Outra História: e se...

2 Raios e Trovões! É chuva!


Notas iniciais
O capítulo anterior foi só um prólogo, uma pitada, a ponta do iceberg da verdade. Agora sim. Espero tudo e ao mesmo tempo não espere nada. Ah, antes que eu me esqueça, dá tempo de desistir de ler essa fic, falo sério... Não existem heróis aqui: somos vilões de nós mesmos, principalmente se há demônios dentro de nós. Vai continuar lendo? Tem certeza? É por sua conta e risco.

Não havia mais ninguém na sala de aula, até mesmo o seu professor Iruka já havia ido. Os olhos emburrados e a testa pregada no vidro da janela só poderia significar uma coisa. Chovia. Naruto suspirou e continuou observando Konoha em seu banho mensal de chuva. Não é que não gostasse da chuva, na verdade adorava brincar na lama com os pingos frios caindo em sua testa, mas o que desgostava na chuva eram os trovões.

A cada clarão no céu, o loiro tapava os ouvidos, pois dez segundos depois explodiria. Recolhia-se querendo não ouvir o barulho ensurdecedor. Tinha medo de trovões, da mesma forma que temia os fantasmas. Parece uma coisa boba quando se pensa no tanto que já enfrentara, mas não podia evitar temer: era mais forte do que si.

Olhou para a sala escura, vazia, iluminada de quando em quando pelos relâmpagos. Foi para o seu costumeiro lugar, cruzou os braços e deitou a cabeça. Imaginava que se tivesse uma mãe, ela o protegeria do medo de trovões.

Quis chorar, mas não o fez: sua mãe estava no céu dos ninjas, como só um garoto de seis anos podia imaginar, juntamente com seu pai, ela estaria sentada na importante cadeira concedida somente aos heróis. Seus pais eram heróis, mas sua mãe era mais heroína que seu pai, nisso ele acreditava. Dera sua vida por ele, protegendo-o e lhe concedendo diversos dons.

Naruto riu baixinho, só para si.

–A melhor mãe do mundo! – constatou.

Ouviu um barulho do lado de fora. Ficou parado, observando a porta, imaginando o que poderia ser. Dois homens mascarados entraram bruscamente na sala de aula e jogaram shurikens contra o menino, que tudo o que pode fazer fora encolher-se para debaixo das mesas, como reação imediata ao ataque.

O que estava acontecendo? Era a terceira vez naquela semana que alguém tentava matá-lo. “Calma, gaki, fique calmo, eu estou aqui caso preciso” – a voz grave soou em sua mente. Era sua mãe adotiva, como gostava de pensar, que lhe falava. Assentiu e começou a correr pela sala, fugindo dos ataques rápidos dos homens.

Naruto chorava. Não queria morrer, não sem se tornar um herói para poder ficar ao lado de seus pais verdadeiros. Duas shurikens atingiram a pequena espalda do loiro e o derrubou no piso frio. Naruto tossiu sangue, levantou-se com dificuldade e fugiu para fora da sala.

“Socorro Kurama, socorro!” – Naruto chorava desesperadamente, correndo sem direção certa, pela escola que pouco conhecia, sentindo sua camisa branca empapar e grudar na sua pele. Suas costas ardiam – “Eu não quero morrer, Kura-sama, não quero! Estou com medo!!!”.

Nenhuma resposta. Naruto entrou no banheiro feminino e se escondeu debaixo da pia. Com dificuldade arrancou as shurikens enterradas em suas costas e quase perdeu os sentidos com a dor que causara. Suas mãos e pernas tremiam epileticamente, sentia frio, sentia dor, sentia medo. A porta do banheiro foi escancarada com um chute. Os homens o encontraram.

Sentiu a morte eminente. Encolheu-se e esperou. “Oe, gaki, vai deixar que esses caras te matem fácil assim! Está de brincadeira comigo, pequeno mocoso?! Revide agora mesmo!” – a voz de Kurama lhe pareceu mais alta que os próprios trovões.

Abriu os olhos e recobrou o fôlego. Por que estava com medo? Por que estava fugindo? Era a terceira vez que lhe atacavam naquela semana e conseguira derrotar os outros que o atacaram, por que não podia repetir o feito? Sorriu e se levantou, remexendo suas costas para que diminuísse a dor. Jurou a si mesmo não fugir mais. Ninguém, além de si, iria controlar sua vida, ninguém. Ele tinha todas as armas, era hora de lutar.

Puxou de sua mochila uma kunai e lançou contra um, que desvio tranquilamente, porém baixara a guarda, achando que um menininho de seis anos nada poderia fazer contra ele.

Ao virar o rosto viu o pequeno corpo se aproximar rapidamente e uma kunai invadir sua órbita esquerda. Semelhante quando se enfia uma agulha numa bolha e ela estoura de dentro para fora, assim fora o olho do distraído. O sangue inundou sua cavidade ocular e escorreu internamente para suas narinas, procurando por uma saída, pois a kunais interditara o caminho primário. Gritou de dor. Naruto riu.

