Notas iniciais
Não me matem... Eu tive que fazer uma viagem de emergência e passei uma semana fora, mas como a fic passou dos 4000, então aqui está o segundo cap. da postagem dupla. Espero que gostem e não me abandonem...

O que foi que eu fiz a minha vida inteira? Tentei restaurar o meu clã que os inimigos haviam extinguido, eu tentei destruir a vila que meu pai fora Hokage, eu ameacei incontáveis vezes o único ser vivo que sentia algo de bom por mim, eu matei pessoas que tentaram me matar, eu me tornei um assassino para me defender, eu fui odiado... Não, eu sou amado, amado pela minha mãe, pelo meu pai, por... Sasuke.

O peso da realidade caiu sobre a cabeça de Naruto e outro trovão rompeu o teto da sala.

O moreno estava atônito, sem saber o que pensar, surpreso com o impacto que as emoções de Naruto tinha sobre aquele lugar. Lembrou-se de si, de como quase o matara queimado por causa de seus temores. Naruto estava passando por seu dilema pessoal agora e cabia a ele ajudá-lo a superar, como ocorrera anteriormente.

–Naruto! – ele segurou o corpo do loiro pela cintura, que jazia de quatro no chão – Naruto! Acorda cara, não se deixa levar por essas coisas não! Você é um sobrevivente, esqueceu? Um órfão sobrevivente! – Naruto tinha dificuldade de respirar por causa de um repentino ataque de asma – Não faz isso, dobe! Não assim, não depois de tanto tempo! – Sasuke sussurrava, tentando acalmar o outro, cobrindo o corpo do loiro com o seu próprio.

Ficaram de joelhos, com Naruto se apoiando como podia em Sasuke. Ele se tremia violentamente e a cada raio que partia o lugar, uma rachadura se abria nas paredes, no teto e no piso, dela escapava uma suspeita névoa densa e de aspecto frio. Sasuke ouviu vozes chorosas. Fitou a névoa. Almas de mortos?

Levantou bruscamente o rosto do loiro.

–Se você não se acalmar agora eu vou te foder! – ameaçou – Estou falando sério! Aqui mesmo, no meio desses fantasmas, eu vou te comer sem dó nem piedade! – os olhos de Naruto choravam de desespero, haviam perdido o brilho natural e pareciam fitar o nada – Vai cara, sai dessa dobe, não quero que nossa primeira vez seja desse jeito, forçada! – ele sorriu, afagando os cabelos e o rosto do outro.

Naruto engoliu em seco, exprimindo sinal de que ouvia as palavras de Sasuke.

Afundou o rosto no peito suado do amigo e se sentou sobre os calcanhares. Tentava respirar, acompanhando os movimentos do diafragma do Uchiha, e organizar os pensamentos. O outro o abraçou com carinho e passou a vigiar as agitações das almas que se arrastavam pela sala.

Não foi sua culpa ter a kyuubi selada em si, não foi sua culpa ter assassinado o clã Uchiha, fora controlado, não era sua culpa ser odiado, pois não dava motivos, Naruto pensava.

Calma, Naruto, calma.

Sua vida não fora uma merda de todo! Lembre-se da amizade que criara com sua mãe/pai adotiva/adotivo, com Kura-sama, que tanto lhe cuidava e lhe protegia. Lembre-se de Sasuke, seu amigo, seu tão importante amigo, porque se não o fosse, não poderia deixar que ele lhe tratasse com tantos carinhos. Matara unicamente para se proteger, pois estava só e era um menininho. Lembre-se da dura realidade que tivera que enfrentar e tudo o que fizera para sobreviver sem família e sem piedade.

Os raios diminuíram e a nevoa parara de escapar pelas fendas, que se fechavam aos poucos.

Naruto segurou com força o casaco de Sasuke e este lhe apertou num confortante abraço. Os dois ficaram quietos, compartilhando o silêncio que aos poucos a sala recobrava. O moreno fez o loiro sentar em seu colo, com uma perna em cada lado de sua cintura, e beijou cada ponto que conseguia do rosto de Naruto, envolvendo-o carinhosamente. O outro aceitou cada um dos afagos, retribuindo como podia, pois seu corpo ainda tremia e sua respiração falhava.

–Vamos embora daqui... – Sasuke averiguou – Chega de tanta dor, já basta a que temos.

Naruto assentiu, se recompondo.

–Obrigado – murmurou, fitando os orbes que cintilavam para ele – Obrigado por nunca me abandonar. Você é realmente meu amigo, meu melhor e único amigo.

Sasuke sorriu de canto de boca.

–Hm... – soltou com um suspiro.

–Eu prometo tentar retribuir todos os seus sentimentos, Sasuke, todos eles com todas as minhas forças! – continuava enquanto fazia os selos que desfariam o “Poço da Verdade” – Eu não tenho coragem de te matar, apesar de ter um instinto assassino perturbador...

