Outra Chance
1 Parte I: A nova babá e o novo encanto
Notas iniciais
Espero que aproveitem e divirtam-se!
Minha primeira KibaIno, sejam bonzinhos comigo!
Boa leitura! :3
Ele era um grande rastreador. Talvez o melhor ninja especialista em rastreamento da Vila, mas ele não estava livre das desilusões amorosas. Ser um Anbu fora seu sonho por anos, mas ele sempre estava atrás de outra coisa... E, agora, tudo parecia não ter verdadeira importância.
Desde que Hinata fora embora, para a Vila da Areia com Gaara, o grande Inuzuka mantinha-se afastado de todas, todas mesmo. Ele sabia que se tornara um homem desejado, muitas mulheres caíam a seus pés, mas ele estava muito indiferente àquilo. A única que o interessara e valia a pena não estava mais ali...
***
Era um final de tarde ensolarado. Tsunade olhou para a garota parada, de braços cruzados, a sua frente. Ino era muito inteligente, mas conseguia fazer-se de desentendida como ninguém. E usava sua inteligência para coisas que a Hokage considerava errado.
- Como você quer que eu deixe você entrar na divisão de Sedução da Anbu, se continua agindo dessa maneira? – questionou indignada. – Como a imagem da divisão ficaria?
- Acredito que minhas atitudes não chegariam a manchar a imagem da divisão – respondeu atrevida. – Na verdade, minhas atitudes são condizentes com o trabalho da divisão. Posso seduzir qualquer homem que eu quiser!
- Você está tratando-os como brinquedos! Esse não é o trabalho da divisão, pirralha atrevida! – gritou levantando-se. – São crianças como você que trazem essa imagem errada para este trabalho! Juro que se não parar com isso, vai sair do estado probatório e nunca será uma Anbu!
- Mas Tsunade-sama! – o desespero transpareceu em sua voz. – Isso não é justo!
- E para garantir que irá se comportar – continuou ignorando-a. – Você será acompanhada por um de nossos melhores, mais controlados e frios Anbus que a Vila possui. Nem você poderá seduzi-lo.
...
Aburame Shino olhou para o ex-companheiro de equipe e tossiu. O próximo líder do clã Aburame estava bastante gripado e mal conseguia sair da cama ou ficar movimentando-se muito, graças a isso, tivera que pedir a ajuda de Kiba naquela semana.
- Obrigado pela visita – murmurou sério como sempre.
- Não precisa agradecer. Eu estava sem nada para fazer mesmo...
Shino revisou os olhos e deu de ombros, já estava mais que acostumado com a velha atitude insolente do amigo de infância. Kiba nunca vai crescer. Constatou voltando sua atenção para o tabuleiro de damas que estava entre ele e o outro. Os dois já jogavam há algumas horas e Kiba parecia frustrado por não ter ganhado nenhuma partida até o momento. Shino escondeu um sorriso e estava pronto para fazer seu próximo movimento e acabar com o jogo quando um Anbu surgiu bem no meio de seu quarto.
- Aburame, Hokage-sama está a sua espera.
Kiba olhou do Anbu para o amigo acamado e suspirou resignado. Percebeu, com pesar, que suas férias iriam ser sugadas para muito, mas muito longe. O Inuzuka levantou-se e olhou para Shino divertido.
- Você vai ficar me devendo essa...
- Eu tenho certeza que sim.
...
Tsunade tomara um enorme susto ao ver o Inuzuka, e não Shino, adentrar pela porta. Por um breve momento, a Hokage ficou imaginando se todos os seus planos teriam sido jogados pela janela, mas parou ao ver a longa analisada que Ino lançou na direção dele.
Kiba queria morrer e essa sensação apenas piorou quando reparou no sorriso misterioso e cheio de significados que surgiu no rosto de sua chefe. Ele engoliu em seco e arqueou-o as sobrancelhas, estimulando-a a começar a explicar-se.
