4


Tessa fechou o fecho de seu sutiã de um modo impossível para qualquer mulher. Ela procurava suas roupas, mas com sua cabeça bombardeando daquele jeito, não tinha jeito. Enxergava o corpo de Alex, como foi do mesmo jeito há anos atrás, quando Tessa e Alex se satisfizeram de prazer pela primeira vez.

Era costume se encontrarem mensalmente e discutirem sobre suas vidas conturbadas durante a relação.

– Você vai contar para ela? – Alex colocava seus sapatos.

– Acabei de contar – Tess respondeu apertando o botão ‘enviar’ de seu iPhone.

– A gente não tem nada mesmo.

– Me ajuda aqui? – ela pediu a ele para que fechasse seu vestido DKNY preto, é tão last season, pensou. – Você deveria chegar e dizer o que quer com ela.

– Aquele tipo de garota não me atrai.

– Bem – Deu de ombros e olhou para trás – tenho que ir.

– A gente se vê segunda na escola – Ela acenou, ele permaneceu sentado na sua cama.

Até agora, não entendia o motivo de usar cuecas e mocassim. Alex apoiou seus cotovelos nas pernas e coçou seus olhos castanho-escuros, Tessa tinha que ir embora antes do amanhecer e já passava de seu tempo. Eles não queriam que os pais de nenhum soubessem, nem ao menos visse a sombra de nenhum deles.

Não me venha com essa ideia de que um dia irão se apaixonar, pois isso já aconteceu e não favoreceu nenhum dos lados. Preferiram, assim então, esquecerem do lado emocional e apenas trocarem segredos e conversas à toa. Alex e Teresa enxergavam em cada um, um pedaço do tipo ideal do sexo oposto. Mas isso não condizia com a ideia que ambos tinham de si mesmo e do seu relacionamento sexo-sexo.

Ele olhou para a tela de seu celular e viu uma mensagem de Tess:

Tess: Eu já to perto da esquina

Alex: ok

Nem imaginava que ela dava passos curtos, queria continuar o mais próximo de seus problemas. Mal imaginava como as coisas funcionariam na escola segunda, ou hoje mesmo, quando marcassem de tomar café na padaria preferida dela.

A casa de Alex e Teresa eram próximas, talvez fosse um dos principais fatos que contribuíram para suas desventuras. Ela procurava suas chaves na sua bolsa LV e viu a luz do seu celular piscar pela segunda vez com uma mensagem de Nana. Ela deveria estar muito puta com ela, mas Tess ignorou, não queria se magoar.

Pela primeira vez em anos, ela se sentia culpada em estar com Alex.

Teresa caminhou pelo jardim bem arquitetado, abriu a porta de sua casa e caminhou o mais rapidamente possível para seu quarto no segundo andar. Ela quis tomar banho, se sentia suja e queria não ter feito isso.

Ao sair do Box, pegou seu celular e finalmente respondeu as mensagens de Nana.

Nana: relaxa, eu não tenho nada com ele.

pode cuidar daquele corpinho

Tessa: o que? não obrigada, isso não vai acontecer

Teresa vestiu uma blusa velha branca e um par de shorts. Não tinha mais sono, nem mais motivos para dormir. Tess tinha que resolver esse problema, mas quando ela entregou seu corpo essa noite, nem ao menos pensara nas reações e apenas nos dois.

Ela viu mais uma vez seu celular piscar.

Alex: vc falou com ela?

Tess: simm, ela ta brava.

Alex pensava no que digitar e se deveria mandar um texto a pedido de desculpas para Nana, sobre como deveria ter agido. Mas era o ritual deles e Mariana não era nada que mais que um rolo mal resolvido, incapaz de quebrar esse vínculo com sua baixa auto-estima e pouca confiança.

Alex gostaria de saber se ela era só isso, apenas essa garota frágil e incapaz de seduzi-lo, ou que pelo menos, não tentava.

Quando ela se olhou no espelho, enquanto esperava alguma espécie de sinal de vida de alguns dos dois, a conclusão foi que ela era isso que Alex pensava e que não passava disso. Não sorriu para o que via, não gostava de seu cabelo mal aparado e nem da forma curvilínea demais do seu corpo.

Foi no momento em que ela recebeu a notícia que percebeu que não tinha modo de competir com Tess e seu jeito sedutor, era a mesma coisa que colocar um morango e uma abóbora ao lado da outra e Alex tinha apenas uma opção.

– Posso entrar? – Seu irmão bateu na porta. — O que ainda faz acordada?

– Esperando algumas mensagens, resolvendo algumas situações – Ele viu no semblante sonhador dela que Nana precisava solucionar coisas, ou ao menos desabafar com alguém.

– É muito sério?

– O que? – Ela se distraiu com seu reflexo no espelho.

– Essas situações.

– Não, apenas Tess que deu pro Alex e me contou. Mas ela sabia que era minha função.

– Você não sabia disso? – Ela fez negativa. – Eles se fodem desde sempre.

– Desde...

– Desde os quinze, senão me engano.

Nana abaixou a cabeça e sorriu, ela não queria ter essa ideia desses dois, mas eles não valiam nem ao menos um pouco do seu tempo e companhia.

– Pensava que iria saber disso por eles, não por você.

– Talvez não contem segredos para distribuidoras de cigarros.

Talvez ela só fosse isso, apenas um alvo de empréstimos de substâncias químicas que iriam ser pagas com falta de consideração e confiança. O único modo em que ela queimaria todo esse estresse seria indo ao shopping, fora do novo eixo da nova eu, mas seria o modo de esquecimento e queima de estresse.

Saiu de casa quando o sol raiou e fez com que seu irmão, Bento, a levasse até o Tiffany’s and Co.

– Faz tempo que não apareço aqui – disse. – Só precisamos comprar o nosso café da manhã.

Bento sabia que apenas nos momentos de total discórdia ela resolvia tomar café no Tiffany’s, poderia ser um ritual de Blair Waldorf ou Holly Golightly , mas funcionava muito bem para ela.

– Espere aqui, vou comprar as coisas.

– Ok.

– Não vá embora.

– Eu não vou – Sorriu ao olhar para o reflexo de seu irmão e de como estava afetivamente preocupado com seu estado. Ela não estava bem, não mesmo, nenhum mortal fica bem quando descobre que sua melhor amiga transou com o cara que você está a fim.