Outro Conto da Cinderela
3 Capítulo 03 - Dia Perfeito.
Notas iniciais
Em primeiro lugar, queria muito agradecer pelos comentários, apoio, e por estarem acompanhando esta fic. De verdade, me surpreendi pelo número de reviews. Brigadão! Fiquei boba! *---*
Eu tenho o hábito de responder reviews pouco tempo antes de postar. Só que me atrapalhei um pouco dessa vez, já que fiquei alguns dias sem um computador em casa.
Mas eu vou responder cada review. Eu adoro! Eu acho que é um momento importante, que aproxima mais o autor do leitor, além da própria fic.
Enfim, espero que gostem desse capítulo.
Me desculpem pelos possiveis erros.
Boa Leitura.
CAPÍTULO 03 – DIA PERFEITO.
Amanheceu mais um dia. E como o dia estava lindo!
Tudo ocorria como de costume. Pela manhã, tomou o delicioso café preparado carinhosamente pelo seu pai; depositou um beijo no rosto do ursão e seguiu para mais uma manhã em seu trabalho.
Ainda não havia chegado. Mas durante o caminho, ela se regozijava com o sabor da rotina. Sim, ela gostava de rotina; pois tudo acontecia como deveria ser e nada poderia lhe atrapalhar.
Ouvir o som movimentado das ruas era bom. Ver pequenas crianças se dirigirem a suas escolas era perfeito. E ter certeza que o seu querido Chappy estava dentro de sua mochila era melhor ainda!
Nada de errado aconteceria. Nada iria atrapalhá-la. Nada de anormal.
O sol da manhã brilhava intensamente. Logo à tarde, iria para faculdade. Teria sua aula favorita. Usava o seu amuleto da sorte, que era um delicado pingente de coelho adornando um fino cordão em prata.
Tocou o pingente, presente de seu pai.
Rukia sorriu. E sorriu mais ainda ao notar que chegou a lanchonete.
Tudo está perfeito!
Com as pequenas mãos, abriu a porta de vidro. Já se preparava para dar ‘bom dia’ para seus companheiros. Completaria a perfeição estar ao lado de seus amigos.
Porém, o seu dia perdeu o brilho em um piscar de olhos.
Isso, seus olhos. Eles foram tomados por um azul mais intenso. Foram ofuscados por aquele azul. Por aquelas sobrancelhas franzidas, que estavam em sua direção. Por aquele rosto azedo.
Ficou estática.
Não pode ser verdade... Ele voltou!
Grimmjow estava lá, a pouco mais de seis passos de distância. E além dele, logo à frente, Matsumoto e Hanatarou. Ambos a olhando com surpresa.
— Ah... Bom dia, Rukia. – Matsumoto disse, claramente forçando um sorriso.
No entanto, ela não ouviu. Falaram com ela? Não sabia. Não tinha certeza.
A única coisa que sabia era que aquele azulado estava ali, diante de seus olhos.
— O que significa isso? – as palavras saíram lentamente de sua boca.
Contudo, não houve resposta. Ninguém teve coragem de falar. Mas claro que essa afirmação não se estendeu a Grimmjow. Ele apenas não respondeu por que não teve vontade. E também não perderia seu tempo.
Ele apenas a encarou. Somente isso.
Foi como se transmitisse algo para ela. Como se quisesse dizer algo pelo olhar. Por isso ele procurou ser o mais intimidador que o possível.
Pouco a pouco ela pareceu estar mais espantada. Os olhos graúdos comprovavam a reação.
Talvez tenha conseguido?
— Você voltou pra pegar o meu celular! – ela acusou em um berro, apontando o dedo para ele.
Grimmjow arregalou os olhos.
- O que você tá falando, sua maluca!? – revidou de imediato no mesmo tom.
- Eu não vou deixar! Vai ter que passar por cima de mim, idiota! – Rukia simulou uma posição de ataque, muito semelhante à de lutadores de boxe.
Tudo bem, não sabia como lutar boxe. Mas faria tudo pelo seu Chappy!
— Como se isso fosse difícil! – ele começou a andar até ela.
Rukia o encarava, aguardando sem hesitar. Porém... Poderia ter mais êxito de outra forma?
Pensa, pensa, Rukia... Ah, sim!
Ela levou as mãos ao bolso.
Cadê a caneta? Onde está a droga da caneta?
O furaria em segundos que ele ficaria igual a um queijo suíço!
— Ei, ei. Calma, pessoal. – não sabia como, mas Rangiku apareceu entre eles.
— Mas ele veio atrás do meu celular, Rangiku-san! – Rukia justificou, sem desviar o olhar dele.
— Que porra de celular! – Grimmjow fazia o mesmo. – Pra quê eu iria querer um tijolão daquele?
— Já vai saber o que é um tijolo quando eu tacar um nesse seu cabeção!