- Ele?! O Kiba?! – pronunciou-se Ino indignada. Só naquele momento Kiba reparou que a garota estava na sala. – Você só pode estar de brincadeira, Tsunade-sama!
- Não estou não. De agora em diante, pelo jeito, Inuzuka Kiba será seu vigia e não quero saber de reclamações, de nenhum dos dois, estamos entendidos? – questionou encarando-os muito séria.
Ino bufou como uma criança, mas concordou obrigada, não tinha nada que pudesse fazer mesmo... Kiba, por outro lado, assumiu uma atitude arrogante, mas, mentalmente, xingava Shino o quanto podia.
Os dois foram liberados com suas novas ordens, dadas pessoalmente pela Hokage, que fizera questão de deixar bem claro para Ino que ela não deveria mais ter uma vida pessoal, seria apenas trabalho e mais trabalho. Depois que foram deixadas sozinhas, Shizune parou ao lado da mestra e encarou-a com curiosidade.
- Você não queria o Shino?
- Sim... Mas essa mudança inesperada foi ótima! Ino, com toda a certeza, vai cair na própria armadilha depois de passar um tempo com o Inuzuka – respondeu extremamente satisfeita.
A secretária ficou um péssimo pressentimento ao observar o sorriso maligno, que aumentava cada vez mais, no rosto de sua chefe. E ficou ainda mais receosa quando ouviu a outra murmurar, apenas para si mesma:
- Aquela loirinha vai aprender uma boa lição.
***
Kiba olhou para as costas da loira e suspirou frustrado. Era uma babá. Mal suporto seres humanos, quem dirá ter que cuidar de um deles como se cuida de um filhote! Concluiu irritado. Ele percebeu que já era a babá mais sem paciência que existia. Estava tão distraído com os próprios pensamentos que não notou quando Ino parou de andar e colocou seu longo e delicado dedo bem no meio de sua cara.
- Escute aqui: você não vai me atrapalhar! Apena finja que está seguindo-me por aí e fique fora do meu caminho! Fui clara?
- Com certeza. Por ter certeza que eu quem não vou ser babá de uma patricinha mimada! – respondeu tão arisco quanto ela.
Os dois ficaram se encarando por alguns segundos, antes que Kiba desse-lhe as costas e saísse andando, sem esperar que ela pudesse rebater ou reclamar. Todos de seu clã estavam ocupados treinando ou trabalhando, deixando o lugar tão vívido quanto sempre, mas aquela animação apenas deixava-o irritado. Akamaru esperava-o a porta de seu quarto.
- E aí, amigão? – perguntou abaixando-se para fazer carinho em suas orelhas.
Ele latiu feliz e sentiu-se abanando o rabo. O ninja estava retirando sua roupa quando viu o cachorro virar-se e deixar duas cartas babadas em cima de seu cobertor. Curioso, ele curvou-se e pegou os dois envelopes. Eram cartas, uma sem remetente e outra de Hinata. Um frio na barriga quase fez com que desistisse de ler, mas sacudiu a cabeça e largou o outro envelope. Antes que voltasse atrás, abriu a carta:
Querido Kiba-kun,
Sinto muitas saudades de todos vocês, principalmente
de você, Shino e Kurenai. A Vila da Areia é aconchegante, mas meus
amigos fazem muita falta mesmo...
Enfim, espero poder falar tudo que eu quero para vocês pessoalmente, pois venho
convidar todos vocês para minha festa de noivado, dentro de quatro
meses. Desejo, realmente, que possam comparecer!
Quero muito dividir o dia mais feliz de minha vida com vocês!
Com muitas saudades, Hyuuga Hinata.
Sua cabeça pendeu entre os braços, que estavam apoiados em seus joelhos. Aquela fora a estacada final para seu coração derrotado. A caligrafia delicada estava caída no chão, como se zombando dele. Akamaru correu para perto de si e esfregou sua cabeça na mão do dono, ganindo triste.
- Está tudo bem, garoto.
