Outra História: e se... vol.2
2 Tarde Amigável, ou não
Notas iniciais
Os dois andavam de mãos dadas, sorriam e conversavam, eram mais amigos do que marido e mulher. Sasuke podia confiar os amores que nutria por Naruto a Hinata, ela entendera bem os sentimentos do Uchiha e os aceitava. Hinata sabia que não poderia competir com Sasuke pelo amor de Naruto, é claro que havia prioridades no coração do Odiado e que ela não era uma.
–Que bom que deu certo você vir desta vez, Sasuke-kun.
–É verdade. São raros esses momentos de paz e diversão. – falou sentindo a brisa cálida da tarde, deixando um sorriso bobo escapar nos lábios finos.
–Sasuke-kun... – ele baixou o olhar para fitá-la – Quando você era mais jovem... Não vivia esse tipo de situação, não é?
–É... – ele sabia do que ela falava – Mas não me reclamo e se tivesse que escolher, falando com sinceridade, eu preferiria aquele tempo.
Hinata concordou sorrindo. Aquele Sasuke era muito “mais Sasuke” do que o atual. Paz, pensava o Uchiha olhando para a Hyuuga de canto de olho. Guerra, ele pensou em seguida ao fitar seu colar em seu peito, recordando-se de Naruto. Ficou tudo no passado. Chegaram ao parque no centro da vila e os meninos disparam na frente.
Sasuke passou a gostar do carinho e da tranquilidade da Hyuuga, bem diferente da vida atormentadamente prazerosa que tinha com o dobe. Não poderia negar que eram vidas completamente opostas, absurdamente opostas. Toda noite uma caçada, uma tortura, uma batalha, uma guerra, uma descoberta, uma vida vivida a cada anoitecer que se encerrava a cada amanhecer do dia, assim era viver com Naruto.
o/ o/ o/ o/
–Naruto... Por que é que eu sempre me meto nessas idiotices?
–Sei lá. Eu nem te chamei para vir. Você que me segue.
Suspensos pelos pés em um penhasco, com o sol brilhando no alto de montanhas, presos por cordas de aço de uma armadilha que minutos antes eles caíram “sem querer” quando Naruto tentou saltar para pegar algo que lhe escapara pelos dedos. Sasuke, na tentativa de evitar que o dobe despencasse, saltou atrás e também fora pego pela armadilha antiga e esquecida, de guerras passadas. Estavam como Time 7 naquela manhã, mas nenhum dos dois sabiam onde poderiam estar Kakashi e Sakura.
–Então é assim que você me trata?! – gritou Sasuke, fazendo seu corpo girar lentamente até ficar de costas para Naruto – Eu não sei por que é que ainda estou com você...
Naruto começou a gargalhar alto, cruzando os braços.
–Pfft... Você está falando que nem um menino mimado’ttebayo! Eu sabia que eu ia viver para ver isso! – Naruto olhou em volta e suspirou, vendo alguns pássaros planarem perto de si e assobiarem que “já estava na hora de ir”. Naruto puxou de seu estojo uma kunai e acertou o cabo de aço, agarrando-o no ato.
Sasuke virou um pouco o rosto e viu o loiro subindo habilmente como um macaco pela corda até chegar ao meio e dá um mortal para trás, caindo na imensidão verde abaixo de si. O Uchiha arregalou os olhos e se surpreendeu com o movimento seguinte: Naruto praticamente planou no ar até chegar numa árvore e ficar abaixado no cume. Riu-se do quanto aquele garoto conseguia se divertir com a própria desgraça.
–Vai ficar aí? – gritou Naruto acenando – Vem cá!
O moreno sorriu e se soltou, deixando seu corpo ser atraído pela gravidade. No próprio ar invocou uma águia gigante para lhe levar até o loiro. Saltou do lombo da ave e pousou no mesmo ponto de Naruto, que este, por sua vez, deu outro mortal para trás, desaparecendo na folhagem e incitando Sasuke a segui-lo.
Já no chão, ambos se encararam.
