Outra História: e se...
10 Floresta e Torre
Notas iniciais
Os dois corriam velozmente pela as árvores gigantes, Sasuke carregava Sakura, pois ela ferira a perna. Fugiam de uma cobra gigante que os caçavam. Mal eles haviam entrado na mata, apesar aquela floresta que já lhe era conhecida, e foram atacados por uma serpente venenosa enorme controlada por um andrógeno de cabelo longo e língua de cobra. Num movimento rápido, Sakura foi lançada para os braços de Naruto e Sasuke saltou para desviar da mordida da serpente que conseguira alcançá-los.
–Katon! – começou os selos de mão – Goukakyuu no jutsu! – a rajada de fogo adentrou na garganta da serpente, fazendo-a retroceder.
Os dois pousaram numa clareira.
–Solte-me Naruto! – gritou Sakura, remexendo-se ao ponto de derrubar o loiro no chão – Não preciso de sua ajuda! – mancou até ficar perto de Sasuke – Não sei como consegue...
Sua fala foi interrompida pela aparição da mesma serpente, destruindo várias árvores em seu caminho. Sakura gritou. Sasuke continuou observando o animal se aproximar e sorriu. O andrógeno em cima da cabeça da serpente não entendeu o motivo de sua presa estar sorrindo. Viu a mão de o menino apontar para a esquerda. Quando virou o rosto sentiu a força do impacto dos dois pés de Naruto acertarem a mandíbula da serpente, arrancando-a fora.
O pequeno pousou numa árvore, vendo de modo invertido o corpo falecido de o animal ir ao chão e seu “dono” saltar para o chão. O andrógeno encarou o loiro.
–Não sabia que era tão bom em taijutsu. – sibilou.
–Tenho meu estilo próprio... – ainda estava de cabeça para baixo – Cuidado’ttebayo – Naruto sorriu.
O andrógeno fitou o outro lado. Sasuke chutou-lhe o queixo e correu mais a frente, para acertar-lhe um soco nas costas e afundar seu corpo no chão.
–Como... ainda consegue se mover... Depois de... – gemeu vomitando sangue.
–Disso? – Sasuke mostrou o selo amaldiçoado em seu pescoço – Não é nada comparado ao que aquele moleque morcego ali fez comigo quando eu tinha oito anos! – Sasuke o segurou pelos longos cabelos e lançou contra uma árvore, partindo-a ao meio.
Respirou fundo, sentindo seu ombro pesar. Ainda sentia os efeitos do selo amaldiçoado, mas estava tudo bem, realmente carregava coisa pior em si do que aquilo. Naruto veio e observou o membro de Sasuke. Procurou em seu olhar permissão para agir, mas Sasuke negou.
O corpo do andrógeno se moveu e ambos viram a pele se soltar de seu rosto. Naruto puxou uma kunai enquanto Sasuke se armou de outra. Não era normal um humano trocar de pele. A não ser que ele fosse quem eles achavam que era. Um riso sibiloso cortou o silêncio. Era ele mesmo. O sennin da cobra. Esperaram o próximo movimento.
–Interessante – sussurrou – Não esperava tanto de você, Naruto... Imaginei que fosse um pobre garoto atordoado.
–Todo mundo diz isso. – rebateu.
–Eu ainda não consigo entender porque minhas técnicas não funcionam com você, Sasuke-kun... Você é realmente um espécime raro de Uchiha. Interessante.
–Se não for embora agora, não vai conseguir viver para descobrir. – o moreno ouviu estalarem os punhos do outro. Segurou uma de suas mãos e o fitou – Ainda não, Naruto... Calma.
Naruto assentiu. Guardou a kunai e relaxou as mãos. Apesar de odiar receber ordens do Uchiha, Naruto precisava obedecer sempre que seu poder começava a fervilhar. O desejo de atacar e matar lhe consumia, mas a voz de Sasuke era um balde de água fria sobre si. O garoto colocou-se de quatro e esperou o próximo comando.
Sasuke girou a kunai em seu indicador e lançou contra o sennin. Facilmente desviou num movimento serpentiliano. Naruto usou shunshin para surpreender o homem aparecendo segundos depois diante de seus olhos e tentar socar a cabeça dele. O sennin o afastou com um rápido golpe, mas seguidamente foi atacado por um combo de golpes de Sasuke.