Akamaru latiu preocupado. Kiba nunca conseguiria enganar seu melhor amigo. Com um suspiro e tentando mostrar que estava bem, pegou a segunda carta, forçou um sorriso e abriu-a.
A caligrafia era corrida e sem nenhum cuidado. O papel tinha um cheio de álcool suspeito e possuía apenas três linhas, que eram muito objetivas e claras:
“É melhor você ficar de olho naquela desmiolada, se ela ficar galinhando e indo para festas, você vai perder seu emprego!
Senju Tsunade
P.S.: Ou você sai de casa e vai atrás dela ou perde o emprego. Boate Nedd”.
Kiba olhou para os lados assustado. Ficou perguntando-se como a louca da Hokage estava lhe vigiando e se ela realmente o faria perder o emprego. Decidindo que não iria pagar para ver, levantou-se e correu para colocar sua roupa Anbu.
- Será que ela faria mesmo isso?
Akamaru lançou-lhe o mesmo olhar de dúvida. Kiba sentiu um calafrio descer por sua espinha ao lembrar como os ninjas que não cumpriram suas missões foram tratados pela Hokage. Se havia qualquer hesitação mesmo depois de ler a carta, ela sumira com aquele pensamento.
...
Ino sorriu para o espelho. A saia curta de couro e a camisa decotada ressaltavam todas as suas curvas. A “princesinha” do clã Yamanaka virar a rainha do “mal” e fazia o que queria com quem caia em sua teia. Não se apaixonar, não ficar triste. Seu mantra pessoal ecoou em sua mente como sempre.
Ela olhou uma última vez para o espelho. Roupas? Okay. Cabelo? Lindo. Maquiagem? Perfeita. Academia? Em dia. Sapatos lindos de morrer e a atitude certa! Como a Tsunade não quer tudo isso na divisão de Sedução? Questionou-se ainda olhando para o objeto reluzente. Ino sentia-se pronta e animada. Conquistar homens era sua atividade favorita e, para ela, isso a tornava perfeita para o Anbu sedução. Estava pronta para sair quando ouviu batidas na porta.
- Entre!
- Querida? – perguntou sua mãe abrindo a porta. – Uau! Está muito linda!
Desde que seu pai falecera na guerra, Ino estava mais grudada que nunca em sua mãe. Ela sorriu realmente feliz, um sorriso que guardava apenas para as pessoas mais queridas, e deu um leve abraço na mãe: — Estou de saída, a senhora precisa de alguma coisa?
A mulher deu uma risada maliciosa que pegou a garota desprevenida: — Tem um rapaz lindíssimo e gostoso esperando por você lá embaixo.
A mãe dava pulinhos felizes, mas Ino não conseguia se lembrar de ter combinado nada com ninguém. Ela sentiu uma felicidade crescente ao pensar que seria outro “jogo” e correu até a porta. Depois de arrumar toda sua roupa, abriu a porta e sua boca caiu aberta.
- O que está fazendo aqui?!
- Meu trabalho.
Ino parecia estar vendo um fantasma, um fantasma muito lindo, mas ela negou-se a admitir que pensara naquilo. Kiba usava suas calças pretas justinhas, uma camisa preta com um protetor roxo escuro. Suas espadas estavam cruzadas nas costas e sua máscara Anbu tampava seu rosto. Ino só tinha certeza que era ele porque Akamaru estava sentado atrás dele com a calda abanando.
- Você não concordou em me deixar em paz?! – exclamou irritada.
- Tsunade pode ser bem persuasiva quando quer – comentou dando de ombros. – Volte para casa.
- Você não manda em mim e eu vou sair de qualquer jeito! – decretou cruzando os braços. – E se tocar em mim, juro que você não poderá mais reproduzir depois, idiota!
- Tudo bem, pode ir.
Ino hesitou, aquilo tinha sido fácil demais. Olhou mais uma vez para o rosto ainda coberto pela máscara e deu de ombros. Vai ver a Tsunade não é tão convincente assim. Concluiu enquanto dava-lhe as costas e saia andando.
...
