Outra História: e se...

7 Em busca da parede perdida


Notas iniciais
Promessa é dívida e eu odeio dever! Pois bem: vocês cumpriram a missão e eis a recompensa. Recompensa em triplo, isso mesmo, você não leu errado, é três mesmo: 1)Esse capítulo que você se encontra; 2) Cap. "Só não me diga que..." 3) Um filler one-shot! - pois é, caríssimos leitores, como vocês são incrivelmente incríveis, eu trouxe essa novidade para vocês. Um filler, como sabem, é uma história dentro da história que não necessariamente haver com a história principal... (péssima explicação). O anime Naruto tem fillers, minha história também, e por que? PORQUE EU QUERO, CACETE!!! (desculpe, eu me exaltei). Chama-se "A Terra dos Bons Gennins", deem uma passadinha por lá e me digam o que acharam! Avisos dados, ao capítulo. P.S. - Sasuke pervertido detected

Naruto vestiu seu costumeiro macacão, pegou uma única kunai, saiu silenciosamente de casa e saltou sobre os telhados escuros de Konoha. Passou pelas janelas fechadas que dormiam sem se preocupar por sua presença, mas havia uma acordada. Sorriu. Tocou suavemente o chão, tempo o suficiente para pegar uma pequena pedra do tamanho de um botão de roupa, subiu em um muro e saltou novamente para os telhados.

No ato atirou a pedra para dentro da janela aberta. A luz apagara-se imediatamente e uma sombra saiu de lá velozmente. Sasuke estava só a espera do sinal de Naruto para partir em outro treinamento. Fitou o rosto do outro sob a luz do luar: sorria, como sempre.

Retribuiu o sorriso com um breve aceno e eles partiram de Konoha tão rapidamente que tiveram dificuldade de parar. Naruto avisara que eles estavam em busca de uma parede. Sasuke o fitou incrédulo, enquanto caminhavam por entre a plantação verdejante de capim-elefante. Uma parede? Sério? Que coisa esquisita de se procurar.

Naruto carregava um pequeno quadrado de papel, que lhe parecia ser um mapa, Sasuke de quando em quando lhe dava indicações de como entender o mapa.

–Tem certeza que é uma parede? – Sasuke sentou-se numa pedra, ao lado de uma enorme cortina de trepadeiras, para beber um pouco de água.

Naruto assentiu com convicção.

–E o que essa parede tem de tão importante? – ele jogou a garrafa de água para o outro.

–Bom... Se o pergaminho que eu li estiver correto, coisa que geralmente eu erro... – falou tomando um rápido gole de água.

–Porque é burro! – completou Sasuke, rindo zombeteiramente.

Naruto lhe mostrou o dedo médio.

–Como eu ia dizendo: é uma parede que contém máscaras de demônio e dentro dessas máscaras tem os ingredientes finais para o nosso experimento!

–Você fala como se estivesse fazendo sopa. – Naruto inspirou o ar para começar a reclamar, mas sua boca fora ocupada bruscamente pela de Sasuke – Quieto, eu quero um pouco de você agora! – continuou tentando beijá-lo, mas Naruto o impedia de todas as forças.

–Eu vou arrancar sua cabeça fora’ttebayo! Sai de cima de mim! Me larga, teme! Mas que droga’ttebayo! – Naruto parou num sobressalto ao sentir a mão de Sasuke sobre sua virilha. Fitou-o sorrindo mortalmente– Filho da puta. – sussurrou.

Sasuke colocou-se de quatro e mirou o outro com estranheza. Naruto apertou o punho e acertou um soco no queixo de Sasuke, fazendo-o ficar de joelhos, depois lhe chutou, fazendo-o afastar-se até a cortina de trepadeiras. O loiro levantou-se, limpando as roupas. Fitou as plantas e sentiu o cheiro de enxofre. Lá vem merda.

–Katon! Endan! – o fogo fora expelido parecido com uma flecha e era veloz, mas Naruto escapou num salto, pousando num galho da árvore e em sua frente uma kunai surgiu, quase lhe partindo o nariz. Naruto se assustou, mas sorriu: pegou a kunai e lançou de volta contra Sasuke, que surgiu de dentro do fogo explosivo do jutsu.