Ele saiu de dentro da árvore, desviando dos ataques do moreno. Pararam. Naruto de um lado e Sasuke do outro. Quem atacaria primeiro? Que tipo de ataque? Não tinha tempo para perder ali. Os dois correram na direção do sennin de punhos fechados. Ele abaixou-se lentamente e uma explosão de fumaça cobriu seu corpo.
Desapareceu usando o truque mais velho do mundo.
Os dois conseguiram segurar o ataque antes que se socassem mutuamente. Pararam e observaram o ambiente. O sennin realmente havia ido embora. Naruto fitou o chão. O pergaminho que casava com o de sua equipe foi deixado ali. Alargou o sorriso e pegou o objeto, entregando-o ao elegido capitão provisório da equipe. Sasuke inspecionou atentamente o pergaminho, não havia nada de perigoso.
–Vamos embora. – ultimou – Levaremos no mínimo um dia inteiro andando seguindo aquela trilha ali – ele apontou para um caminho entre duas árvores gêmeas – Aquele caminho é demorado, mas seguro, já que estamos com um pequeno contra tempo.
Os dois fitaram Sakura. Ela se recolheu timidamente. Conseguira acompanhá-los, mas sofrera um bobo acidente e agora estava com o pé machucado. Quis chorar. Sempre seria um fardo para o seu amado Sasuke? Naruto passou por ela e foi ver se estava tudo seguro com a trilha. Apesar de não gostar da presença do outro, sentia que devia muito de sua vida a ele. Salvara-a inúmeras vezes só naqueles dois dias de teste.
Pararam a marcha durante a noite. Sakura tentou dormir, mas a conversa que os dois levavam a intrigou demais para isso.
–Talvez se sua namorada não estivesse aqui, a gente já estivesse lá com uma hora de prova – sussurrou Naruto, acreditando que a menina dormia em virtude do dia de caminhada – Sabe que o que eu falo é certo’ttebayo.
Sasuke limitou-se a assentir, mordiscando uma barra de cereal que trouxera.
Sakura tremeu. "Namorada?" Com uma hora de prova já estariam lá? Que absurdo de velocidade era esse que os dois usavam? E onde conseguiriam o pergaminho que completava a tarefa? Entendia que Sasuke era realmente um gênio, mas isso já era demais para um simples menino.
–Ela não é minha namorada... – resmungou, ao perceber a brincadeira do outro. Naruto abafou o riso entre as mãos – Pare de ficar alimentando falsas esperanças!
–Não sou eu que faço isso! É ela e sozinha... – falou em tom de deboche.
–Eu devia...! – Sasuke insinuou se levantar para atacar Naruto. Iria beijá-lo com tanta intensidade que Naruto perderia o fôlego e desmaiaria, mas parou no ato. Sakura estava ali – Tsc. Esquece. – organizou-se e tentou afastar o luxurioso pensamento.
Naruto notou o impasse que o outro estava.
–Fique tranquilo. Quando chegarmos, eu libero um pouco. – falou sorridente. Os ônix de Sasuke cintilaram de ansiedade na noite. Agora sim. Ele exibiu seu típico sorriso.
Naruto esticou-se para trás e com o pé nu apagou a fogueira que Sasuke acendera. O moreno recostou-se na árvore e relaxou. Ninguém atacaria, pois muitos poucos times restaram.
o/ o/ o/ o/

Os três ainda dormiam quando Kakashi chegou à torre, acompanhado por Iruka, que não parava de falar sobre quando eles chegaram.
Parou diante do banco onde Sakura estava deitada com algum conforto, seu pé estava enfaixado e seu corpo parecia cansado. Fitou Sasuke. Ele estava sentado ao lado de Sakura, com um braço sobre o joelho dobrado. Nem parecia que acabara de passar por um exame de sobrevivência. O único resquício de sua passagem pela floresta era um rasgão em sua calça. Viu Naruto encostado com as pernas na parede e o tronco no piso frio, de braços abertos e com a boca semicerrada, os pés agora estavam calçados em uma sandália ninja preta. Não pode evitar um sorriso. Era só um garoto no fim das contas.
Era chegada a hora de acordá-los. A terceira e última fase iria começar. Delicadamente acordou Sakura, que no ato chutou sem querer o corpo adormecido de Sasuke, derrubando-o no chão e o baque oco que ecoou pelo corredor acordou Naruto.
–Se eu souber quem foi o filho da puta que fez isso... – retrucou furioso. Se Naruto acordava lento por si só, Sasuke acordava em erupção sempre que alguém interrompia seu sono e se esse alguém não fosse Naruto. Porque se fosse, a reação era, no mínimo, pecaminosa.