A boate estava cheia, Ino chegara há duas horas e estava acompanhada por Sakura e alguns rapazes de outra Vila. A Yamanaka, como a boa ninja que era, percebeu logo que estava sendo seguida, mas como era uma festa, resolveu não se importar.
Mais dois rapazes aproximaram-se delas, quando os que as acompanhavam se afastaram, e começaram a “conversar” com elas. Ino estava mais que preparada para “agarrar” sua presa quando sentiu uma mão enrolar-se em sua cintura. Virou-se irritada e deparou-se com o peito firme de um Anbu. Sua cabeça levantou para encontrar os olhos castanhos, que brilhavam divertidos, por dentro da máscara. Seu perfume era forte e sua constituição, formada por longos anos de treino, era tão forte quanto. O choque sumiu das feições da loira.
- O que você...
- Ele está te incomodando, gatinha? – perguntou um dos caras que estava junto dela.
- Ela quem está sendo um incômodo – respondeu o Anbu sério. O homem afastou-se quando viu sua máscara e o símbolo da Anbu. – Mas já estamos trabalhando para resolver isso.
A pouca sanidade que havia no cara desapareceu. Talvez por causa da bebida, talvez por apenas estar querendo apanhar, Kiba não sabia, mas quando o homem pulou para cima de si, mirando acertar-lhe um soco, o Inuzuka só pode revirar os olhos e dar um passo para o lado, puxando Ino consigo. Vendo que o atacante não tentaria mais nada, Kiba abaixou-se, com a velocidade de um Anbu, e pegou as pernas de Ino fazendo com que ela caísse sobre seu ombro, parecendo um saco de batatas.
- Largue-me, seu selvagem!
- Kiba, o que você está fazendo? – questionou Sakura assustada e pronunciando-se pela primeira vez.
- Salvando a carreira dessa criatura... – E a minha. Completou em pensamento. – Você vai ficar aí?
A acompanhante de Ino encarou-o confusa e preocupada. A loira debatia-se com tanta força quanto podia, por mais que fosse uma excelente ninja e tivesse habilidades com as quais Kiba nunca ousaria desafiar, ele fez questão de mostrar que força física não era uma delas.
- Sakura! Faça ele me soltar. Agora! – gritou irritada pela falta de atitude da amiga.
Ela sabia que poderia fazer aquilo, ninguém era mais forte que si, mas algo no olhar dele fez com que hesitasse tempo suficiente para que ele tivesse tempo de desaparecer com a garota ainda jogada em seu ombro. Sakura olhou de um lado para o outro, surpresa por não ter conseguido prever aquilo.
Quando Ino deu-se por si, estavam em frente a sua casa. Ela sentiu-se ser jogada no chão e caiu sentada. Kiba olhava-a com prepotência, o que a deixou ainda mais irritada e indignada. Quem ele pensa que é?!
- Você...!
- Antes que você possa fazer birra, vamos deixar algo bem claro, princesa. A partir de agora, sou EU quem manda aqui.
***
Tsunade, que estava com o sorriso mais satisfeito que podia exibir, dispensou a loira com um aceno de mão e um “boa sorte”. A Hokage estava extremamente satisfeita com o Inuzuka e pensava em dar-lhe uma bela remuneração pelo ótimo jeito de lidar com a pirralha atrevida. Acho que ele pode chegar a ganhar algo mais valioso que isso... Concluiu com um sorriso mais calmo.
...
Ino acreditava que estava no Inferno. Quase duas semanas com o selvagem – apelido carinhoso que dera para Kiba – na sua cola. Para todo lugar que ela ia, ele já estava lá; para todo lugar que ele ia, ela era obrigada a ir atrás. Ela estava sentindo-se como um cachorro. Quase um novo Akamaru. Pensava desgostosa.
Todos os seus amigos perguntaram o porquê daquilo, mas, até para ela, era vergonhoso demais admitir que estava sendo tratada como uma criança no estágio probatória para se tornar uma Anbu.
