Outra História: e se...
17 Encontro – parte 1
Notas iniciais
–Acorde... – Sasuke sentiu um dedo cutucar sua testa – Acorde! – ele abriu lentamente os olhos. Havia uma mulher diante de si. Uma mulher com longos cabelos vermelhos – Que bom! Eu pensei que você havia morrido que nem aquele outro ali’ttebane! – a mulher apontou para o corpo de Naruto encostado numa estranha parede de energia. Estava de ponta-cabeça, com as pernas esticadas diante do corpo, o tronco encostado na parede, os pés tocando as mãos e com os olhos fechados. Morto? Sasuke tremeu e foi logo ver o amigo.
A mulher o impediu. Sasuke a fuzilou com o olhar.
–Largue-me, sua bruxa velha! – gritou procurando por sua espada para atacá-la. Ela não estava lá. Fitou-se. – Mas o que...?
–Quem é bruxa velha, seu moleque’ttebane!!! – Sasuke recebeu um poderoso soco na cabeça, fazendo-o sentar bruscamente. Agora sua bunda e sua cabeça latejavam de dor. – E nem adianta usar jutsus! Você e nem ele tem poder algum aqui! – ela suspirou e cruzou os braços, serenando suas expressões – Eu estava brincando, seu bobo.
Sasuke mirou novamente o corpo de Naruto. Ele acabara de acordar e estava se levantando. Agora percebera: ele estava descalço e sem as luvas. A mulher foi até o outro e o empurrou até ficar próximo a Sasuke, acertou-lhe semelhante soco na cabeça, obrigando-o a se sentar. Ficaram os dois esfregando as cabeças de modo sincronizado.
–Mas eu apanhei por quê? – bradou Naruto com uma lágrima falsa escorrendo do olho.
–Porque quase destruiu tudo aqui, entrando alvoroçado, feito um maluco’ttebane! – os cabelos delas se mexiam como se fosse a capa de um demônio. Ela suspirou e se acalmou — Você dois são uma pareia de idiotas, sabiam? – ela suspirou, esfregando uma das têmporas.
–Quem é você? – perguntou Naruto, que nada entendera.
–Tente adivinhar! – ela brincou. Os dois fitaram-na de cima a baixo, enquanto ela sorria.
Naruto apertou o olhar. Soltou o ar lentamente. Os olhos da mulher brilharam.
–Não sei... – falou cansando de pensar.
–Seu idiota’ttebane! – ela lhe acertou um chute forte em sua cabeça, fazendo-o rolar – Eu sabia que você se tornaria um grande ninja, só não sabia que iria se tornar um grande panaca’ttebane! – ela caminhou a passos fortes, como se fosse afundar o chão. Sasuke riu ao vê-la sacudi-lo com tanta força, que parecia que a cabeça de Naruto soltaria do pescoço.
–Eu não acredito! É a sua mãe, Naruto! – gargalhou até cair deitado. Ela soltou Naruto e o garoto veio correndo, saltando por cima do corpo de Sasuke, até ficar longe o suficiente.
–Minha mãe? – falou sem entender a informação – Espera, minha mãe?! – ele a fitou com lágrimas nos olhos – Mãe! – correu de volta no mesmo momento que ela também correu para lhe abraçar. Os dois se encontraram quase sobre o corpo de Sasuke, se ele não tivesse saído rapidamente dali com um rolamento de corpo.
Abraçaram-se longamente. Naruto chorava. Sasuke sorriu. Houve um tempo em sua vida em que sabia o que era receber carinho de mãe. Afastou o pensamento triste que se aproximava. Ali não era o lugar para pensar algo assim.
O moreno viu a mãe de o outro lhe chamar sutilmente, ele se aproximou e foi abarcado também pelo abraço sincero daquela mãe. Os três se sentaram e ela sorriu mais uma vez.
–É bom vê-los vivos e bem! – iniciou – Eu me chamo Kushina Uzumaki e os trouxe para cá para que possamos conversar sobre... – sua fala foi interrompida por um abraço intenso entre Sasuke e Naruto. Kushina os fitou. Um abraço terno de saudade.

Seu filho fora surpreendido tanto quanto ela fora.
Sasuke afundou seu rosto no pescoço de Naruto e inspirou profundamente, enchendo seus pulmões com o cheiro do seu amado. Abriu lentamente os olhos e sorriu fitando os fios dourados do loiro. Encurtou a proximidade dos corpos, com medo de se separarem por muito tempo novamente, abraçou-o como se quisesse eternizar esse momento. Trouxe-o para seu colo e continuou quieto, acariciando de leve a cabeça de Naruto.
Kushina admirada o fitou. Os olhos de Sasuke se ativaram. O Mangekyou Sharingan. Entendeu e sorriu. Dentro de Naruto, ela acompanhava todo o seu treinamento e suas decisões, e viu o que fizera por aquele Uchiha, viu o quanto seus sentimentos estavam ligados aos de Sasuke, viu a conexão que os dois criaram entre seus chakras e suas almas. A ligação era incrivelmente poderosa e seus poderes especiais se ativavam quando estavam juntos.
Era amor, apesar de não totalmente correspondido, ela sabia fitando docemente o Uchiha e lançando em seguida um olhar preocupado para o próprio filho. Naruto não resistiu e entrelaçou o pescoço do moreno, iniciando a carícia que o Uchiha mais gostava, desativando o sharingan como consequência.
Sasuke distribuiu carinhosos beijos pelo pescoço de Naruto, causando breves arrepios.