Segurou com firmeza o cabo da kunai e girou no sentido anti-horário, dilacerando o resto do inútil olho do homem, bem como parte seu cérebro, afundando a lâmina em seu crânio. Saltou de sua cabeça e deixou o corpo sem vida cair no piso. O outro fitou a criança com terror. Era possível que um menininho poderia fazer aquilo? Tarde demais, o seu maior erro fora acreditar que ali era um mero menininho.

Estático sentiu duas pontas rasgarem a pele de suas pernas e perfurarem o osso, como uma faca empurrada de toda forma contra a madeira. O choque elétrico da dor percorreu sua coluna e o fez cair. Fitou as pernas. Naruto apertava outras duas kunais contra as tíbias de ambas as pernas. O loiro sorria como um pequeno diabo com as mãos sujas de sangue.

Naruto buscou as duas shurikens que lhe perfuraram as costas, fitou o vivo tremendo no piso frio e resolveu brincar. Gostava de brincar com as pessoas também, principalmente as malvadas. Cortou fora um a um os ossos dos dedos das mãos, depois dos dedos dos pés, depois decepou fora as mãos e os pés, deliciando-se com os gritos esganiçados de dor que provocava nele. Ria-se folgadamente sempre que via os olhos dele lacrimejarem.

Sentou-se em seu tórax, que subia e descia com dificuldade. Naruto suspirou, satisfeito com seu trabalho. Lembrou-se de que tinha uma pergunta a fazer.

–Ei oji-san! Por que vocês me atacaram essa semana toda? – ele fez um bico aborrecido – É chato sabia? Já é a terceira dupla de idiotas que eu mato só essa semana... Sabe a trabalheira que eu tenho para dar fim aos corpos?! – ele se apoio no peito e fez uma cara de quem falava seriamente – Isso é ruim para o crescimento! Hunf... Por que queriam me matar?

O homem cuspiu sangue ao tossir e fitou o menininho.

–V-Você tem... Que morrer... – ele gemeu.

–Mas por quê?! – Naruto abriu os braços – Eu só mato para me defender! Acha que eu gosto de bancar o assassino sádico? – o menino baixou a cabeça e riu malignamente – Na verdade eu gosto de matar as pessoas, principalmente as que querem me matar, é uma sensação inexplicável... Então, oji-san, quem foi que te mandou? Diga e eu acabo com sofrimento agora mesmo! – Naruto cruzou os braços.

–Dan-Danzou... – o menino assentiu. Então tinha sido o velho opositor do hokage. Suspirou, cansado, aquele homem era pirado demais, pensava, quer destruir os Uchihas, quer destruir Naruto, quer destruir todo mundo. É um mal-amado, averiguou.

Naruto se levantou e rumou para a porta do banheiro. Ouviu um gemido. Fitou o corpo do homem se tremendo e se esticando para alcançá-lo.

–Você disse... Você prometeu...

–Acabar com o seu sofrimento? É verdade! – exibiu um sorriso aberto de criança – Oji-san, conte até cinco e tudo vai acabar!

Naruto fechou a porta lentamente, ainda mantendo seu sorriso assassino, dando uma última olhada no selo explosivo que deixara no peito do vivo. Saiu correndo para o lado de fora da escola e no cortar do céu por um raio o ponto correspondente ao banheiro feminino explodiu. Naruto começou a pular na lama, rindo verdadeiramente de satisfação. Sentia-se vivo, sentia-se forte, sentia-se indestrutível. Pulava e dançava na chuva, comemorando que uma parte da escola caíra em decorrência da explosão.

Ouviu um trovão e se encolheu, quase como se tivesse sido repreendido.

–É melhor eu ir para casa! – gritou e disparou pelo caminho de casa, tremendo a cada trovão que quebrava no céu. Nem sabia que estava sendo observado.

Do alto de um prédio próximo a Academia Ninja, sentado e balançando livremente as pernas no ar, segurando um guarda-chuva e rindo, observava Sasuke. Por alguma razão que nem ele se recordava mais, aprendera com Naruto a tomar gosto pelo sentimento satisfatório que a morte de um inimigo provoca. Viu outro pedaço da Academia explodir e caiu na gargalhada quase que inconscientemente. Se seus pais o vissem agora iriam chamá-lo de louco.

Percebeu algo. Naruto estava voltando para casa. Podia ir brincar com ele, não era? Assentiu e se levantou, deixando para trás uma última gargalhada ao ver o teto da Academia parcialmente afundar. Sasuke adora explosões.

Notas finais
Agora é tarde para desistir, porque você já foi contaminado pela curiosidade e não tem para onde correr. Somente espero que goste da sua estada por aqui, porque talvez ela seja longa. Agradeço por se arriscar. Nos arriscaremos juntos. Até a próxima.