–Desculpe-me, Sasuke-kun – murmurou Sakura – Eu não lhe vi aí.
–Hm... – bufou, pondo-se de pé. Pior do que ser acordado com um chute de uma garota que não gostava era ser acordado com um chute de uma garota que não gostava e ainda ter que aturar o riso escrachado de seu rival idiota. Fuzilou o loiro com o olhar.
–Eu sabia que eu viveria para ver você ser derrubado por um golpe fraco desse tipo! Eu sabia! – ria-se Naruto, ainda deitado no chão, tentando se levantar descompassadamente.
Sasuke foi até ele e lhe acertou um chute no traseiro, fazendo-o rolar e só parar nos pés de um estranho homem de cabelo de cuia. O homem o ajudou a se levantar. Sorriu confiante e foi conversar com Kakashi. Naruto franziu o cenho.
Mas que diabo é isso aí? Pensou. É gente mesmo?
–Oe, dobe! – Sasuke se aproximou – Quando vai cumprir sua promessa?
Naruto coçou a cabeça. Lembrou-se dela. Deu de ombros ao suspirar.
–Vou ao banheiro – falou para Kakashi que se limitou a assentir – Volto já.
Sasuke entendeu a deixa e o seguiu logo que saiu.
Dentro de um dos boxes do banheiro, eles se apertavam num forte abraço. As bocas nervosas lutavam por ar. As línguas brigavam em quem iria ocupar mais espaço. Sasuke pegou Naruto no colo e sentou sobre a tampa do vaso. O loiro encolheu as pernas, para dar a impressão que só havia uma pessoa ali, agarrou os cabelos do moreno e intensificou o necessitado beijo.
Aproveitavam os raros minutos que tinham para dedicar a aquele estranho sentimento que contaminava o coração de ambos. O que era? Nenhum sabia e nem lhes importava, porque era bom, era intenso e fazia o frio da vida se dissipar.
Os dois se fitaram com as respirações sincronizadas e com as testas encostadas.
–Quando é que você vai... – Sasuke ofegava. Controlar seus instintos era difícil demais quando estava em posse de Naruto. O corpo rígido do Uzumaki sempre se amaciava quando ele tocava com carinho e isso deixava Sasuke “subindo pelas paredes”. Queria tanto quebrar as barreiras – Hein? Quando vai me dar?
Naruto corou. Não sabia a resposta para aquele pedido.
As mãos de Sasuke apertavam sensualmente a bunda do outro e ele podia sentir através do pano a intenção nada puritana dos dedos do moreno, ao trafegarem pelo encontro de suas nádegas. Não podiam ir além do que isso. O garoto sabia que tudo não passava de mero desejo carnal, então não podia levar aquela relação adiante.
Sasuke beijou-lhe impaciente, sem se incomodar em ouvir a resposta. Naruto aproveitava cada gota daquele estranho sentimento que explodia em seu peito, sentia-se preencher toda vez que a língua do moreno estava em sua boca, roçando a sua.
–Tudo bem – a voz rouca de Sasuke no ouvido de Naruto provocou um longo arrepio pelo corpo do último – Eu espero o tempo que for preciso.
Os dois se fitaram.
–Só não demore muito! – brincou. Naruto acariciou o rosto daquele que lhe fazia esquecer seus nefastos planos para o futuro. Poderia ter futuro com ele? Mesmo ambos sendo homens? – Usuratonkashi... — mais um beijo. Ouviram a porta abrir. Merda, eles pensaram em sincronia. Naruto apoiou suas mãos nos ombros de Sasuke e se moveu rapidamente para o boxe ao lado, saltando por cima da divisória, sem ser notado pelo homem que entrava.
Ouviu Sasuke proferir o seu inconfundível “Tsc.” Irritado. Naruto riu baixinho. Saiu lentamente do lugar, fingindo ajeitar as calças. Fitou o box onde supostamente Sasuke deveria estar.
–Morreu aí dentro? – falou alto.
–Pode ir na frente – sussurrou Sasuke – Eu só estou com um... Probleminha.
Naruto apertou o olhar, tentando entender. Sua cara de interrogação deu lugar a uma risonha face pervertida. Agora sabia o que era o volume cutucando sua coxa quando ele estava sentado no colo de Sasuke. Achava que era o cabo de uma kunai, mas na verdade era uma ereção que o outro tivera. Riu-se até não poder mais saindo de dentro do ambiente, recordando-se, de quebra, do livro que existia embaixo da cama de Sasuke.
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