Outra História: e se...
29 Outros ventos sopram
Notas iniciais
“Naruto...”
“Sim, Kura-sama?”
“Está chegando a hora, lembra-se... Logo você completará dezesseis... E um novo ciclo de cauda vai se iniciar. Terá que partir muito em breve.”
“Eu sei disso... Sei bem. Partirei depois do aniversário de Sasuke, alguns dias depois, porque eu ainda tenho uma promessa importante para cumprir.”
“Não me diga que você prometeu a ele uma noite de sexo?”
“Mais ou menos...”
Naruto se recolheu, abraçando os joelhos. Kurama fitou de baixo o loiro sentado em sua cauda mais alta. Ele estava de costas e quieto demais, seu chakra parecia desordenado, como se algo o estivesse incomodando. A raposa franziu o cenho.
“Naruto... Eu não lhe disse antes por achar que algo do tipo nunca aconteceria, mas, você não pode ir para a cama com ele, pelo menos não na noite do aniversário dele”
“Por que, Kura-sama?”
“Porque todas as vezes que eu completo um ciclo de cauda, meu poderoso chakra passa por uma transformação especial, que pode causar sequelas nos jinchuriikis...”
“Que tipo de sequelas?”
“Uma única vez seu corpo torna-se receptivo a gestação de uma criança. Algo parecido aconteceu com Lady Mito, minha primeira jinchuriiki, mas por já ter cumprindo seu dever como esposa, dando filhos ao Primeiro Hokage, não aconteceu nada com ela. Mas com você me parece que será diferente, por ser jovem e ter uma vida sexualmente ativa.”
“Está me dizendo que comigo será pior?”
“Sim, porque este é o meu nono ciclo, o último provavelmente, e por você ser homem... Um útero de chakra vai surgir em seu interior, embaixo do selo que seu pai colocou em você... Você ficará mais propício ao sexo... Não será algo que poderá controlar ou escapar, haja vista que a mudança será violenta demais para você subjugar sem destruir as chaves. Para o seu bem e sua segurança, é melhor que não transe com Sasuke...”
“Eu não vou engravidar, eu sou um homem...”
“NARUTO!!!” – Kurama se levantou, assustando o outro e o derrubando na água, ele caiu abaixado feito um gato, fitando o chão – “Eu estou lhe dizendo que não tem como parar a transformação sem liberar seus poderes!!! DEIXE DE SER UM IDIOTA E ME ESCUTE!!!”
Naruto sentou-se, ainda cabisbaixo e suspirou.
“Tudo bem se eu engravidar...” – Kurama arregalou os olhos.
“Não sei o que pode nascer dessa união de chakras, Naruto! O clã Uchiha tem uma essência perigosa, é um veneno para você e sabe disso! A criança pode nascer deformada, amaldiçoada ou como se fosse um bijuu! Seu cabeça-oca!”
Kurama viu o loiro limpar o rosto da água que respingara por causa de sua queda. Respirou fundo e retirou sua camisa, sorria enquanto repetia uma sequência veloz de cem selos tantas vezes que a raposa não conseguia acompanhar. Ela sabia o que ele estava fazendo, quis impedir, mas grandes jaulas de ferro fundido surgiram separando Naruto de Kurama, logo em seguida afastando-os ainda mais. Kurama fitou o alto, onde todo o chakra de Naruto estava selado. A máquina sugou a energia com mais rapidez que o de costume.
Ele demorou a fitar Naruto.
Arregalou os olhos mais uma vez, escancarando a boca. A alma de chakra de Naruto fora completamente extraída para dentro do selo de contenção. Kurama o envolveu com sua cauda, preocupado com o estado fraco que o garoto ficara.
“Se eu não tiver chakra...” – ele ofegava e quase não conseguia se por de pé, todos os ossos de seu corpo tremiam, e sua pele suava bastante – “A criança não sofrerá...”
“Naruto... Como você pretende manter a gestação sem chakra? Como pretende continuar vivendo sem força alguma?”
O loiro negou, sorrindo quase desmaiando.
“A criança se manterá com o próprio chakra do pai... Ela não será meu filho, eu serei apenas um recipiente, nada mais... Pois nada de bom pode sair de um Uzumaki, não é?”
Kurama o fitou com pesar. Abraçou o garoto com carinho e sorriu.
“Quer mesmo levar isso a diante?”
Naruto deu de ombros.
“Seu eu tiver um filho ou não, dane-se, eu não me incomodo... Sasuke não saberá de nada, eu partirei da vila e terminarei meu trabalho de recuperar tudo o que Konoha deixou que destruíssem supondo serem amigos...”
