Outra História: e se...
8 Só não me diga que...
Notas iniciais
Ele andava rapidamente pelo mercado, observando cada uma das lojas. Buscava uma livraria. De uma vez por todas Naruto decidira entender o que estava acontecendo com Sasuke. Desde o dia em que haviam se inscrito no tal Exame Chunnin que situações inusitadas aconteciam envolvendo a ambos. Porém, a da manhã anterior fora o estopim de sua curiosidade.
Naruto encontrou uma livraria e usou seu Henge no Jutsu para poder comprar um livro que contivesse o que queria. Pagou e saiu dali para uma pracinha mais isolada. Sasuke estava tendo lições com o pai e o irmão mais velho, Sakura estava com a mãe e Kakashi saíra em uma missão especial, sem mencionar que aquele era seu dia de folga, então poderia ler em paz. Sentou-se a sombra de uma árvore e preparou-se para folhear o livro. Não conseguia conter o riso ao se perceber prestando estranho trabalho.
–Muito bem... – fitou a capa azul do livro com o título em discretas letras bege – “Amor entre Homens”. Que fique claro – falava como se estivesse diante de uma plateia – Que tudo é culpa do Sasuke, por me fazer passar por coisas estranhas.
Observou o índice, enquanto recordava-se do ocorrido na manhã anterior.
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Os dois estavam voltando das inscrições com Sakura ao centro. Sasuke e Sakura conversavam aleatoriedades, apesar de que a menina mais falava do que era respondida. O outro fora ignorado, como de costume. Parecia um dia normal. Assim pensavam.
Naruto vira Konohamaru parado alguns passos à frente, neto do terceiro hokage, um garoto que assumira notavelmente uma fantasiosa rivalidade com ele. Ele estava sorrindo como sempre e se preparando para atacar o loiro. Naruto apertou o olhar, calculando mentalmente a distância que faria o moleque voar com um chute. Seu cálculo foi interrompido por um rapaz com a cara tatuada que esbarrou em Konohamaru e ameaçava bater no garoto por ele ter ficado em seu caminho.
Ao lado dele, suspeitou Naruto, estava à irmã, pois muito se pareciam, provavelmente com idade aproximada do rapaz de cara pintada. Suspirou. Não podia deixar que mais alguém batesse no moleque além dele mesmo.
–Oe – ele acertou uma pedra na testa do rapaz, chamando atenção – Largue o moleque, vá embora e eu não vou chutar seu traseiro.
–E quem é você para me dar ordens?! – o rapaz soltou Konohamaru e foi até Naruto, que sorria zombeteiramente. Sasuke fitou os dois já imaginando a briga que iniciaria.
–O cara que vai chutar o seu traseiro se você se aproximar demais. – murmurou acidamente.
O rapaz retirou de suas costas uma estranha coisa enfaixada. Naruto observou e sorriu mais uma vez. Era uma marionete. Um ninja de marionetes. Notável, pensou. Observou o símbolo que o rapaz trazia em seu capuz: eram irmãos vindos de Suna, vila oculta do país do Vento. Deveriam estar ali para o exame.
–Vou arrancar esse seu sorriso da sua cara! – gritou o outro.
–Quero ver. – provocou o loiro. O rapaz preparou-se para atacar, mas foi parado por um arrepio. Fitou o alto. Um garoto ruivo, de mesma altura e aparente idade igual à de Sasuke, carregando uma grande cabaça nas costas, estava de cabeça para baixo no galho.
–Deixe-o Kankurou. – ordenou. O rapaz se afastou devagar, colocando-se ao lado da irmã – Espere o exame se quer tanto assim lutar.
Naruto esfregou os cabelos, pôs as mãos atrás da cabeça e começou a caminhar, voltando para casa, sendo seguido de perto por Konohamaru barulhento. Repentinamente o dito ruivo surgiu diante de seus olhos, sentindo-se enojado por ter sido ignorado, segundos antes. Sasuke apertou o olhar. Aquele rapaz estava perto demais do seu dobe.
–Como você se chama? – murmurou, de braços cruzados. O temperamento desse cara parece e muito com o de Sasuke. Oh, droga, pensou Naruto num suspiro.
–Naruto. – falou simplesmente.
–Sou Gaara e estou interessado em você.
Se Naruto estivesse bebendo algo, teria cuspido na cara do garoto, tamanho foi o seu assombro. Mas o que foi aquilo? O olhar sério do garoto evidenciava a veracidade daquela informação, o que foi ruim para Naruto e para outro, que quase rosnava de canto.