Naquela manhã, eles estavam no clã Yamanaka, na loja da família. Enquanto ela trabalhava em alguns buquês, Kiba aproveitava o cheiro do lugar. Para seu olfato super-apurado, aquilo era quase o paraíso. Ino mostrava-se extremamente habilidosa com as mãos e rápida nos movimentos, o que levava Kiba a concluir de onde ela tirara todas as suas habilidades ninjas.
- Ino – chamou bocejando.
Akamaru, que estava enrolado nas pernas da garota, levantou as orelhas e a cabeça ao ouvir a voz do dono e melhor amigo. Ino apenas ergueu os olhos, mostrando que estava ouvindo-o, e voltou ao seu trabalho.
- O que foi? – respondeu enrolando mais um buquê.
- Por que você quer se tornar uma Anbu? Você é realmente habilidosa com o trabalho de seu clã e isso é muito menos perigoso.
Ela parou o que estava fazendo, abruptamente, e encarou-o com raiva: — Acha que não sou capaz de ser uma Anbu?
Kiba endireitou-se, surpreso com a reação dela. A confusão expressada em seu rosto fez com que Ino abaixa-se a cabeça, de forma envergonhada, e suspirasse um pouco culpada.
- Olha, me desculpe, okay? – pediu com mais um suspiro. – As pessoas vivem dizendo que eu deveria ficar como uma florista e como professora dos Genins... Sinto ter descontado em você.
- Relaxa, loirinha – comentou voltando a sua posição relaxada e sorriso descontraído. – Sei como é isso. Então, se precisar de ajuda para treinar e melhorar, pode chamar. Já que estamos presos um ao outro, seria bom que alguma coisa útil resultasse disso.
Ino encarou-o com dúvida, mas a expressão calma e sincera conseguiu conquistar sua confiança. A surpresa subiu para suas bochechas e deixou-a constrangida, nunca iria imaginar que ele pudesse ser tão sensível, compreensível e lógico. Ficou ainda mais envergonhada ao perceber que ainda estavam se encarando, engoliu em seco e voltou sua atenção para o que fazia antes. Já Kiba, que também percebera aquele “momento”, voltou a deitar sua cabeça em seus braços, mas sem deixar de observá-la. Pelo jeito, Ino é mais interessante do que eu pensava.
***
Ino decidiu que iria cooperar com Kiba. Em vez de ficar saindo e “galinhando” por aí, ela passava suas tarde dentro do clã Inuzuka, treinando e aperfeiçoando as técnicas necessárias para se tornar uma Anbu. Com a ajuda de Kiba, um Anbu treinado, tudo parecia ser mais fácil e, isso, fez com que ela ficasse cada vez mais confortável perto dele. Eles agiam como se fossem companheiros de equipe há anos.
Shino jogou-se ao lado de amigo e ficou observando a garota praticar com Akamaru. Já fazia quase dois meses que sua missão passara para Kiba e mais de quatro semanas que o Aburame melhorara de sua gripe. Ele perguntara se o amigo gostaria de trocar e voltar a aproveitar suas férias, mas Kiba afirmara que estava tudo bem em ser babá dela. Shino olhou de esguelha para ele e viu o sorriso satisfeito do amigo, ao observar a melhora da garota.
- Ela está cada vez melhor – comentou sem desviar os olhos dela. Nunca adiantava muita coisa tentar olhar para Shino, ele sempre estava com seus óculos escuros. – Tanto em suas técnicas quanto em suas atitudes. Ela parou de sair por aí atrás de homens e Tsunade está muito feliz comigo – completou satisfeito consigo mesmo. Ainda bem que não corro mais o perigo de perder o emprego. Pensou lembrando-se da carta assustadora que recebera da chefe, alguns meses antes.
- Imagino por que... – comentou sério.
- O que quer dizer com isso? – questionou com suspeita.
Shino olhou para o amigo. Ele parecia alheio ao que estava acontecendo, ou começando a acontecer. Lembrou-se do comentário que Tsunade fizera para si, Shikamaru e Chouji. É melhor vocês cooperaram ou vão perder seus empregos!
