Outra História: e se...
24 Controle sobre a própria natureza
Notas iniciais
–Por que, Naruto, por que está fazendo tudo isso conosco?! – gritou Jiraya, apoiando-se em Tsunade – Nós sempre cuidamos de você... Sempre...
Uma risada diabólica interrompeu a fala do garoto. Daquelas que fazem o peito estremecer e borbulhar, alargar e os braços se esticaram e as mãos ficarem em garras. Naruto riu como se a melhor piada houvesse sido contada. Conseguiu conter-se, recuperando o fôlego, quase se sentando na terra batida.
–Pelos deuses, Ero-sennin! – ele se pôs de pé e estendeu os braços – Vocês são burros ou se fazem?! – rosnou – Nunca vocês cuidaram de mim’ttebayo! Evitar falar comigo, deixar-me por conta própria, criar uma lei que impede qualquer um de pronunciar o meu nome, instalar uma lenda que incita o ódio contra uma criança não são cuidados!
Os dois se fitaram. Era isso mesmo. Ele falava a verdade, nenhum dos dois poderia negar a veracidade daquelas informações. De alguma forma, aquelas atitudes só serviram apenas apara afastar o sentimento de responsabilidade dos ombros dos líderes da Konoha amaldiçoada pelos crimes enterrados junto com as raízes. Aquela vila não deveria existir pelos conceitos de Naruto e agora Tsunade e Jiraya conseguiam entender tudo.
Mas ainda sim não poderiam deixar Naruto cumprir seu intento. Não poderiam deixar que inúmeras vidas inocentes pagassem o preço alto pelos pecados cometidos por outras pessoas, por pessoas que deveriam proteger, mas na verdade não conseguiram.
Dois shinobis morreram inocentemente por razões sombrias demais e agora o espírito da vingança encarnara-se no corpo da criança gerada. Tsunade não pode conter suas lágrimas, apesar de estar aparando o corpo de Jiraya. Estava tudo tão claro quanto o ódio de Naruto.
–Você – iniciou Tsunade – Bateu na Sakura... Porque ela sempre te bateu desde que você era criança... Às vezes sem motivo nenhum, pelo simples fato de você existir, não é? – Naruto sorriu, por fim a hokage descobrira – Não é muito diferente do que o resto da vila faz...
–E agora você vai se apiedar e querer bancar a mãe, dizendo que vai ser tudo diferente de hoje em diante, instalando um sentimento surreal de amizade? – debochou – Faça-me um favor, sim? Poupe-me dessa merda toda’ttebayo!
–Por que você quer tanto destruir esse lugar?! – gritou Jiraya – Se o odeia tanto, vá embora de uma vez! Eu sou seu padrinho, fui seu sensei, a pessoa mais próxima de família que você já teve, mesmo assim você não dá valor, então vá embora, Naruto!!!
–Por que, você quer saber? Parece que não lhe contaram tudo, não é? Corrijo: parece que Tsunade não lhe contou tudo... – havia veneno naquelas palavras. Naruto sorriu minimamente, respirando bem fundo. Realmente Jiraya não presenciara, segundo sua pesquisa, mas não importava, ele dera o aval. Não contara tudo, pensou Naruto, não falara tudo para nenhum dos dois, porque ainda não era hora — Eu vou lhe dizer...
Sua fala foi interrompida por um corpo que se colocou entre os sennins e Naruto.
O casaco negro pouco a pouco se organizou no corpo e evidenciou o símbolo do clã: o leque da repressão, como Naruto gosta de pensar. Um Uchiha. As pessoas sorriram, imaginando estarem salvas. O olhar de canto revelou quem era aquele rapaz de cabelos de corvo. Aliás, um corvo pousou em seu ombro e seus olhos vermelhos mostravam ter um sharingan.
Era Uchiha Sasuke. O herói cumpria sua função novamente, porém a contragosto.
O moreno tocou dois dedos na testa de Naruto empurrando-o para trás, como seu irmão mais velho fazia consigo quando mais jovem. No ato o manto da kyuubi se dissipou, as luvas e as botas voltaram a sua forma de aros dourados e Naruto caiu por terra, com os olhos sem brilho e fitando o céu azul. Sasuke olhou em volta. Seu selo amaldiçoado estava parcialmente ativado e imitava chamas negras por seu corpo. Retirou de seu bolso um pergaminho.
