Outra Vida
2 Capítulo 2
Notas iniciais
( Lisboa ) Portugal, 13 de julho de 2013
Peter Meine On.
— Peter, acorda! Ande garoto eu não tenho o dia todo!
Outra sacudida nem um pouco delicada, era feita junto com gritos da governanta da casa, Kátia. Levei o edredom até acima da cabeça, tentado diminuir a luminosidade que entrava no quarto, enquanto resmungava algo que nem eu mesmo conseguia compreender.
— PETER MEINE, LEVANTE AGORA MESMO! – Kátia, arrancou as cobertas de cima de mim brutalmente, e começo a gritar em italiano. Sim, ela era italiana, uma velha mal amada, que cuidava da casa onde meu pai me “ largou”.
— Já levantei já levantei! Feliz? – falei irônico.
Ela me olhou meio furiosa meio feliz. Era desse jeito, Kátia gritava como louca, e depois me olhava assim, mas claro a criatura mais linda do planeta ( modéstia parte, claro. Porque eu sou muito humilde! ) não dava para ficar de mal. Quem trocou minhas fraldas, e cuidava de mim quando eu caía, sempre foi ela, era minha segunda mãe. Eu amo, apesar de não demonstrar, e ela se importa comigo, me dá carinho, tudo o que eu mais preciso.
Meu Deus, estou sentimental hoje!
— Peter, tome um banho, e coloque uma roupa descente, por favor! Da última vez, todo esfarrapado, e aquelas calças mostrando a bunda1 No meu tempo os homens...
E eu parei de ouvir a partir daí, ela vai falar como todas as vezes, que o pessoal de “ mil novecentos e nada” se vestiam, modo de agir. Que tédio!
— KÁTIA! Já entendi, mas para onde eu vou?
Já estava sem paciência. Acordar cedo depois de passar a noite toda enchendo a cara de vinho ( dos bons claro! ), em um galpão, pegando garotas cansa!
— Seu pai quer leva-lo a um lugar. Disse que era para ir com algo formal.
— Ah, ele sabe que eu existo? Que novidade! – bufei.
Meu pai era dono de uma das maiores empresas automobilísticas de Portugal, mas eu não me orgulhava disso. Claro que tem suas vantagens, eu moro em uma casa perfeita, tenho todo o luxo do mundo, mas isso não é o suficiente. Minha mãe estava muito ocupada arranjando mil e uma maneiras de torrar a grana do meu pai.
— Peter, não fale de seu pai assim! Ele se importa com você.
Eu dei uma gargalhada amarga.
— Claro, tia. Vamos, não posso deixar o papai me esperando.
Dei um beijo em sua bochecha e levantei depressa. Quanto mais rápido eu for, mais depressa eu posso ficar livre daquelas coisas idiotas que meu pai me faz participar.
Kátia saiu me dando licença para fazer minhas necessidades fisiológicas, e fui tomar um banho bem frio. Escovei os dentes, passei a mão no meu cabelo já um pouco comprido, na altura do pescoço. Meu pai Jorge, sempre implicava com meu cabelo. Mas, eu adoro assim. Quando corro na moto, sinto-me livre é revigorante. Escolhi uma calça jeans azul marinho meio folgada, camisa social xadrez azul, pra fora da calça e um All Star Chuck Taylor branco. Coloquei um perfume e pronto.
É, estou parecendo uma garota, mas cara, nunca se sabe... Vai que tem uma gostosa lá nesse lugar que eu vou, tenho que está preparado!
“ Amarrei as botas fortemente, fechei o último botão do casaco feito do melhor tecido de toda Veneza, peguei a loção de colônia e borrifei de leve no pescoço. O dia estava á clarear, a hora perfeita para encontrar meu amor.
Passei pelos corredores do casarão sorrateiramente, cheguei até a pequena porta que dava no estábulo e subi em Trevo, um cavalo negro como a noite. Montei rapidamente em suas costas, e fui galopando até um jardim atrás da igreja, onde ela fingia ir para nos encontrarmos.
Coloquei Trevo para comer, e me sentei embaixo de uma árvore, olhando o Sol nascer. Era tão belo, a mistura das cores e a forma como os pássaros sabia exatamente a hora em que ele nascia. Senti uma mão em meu ombro, e me virei assustado.
Mas era ela. Meu amor.
— Rosalina.
Deus, como eu senti sua falta! Seu cheiro delicioso, suas mãos macias mexendo em meus cabelos, me provocando arrepios. O rosto dela estava cheio de lágrimas. Me levantei, e segurei seu rosto delicadamente, passando o polegar em suas bochechas em um carinho.
— O que ouve, querida? – falei o mais delicado que pude, querendo não demonstrar o quão preocupado estava. Não queria deixa-la nervosa.
— Romeu, não posso mais ficar com você.
Aquilo que chocou. Apertei um pouco mais que o necessário, minhas mãos em seu rosto. Como ela... “
— Upff !
De novo! Que droga! Desde os 10 anos, eu tenho esses fleches de um tal de Romeu. Que perseguição... Faz uns três anos que não tenho mais, por que voltou agora? Eu nunca contei a ninguém sobre isso, tinha medo de acharem que fiquei maluco e me internarem ou coisa parecia.
— Peter! – Kátia me chamou novamente.
— Estou indo! – gritei de volta.
Peguei minha mochila, joguei a carteira e o notebook de qualquer jeito lá dentro e abria a porta. Kátia segurava uma maçã, estendendo-a para mim.
— Tome, querido. Você vai sentir fome. E... boa sorte. Tenha paciência com seu pai, Peter. – falou maternalmente.
— Obrigada, tia. Eu te amo.
Peguei a maçã, e abracei-a com força.
— Eu também, monello! Agora vá!
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