O Aburame não achava a ideia da Hokage tão boa assim... Na verdade, ele tinha discordado de início, ao ver que era para ele estar no lugar de Kiba. Porém não era por causa de Kiba que estava preocupado, Shino achava que Ino sairia magoada de tudo aquilo porque seu amigo era completamente fixado em Hinata. Não sei se ele vai conseguir abrir mão desse amor, ele teimoso demais para desistir. Pensou resignado.
- Shino, você está me escutando? – Kiba questionou revirando os olhos. O amigo sempre parecia estar no mundo da Lua. – Por que você imagina algo?
- Que saber a verdade? – perguntou recendo um olhar ainda mais curioso do outro. – Você é muito determinado, mas é lento como uma tartaruga.
Kiba tomou fôlego, pronto para gritar com o outro, mas Ino começou a acenar e a chamar sua atenção. Ele murmurou que conversariam mais tarde e foi, sorrindo, para onde ela estava. Shino olhou para as costas do amigo, graças aos óculos ninguém podia ver, mas surpresa brilhava em seus olhos. Será que o Kiba...?
Chouji, que carregava um enorme saco de batatinha em sua mão esquerda, esticou a mão direita e tocou o ombro do melhor amigo, o gênio da família Nara. Shikamaru olhou para ele com tédio, esperando que dissesse o que queria.
- Olha quem está ali – apontou depois de colocar um monte de batatinhas em sua boca.
Shikamaru suspirou um “problemático” ao ver Ino junto de Kiba. A loira estava séria e parecia realmente concentrada, mas não escapou aos olhos treinados do Nara o rubor tênue que havia no rosto dela. Nada disso incomodaria Shikamaru se não fosse o simples detalhe de que Ino parecia envolvida demais pelo outro.
- O que acha da ideia da Tsunade-sama? – Chouji perguntou parando de mastigar.
Shikamaru hesitou. Ele lembrava muito bem o que sua superior dissera, mas não sabia se aquela era uma ótima ideia. Para não ser mentiroso, o Nara conversara com Tsunade e explicara que imaginava o que aconteceria e compreendia o que ela queria, mas que não via como aquilo poderia acontecer. Os dois são diferentes demais e o Kiba gosta de outra pessoa... Rebatera lógico. Tsunade apenas erguera a mão e respondera: Apenas confie em mim. Eu consegui a ajuda da pessoa que pode endireitar o Kiba e preciso da sua, também, por causa de Ino.
- Isso vai ser extremamente problemático... Mas sei que ela pode estar certa, então resolvi apenas observar – respondeu soltando um novo suspiro. – Só estou preocupado. Não gosto do Kiba.
- Só porque ele é escandaloso – rebateu Chouji voltando a pegar mais batatinhas. – Mas a Ino é assim também.
***
Ino atirou-se em sua cama e sorriu satisfeita. Suas avaliações no estágio probatório estavam cada vez melhores e isso significava que logo estaria formando-se uma Anbu Sedução. E isso tudo graças àquele selvagem!
- Preciso agradecê-lo – murmurou sorrindo.
O sorriso desapareceu de seu rosto. Preciso parar com isso... Disse para si mesma. Ela percebera que estava encantada com ele desde o dia em que ele oferecera-se para ajudá-la, na floricultura. Aquele era um caminho muito perigoso, ainda mais por saber da paixão que o outro sentia pela ex-companheira de equipe. Rolou na cama e olhou para o teto. Seu mantra especial ecoava em seu cérebro, mas ele não parecia fazer muito efeito. Ela revirou os olhos para si mesma e não conseguiu evitar um sorriso.
- Ai, ai – falou erguendo-se e indo em direção ao banheiro. – Preciso dormir, amanhã é meu exame! E, se eu conseguir, já sei o que vai fazer!
Ino sabia que estava falando com as paredes, mas aquela era seu modo de se encorajar. Sorriu e correu para seu banho. Queria dormir cedo para estar completamente disposta na manhã seguinte.