O desenrolou rapidamente no ar, derramou um líquido vermelho, que estava em seu colar, sobre o papel e o estirou pelo chão, em seu redor. Fez mais de trinta selos de mãos numa velocidade incrível e tocou a parte manchada pelo líquido com a mão.
–Técnica de Liberação! – gritou, os kanjis do pergaminho brilharam num tom de azul intenso – Reconstrução da Cidade Celestial! – ele focou a vila com seu Mangenkyou Sharingan e num estalar de dedos toda a vila começou a se contorcer, como se fosse de borracha, e os prédios voltaram a sua forma original, árvores cresceram, o chão inflou, entulhos desapareceram. Não parecia que uma batalha tivesse ocorrido ali. Sasuke soltou o ar com lentidão e se levantou, juntando as mãos – Selar! – gritou mais uma vez.
Os movimentos dos prédios pararam, a natureza silenciou e a vila parecia ainda mais bela que o de costume. Estava tudo normal. Sasuke recolheu o pergaminho e o guardou. Tomou o corpo inerte de Naruto nos ombros e começou a caminhar.
–Obrigada! – falou Tsunade, que estava até então encantada com a técnica – Obrigada por nos salvar! – ela sorria ainda apoiando o corpo de Jiraya.
–Não me agradeça – murmurou – Se não fosse pelo sangue de Naruto e por ele ter guardado esse pergaminho por tantos anos, essa vila continuaria em pedaços.
–Como assim? – gemeu Jiraya, abismado com o poder daquele jutsu.
–É uma técnica de selamento reverso... Ela prende imagens recentes da realidade e modifica o que o usuário está vendo a partir de memórias do passado, tornando real e concreto... Porém só funciona com o sangue de um legítimo Uzumaki – Sasuke pingou algumas gotas de sangue que escorria do dedo de Naruto e guardou o amuleto – Ou seja, só funciona graças ao chakra que tem no sangue dele.
–Mesmo assim, obrigada por nos salvar! – alegrou-se Tsunade.
Sasuke notou a distância que as pessoas estavam dele. Consideravelmente longe.
–Não salvei vocês. – ele respondeu sem de virar. A mulher tremeu, ato sentido pelo o outro sennin – Nunca foi minha intenção proteger esse lugar. Mas eu o parei porque vocês não tem o direito de saber coisa alguma sobre ele – ele se virou, mostrando uma estranha e serena expressão que sorria suavemente – Eu sou a coleira desta raposa, portanto somente eu tenho controle sobre essa natureza e ninguém mais... Não se preocupem, ele não vai se lembrar de nada do que fez, apenas que me trouxe de volta para essa vila.
–Por que fez isso, Sasuke? – indagou Jiraya.
–Por quê? – ele alargou o sorriso – Porque todo mundo tem o seu limite de sofrimento e ódio, e Naruto extrapolou o dele há muito tempo, limpando Konoha de seus males... Vilões e heróis também precisam de descanso de vez em quando.
Desfez o sorriso e se virou para ir embora.
–Existe algo que possamos fazer para retribuir? – falou Tsunade, já recuperada.
Sasuke assentiu parando a marcha.
–Em troca de eu ter reconstruído toda a vila, esqueçam o que ele fez, ou não poderei garantir muita coisa se ele se recordar de tudo... – voltou a caminhar – Eu não vou impedir ele de destruir esse lugar uma segunda vez, porque também é meu desejo que Konoha deixe de existir. – esse é o verdadeiro Uchiha Sasuke, pensou Jiraya.
Tsunade estremeceu com a revelação, mas respirou feliz, sabendo que Sasuke era mais controlado do que Naruto. Estava feliz por tê-lo do seu lado por alguns momentos.
Sasuke desapareceu diante de uma população claramente feliz.
o/ o/ o/ o/
Naruto sentiu algo mordiscar seu pescoço. Algo pesado mordiscava, beijava e lambia toda a extensão de seu corpo. Apressou-se em abrir os olhos e se deparar com a face sacana de Sasuke lambendo os próprios lábios. Olhou em volta e viu que estava em casa. Os dois corpos se enroscavam lentamente para caber na cama pequena. Agora Naruto notava: sua cama era pequena demais para ele, quanto mais para o corpo enorme de Sasuke.

–Deixa eu te foder? – indagou safadamente Sasuke, olhando Naruto nos olhos.
Um tique se apossou do olho de Naruto.
–Como é? – falou incrédulo, se segurando para não rir debochadamente do pedido.