Ele defendeu a kunai e lançou shurikens contra Naruto, que novamente saltou caindo feito gato no chão. Sasuke fez novos selos e lançou sua clássica bola de fogo contra Naruto. Este último correu para longe, fitou atrás de si: a clareira estava em chamas e do meio dela surgiu Sasuke, correndo, segurando com firmeza uma katana especial.

Naruto parou a carreira e encarou Sasuke. O outro parou também.

–Vai me atacar com... ela? – indagou Naruto.

Sasuke fitou a mão e percebeu que o que estava segurando não era uma kunai, mas espada que seu dobe encontrara meses antes, em uma de suas viagens, e lhe dera de presente de aniversário. Suspirou, recobrando a razão. Apertou o pulso e um símbolo que ali se encontrava brilhou fazendo a katana retroceder para dentro do selo instalado em toda a extensão de seu pulso. Os dois se encararam envergonhados.

Haviam ateado fogo na clareira e quase se mataram por um motivo banal.

Naruto fitou Sasuke pelo canto de olho. Ele observava as chamas dançarem com o vento. Suspirou e segurou sua nuca, puxando-o para si rapidamente, presenteando-o com um beijo intenso. As línguas se friccionavam com ardor, quase como se quisessem soltar faíscas. Sasuke sugava os lábios de Naruto, enquanto esse tentava respirar pelos dois. As mãos afagavam os cabelos e os olhos se encontravam, desejando saber se havia permissão para continuar.

Quando finalmente o fôlego faltou, Naruto se afastou completamente do moreno, caminhando devagar e movimentando as mãos ligeiramente. Fazia selos.

–Fuuton. Daitoppa. – um redemoinho saiu da boca de Naruto em forma de “o” e se misturou com as chamas, apagando-as rapidamente, como se fossem velas.

Eles observaram as cinzas serem levadas pelo vento.

–É por isso que eu quero evitar esse tipo de coisa. – informou o loiro.

Sasuke pôs as mãos nos bolsos e se aproximou.

–Se simplesmente cedesse... – sugeriu como se fosse normal.

Naruto o mirou nefastamente.

–No dia que eu fizer, você morre. – avisou severamente.

O moreno assistiu o outro vasculhar algumas plantas semiqueimadas.

Gostava de correr o risco de morrer a qualquer momento para realizar seus desejos mais sujos com Naruto. Por mais que sua polida face de garoto sério e disciplinado informasse a todos que era um Uchiha respeitável, Naruto arrancava de si sua máscara e revelava seu rosto de luxúria e bel-prazeres impuros. Se ambos eram inteligentes, assassinos e poderosos, se o Uzumaki era sádico e impiedoso, Sasuke era voluptuoso e faminto pela carne. Às vezes se perguntava como seria seu temperamento mais velho: melhor, pior? Não sabia. Só sabia que bunda de Naruto era deliciosamente atrativa.

Ele era a chama que tudo consome e tudo aquece, e o outro era o ar, o seu mais forte combustível. Como queria fazer Naruto arder. Como queria consumir aquele ar.

O gennin notou algo diferente na rocha que ficava coberta pela cortina de trepadeiras. Logo percebeu que o dobe também percebera. Acharam a parede.

–Sem proteção? – indagou Naruto – Estranho.

–Eles estão bem aqui. – o gennin se virou e notou as figuras de pé, atrás de Sasuke. Sorriu sadicamente. Seria uma noite divertida aquela.

Os homens fitaram o garoto de cabelos negros que se levantavam lentamente da pedra diante deles. Observaram-no com curiosidade. Os olhos, cobertos pelas longas madeixas, num piscar estavam negros como a noite, no outro cintilavam como rubis. O vento fez as cinzas rodopiarem ante seus olhos, em seguida um arrepio tomou de conta de seus corpos. Um deles voltou-se para trás com dificuldade.