...
Kiba virou seu terceiro copo de saquê. Só conseguiria aguentar as asneiras de Naruto e Lee a noite toda se estivesse, pelo menos, alto. Todos estavam ali, menos Ino e Hinata. Sakura pulava no pescoço do Uchiha, que a ignorava como sempre; Naruto e Lee dançavam com copos em suas mãos e Tenten, Shikamaru e Chouji comiam calados em um canto. Shino olhava o amigo com curiosidade, muito bem disfarçada. Era quase duas da manhã e Kiba encarava o relógio de três em três minutos.
- Por que olha tanto para o relógio? – perguntou finalmente. – Atrasado para algo?
- Sim, para estar na minha cama – respondeu virando mais um copo. – Amanhã tenho que acordar cedo.
- Por que se você ainda está de férias?
- Porque amanhã é o exame de Ino e prometi que compareceria – falou sério. – Preciso ir embora e, pelo jeito, ninguém vai sentir a minha falta. Vemos-nos depois, Shino!
Ele nem conseguiu impedir que o outro saísse. Shino apenas acenou e foi juntar-se aos três que conversavam calmamente. O Aburame concluiu que ou Kiba era burro como uma porta ou era só lento mesmo. Acho que fico com a primeira opção.
***
Tsunade olhava para aquele bando de garotas com as sobrancelhas arqueadas. Reconhecera muitas das meninas, mas Ino era a única a manter-se calada e distante das outras. Ela também notara o Inuzuka, com sua roupa de Anbu e sem o fiel companheiro, Akamaru, em um ponto distante da sala, bem escondido aos olhos despercebidos. Ela escondeu seu sorriso e falou o mais alto que podia.
- Silêncio! Desse jeito acordarão os mortos! – a sala rapidamente foi preenchida pelo silêncio. Ela lançou um olhar ameaçador para cada uma, mostrando que se tentassem falar enquanto estivesse falando, seriam severamente castigadas. – Ótimo. Agora, escutem com muita atenção, eu darei as instruções apenas uma vez e espero que saibam muito bem que, a partir de agora, vocês conhecerão o Inferno dos Anbus.
Murmurinhos foram ouvidos pela sala. As garotas pareciam assustadas com a última frase da Hokage. Kiba procurou Ino com os olhos e ficou orgulhoso ao ver que ela nem se mexera com a constatação de Tsunade. Ele contara para ela tudo, tudo que ela poderia passar para se tornar uma Anbu, até mesmo tentara supor o que seria o teste específico para a divisão que ela escolhera. Ele viu uma porta se abrir e Tsunade dar a ordem para que seguissem em frente. Elas enfrentariam Naruto, Lee, Shikamaru e outros ninjas de altíssimo nível e Kiba não estava nem um pouco preocupado com Ino. Ela vai se sair muito bem. Pensou satisfeito.
- É bom que não esteja sorrindo por baixo dessa máscara, Inuzuka – comentou Tsunade parando a seu lado. Kiba nem se dignou a responder. Esses garotos estão muito folgados. A mulher pensou com uma veia surgindo em sua testa. – Já que o grande Inuzuka não dirige a palavra para sua superior, ele está pronto para sair de suas férias.
- Do que a senhora está falando? – perguntou surpreso.
- Ah, o cachorro não comeu sua língua, foi? – perguntou rindo da própria piada. Kiba apenas grunhiu e continuou olhando em sua direção. – Você vai participar do exame de sua “aluna”. Quero que troque de roupas e de máscara e siga Shizune até onde irá esperá-la.
Kiba estava pronto para retrucar, mas o olhar de Tsunade avisava que se fizesse aquilo poderia perder seu emprego. Maldita mulher maníaca! Pensou concordando e saindo atrás de Shizune.
- Agora que as coisas irão começar a melhorar – comentou para si mesma com um brilho perverso em seus olhos.
...
