Notas iniciais
"Nova casa"

Yuuki terá que ficar em Gensokyo

Não tive uma boa noite de sono, tive uns sonhos que me fizeram ter saudades de casa e um outro que para mim foi o mais marcante. Eu estava em uma classe, eu reconhecia aquele lugar, eu estudo lá. Estávamos tendo aula, mas por algum motivo parecia que ninguém percebia que eu existia. Até que uma de minhas colegas parecia ter percebido a minha presença.

“Por que você faltou ontem?” lembro de ela ter me perguntado algo parecido, eu respondi que havia ido para outro mundo. “Eh? Sério? então você é como eu...”, ela sentava do meu lado e começava a desenhar. Quando terminou me mostrou e logo em seguida disse: “Quando encontrar esse lugar me fale. Tenho certeza que nos encontraremos de novo”. O desenho mostrava uma floresta de bambus.

Acordei novamente com o sol cegante que aquele lugar possuía. Levantei-me e segui até a sala, aquele seria o dia em que voltaria para casa, e eu estava contente com esse fato. Encontrei

Reimu comendo alguns dangos enquanto tomava chá verde, aquilo já não me prendia tanto a atenção.

- Bom dia. – Disse para ela, que apenas me lançou um olhar como se me dissesse “Bom dia? não me faça rir”. Agora eu conhecia o jeito hostil daquela sacerdotisa.

Encontrei em cima da mesa baixa um prato com três onigiris mal feitos e uma caneca com chá verde. Fiquei imaginando como ela havia feito aqueles onigiris. Não duvido que tenha colocado um pouco de veneno dentro deles.

Sentei-me e comecei a comer os onigiris, estava com fome e precisaria de força para poder voltar para o meu mundo. Comecei a come-los até que Reimu começou a falar.

- Eu coloquei veneno neles.

Acabei cuspindo parte do bolinho que tinha no meu rosto, Reimu suspirou. Não demorou para ela levantar-se e recolher o arroz sujo. Não sei onde ela jogou o resto de comida. Ela se aproximou olhou para mim e rio um pouco.

- Que infantil... – Tirou um grão de arroz que estava grudado no meu rosto e colocou na boca. –

Depois não se acha um inútil.

Acabei corando sem querer, não gostava quando a Reimu me surpreendia desse jeito e também não gostava quando ela me chamava de inútil.

Terminei de tomar meu café da manhã e fui esperar a Marisa na entrada do templo junto da

Reimu. Ficamos sentados lá sentindo a brisa fresca tocar nossos rostos e com aquele silêncio incomodo. De repente vi algo no céu, era Marisa. Não demorou para ela aparecer.

- Yo! Yuuki. – Ela dizia, sempre ativa.

- Senhorita Kirisame! – Disse no mesmo tom animado. – Como vai?

- SENHORITA KIRISAME!? – Reimu caia no chão e começava a rir. Eu já havia visto aquela cena.

- Pode me chamar apenas de Marisa. – Ela reclamava.

- Certo...Marisa... – Eu disse por fim. Não demorei para puxar outro assunto. – Então...aquela, Yukari certo? vem aqui hoje?

- Ah... bem... – Ambas diziam olhando para mim meio assustadas.

- O que...WAAAAAAAAAAAAAAA! – Uma mão saindo de sei-lá-o-que tocava de leve meu ombro. – O QUE É ISSO!?

- Huhuhu... – Uma garota aparecia na minha frente sorrindo. – Eu sou Yukari meu caro...

- Então foi você que... – Eu a encarei por um tempo. – me trouxe aqui?

- Sim. – Ela respondeu por fim.

Ela parecia mais nova do que pensei. Cabelos loiros, usava uma touca com um grande laço vermelho e em algumas mechas do seu cabelo também tinha laços, mas pequenos. Usava um vestido roxo, com a barra e as mangas com babados. Usava luvas longas e brancas e dois olhos roxos infantis. Ah, também tinha uma sombrinha violeta, mas não dei muita importância.

Ela me encarava, aquilo me deixava nervoso, aqueles olhos intensos olhando diretos nos meus.

Por fim acabei desviando, ou pode-se dizer que eu fraquejei. Ela riu e disse.

- Realmente trouxe alguém interessante para cá, hu hu. – Ela olhou para Reimu com um olhar malicioso. – Não é? Reimu...

- Eh? por que está me perguntando isso? – Reimu dizia meio nervosa. Acho que ela queria se livrar logo de mim, o que me deixa nervoso. – Foi você a idiota que trouxe ele aqui, livre-se logo dele. – É, eu estava certo.

- Hu hu, Reimu como sempre impaciente. – Ela ria se divertindo as custas da sacerdotisa, o que fazia eu me sentir vingado. – Mas...não vou me livrar dele...

- POR QUE!? – Ambos diziamos irritados.

- Porque... – Ela parecia pensativa mas não demorou a responder. – Eu gosto dele.

Por fim todos acabamos não entendendo direito aquela resposta.

Acabei ficando nervoso com aquilo, um simples “Eu gosto dele” me impedia de ir para casa. Mas, para terminar aquela manhã com chave de ouro, aparecia outra criatura, mas essa por sua vez era a coisa mais estranha que eu já tinha visto em toda a minha vida.

Uma anã havia aparecido. Usava uma regata, parecia que as mangas haviam sido arrancadas com uma laço vermelho na gola. Tinha dois chifres. Usava também uma saia roxa com várias camadas e um cinto com várias correntes que prendiam uma...garrafa. Tinha dois chifre. Nos pulsos dois braceletes, um com uma fita vermelha outro com uma amarela ambos tinham correntes que deixavam suspensos uma bola amarela e uma pirâmide vermelha. Tinha dois chifres. Cabelos e olhos castanhos claros e ela tinha dois chifre e em um deles tinha um laço.