Um garoto, mais baixo que o da frente, sorria largamente para eles, exibindo presas demoníacas. Ele sentiu o grito rasgar sua garganta. Aguçou a vista. Não era o grito que lhe rasgava a sensível tez, era uma kunai que abria caminho por entre as vértebras de seu pescoço. A cabeça rolou por cima dos ombros dos outros hipnotizados pelo vermelho vivo dos olhos de Sasuke. Houve um que notou o mundo subir.

Subir? Não, era ele que descia. Olhou para baixo. Alguém lhe roubara as pernas. Procurou-as num ato de desespero. Os braços de um companheiro seu se soltarem das juntas como se só estivessem encaixados de leve. Viu o outro partisse ao meio verticalmente.

O que estava havendo?

O sangue salpicava para todos os lados, tingindo levemente a terra cinza. Viu algumas mínimas gotas flutuarem e correrem. Com resto de forças que tinha, aguçou a vista e viu os fios de aço quase transparentes cortarem seus companheiros em pedaços, como se fossem de papel. Desesperou-se, mas não houve tempo para gritar, pois sua língua fora arrancada fora por dois olhos vermelhos de uma raposa dourada.

Um escondido entre as árvores tremia involuntariamente.

Vira seus companheiros serem mortos por fantasmas. Não, fantasmas não, por ninjas rápidos e precisos. Não, não eram ninjas, podia ver claramente, pois se aproximavam por entre as folhagens. Eram crianças. Crianças? Não podia ser, estava ficando louco por causa da visão de seus companheiros serem mortos, era o medo que estava turvando sua mente.

Eram crianças e elas sorriam para ele, sentadas no galho alguns metros mais a frente. Piscou e esse foi seu pecado: quando os cílios permitiram que ele visse novamente, uma kunai o cegou seus dois olhos e uma mão pequena roubou-lhe o órgão vital.

Ainda conseguia ouvir as pulsações e a última coisa que viu fora seu coração nas mãos pequenas de um pequeno garoto sorridente ao lado de outro com as mãos nos bolsos. Escureceu tudo: a vista, a vida e a noite.

o/ o/ o/ o/

*Sasuke dormindo

Um fio de luz lhe obrigou a abrir os olhos. Tentou assimilar onde se encontrava. Um enorme cartaz com um leque vermelho e branco se movia lentamente na parede, ao lado dele uma estante apresentava uma quantidade agradável de pergaminhos e livros, mas na prateleira do meio, a que dividia igualmente a estante em duas partes iguais, bem no centro cumprimentava uma foto. Ele tentou focar a foto. Sorriu por cima do ombro. Era uma foto de infância, os dois estavam nela, riam com alegria e exibiam o gato que haviam capturado.

Naruto sentou-se lentamente na cama e observou melhor o quarto em que se encontrava. Era cheio de móveis aparentemente caros e de penduricalhos de decoração com os símbolos do clã. Havia uma janela de frente a cama, do outro lado do cartaz, e por ela corria as brisas que lhe provocavam doces arrepios.

Fitou o outro lado da cama. Sasuke ainda dormia e os dois estavam sem camisa. Naruto bocejou e no ato de abrir a boca, parou.

–Eu estava dormindo com o Sasuke? – olhou para si: sem marcas, sem dor em parte alguma, ainda de usando seu macacão, porém com as alças soltas nas costas. Em cima de uma cadeira, bem dobrada, estava a sua camisa e a dele. Naruto pode soltar o ar – Menos mal...

Naruto saiu da cama bem devagar, para não acordar o outro. Caminhou um pouco pelo quarto, conhecendo o novo ambiente. O quarto era perfumado, a cama era perfumada, Sasuke era perfumado. Espera, Sasuke perfumado? Naruto parou prestes a dar um passo. Andara cheirando Sasuke? Sacudiu com força a cabeça, afastando o pensamento.

No ato fitou o chão embaixo da cama. Parou. Viu papeis ali. Sua curiosidade se atiçou.