Ele riu.
“O que pretende fazer?”
Naruto sentou-se na ponta do focinho de Kurama e abraçou as próprias pernas de novo.
“Serei egoísta, uma última vez na minha vida... Permitir-me-ei sentir aquela felicidade que o Sasuke tanto fala, me permitirei levar um pouco dessa felicidade dentro de mim e então partirei para sempre, irei embora para nunca mais voltar.”
Kurama sorriu, mesmo sentindo a dor do coração de Naruto.
“Não posso viver no mesmo lugar em que meus pais morreram... No mesmo lugar que o falso sentimento de amizade é sustentado pelo símbolo do meu clã. Não posso viver aqui, não aguento existir desse jeito. Eu vou partir e deixarei que essa vila siga seu caminho em paz, até eu achar que já é hora de dar um fim em tudo...”
Naruto fitou o chakra acima de si. Preenchia completamente o teto. Levantou seu colar e apontou para a enorme bolha de chakra no alto. Cinco gotas desceram e se prenderam ao seu colar como se se abraçassem. Sorriu ao sentir o calor daquela energia em seu peito. Seu chakra era bom, ele que era ruim. Aquilo deveria ser suficiente para gestar a criança.
“Algo em você mudou, sabia? Desde que começou a fazer coisas boas pelos outros...”
O loiro sorriu.
“O que vai surgir de mim é unicamente a parte boa preservada no interior do meu coração, é a única forma de eu fazer algo verdadeiramente bom nessa vida...”
o/ o/ o/ o/
Sasuke não conseguia entender que fome era aquela, que sensação era aquela que ele estava sentindo a cada estocada. Não era um prazer comum. Tinha algo intenso no corpo de seu dobe, algo inexplicável, algo que estava lhe provocando a agir como uma fera faminta, mais que o normal. Os pedidos era o que mais causava estranheza: era sempre por mais, por mais forte, mais fundo, com mais amor.
Parecia que eles estavam quase se fundindo em um só, os dois abraçados em cima da cama do jovem Uzumaki. O lugar era preenchido pelos gemidos luxuriosos de Naruto somados aos rosnados sensuais de Sasuke. Transavam como se o mundo fosse se acabar no momento em que se desconectassem. Um aniversário inesquecível, com certeza.
Os dois se beijavam como se tentassem compartilhar as próprias almas. Naruto parecia tão frágil em seus braços que Sasuke não sabia exatamente como lhe tratar. Tê-lo só para si era um sonho que se realizava sempre que tinham sexo e daquele jeito, então, nem se comparava. Seu dobe estava agindo como os ukes que sempre eram retratados nos livros que lia, até chorar ele chorava. Toda e qualquer posição que ele sugerisse, Naruto acatava fogosamente.
Mais beijos e estocadas, a felicidade parecia encher seus corações ao ponto de explodirem.
–Naruto... Acorde... – o sol começava a surgir por cima dos montes junto com os resmungos que indicavam que o loiro acordava.
Ele se remexeu um pouco, mas o abraço possessivo que o moreno lhe aplicava não permitia que saísse da posição em que se encontrava.
–Foi, sem sombra de dúvida, a melhor noite de todas... – Sasuke afagava o corpo completamente corado de seu amante – No dia do seu aniversário, faremos algo parecido de novo... – alguns beijos na nuca fez Naruto despertar de seu sono.
Naruto o observou por cima do ombro.
–Sei... – resmungou. Naruto tocou sua barriga de leve. Já podia sentir os chakras se revirarem dentro de si como animais enjaulados famintos e sedentos que estão sem saída. Viu-se no espelho na parede diante de seu corpo. Um olho estava azul e outro estava vermelho como o da kyuubi. Fechou rapidamente os olhos, ao pensar que Sasuke tentaria ver.
–O que foi? – Sasuke beijou o ombro mordido e lambeu a ferida exposta – Você está mais calmo. Geralmente você fica louco depois do sexo, por causa das dores.
–Eu estou bem... – Naruto se levantou da cama e foi até o banheiro.
Sasuke instintivamente o fitou com seu sharingan. Se houvesse algo, ele com certeza veria com aqueles olhos. Estranhou. Não havia mais a áurea azul em torno do corpo magro do outro. Agora, ele notara: Naruto estava mais esquelético, sua pele parecia mais grudada nos ossos, e seu chakra não fluía mais. O que houve com ele? Parecia ter uma doença terminal terrivelmente violenta destruindo seu corpo.
Onde estava o chakra de Naruto?
Alguns minutos depois ele retornara do banho.