–Eu te odeio por isso, Naruto.
–Me odeia agora. – debochou – Mas em outros momentos você praticamente me idolatra.
Sasuke deixou seu rosto arder e corar um pouco abaixo dos olhos.
Naruto riu e se aproximou, tocando de leve o rosto do maior e beijando-o no segundo seguinte, Sasuke sorriu ao sentir os macios lábios de seu dobe. Circundou a cintura dele com os braços e suas mãos foram logo em busca do traseiro do menor. Naruto não se importou com a atitude nada puritana, afinal eles eram parceiros sexuais confessos e não havia razões para esconder. Aprofundaram o beijo: Sasuke trouxe Naruto para seu colo e se sentou na raiz de uma árvore próxima, acariciando as costas do menor, enquanto este lhe afagava a nuca.
Os dois se encararam. Naruto exibia um sacana sorriso de lado quando iniciou um lento rebolar sobre os quadris de Sasuke, fazendo o maior arfar ao sentir os panos roçarem. Naruto se divertia vendo a cara de prazer que o Uchiha não queria mostrar.
–Sério Naruto... Eu não vou conseguir me controlar... – confessou o Uchiha segurando com força a cintura do Uzumaki para que ele parasse de se mover.
–Ah, então quer dizer que o taradíssimo Senhor Uchiha Sasuke, muito conhecido por não conseguir controlar o próprio pênis, não quer nada comigo hoje? – Naruto arqueou uma sobrancelha e desceu do colo do teme, desfivelando as calças dele e abaixando-as – Vamos ver se você é mesmo o “mestre em autocontrole”.
Sasuke mordeu os lábios quando sentiu a úmida boca de Naruto lhe engolir por completo e iniciar uma veloz sucção. Ele tentou fitar o menor concentrado em chupá-lo sem entender o motivo da pressa: geralmente ele o tortura por longos minutos, fazendo toda classe de coisa com a boca e a língua. Não demorou muito para Sasuke estar “no ponto”.
Naruto ergueu-se e retirou suas próprias calças, junto com a cueca. Observou por alguns segundos a ereção daquele abaixo de si, notando o pré-gozo escorrer lentamente pela extensão do pênis e suspirou levantando novamente uma sobrancelha. Sasuke ofegava sem entender ainda o que se passava pela cabeça do dobe, pois raramente ele tomava a iniciativa de alguma coisa, exceto aquelas que envolviam algum tipo de crime.
–O quê? – Sasuke se desesperou ao ver Naruto tomar-lhe o membro e encaixá-lo entre suas nádegas – Não vai nem se preparar?! Vai no duro?!
–Algum problema? – ele estava sério demais para os seus 15 anos. Nem parecia o garoto maluco que fazia coisas sem pensar. Sasuke engoliu em seco e nada respondeu.
Devagar um foi entrando no outro. Naruto contraiu as paredes de seu interior quando sentiu Sasuke completamente dentro de si. Iniciou com demora a se mover, mas ao entender o ritmo e alcançar a própria próstata, Naruto acelerou os movimentos pélvicos encarando firmemente Sasuke, que nada fazia exceto gemer e apoiar o corpo nos cotovelos.
–Ca-calma! – o moreno não sabia nem o que pensar: aquele sobe-desce frenético estava lhe deixando louco e muito excitado. – Ah Naruto!
–Não temos muito tempo... – ele se recostou no corpo de Sasuke, envolveu seu pescoço com o braço e depositou beijos atrás da orelha do maior, sem parar de se mexer – Você está cada vez maior dentro de mim e nem me reclamo...! Aproveite!
E Sasuke aproveitou, apesar de deixar Naruto no comando do sexo por aquela vez. Quando finalmente haviam gozado, os dois continuaram sentados na raiz, respirando pesadamente de olhos fechados, porém o dobe ainda estava no colo sentindo as ejaculações de Sasuke em seu interior. Os dois se fitaram simultaneamente.
–Me ajuda... – murmurou, saindo de cima do Uchiha com dificuldade – Foi rápido, então eu estou um pouco... – Naruto esfregou os cabelos – Cansado...