— Ora sua filha da p-
— O que está acontecendo? – e em meio a todo aquele alvoroço, uma voz nova fez contraste.
Calma e autoritária. Somente ela agia dessa forma.
Então, como esperado, todos dirigiram o olhar para a fonte dessa voz, se deparando com aquele casaco de pele sobre o corpo dela, Halibel.
— Bom dia, Halibel-sama. – Hanatarou a cumprimentou primeiro, aproximando-se dos três.
Ela o ignorou, como sempre. Ignorava a todos.
— Quem é essa daí? – a pergunta de Grimmjow ecoou. E todos, por segundos, viram seus queixos chegarem ao chão.
A loira franziu o cenho.
— Não fale assim, seu burro. Ela é a dona da lanchonete. – Rukia o cutucou, ou praticamente empurrou, em reprovação.
Ele estava prestes a revidar, mas fora impedido por Halibel.
— E quem seria você? – ela falou séria para ele.
— Grimmjow Jaegerjaquez. – ele não se intimidou, claro. – Eu vim procurar um emprego. – lançou sem hesitar.
Foi rápido. E caiu como uma bomba!
— O quê?! – que explodiu em cima de Rukia. – Isso é brincadeira, não é?
— E eu tenho cara de palhaço, cacete?! – ele a olhou irritado.
— Com esse cabelo, ainda tem dúvida?
— Ukitake Rukia. – Halibel interferiu. – Cale-se. – ordenou. – Jaegerjaquez, venha até minha sala. – e deu de ombros.
E ele agiu como se já esperasse essa atitude. Ergueu o queixo de um jeito bem arrogante, empurrando de propósito o ombro de Rukia ao passar. Se não fosse Hanatarou, ela teria caído.
— Miserável. – murmurou, mas tudo o que ela ouviu foi a porta se fechar.
Silêncio. Rangiku e Hanatarou não arriscariam.
Nada poderia quebrar aquele teto de vidro sobre a pequena Ukitake. Isso era um grande perigo. E como era!
— Bom dia! – e quebrando a situação delicada, mais uma pessoa chegou, e esta aparentava estar bastante feliz.
— Renji. – Matsumoto sussurrou prestes a adverti-lo. Ou melhor, avisá-lo.
— Está um lindo dia hoje, hm? – mas era tarde. Ele não ouviu e foi até ela. – Oi, Rukia? Tudo bem? – e sofreu as conseqüências:
Levou um belo soco em seu braço tatuado.
— Não está nada bem! – a pequena disse, se afastando com passos de ferro.
— O que eu fiz? – ele choramingou. – Caramba, será que até calado eu sou culpado das coisas?! – indignou-se.
— Não tem nada haver com você, Renji. – Rangiku tentou conformá-lo.
— Então por que ela me bateu?! Se ela tem os problemas dela, não deve descontar nos outros! Eu nunca faria isso! – e sem pensar, deu um cascudo na cabeça do pobre Hanatarou.
— Ai! C-cuidado, Abarai-san. – a ‘cobaia’ disse baixinho, com as mãos na cabeça.
— Tudo bem, tudo bem. – a peituda revirou os olhos. – Me deixa explicar o que aconteceu.
***
Eternos minutos se passaram desde que Grimmjow adentrou a sala com a fabulosa Halibel. Cada segundo assemelhava ter o triplo de seu tempo. E o que se passava lá dentro ninguém saberia, ou poderia saber.
Resolveram ficar juntos em uma mesa. A lanchonete só abriria depois de dada a noticia e a ordem da dona. E ansiosos, eles aguardavam.
Nenhuma palavra era dita. O único som presente era o dos carros que passavam a frente do estabelecimento, além das unhas rosa de Rangiku, que tocavam constantemente na mesa em distração.
Todos estavam muito pensativos. Cada um tinha a sua própria interpretação.
Talvez nenhum ousasse quebrar aquele momento de paz e tensão.
— Qual é o sobrenome dele mesmo? – bem, estava enganada. Renji provou isso.
— Eu acho que tem haver com uma fruta... Jaca? – Rangiku tentou lembrar, erguendo o olhar de forma pensativa.
— Não, não, acho que é um animal... Deve ser... Jaguar?
— Ela não vai aceitar ele, não vai? – a par daquela conversa inútil, Rukia despertou o assunto mais importante.
A pergunta que não queria calar.
— Eu acho que não. – o tatuado foi o primeiro a dizer. – D.Halibel não aceitaria pessoas com cabelo tingindo.
— Tem certeza? – a peituda o olhou, com uma expressão mais do que óbvia.
— Ei, o meu cabelo é natural!
— Não se preocupe, Rukia-san. – o pequeno Hanatarou falou. – Eu acho que o Abarai-san está certo. É provável que Halibel-sama não aceite.