–Pode falar mãe – murmurou Naruto – Ele não vai me soltar durante uns quinze dias, pode ter certeza... – brincou — Depois que esse cabeção quase me matou, sofreu pela quase perda e agora... – bateu no ombro dele de leve – Pode falar’ttebayo.
–Ok então. Bom... Como eu ia dizendo, estou aq...
–Espera um pouco, Kushina! – outra voz de mulher interrompeu sua fala. A ruiva se voltou para o lado e viu uma velha amiga entrar naquele lugar. Sorriu.
–Mikoto, que bom vê-la. Faz muito tempo, não é? Não mudou nadinha, continua bonita e jovem! – a Uchiha cumprimentou a Uzumaki assim que a última se levantou – Sasuke, eu acho que vai gostar disso! – o moreno levantou lentamente o rosto. Não podia acreditar nos seus olhos. Sua mãe estava ali?
–Há quanto tempo, Sasuke-kun...
O rapaz se levantou bruscamente, levando Naruto consigo aos tropeços. Afastou-se até encostar a parede. Naruto sentiu, pela primeira vez em sua vida, o corpo de Sasuke tremer involuntariamente. Fitou o rosto dele, forçando uma folga no abraço que ele lhe aplicava: um misto de medo e raiva se encontrava ali. O mesmo olhar de quando Sasuke encontrava seu irmão mais velho, antes do massacre no complexo Uchiha.
Naruto virou-se de costas, permitindo que Sasuke continuasse abraçado ao seu corpo, porém com as mãos apertando a parte da camisa que cobria o abdômen dele, fitou a sala em que encontravam: estava ficando negra. As duas mulheres se fitaram e se angustiaram.
–Calma Sasuke-kun – indagou Mikoto – Eu não vim aqui para lhe fazer mal, eu sou sua mãe...
Naruto sentiu as mãos de Sasuke lhe apertarem mais. A respiração em seu ombro estava acelerada e o coração batia forte contra suas costelas, alguma coisa estava errada. Naruto entendeu o que era aquela sala. Era uma projeção dos chakras dos dois e por isso Kushina estava ali, pois de alguma forma ela estava ligada ao selo que prendia a Kyuubi dentro de si. De alguma forma Mikoto conseguira transferir uma parte de sua energia para a sala também.
Nunca entendera para que servia aquela barreira, mas agora Naruto sabia: era o que ele vira em um pergaminho antigo, era o que os anciões que escreveram aquele pergaminho chamavam de “Poço da Verdade”.
Usar aquela técnica para conter os dois era uma boa, pois era um selamento poderoso e que só poderia ser desfeito de dentro para fora, caso o aprisionado soubesse, do contrário ficaria ali, preso em suas memórias e em suas sensações até o dia em que seu chakra se extinguisse e morresse. Por isso o aprisionado não tinha poderes ou armas ali dentro. Somente vida.
O que faria? As emoções de Sasuke juntamente com as suas eram poderosas e, ao mesmo tempo, fatais, eram boas e más demais. Observou o lugar.
Estava com um brilho roxo por cima das sombras que agora tingiam as paredes, eles pareciam flutuar no vazio e a atmosfera cheirava a enxofre. Maldita hora que Mikoto apareceu. Morreriam asfixiados pelo medo que Sasuke nutria pela própria família, pela própria mãe.
Sasuke parecia cada vez mais pesado sobre Naruto e lhe apertava com mais força a cada segundo que passava. Já estava dificultando o rapaz de respirar, dado os pulmões comprimidos pelos braços do Uchiha e a atmosfera de enxofre só piorava tudo. Kushina desesperou-se da mesma forma que Mikoto. Ver seus filhos daquele jeito era assustador e ao mesmo tempo doloroso.
Repentinamente o corpo de Sasuke pegou fogo, chamas negras. Era o fogo do Amaterasu.
Naruto gemeu de dor.
–Eu pensei que não pudessem usar jutsus aqui! – murmurou Mikoto, vendo seu filho incendiar a si mesmo e a Naruto.
–E não podem... Isso não é um jutsu – sussurrou Kushina – É a alma dele.
A alma dele? O que fizeram ao seu filho? O que ela fizera com seu filho?
O loiro respirou fundo e esticou os braços para trás e para alto. Mesmo passados três anos, Naruto continuava mais baixo que Sasuke. Vantagem para um, desvantagem para outro.
Tocou a nuca de Sasuke e iniciou uma leve massagem com a ponta dos dedos. Sasuke fechou os olhos, deitando a cabeça no ombro de Naruto. Um sentimento calmo foi transmitido por aquele toque suave. O abraço começou a folgar e as chamas começaram a diminuir. Naruto respirou profundamente. O cheiro de enxofre estava se dissipando.
–Tudo bem, Sasuke... – sussurrou só para ele, em sinal de conforto – Não precisa se desesperar... Todo mundo tem medo de alguma coisa... Vai ficar tudo bem, eu estou aqui com você, fique tranquilo... – Naruto o fitou com intimidade.
Sasuke aproximou sua boca dos ouvidos de Naruto.
–Não a deixe vir até aqui, por favor. – proferiu – Eu não a quero perto de mim.
Naruto assentiu. Estendeu a mão indicando que as duas deveriam ficar longe dos dois. As duas assentiram. O ambiente continuava escuro, mas respirável.
–Aqui – iniciou Kushina – É o único lugar onde a mentira e a falsidade não tem espaço. Somente a verdade pode ser mostrada, portanto, suas verdadeiras faces serão reveladas ainda que não queiram. Não tem como fugir.
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