–O que será que teme esconde aqui?! — uma baixa risadinha de quem vai ler o diário secreto de alguém foi abafada pela mão de Naruto. Ele mergulhou para debaixo do edredom que caia para fora da cama, sumindo completamente embaixo dela.

–Vamos ver, revistas sobre... – apertou o olhar, tentando ler com a pouca luz – Armas? Não é novidade... Um jornal velho de Konoha – ele tentou ler a primeira notícia que conseguira enxergar – “Uchiha Itachi recebe homenagem por deter a Besta de Nove Caudas”, complexo de irmão miserável que você tem, hein teme? – colocou o jornal de lado.

Havia livros ali também. Observou as capas.

–Técnicas de Katon do clã Uchiha... Acho que esse não é o tipo de livro que se vende por aí... Deixa-me ver esse: O Monge e o Executivo. – Naruto fez uma cara de quem não tem nada a declarar, mas um último livro lhe fez ficar curioso. Estava preso nas grades da cama, bem escondido por sinal, e tinha capa preta, sem dizeres – Oh, um livro de ocultismo! Agora sim!

Abriu lentamente a capa e viu na folha de rosto algumas palavras feitas com a caligrafia impecável do Uchiha. “Reler para praticar”. Naruto quase se sobressaltou, se não tivesse se recordado que estava debaixo da cama onde Sasuke dormia. O moleque Uchiha já havia lido e releria para por em prática as técnicas cabalísticas que aprendera. Isso sim é segredo para se guardar debaixo da cama, brincou Naruto começando a folhear as páginas.

Mas não era bem o que esperava.

–“Segure ambas as pernas com firmeza, acomode-as sobre os ombros e deixe seus próprios joelhos ao lado da bunda de seu parceiro...” Que porra é isso? – Naruto procurou outra página e voltou a sussurrar – “Se não tiver nada para prepará-lo, uma boa opção é lambidas em volta e dentro da região... A ser... Penetrada?” – outra página – “O oral invertido é sempre uma forma de dar prazer aos dois...” – outra página – “Como diz o ditado: de quatro é mais gostoso... Dependendo da preferência, pode começar lentamente ou com... Força?” Mas que porra de livro é esse? – fitou a última página, onde deveria haver informações sobre o autor.

Não havia nada lá, só o título do livro.

Engoliu em seco e saiu devagar de lá, deixando tudo conforme encontrara. O título ainda assombrava sua mente incrédula. “Kama sutra para abelhas: porque abelhas picam”. Não sabia se ria, se gritava ou se tocava fogo no quarto. Uchiha Sasuke tinha um livro daquele “naipe” em sua cama e na folha de rosto tinha escrito reler para praticar.

Desde quando? Por quê? E mais importante que tudo, com quem? Naruto sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Imaginava quem fosse à vítima. Ele mesmo, Naruto.

Suspirou. Dane-se que não vai acontecer mesmo, pensou. Sentou novamente na cama, esticando-se feito um gato. Fitou o garoto dormindo ao seu lado e se enfiou novamente nas cobertas. Depois iria zombar da cara dele com a descoberta, mas naquele momento, por alguma razão, queria dormir um pouco.

Acariciou os cabelos negros com demora, apesar de Naruto não estar sorrindo. Era a primeira vez que via Sasuke dormir. Ele não dormia na maioria das noites, ou em todas elas, pois tinha pesadelos horríveis e Naruto sabia que era culpado por todos eles. Marcara a alma daquele garoto de várias formas: boas ou ruins.

Sasuke sentiu o carinho e abraçou o corpo do outro com firmeza, esfregando lentamente o rosto no peito de Naruto. Ele nada pode fazer a não ser esperar que Sasuke realmente descansasse. Ou os pais deles surgissem pela porta e o expulsassem dali com jutsus de fogo.

Adormeceram outra vez, abraçados, sob os olhares curiosos de outro Uchiha.

Notas finais
Negada, corre para o próximo e vão silenciosamente, porque o Sasuke está dormindo... (sussurrando) Se ele acordar, vocês estão ferrados e Naruto vai só rir, estou avisando... Não deixem de ler a fic-filler "A Terra dos Bons Gennins".