Outra História: e se...
13 Selos e selos
Notas iniciais

“Olá, Sasuke-kun” – sibilou Orochimaru.
“Você!” – o garoto fitou em volta de si. Parecia estar dentro do estômago de alguma coisa que se mexia lentamente – “Onde estou? O que você fez com Naruto?”.
“Eu? Nada, Sasuke-kun, mas você fez algo terrível, olhe só” – um buraco abriu bem diante dos olhos do garoto e ele viu o corpo do loiro estirado no chão, com os braços e as pernas arrancados, o olhar perdido no tempo e sem brilho – “Você o matou, Sasuke-kun”.
O garoto respirou fundo e sorriu, se acalmando.
“Isso é um genjutsu, não é? Um poderoso genjutsu que me faz crer que matei o Naruto... Você é muito idiota em querer que eu acredite nisso!” – Sasuke se recompôs.
“É mesmo, Sasuke-kun? Olhe de novo” – Sasuke o fez. Viu uma figura demoníaca, com enormes mãos nas costas e longos cabelos cinza fitar longamente o corpo mutilado de Naruto. De suas mãos pingavam gotas de sangue. A criatura virou o rosto, como se sentisse que estava sendo observada. Sasuke cambaleou para trás.
Viu a si próprio transformado pelo selo. O gosto amargo da dor invadiu sua garganta e ele vomitou a própria bílis. Orochimaru começou a rir diabolicamente.
Olhou mais uma vez para o buraco. Aquele Sasuke, o assassino de seu dobe, lambia as pontas dos dedos com lentidão. Sasuke sentiu o fel em sua língua. Era o sangue de Naruto que entrava em sua garganta. Chorou desesperadamente ao entender o que se passava. Ele estava vendo a si próprio de fora, como se sua mente, a parte sã dela, houvesse sido afastada de seu corpo. Gritou sentindo seu coração ser esmagado pelo peso do crime.
“Pobre Sasuke-kun... Por que se preocupa tanto?” – o garoto fitou o homem cobra – “Ele é o assassino de seu clã, não é? Seus pais acreditam que fora o Itachi que os salvara, mas na verdade foi você que parou a raposa-demônio antes que ela estraçalhasse seus amados pais e seu incrível irmão mais velho” – Orochimaru abaixou-se diante dele – “Deveria estar feliz!”.
Sasuke cuspiu uma bola de fogo na cara de Orochimaru, que só se afastou.
“Como posso está feliz, seu merda?! Como?! Eu só parei Naruto naquela noite porque estamos conectados, entende?! Unidos pela alma para sempre!” – Sasuke se levantou com dificuldade – “Não foi por culpa dele... Um outro Uchiha o controlava... O mais poderoso de nós...”.
Orochimaru sorriu. Sasuke estava visível e mentalmente destruído. Aproveitou-se disso e lançou uma proposta.
“E se eu lhe ensinar um jutsu capaz de ressuscitar os mortos?” – Sasuke fitou imediatamente o homem cobra – “Posso lhe ensinar, para que quando tiver poder suficiente possa trazer seu querido Naruto de volta a vida, mas há um preço caro a pagar”.
Observou mais uma vez o corpo de seu dobe. A criatura ainda o atacava, arrancando pequenos pedaços de carne dos quadris e das coxas. Assentiu. Orochimaru sorriu, satisfeito. Os dois partiram dali juntos, para o esconderijo secreto do sennin.
o/ o/ o/ o/
O corpo de Sasuke foi lentamente engolido por uma serpente e levado, enquanto Naruto jazia ali, semimorto, assistindo a entrega do moreno à maldição do selo. O garoto adormeceu, concentrando-se em se recompor do repentino ataque de Sasuke. O manto da Kyuubi cobriu completamente o seu corpo e começou a religar os membros mutilados, transformando o sangue derramado em chakra para acelerar o processo de cura.