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–“Primeiramente você deve saber de que lado você está, para isso responda essas breves perguntas. Primeira, você sempre toma iniciativa nos beijos?” Não. “Segunda, tudo o que você fala é totalmente levado em consideração?” Não. “Você é o mais alto dentre seu grupo de amigos?” Não. “Você é popular com a maioria das garotas, no bom sentido?” Não. “Última, você tem vontade de perseguir algum homem, no sentido sexual da coisa?” Definitivamente não. – Naruto passou a página para ver a resposta – “Se todas as suas respostas foram Não, significa que definitivamente você é um Uke de primeira! Saiba que o Uke é o passivo da relação, isto é, é casos naturais, seria a mulher da relação”. – o vento soprou o rosto estático do loiro – Uke, é? – seu olho ganhara repentinamente um tique nervoso – Sei...
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–Poderia repetir...? – Sasuke surgiu ao lado de Naruto, exibindo um dos mais mortais olhares que poderia mostrar a alguém. Gaara o fitou de cima a baixo e manteve a postura.
–Estou interessado nele. Algum problema? – falou sem papas, retribuindo o olhar assassino de Sasuke com uma encarada digna do polo norte.
Naruto observou os dois e viu áureas estranhas rondarem os corpos.
–Você não sabe o tamanho do problema que acabou de encontrar...! – murmurou o Uchiha que apertava os punhos dentro dos bolsos, exibindo ferozmente seu sharingan para Gaara, que não se deixava intimidar, fazendo flutuar uma nuvem suspeita de areia.
Sakura mal conseguia se sustentar de tão encantada que estava por ver, como pensava, Sasuke tão sexy como nunca.
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–“Para facilitar sua compreensão do mundo que existe dentro do Amor entre Homens, é importante que você saiba que tipo de Uke você é!” – o tique retornara. Um menininho quase menininha, vestindo uma fantasia de gato, apontava as seções indicadas para os Ukes. As mãos de Naruto tremiam de incredulidade, ao folhear cada página, buscou a descrição que se encaixava com seu perfil, ou se aproximava – Não tem nada parecido comigo aqui, só um tal de Uke Rebelde... Deve servir... “Então já sabe qual é seu lugar no mundo? Saiba que você é um dos mais procurados! Por quê? Simples: o proibido é o mais atrativo, o difícil é a melhor conquista e as grandes vitórias vêm de grandes batalhas!” Mas que porra é... – não conseguia nem completar o pensamento. Por que estava lendo mesmo?
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Naruto se perguntava se eles iriam lutar ali mesmo, a base das encaradas. Suspirou e tentou sair dali, mas foi impedido por Gaara, que segurou repentinamente seu pulso. O loiro o fitou: seu olhar parecia pedir para que ele ficasse, mas o outro olhar, logo atrás de Gaara, poderia matar um desavisado. Sasuke olhava para aquela mão segurando o seu dobe como se ela fosse o diabo encarnado. Não, a mão não, o dono dela.
Sasuke apertou o pulso de Gaara, obrigando-o a soltar Naruto e o empurrou para longe.
–Como você disse, eu estou louco para que esse exame comece logo... – Sasuke bateu os punhos e sussurrou – Esse dobe tem dono, seu idiota, e o dono sou eu...! – falou para que somente Gaara ouvisse. Só não contava com a boa audição do Uzumaki.
–Veremos, maldito Uchiha...! – sibilou o outro, segurando Sasuke pelo colarinho. – Eu sei de que clã você é. A elite de Konoha, certo? Veremos se é tão bom assim... — Naruto apertou o olhar e sorriu. Adoraria ver aqueles dois se matarem, mas os olhos enormes de “cachorro sem dono” de Sakura lhe obrigaram a se meter na briga.
Segurou os braços de cada um e os suspendeu, apesar de ser o mais baixo dos três.
–Eu não tenho dono. – falou encarando Sasuke, depois encarou Gaara – Estou pouco me lixando para o seu interesse. – soltou-os e suspirou – Se começarem a brigar aqui, vocês vão começar uma guerra entre as vilas e se eu for acusado de ser o motivo dessa guerra, eu faço questão de levá-los pessoalmente ao inferno! – ele sussurrava, dada à proximidade dos corpos. Sasuke sorriu e transpassou um braço sobre os ombros de Naruto.
–Não sou seu dono, mas tenho prioridade – murmurou no ouvido do Uzumaki, causando um arrepio mesclado de ciúme e inveja em Gaara – O que é inevitável.