–Eu também tenho esse mesmo instinto assassino, esqueceu usuratonkashi? Hm? – outro beijo – Meu mal é que sou possessivo, só porque não tenho certeza de que...

–Shi! – Naruto fez o último selo e sorriu – É uma promessa, Sasuke, só entre nós.

Uma brancura inundou os pensamentos, as almas e as visões de ambos.

Poderiam morrer ali, pois estavam em paz.

o/ o/ o/ o/

Do lado de fora, Danzou e Hiruzen, ex-hokage, observavam o enorme barril de madeira diante deles. Danzou sorria, pensando nas possibilidades que teria nas mãos conseguindo controle sobre o Uchiha e o Uzumaki. Pensava em tudo o que poderia fazer se tivesse os olhos de Sasuke e se controlasse a kyuubi. Seria poderoso e incontestável. Hiruzen lhe fitava pelo rabo do olho, se perguntando o motivo do sorriso repentino.

Ninjas corriam para todos os lados, levando e trazendo papeis e objetos, pois acompanhavam como podiam o que ocorria dentro do largo barril.

Aquele lugar estava um alvoroço e aumentou quando o ninja que observava as oscilações de chakra informou que o selo estava sendo desfeito. Todos se apressaram. Não sabiam como os dois poderiam sair dali de dentro. Preparavam-se para tudo e para nada, pois pouco eles conheciam de verdade sobre Uchiha Sasuke e, principalmente, sobre Uzumaki Naruto. Esperaram, ansiosos, ouvindo a contava regressiva do ninja.

–O selo está em 30 por cento, 25 agora... Caiu para 13! Está em 7, seis, cinco, quatro, três, dois... Agora! – mal fechou a boca e uma explosão de luz se expandiu por todo o laboratório improvisado em volta do barril. Pessoas correram, pessoas caíram, pessoas se afastaram. Do meio da luz, risos eufóricos romperam o silêncio.

Hiruzen fitou o epicentro da explosão: dele saltava um moleque vestido em roupas pretas e laranjas, rindo folgado e de olhos arregalados, adorando assustar todo mundo, de braços e pernas abertas, ao seu lado saltava outro, com mais estilo, mais rebelde, exibindo a arcada perfeita num sorriso de satisfação, tentando afastar os cabelos dos olhos para enxergar onde iria pousar. Hiruzen sorriu.

Passaram direto por todos, quebrando cada um uma janela, caindo lá embaixo, escorregando pelos paredões de pedra maciça do monte de Konoha. Não tinham controle nos próprios pés, deslizando pela pedra e se equilibrando como podiam, entre os risos frenéticos e os obstáculos que surgiam. Dois adolescentes, no saldo das contas.

Naruto quase uivava de felicidade e Sasuke não conseguia desfazer seu sorriso.

O loiro queria voar, mas não tinha chakra para isso, o selo lhe consumira boa parte. As pedras em seu caminho surgiram, mas ele desviaria de todas elas agora e com um sorriso contente no rosto. Por falar em pedra, uma enorme apareceu e Naruto tentou saltá-la, mas não conseguiu ir tão alto, ficando com o pé preso e caindo de cara no paredão, rolando feito louco até chegar ao chão. Sasuke tentou acelerar para acudir Naruto, mas acabou escorregando e terminando de descer o paredão de bunda, acertando-a em boa parte das coisas que apareciam.

–Oh cacete’ttebayo! – resmungou o primeiro ao se chocar contra o chão, sentindo o corpo dolorido e cheio de hematomas – Merda de pouso foi esse... Estou todo quebrado’ttebayo! – quando tentou se levantar, recebeu o outro corpo de em suas costas, terminando de “colocar os ossos no lugar” – Caramba...! – a alma do loiro parecia querer sair de sua boca.

Sasuke rolou para o lado, esfregando as nádegas.

–Ai que merda, parece que essa pedra me fodeu com raiva! – retrucou – Não vou conseguir andar direito por uns três dias...

–Isso é para você... Ver o que eu vou sofrer... – Naruto, quase morto, resmungava com a cara desnorteada – Se você fizer o que quer comigo’ttebayo...

–Nem compare! – se alterou – Está maluco? Quando eu te comer, vai ser lindo! – os olhos dele brilharam, apesar da dor – Estrelas brilharão!

–Que nem essas que eu estou vendo agora? – Naruto apontou para o nada, circulando o dedo.

–Quase. – brincou Sasuke.

Uma equipe médica chegou e levou os dois para o hospital de Konoha.

Notas finais
Bando de peste!!! Lanço a primeira enquete do ano: Se eu postasse um fic original minha, que envolva tudo o que vocês amam e que sempre tem nas minhas fics, mas que não seja Yaoi, seja normal, homem e mulher, mas que tenha lemon, vocês leriam?