Quando o dia amanheceu, o corpo de Naruto foi encontrado por Jiraya, outro lendário sennin, e por Tsunade. O garoto contou-lhes a história do ocorrido e esperou por as decisões que seriam tomadas. Ele foi enviado ao hospital, para receber os tratamentos adequados. Passara mais de um mês ali. Somente Kakashi ia lhe ver.
Pensou em Sasuke. O que ele estaria fazendo agora? Suspirou.
–Sou só um garoto, afinal... – murmurou para seu sensei, que lia pacientemente seu costumeiro livro, mas fechara para ouvir o pupilo – Não pude prever o ataque de Orochimaru e agora Sasuke pensa que estou morto... Que ele me matou...
Jiraya surgiu no recinto no meio de uma explosão ninja concentrada.
–Isso é típico do Orochimaru, Naruto. – comentou – Ele manipulou as emoções do Sasuke para que pudesse se aproveitar das fraquezas dele e capturá-lo.
Naruto soltou um riso cansado.
–Que foi, Naruto? – indagou Kakashi.
–Quando Orochimaru souber a verdade sobre Sasuke, já vai ser tarde demais para ele se arrepender de ter escolhido ele...
–Como assim? – Jiraya sentou-se numa cadeira do outro lado da cama.
Naruto fitou os dois homens diante de si. Não tinha mais motivos para esconder alguns segredos. Soltou o ar lentamente e se sentou na cama. É melhor que as pessoas conheçam a morte do que morrerem sem saber o que aconteceu, assim constatou Naruto.
–Quando eu tinha seis anos eu aprendi uma técnica de selamento deixada por minha mãe em um pergaminho, acho que vocês conheceram os meus pais, não é? – os homens assentiram – Era uma técnica de dois gumes: ela despertava o máximo que havia no usuário, porém selava 90% do chakra, só permitindo que o usuário use os 10% restantes e que cada progresso feito reverbere nos outros por centos selados. O ruim é que ele só irá dispor desses 10% pra fazer tudo... É bem ruinzinho.
Eles assentiram.
–Eu fiz isso em mim, depois de dois anos estudando e praticando a técnica, para aprender a controlar o chakra da Kyuubi. Naquela época eu já conhecia Sasuke e nós éramos amigos íntimos, melhores amigos’ttebayo! – ele riu – Conheci os problemas que ele tinha com os pais e o irmão mais velho, então resolvi ajudá-lo, utilizando a mesma técnica.
–O que aconteceu? – murmurou Jiraya.
–Eu quase morri, por causa da quantidade de chakra que eu usei. Se não fosse pelo chakra da kyuubi, eu provavelmente estaria morto agora... Sasuke despertou um nível de sharingan absurdamente poderoso, ao ponto que seu olho ficou negro e algo parecido com uma lótus vermelha se abriu no lugar da pupila. – Naruto arregalou os olhos, lembrando-se da sensação de medo que lhe inundara em contato com aquele poder – Ouvi dizer que somente um Uchiha conseguira elevar seu olho até aquele nível e que o homem já havia morrido.
–Madara – confidenciou Kakashi – Esse era Uchiha Madara, que despertou o Eternal Mangekyou Sharingan. O tipo de dojutsu que não deixa o usuário cego por tanto usar os olhos, coisa que geralmente acontece entre os Uchihas. – o sensei fitou seu pupilo – Está nos dizendo que graças ao seu jutsu, Sasuke despertou o Eternal Mangekyou Sharingan aos oito anos de idade? – Naruto assentiu, sem entender ainda a grandiosidade do que dissera.
Kakashi engoliu em seco. Talvez isso justificasse o que presenciou no exame chunnin, além do fato do menino sempre se conter nas lutas. Talvez fosse isso o que faziam todas as noites: treinavam para controlar uma coisa que pouco eles conheciam.
–Depois o tal sharingan foi selado – Naruto apontou para testa – Abaixo do que chamamos de “chaves”. Existe três – o garoto pegou um pedaço de papel e um lápis e desenhou três círculos, um dentro do outro – A maior parte do poder despertado fica aqui – ele apontou para o centro do círculo mais interno – E a energia que usamos fica aqui – ele apontou para a parte externa do círculo mais externo.