Sasuke sentou-se sobre os calcanhares e retirou o casaco e a camisa, ficando só de calças e fazendo peso sobre o corpo do dobe. Jogou tudo de lado, retirou seus apetrechos metálicos e os colocou sobre o criado mudo ao lado da cama. Pegou uma kunai de seu estojo antes de guardá-lo ao lado de seus acessórios e começou a cortar a camisa de Naruto como se fosse a coisa mais normal a se fazer.
–Já que você não vai deixar, eu vou fazer assim mesmo... – falou naturalmente, concentrado em arrancar uma das poucas camisas que o loiro tinha no guarda-roupa – Eu cuidei de você enquanto estava de coma por causa daquela cena de terror, você lembra né? – Naruto assentiu, sem interromper o assédio – Eu mereço uma recompensa, porque meu pai e o Itachi quase me mataram e quase mataram você porque eu te levei para ficar na minha casa.
Naruto apertou o olhar. Então o grandiosíssimo Uchiha Sasuke se prestara a tamanha caridade? Como as coisas mudam quando a gente fica de coma.
–Então você acordou hoje pensando que vai me foder assim, de boa?
Sasuke assentiu, jogando as tiras de pano que a camisa se transformara no chão. Admirou a tez exposta. Mal via a hora de deixar um milhão de marcas ali.
Naruto sorriu e decidiu tomar a única atitude que poderia segurar o facho de Uchiha Sasuke e não era pedir “por favor”. Esquecendo completamente seu senso de legalidade nas lutas corporais, o loiro chutou a virilha do moreno que estava quase montado em seu corpo, acertando osso na região macia. Sasuke gritou e se contorceu de dor, caindo no piso de madeira, provocando um baque oco pela mínima casa.
O olhar sádico e tranquilo de Naruto provocou um olhar furioso no Uchiha que rolava de um lado para o outro com as mãos entre as pernas.
–Qual é Sasuke? Nem foi com força! – Naruto provocou ainda mais. Daqui a pouco ele desiste e vai embora, pensou – Saí dessa, cara!
Sasuke se recompôs e respirou fundo, colocando-se de pé e observando a pose zombeteira de Naruto a la Cleópatra sobre a cama. Sorriu. Fez que ia sair, mas ao invés disso trancou a porta. Grande coisa, pensou Naruto, eu der um chute aqui esse apartamento vai parar na China.
O moreno retirou lentamente a chave da fechadura, pensando o quanto sugestivo era esse movimento e colocou-a num gancho que havia na parede.
Não queria que ninguém interrompesse o “satanismo” de ambos, apesar da casa de Naruto não ter vizinhos, ser quase colada com os paredões de proteção de Konoha e não haver mais nenhum inquilino naquele prédio, que era administrado pelo Hokage. Bem longe de onde Sasuke morava. Voltou-se para loiro exibindo um sorriso infantil. Só de pensar o quanto faria Naruto gritar, um formigamento fazia a dor em seu baixo ventre desaparecer completamente.
–Que foi? – perguntou Naruto, sem entender a reviravolta das expressões.
–Eu vou te comer com tanta força – iniciou um estranho Sasuke sorridente – Que vai ficar uns três dias sem poder andar!
–Sempre diz isso e nada faz... – suspirou – E como se eu fosse deixar você me penetrar’ttebayo! – Naruto exibiu semelhante sorriso – Se alguém vai ser fodido, esse alguém é você, Uchiha Sasuke!
–Veremos, Uzumaki Naruto.
Os sorrisos deram lugar a duas expressões sérias. Numa troca de olhar confirmaram as regras da peleja e aquele que perdesse teria o cú arrombado pelo outro, essa era a aposta. Seria um combate corpo-a-corpo de submissão. Os dois fitaram o relógio: faltava uma volta completa de um minuto para marcar exatas oito horas. Esperaram o soar do gongo.
o/ o/ o/ o/
Já era perto de dez horas e os dois ofegavam. Lutar sem usar chakra era cansativo pelo simples esforço de conter o poder. Ambos estavam sentados, Naruto escorado na cama de short e Sasuke na porta vestido em sua calça, se encaravam seriamente, com as peles coradas. Não tinha como se supor quem venceria, mas de uma coisa era certa: Sasuke queria sexo e Naruto não. Se o loiro vencesse daria por eternamente encerrado esse assunto. Mas se o moreno vencesse, seria o início de uma longa época de acasalamento.
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