Outonos
11 I'm not okay - I promise
Notas iniciais
Charles, eu já fui embora tantas vezes enquanto também ficava. Eu já te fiz chorar, sangrar, enlouquecer. Eu acabei com a sua sanidade, dizem. Eu te amei-amo. Eu acordava no meio da noite para te encontrar me fitando, e conseguindo a certeza que eu estava bem. Assentia de leve, sonolenta, você me beijava a testa, e acariciava meu cabelo cantarolando, mesmo que eu não gostasse da música. Me acordava citando Shakespeare, com cheiro de tinta fresca nas paredes e um café forte do seu lado da cama. Nada de cafeina para mim até depois do meio dia.
Eu sinto falta, Charles. Do modo como seus olhos estavam arroxeados, e você sorria fraco de canto para mim. Do hálito de hortelã, e como você riscava meu corpo quando nem as paredes eram suficientes. Você tinha suas cores legais, e me coloria também. Mas a cor saía, as palavras borravam. E eu destruía você sem perceber. Não o culpo por cansar, se assustar e ir embora. Se eu tivesse um minimo de sanidade e conhecesse alguém como eu, eu não ficaria também. Você ficou. Mas não aguentou se comparar com o monstro que eu era. Que eu sou. Você queria me consertar e me livrar do vicio.
Mas o meu vicio é psicológico.
Uma luta constante contra os desejos catastróficos.
O veneno corre em minhas veias.
E eu acabei com você. Sinto sua falta, Charles Hael.
Mas não volte mais para o fundo do poço.
Com o amor que me resta,
Dominika Barllet
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