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–“Todos os semes, isto é, aqueles que desejam lhe possuir, provavelmente irão brigar por você, visto que o prémio maior está nos Ukes Rebeldes, haja vista a raridade e a dificuldade de um ser. Você terá um árduo trabalho até encontrar um seme apropriado para o seu estilo, mas não se preocupe...” – Naruto engoliu em seco, fechando lentamente o livro – “Ou ele te encontrará ou você encontrará ele...”. – quase lançou o livro no espaço, mas desistiu.
Então Sasuke acredita ser o seu seme? Bobagem. Não era assim que as coisas funcionavam, não com eles. Suspirou, esfregando os cabelos com força.
–Quem eu estou querendo enganar... – falou para si – É claro que Sasuke me vê dessa forma... É tão óbvio que chega doer. Que é que eu faço? – observou sua bandana e resolveu ir para casa de uma vez – Preciso confirmar isso primeiro, depois eu sei o que farei... – de súbito deu um alto grito, sacudindo freneticamente os braços no ar – Como foi que eu me meti numa roubada dessa?! Mas que porra de sina é essa, caramba?!
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Naruto se desvencilhou dos braços de Sasuke e se afastou, irritado, fumegando de raiva.
–N-Naruto? – indagou Konohamaru, com medo de apanhar do loiro.
–O. Que. É? – sibilou. O menino encolheu-se e negou, temendo falar alguma coisa. Naruto o fitou pelo canto do olho e deu de ombros. Sentiu dois chakras se aproximarem. Eram Sakura e a irmã do tal Kankurou. Observou-as, pareciam aflitas.
–Naruto! – iniciou Sakura – Você tem que controlar o Sasuke-kun! Ele não me dá ouvidos!
–Novidade... – sussurrou olhando para o lado.
–Se você não parar aquele moleque, Gaara vai matá-lo! – falou a loira mulher.
–Deixe tentar... – continuou sem fitar as duas, sussurrando para si.
“Oe, koso, você precisa fazer alguma coisa!” – a voz poderosa de Kurama ecoou em sua mente.
“Até você? Por que eu perderia meu tempo com eles? Que se matem! Viu como me trataram, Kura-sama? Não estou nem aí”.
“Esqueça isso de vez, Naruto. Aquele Gaara tem uma bijuu dentro de si. A de uma cauda. Meu irmão e rival, Shukaku, lembra-se dele? Contei-lhe sobre meus irmãos e irmãs alguns tempos atrás... Se aquele moleque acabar libertando a bijuu num acesso de raiva, você sabe que Sasuke pode quebrar as chaves e uma destruição em massa vai acontecer!”. Naruto engoliu em seco. Kura-sama tinha razão. Deu meia volta e correu até os dois.
Num salto ele chutou ambos, com as duas pernas, apenas para empurrá-los, fazendo-os cair alguns metros de distância. Os dois se levantaram e observaram Naruto sem entender.
–Olha só... – suspirou – Não sei de muita coisa nessa vida e entendo menos ainda as coisas que eu sei, mas eu posso afirmar que não adianta ficarem se engalfinhando por aí por motivos idiotas, falo sério! – chamar a si mesmo de motivo idiota se tornara algo comum. Resolveu mentir para comover – Odeio pensar que dois bons ninjas vão se destruir por coisa nenhuma... Esqueçam de uma vez o que passou e vão ser amigos! – ele sorriu feito criança.
Sasuke olhou Gaara de canto de olho e estendeu a mão, sem encará-lo. O ruivo aceitou o gesto de paz, suspirando em desacordo. Sakura e a irmã de Gaara bateram palmas. Fora a reconciliação mais rápida que ambas tinham visto em vida.
–Pelo Naruto... – murmurou Sasuke, levantando-se.
–Pelo Naruto. – concordou Gaara, aceitando a ajuda para ficar de pé.
Os dois se fitaram uma última vez e sorriram, como se ali mesmo, através de uma rápida trocada de olhares e sorrisos de cumplicidade, pudessem firmar uma aposta: o que se saísse melhor no exame, teria prioridade na “amizade” com o gennin.
Acabaram-se por se separar, os dois trios, e voltaram a se ver tempos depois. Os irmãos de Suna não puderam completar o exame Chunnin por causa de sérios problemas de estado na Vila da Areia. A consequência fora o jovem Gaara tornar-se Kazekage no lugar de seu pai. Sentia que de alguma forma estava um passo a frente de seu rival para chegar ao coração de Naruto, pois agora era um ninja influente e importante.
Mal sabia que isso não teria serventia de nada para o loiro.
Naruto odiava os líderes, principalmente os de Konoha. Faria o exame chunnin para entender melhor como funcionava a sociedade em Konoha, se tornaria parte essencial e alcançaria o status de Hokage. Quando lá chegasse... Naruto só conseguia exprimir um sorriso sombrio.
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