— Tem razão. Por que se não, todos os nossos celulares estariam em perigo. – ela apoiou o queixo sobre a mesa. – Mas por que tanta demora?
E atendendo as suas expectativas, e indo contra a sua pergunta, a porta da sala de Halibel se abriu. De imediato, se colocaram de pé, logo encontrando os dois à frente.
Rukia franziu o cenho ao ver o rosto de Grimmjow. Uma expressão indecifrável.
Não é bom sinal...
— Grimmjow Jaegerjaquez irá trabalhar aqui a partir de hoje. – Halibel informou sem rodeios.
Sim, não era bom sinal!
— O quê?! – não foi só Rukia que disse, mas sim todos.
— Não quero argumentos contra. – a loira continuou. – Nenhuma palavra. – reforçou, antes que Rukia abrisse a boca. – Eu tenho o desejo de transformar este estabelecimento em um sistema de entrega a domicilio. Esses adolescentes da faculdade não dispõem lucro para mim. E como primeiro passo, esse será o trabalho de Jaegerjaquez.
— Como ela consegue dizer o nome dele sem problemas? – sussurrou Renji no ouvido de Rangiku.
— No momento, irei comprar o veiculo que ele irá utilizar. Neste meio tempo, abram a lanchonete e comecem a trabalhar. – Halibel olhou brevemente para o novo contratado. – Venha comigo. – e saiu andando.
Ele a seguiu. Mas claro, não antes de mostrar um sorriso vitorioso. Ou seria mais provocativo, arrogante? Sendo o que fosse, Rukia não gostou; cerrou os punhos em raiva. Ele mal se importou, pois era a real intenção.
— Agora eu ‘tô surpreso. – Renji falou quando Grimmjow saiu. – Quer dizer que aquele cara vai trabalhar com a gente?
— É o que parece. – comentou Rangiku. – Ai, ai. Sinto cheiro de problema. Eu é que não vou fazer hora extra. – virou o rosto emburrada.
— E o que tem haver sua hora extra?
— Você não percebeu? Pela cara dele, esse Grimmjow é preguiçoso, igual a mim. Então ele não vai fazer nada, pelo visto. E eu é que não vou trabalhar por ele.
— Você admite que é preguiçosa, é? — ele usou a oportunidade, diminuindo os olhos em atenção e sarcasmo.
— Eu? Preguiçosa?! Nunca! Quem disse isso?!
— Argh. Você é maluca mesmo. – desistiu.
Ela ouvia a conversa de Renji e Rangiku, mas sinceramente, não conseguia forças para participar. Muito menos animação, pois era a última coisa que poderia sentir.
A verdade era que Rukia não acreditava.
Seria real? Aquele seqüestrador iria trabalhar ali, com ela?
Tudo era um sonho. Melhor, um pesadelo. Teria que acordar.
Com uma das mãos, Rukia bateu de leve o meio de sua testa. Mas nada mudou. Os olhos continuavam abertos, as lembranças ainda eram reais, recentes, e reviravam-se em sua mente.
Grimmjow iria trabalhar no mesmo lugar que ela. Na mesma hora. Todos os dias.
Droga. Droga!
Como um dia tão perfeito pôde ter se tornado o pior de sua vida?
Ela deve ter feito algo de errado. Pensado em algo ruim para outra pessoa. Alguém a amaldiçoou talvez? Tenham enfeitiçado um objeto seu?
O seu amuleto da sorte!
Com rapidez, Rukia retirou o pingente pendurado em seu pescoço. Nunca mais o havia usado. E hoje se lembrou. Lembrou-se daquele delicado coelho. E após tanto tempo guardado, quando ela resolve exibi-lo novamente, acontece tudo isso.
Só havia uma explicação plausível.
Poderia aquele Chappy... Ser... Não... Ele poderia ser...
Ah, não! Chuta que é macumba!
Prestes a jogar o pequenino pra longe, hesitou em menos de segundos. Balançou a cabeça em desagrado. Como pôde pensar assim? O seu Chappy nunca seria algo desse tipo!
Estava ficando louca. Ele a deixava louca, confusa.
Grimmjow... Ele arruinou o seu dia. Sua vida.
E ele não sairá ileso por isso; por essa audácia. Não, não.
Prepare-se... Grimmjow ‘Jacaque’... ‘Jacku’... ‘Jeaqueju’... ‘Jeaq’...
Argh, que seja!
Grimmjow Jaca, o seqüestrador de coelhos!
Continua...
Notas finais
Pra ele, isso é o fim do poço, né? XD
Capítulo mais voltado pra Rukia.
No próximo, um pouco mais de Grimmjow.
Muito obrigada por ter lido!
Não esqueça de dizer o que achou, está bem? Faça essa autora feliz!
Fiquem com Deus ;*
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