O caminhar lento, a respiração compassada, a demora em curar suas próprias feridas, o olhar fundo e com pouco brilho, tudo levava Sasuke a crer que Naruto estava doente. Fui sua vez de fazer suas higienes. A água fria do chuveiro não lhe serviu para nada para lhe acalmar. Continuava pensando no débil estado do dobe.
Ao sair do banheiro, já vestido, sentiu o cheiro de café pronto perfumar o ambiente.
–Naruto. – ele sentou-se ao lado do loiro, que demoradamente servia o desjejum – Você está bem? – os dois se fitaram. Os olhos fundos e quase sem brilho lhe intrigaram ainda mais – Sério, você está bem mesmo? Se estiver acontecendo alguma coisa, diga-me logo...
–Sim... – suspirou interrompendo – Estou bem. Agora desative o seu sharingan. Não precisa gastar chakra e nem se preocupar à toa.
Assentiu, mas não o desativou.
–Estou fazendo um experimento. Quero ver quanto tempo eu passo com os olhos ativados sem me causar danos... – Sasuke penteou os cabelos com os dedos e sorriu – Meu pai me disse ontem, antes de eu vir para cá, que iria escolher o próximo líder do clã... Disse que tinha planos especiais para mim, mas suspeito que não envolva o clã.
Naruto assentiu brevemente.
Sem seu chakra, era difícil até beber um copo de leite.
–Itachi será o escolhido. Ele vai reunir os restos, os cacos do nosso clã e vai dar uma de salvador da pátria, como sempre – um gole de café.
–Certo... – o loiro esfregou os olhos demoradamente e recostou-se na cadeira – E você vai virar um renegado de vez?
Sasuke riu folgadamente.
–Talvez...
O silêncio pairou. Naruto sorriu e juntou as mãos num selo de Tigre. Sasuke o fitou e viu por toda a casa surgirem kanjis que imitavam correntes presas ao corpo de Naruto. O que ele está fazendo? Um profundo suspiro e por fim ele falou:
–Desculpe, Sasuke... Não posso mais ficar com você... – os olhos do moreno se arregalaram – Eu vou embora.
–Por que Naruto? – ele se levantou, derrubando a cadeira e analisando o jutsu que o dobe havia colocado na casa. Era de teletransporte baseado no Hiraishin. Ele presenciara a criação daquele jutsu quando Naruto era mais novo, antes de se separarem.
–Por quê? – ele deu de ombros – Tenho meus próprios objetivos, tenho meu próprio caminho e já extraí dessa vila tudo o que ela poderia me oferecer... Desculpe-me, porque dessa vez sou eu que estou abandonando agora...
Sasuke saltou sobre o frágil corpo, abraçando-o.
–Não vou deixar que vá, seu usuratonkashi! Eu vou com você!

Naruto apertou o olhar. Aquele não era o Sasuke que ele conhecera. Era um moleque mimado e muito birrento. Apesar de contar com pouco chakra, teve poder suficiente para chutar Sasuke para o teto e completar o selo, fazendo a casa inteira desaparecer no ar.
–Senpou! Transporte da Jaula Marcada! – a voz dissipou-se com o vento. Sasuke pousou no chão e olhou em volta.
Apenas um bilhete foi deixado para trás.
“Sasuke, comece a me odiar logo, se não vai sofrer ainda mais. Eu fui embora por livre escolha, porque preciso encontrar os outros cacos do meu clã, do meu passado, da minha vida. Talvez um dia eu retorne, que nem uma promessa de Apocalipse, mas até lá cresça, viva, se case, tenha filhos, supere seu pai e seu irmão, torne-se o mais poderoso Uchiha de todos os tempos e cumpra sua vingança. Eu lhe dei tudo o que um Uzumaki poderia dar a um Uchiha, se posso colocar por esses termos, deixei como presente todos os pergaminhos que lhe serão úteis no futuro. Eu sei que a lótus não é o seu céu, já que este é o limite, eu sei que você ainda tem muito que voar até alcançar o seu desejo. Só voltarei a encará-lo quando tiver aqueles olhos e eu tiver todas as caudas que me são necessárias. Só uma dica: os Hyuugas têm bons olhos.”
Ele poderia ter gritado, ter liberado as chaves, ter explodido, ter enlouquecido, mas simplesmente levantou-se no terreno vazio e se afastou lentamente, vendo todas as toras de madeira que construíam a casa de Naruto caírem diante de si. Sasuke fitou-os e com um piscar a madeira queimou por causa de chamas negras.
–Dobe... – sussurrou.
Guardou o papel no bolso e voltou para casa. Se para ver Naruto ele precisaria daqueles olhos, então ele os teria custe o que custasse.
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