Ela cambaleava, parecia bêbada. Não, ela ESTAVA bêbada. Por fim acabou sorrindo e olhando para a Reimu disse.

- Boa noite Lemu... – Olhou para a Marisa. – Boa noite Marinyan... – Olhou para a Yukari. – Olá

Yukarin!

Por fim ela fez um coração com as mãos e entrou no templo. Fiquei olhando pasmado para os chi...para ela e acabei olhando para Reimu.

- É a Suika... – Ela disse querendo rir da minha cara. – Ela mora aqui e...vai te fazer companhia já que... – Reimu olhou nervosa para Yukari. – ELE VAI FICAR AQUI.

- Hu, hu, Reimu uma hora você vai me agradecer.

- Sim Reimu. – Finalmente Marisa abria a boca. – Vai ser legal ele ficar aqui e... – Ela ria um pouco. – Eu também gosto dele.

Acabei corando um pouco sem querer. A Marisa era a melhor pessoa que eu havia conhecido até agora, era divertida e ativa. Eu gostava dela. Fiquei feliz em saber que ela também queria que eu ficasse, mas apesar de tudo eu ainda queria ir embora, retomar minha vida.

No final, acabei tendo que ficar.

- Ei Reimu! – Marisa dizia animada. – Que tal fazermos uma festa para que o Yuu conheça as outras garotas?

- Ahn? – Reimu olhava para ela. – Está louca Marisa? de jeito nenhum, vai causar só bagunça.

- Imagine... – Ela se aproximava da Reimu e murmurava. – as doações...

Reimu deu um pulo, pareceu começar a cogitar se aquilo era uma boa ideia.

- Hmmm...certo! – Ela disse com um sorriso alegre. – Vamos fazer isso!

- Yay! festa. – Suika aparecia diferente. Ela olhou para mim e apontou com um sorriso travesso.

– Quem é esse idiota?

- Outra que me chama de idiota... – Olhei para Reimu e ela apenas riu.

- Viva, Yuu, prepare-se para uma GRANDE festa! – Marisa dizia animada.

- Huhu, uma festa, vai ser interessante... – No final ouvi ela murmurar algo como “Garotas” e “apenas um garoto” e acabei me assustando.

A tarde chegou e Marisa e Yukari foram embora, contar a chegada de um estranho em Gensokyo.

Reimu se levantou e foi para a cozinha. Eu perguntei o que ela ia fazer. Ela apenas olhou para mim com a mesma cara de sempre e disse.

- Almoço... – Reimu pensou um pouco e disse meio sem jeito. – Pode me ajudar? geralmente não cozinho...

- Ahn, certo... – Conclui que ela apenas comia dangos a tarde toda. – Eu te ajudo. – Disse sorrindo para ela que voltou a andar em direção ao que seria a cozinha.

Quando entrei na cozinha Reimu colocava um avental e começava a mexer na dispensa. Apenas fiquei olhando até que ela disse se eu só iria ficar parado ou a ajudaria a encontrar algo para cozinhar. Consegui achar o suficiente para fazer uma sopa de miso.

- Certo, vamos fazer isso. – Ela disse sorrindo, acho que ficou aliviada por ter algo para comer.

- Ahn, Reimu... – Acabei pensando no assunto e no que a Marisa havia falado. “Doações.” – O que a Marisa quis dizer sobre “Doações”.

- Isso não é da sua conta idiota! – Ela disse nervosa e deixando sua calma de lado o que acabou me surpreendendo. Acabou se acalmando e disse. – É só que o templo não arrecada muitas doações...

- Hmm... – Pensei um pouco e disse. – Bom, vou te ajudar então.

- Eh? – Ela disse surpresa olhando para mim.

- Vou fazer o máximo para te ajudar a arrecadar doações. – Acabei dizendo sorrindo, mesmo sem saber o que fazer.

- Ah... – Ela corou um pouco e por fim disse. – Certo, se insiste tanto. – Perai, eu não insisti!!!

Acabamos terminando a sopa e fizemos um pouco de arroz também. Suika saio para comer junto conosco e me fez um verdadeiro interrogatório. Teve uma hora que ela acabou me dando um tapa no ombro enquanto ria e descobri o quanto ela era forte.

Reimu não disse quase nada, estava concentrada comendo. Fiquei olhando para ela durante algum tempo, até que ela virou e disse “O que foi?”. Eu simplesmente balancei a cabeça e disse que não era nada. Comecei a comer o arroz rapidamente e depois quando terminei ela riu e acabou pegando mais um grão de arroz que havia grudado no meu rosto.

- Esse cara é uma criança! heh – Suika apontava para mim enquanto ria. – Nem eu deixo arroz grudar na minha cara! – Ela dizia isso e logo em seguida comia um pouco de arroz, sendo que pelo menos três grãos haviam grudado em seu rosto.

- Há há, Suika não fale assim. – Ela ria e apontava para ela. – Olhe só, você também deixou um pouco de arroz grudar em seu rosto. – Ela olhava para mim e sorria. – É melhor se preparar para

amanhã meu caro.

- Ahn...ah! certo! – Eu disse determinado, me lembrando do que a Yukari disse. “Garotas” e “um só garoto”. Aquelas palavras ficaram gravadas na minha mente.

A tarde continuo daquele jeito, calmo e divertido com a pequena Suika rindo de mim.

Notas finais
Obrigada a todos que leram! - w -