Os homens assentiram.
–Eu não sabia que os efeitos colaterais no Sasuke seriam tão fortes. Ele ficou cego por três dias depois que o selo se fechou completamente. Por causa disso o desprezo do pai dele aumentou, julgando inaceitável um Uchiha ficar cego por ter ativado pela primeira vez o sharingan, sem ao menos saber da verdade.
–E o que acontece se por ventura Orochimaru quebrar essas três chaves? – indagou Jiraya.
Naruto sorriu de canto de boca.
–Não tenho tanta certeza... Mas uma energia maligna vai ser liberada juntamente com o seu poder trancado, pois o jutsu sela toda forma de chakra que se acumula no corpo do usuário, aplicando o mesmo processo que fez no original.
–Isso significa que se caso Orochimaru desperte o selo de Sasuke, ele vai liberar todo o poder do selo amaldiçoado, que segundo Naruto, estará ainda mais forte por causa do treinamento que o Uchiha vinha tendo... Existe alguma forma de controle?
Naruto assentiu.
–Qual? – Kakashi o fitou.
–Nós nos controlamos mutuamente. – iniciou Naruto – Eu sou o cadeado para essas chaves internas de Sasuke, enquanto Sasuke é o meu cadeado. Eu poderia contê-lo, se fosse do caso, mas não sei como rastreá-lo. O teme que era o bom rastreador de chakra... – Naruto suspirou – Mas no estado em que estou, eu morreria ao selá-lo, pois meu poder também está selado e eu não tenho acesso a ele sem me descontrolar também.
Jiraya assentiu. Pensou um pouco e uma ideia lhe ocorreu.
–Eu irei treiná-lo, Naruto, para que você fique forte o suficiente para conter Sasuke, se o caso chegar a acontecer – os olhos de Naruto brilharam. Era a segunda vez que alguém se dispunha a treiná-lo. Sasuke ocupara todos os primeiros espaços de sua vida, sempre – Vou lhe ensinar novas técnicas de absorção de chakra para que não chegue a morrer e vou lhe ajudar a aperfeiçoar suas próprias habilidades. – terminou, categórico.
–Sério?
O velho sapo assentiu. Naruto sentiu-se feliz. Também receberia treinamento de um sennin e não ficaria atrás de seus amigos. Viu ali a oportunidade de restaurar as técnicas de seu clã.
Brilhou de alegria.
–Assim que você se recuperar, eu vou levá-lo embora, para que possamos treinar apropriadamente. – comentou olhando para Naruto, apesar de seu tom está direcionado a Kakashi – Não se preocupe, Naruto, nós o traremos de volta.
–Claro’ttebayo! – brincou o loiro, deitando-se novamente – Aquele teme vai pirar quando souber que estou vivo! Com certeza vai destroçar Orochimaru em um trilhão de pedaços! – fitou Kakashi – Ele odeia ser enganado, sabe?
O sensei assentiu. Um pensamento lhe ocorreu. E se as chaves não fossem quebradas?
–Naruto.
–Sim, Kakashi?
–E se Orochimaru não conseguir despertar o verdadeiro poder do Sasuke?
–O que é mais improvável? – o garoto sorriu zombeteiramente – Nada. Ele vai achar Sasuke um inútil, porque o teme já assimilou a mania de esconder sua verdadeira força das pessoas, com medo de ser tratado pior do que já é. – fechou lentamente os olhos, sonolento – As chaves estão ligadas a uma memória ou sentimento muito forte e significativo... Facilitando o acesso direto a cada camada... Ira, dor, tristeza, alegria, qualquer coisa... – bocejou – Em ambos os casos, tanto o meu como é dele, é... O dia em que nos... Conectamos...
Adormeceu.
Os dois homens se encararam mutuamente. Sabiam a que ele se referia.
O dia do massacre.
Fale com o autor