–Certo...
Os dois se ajoelharam e Sasuke moveu dois dedos dentro de Naruto, permitindo que o semen escorresse por eles. O que dera no dobe para ele fazer isso de repente? Se perguntava o Uchiha enquanto observava a nuca avermelhada perto de seus lábios. Não é que eu não queira transar com ele, mas por que do nada? Beijou a pele exposta com carinho e com a outra mão tocou o abdômen por baixo da camisa do loiro.
–Eu te peço para me ajudar e você faz é se excitar mais. – brincou.
–Eu te disse que não ia conseguir me controlar. – falou rindo e chupando a curva do pescoço, tentando captar os olhos azuis de seu amante – E você rebolar nos meus dedos também não está sugerindo nada? Hum? Olha só! – a mão dele escorregou até o membro do outro – Você também está duro.
–Não mais que você. – rebateu encarando-o sensualmente por cima do ombro, ao roçar suas nádegas no membro que despontava dentro da calça – Se eu estou piscando, é por sua causa, que fica me tocando desse jeito, massageando-me onde eu mais gosto... – os dois se beijaram com furor – Eu sei que você quer me foder.
–Você que está me fazendo querer de foder... E com força! Vem, monta logo que eu sei que você quer, senta aqui! – Sasuke empurrou Naruto em seu membro com força, fazendo-o gemer de satisfação.
Virou-se sem retirar de dentro de si e capturou os lábios do Uchiha. Beijaram-se com desejo, quase comendo as línguas de um e de outro no ato, enquanto Naruto rebolava com tesão no colo do Uchiha. Não puderam se demorar muito com aquela diversão, pois o Uzumaki percebera que os ninjas que Kakashi dissera que eles deveriam encontrar e prender. Naruto olhou para alto, vendo uma águia piar alto no céu, enquanto ouvia Sasuke narrar como haviam caído em tão infame armadilha.
Mas quem se importa? Haviam transado um pouco, para não perder o hábito. O que o Uchiha tinha achado? Provavelmente teria adorado a surpresa. Mal sabia o Naruto que o outro planejava algo para aquela noite, depois que viessem de uma alucinante caçada de um nukenin que roubara um pergaminho de Sasuke.
o/ o/ o/ o/
Sasuke piscou, acordando de seu breve devaneio. Fitou sua esposa sorridente ao seu lado.
Com Hinata tudo era muito tranquilo e monótono, bom para descansar. A paz chegava a ser pedante, Sasuke criara o hábito de bocejar de vez em quando. Só em companhia de seus filhos que Sasuke criava um pouco de animação.
Parecia uma família feliz e eles o eram. Eram felizes juntos. Principalmente por terem filhos. A vida nunca lhe foi tão diferente como agora. De mãos dadas os pais caminhavam. As crianças corriam diante deles, divertindo-se com a ideia de deixar os treinamentos por um tempo e agirem como simples crianças. Os dois usavam shorts cinzas, porém Hiroshi, com cinco anos, usava camisa branca por baixo de uma jaqueta vermelha, enquanto Hiroki, com sete, usava uma camisa preta de mangas longas.
–Papai! – o caçula falou – Me empurra, papai! – sentado no balanço o menino de olhos perolados chamava o pai. Sasuke sorriu e começou a empurrar lentamente, fazendo-o rir.
–Eu me sinto feliz. – sussurrou Hinata.
A mulher afastou-se um pouco e sentou-se num brinquedo de frente para o balanço.
Hinata fitou os três. Finalmente seu marido agia como um homem normal. Seus filhos conseguiam fazer isso com ele. Usando apenas uma calça negra e uma camisa azul sem símbolo nenhum, sem bandana em sua testa, com os cabelos um pouco longos, o rosto com traços mais adultos, Sasuke parecia apenas um homem, um pai. Ela, de vestido longo rosa, também parecia uma mulher comum.
Eles eram, afinal, uma família comum.