Ino parou em frente à última porta. Sua respiração estava entrecortada e a exaustão começava a tomar conta de sua mente, mas ela ainda se lembrava muito bem das últimas ordens de Tsunade. Depois de tudo, vocês ainda terão que seduzir alguém, afinal, esse será seu trabalho se passarem. A loira endireitou suas costas, sabia que sua aparência não estava das melhores, mas era justamente esse o desafio que lhe fora imposto. Vou conseguir! Gritou para si mesma e abriu a porta.
Era uma sala grande e havia apenas um homem sentado em um sofá vermelho, bem no meio dela. Ino deu alguns passos para frente, estampando seu melhor sorriso e mantendo a coluna totalmente ereta, dando ser ênfase para seu quadril e seios. Ela não conseguia reconhecer quem ele era e achou melhor daquele jeito. Assim não ficarei nem constrangida de começar, se for algum de meus amigos.
Uma música animada tocava de fundo. Ino sabia as regras da Sedução. Não falar; não beijar; apenas provocar. Recitou-as para si mesma enquanto se aproximava. Ino apenas olhou para o lugar em que deveriam estar os olhos dele e sorriu. Minha nova presa. Pensou depois de muito tempo mantendo-se afastada de suas verdadeira habilidades.
...
Aquilo fora uma verdadeira carnificina. Ela dançara, provocara e até mordera o lóbulo da orelha do homem fazendo-o ficar com uma ereção gigante e rosnar baixinho. Quando a voz da própria Tsunade ecoou pelo alto-falante, dizendo que estava aprovada, ela pulou para longe dele, feliz, e saiu correndo do quarto.
Kiba retirou a máscara e olhou para sua chefe com raiva. Tsunade olhou rapidamente para a “situação” em que ele estava e sorriu inocente: — Acho melhor você ir correndo arrumar isso daí, ela logo vai te procurar para dar as boas notícias.
***
Ele estava quase terminando de trocar de roupas, faltavam apenas a cueca e a calça, quando Ino surgiu bem no meio de seu quarto, assustando-o. A boca dela caiu aberta quando viu-o naquele estado de nudez e Kiba apenas teve tempo de pular e pegar seu travesseiro.
- O que está fazendo aqui?! – gritou tampando-se o máximo que podia.
- Bem, vim dizer que passei no teste – gritou pulando feliz.
- Tudo bem, mas não poderia ter batido na porta como qualquer pessoa normal?
- Não, sou uma Anbu agora, não preciso fazer isso – respondeu empinando o nariz.
Kiba grunhiu e abaixou-se, sem tirar o travesseiro, para pegar sua cueca. Ino sorriu inocente para ele e aproximou-se como um felino que estava caçando. O Inuzuka ergueu uma sobrancelha para ela e parou para ver o que ela estava aprontando. Ino aproximou-se até colocar as duas mãos no peito dele. Kiba travou, relembrando a tortura que sofrera na sala mais cedo. Ela ergueu-se nas pontas dos pés e respirou perto do ouvido dele antes de dizer:
- Espero que tenha gostado do meu showzinho particular Esforcei-me ao máximo quando descobri que era você...
- Como?
A voz dele estava entrecortada. A garganta estava seca. Ino sorriu vitoriosa, aquilo era exatamente o que queria. Ela lambou levemente o lóbulo e afastou-se, sem dizer mais nenhuma palavra. Antes que Kiba conseguisse se recompor, sentiu as duas mãos da loira em seu pescoço e os lábios dela nos seus. Aquilo fora demais para os sentidos extremamente apurados do Anbu. Suas mãos largaram a travesseira e foram rapidamente para a cintura dela. Os dois giraram até caírem na cama dele, ele por cima dela. Ino arregalou os olhos levemente ao ver as presas dele um pouco para fora da boca. Ia começar a falar quando sentiu os dois braços serem presos em cima de sua cabeça.
- Você mexeu com a pessoa errada, princesa – ele murmurara arrancando-lhe arrepios. – Você tem certeza disso?
- Nunca tive tanta certeza de alguma coisa, selvagem.
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