Sasuke continuou empurrando Hiroshi e ria comedidamente das caretas que Hiroki, no outro balanço, fazia para o irmão. Lembrou-se de nunca ter feito algo do tipo na infância, lembrou-se de nunca participara de jogos infantis. Mas sentia miseravelmente falta daquela época e do que viveu nela em companhia de Naruto. Olhou para os lados. Mais famílias se juntavam no parque trazendo seus filhos para brincar.
Era uma tarde agradável aquela.
Repentinamente ele ouviu uma risada escandalosa.
Sasuke fitou a entrada do parque. Uma menina de pele pálida, longos cabelos negros rebeldes como as asas de um corvo cobrindo parcialmente o rosto, trajando um vestido azul escuro, usava um longo capuz vermelho sobre o corpo, sapatilhas de igual cor a capa e olhos incrivelmente azuis, entrou correndo no parque. Ele ficou estático observando-a chegar como um furacão de alegria. Seu sharingan fora ativado inconscientemente: o chakra daquela menina ardia como fogo e era uma mescla de vermelho e azul.
–Brincar! Brincar! Brincar! Brincar! – gritava exacerbadamente a menina.
Ela correu para um gira-gira e se sentou, empurrando o brinquedo com os pés, rindo e uivando sentindo o vento em seus cabelos.
–O que foi, Sasuke-kun? – Hinata se aproximou ao ver o rosto de assombro do Uchiha.
Ela fitou a criança que ele olhava. Seu Byakugan também fora ativado inconscientemente e ela vira o que assombrava Sasuke: só existiam duas pessoas na terra com essência de chakra semelhante ao daquela menina, aliás, dois homens. Uchiha Sasuke, com seu ardente chakra de fogo, e... Temia em pensar. O Odiado, com seu chakra turbulento de vento.
A menina girava, girava e girava sem se importar com mais nada e com mais ninguém. Parecia aproveitar o doce sabor da liberdade que toda criança tem. Nem mesmo os filhos de Sasuke eram tão felizes quanto aquela menina de cabelos negros, tão pequena quanto Hiroshi.

O seu sorriso parecia que a qualquer momento iria escapar de seu rosto de tão grande que era, mas alguns ali perto não gostaram da presença espalhafatosa de uma menina tão pequena. Sasuke esfregou os olhos, querendo desativar o seu Sharingan, mas seus instintos adormecidos de assassino estalavam em sua mente. Instintivamente ele fitou Hinata e percebeu que o Byakugan também estava ativado. Quem seria essa menina?
Hinata levou as mãos a boca, quase que conectada aos pensamentos do marido.
–Não pode ser... – sussurraram juntos.
As pessoas começaram a deixar o lugar, desaprovando o estardalhaço que a menina estava causando. Sasuke suspirou e meneou a cabeça negativamente. Deveriam estar vendo coisas. Não poderia ser, era apenas mera coincidência. Fitaram seus filhos, pareciam nem se importar com a menina ali. Na verdade correram para o gira-gira e começaram a rodar com ainda mais velocidade, gargalhando juntamente com a garota.
Os três pareciam velhos amigos. Sasuke se aproximou devagar, notando algo no pescoço da menina. Era uma técnica de selamento. Observou bem o selo com seu sharingan. Não podia ser: o mesmo selo da maldição que Orochimaru havia lhe dado estava ali, porém mais simples, com apenas três tomoes, semelhante ao seu Sharingan. Era a confirmação. Aquilo só podia ser obra dele. Olhou em volta. Nenhum chakra que não fosse conhecido.
Repentinamente o brinquedo parou. A menina tinha o olhar preocupado, que ora se erguia para os dois adultos ora para as duas crianças ao seu lado. Mas passava muito tempo mirando a entrada do parque, ela parecia esperar algo.
–Oji-san... – ela sussurrou com doce voz – É melhor você ir...
–Por que, pequena? – sussurrou Hinata, aproximando-se.
–Não é bom ficar perto de mim. – ela ajeitou-se no brinquedo, ainda sentada, organizando seu vestido – Mamãe vai chegar em breve...
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