Outono dos Deuses
1 Novas tormentas
No século XXVI a terra era um local onde várias guerras já haviam acontecido, por diversas motivações, e em meio disso, a população esteve em desequilíbrio em certas cidades. Com isso, houve um desloque imenso para cidades mais populosas, afim da re-estabilização econômica. Dos países do Norte até os países do Sul do continente de Koria, havia DisWitch: A cidade que conseguiu se manter estável em meio as muitas guerras então em sua volta foram formadas muitas outras cidades transformando ela em um centro extremamente forte economicamente; No país de Varzus , nada se alterou, e as cidades se mantinham normais, por ser um local longe das rotas de combate; E então em West Bright, o local mais atingido pelas rotas de guerra, as pessoas se juntaram para manutenção da cidade que antes era o centro de saúde e cultura do continente de Brestorn.
Com o passar do tempo os seres humanos tiveram atitudes filantrópicas com os que precisavam, e assim se mantiveram por dez anos de reconstrução civil e estrutural. Especialmente nesse momento, os sacerdotes pontífices anunciaram a vinda dos deuses, mais uma vez a terra, pregando que essa seria a segunda iluminação, depois da falha na primeira. Na primeira Iluminação, Nekereth o primeiro sacerdote, havia tido contato com primordius, o Deus que deu forma aos humanos retirando dele sua essência e carne, para dar uma forma semelhante dos deuses a sua criação. Mas em contradição a isso a primeira torre de Babel fora construída, como ato de equivalência para a atitude de primordius, pensaram os humanos que conseguiram se equiparar a um deus. E em consequência a isso os deuses decidiram espalhar os seres humanos e criar linguagens próprias para dificultar a comunicação mundial.
Prontamente a terra inteira se preparou para a vinda dos seus regentes celestiais. E essa seria talvez a reconciliação. E em pouco menos de dois anos, exatamente em 2751, os dezesseis deuses desceram para tentar a comunicação com o mundo que ainda não lhes tinham demonstrado o “respeito temeroso” que eles tanto almejavam. Foram anos de dialogo, transmissão de conhecimento, cultura, e até mesmo manutenção ecológica. Porém alguns dos deuses não demonstravam confiança e subjugaram algumas nações. O mesmo vinha dos humanos, que em um ato de rebeldia começaram a criação da segunda torre de babel para tentar tomar o Reino dos Deuses, sendo eles chefiados pelo penúltimo descendente de Noé. Em uma rápida atitude de recuo, os deuses voltaram para o “Sacro Terram”. Decidiram prontamente sacrificar o descendente de Noé, mas a rebeldia não podia ficar em pune. Odium então decidiu que a terra deveria entrar em provação. Um “jogo” onde as regras: eram somente os humanos podem disputar ativamente a terra; Cada Deus colocaria seu interesse em quem quisesse ajudar indiretamente, poderia explicar ou ter contato com eles se quisessem; O Deus que ganhasse decidiria o desfecho da terra. E então, a primeira tormenta viria para aqueles que mais uma vez, falharam no seu contato com os seres celestiais.
Eram quatro da manhã, e Noah não havia notado que o mundo praticamente estava acabando logo fora da sua casa. Talvez fosse o clima de West Bright que influenciasse. Um local chuvoso e com muitos trovões, fazia com que as pessoas se sentissem seguras com barulhos imensos, mas definitivamente não achariam normal pilares emergindo do solo, e feixes de luz verde aparecendo em meio a uma terrível tempestade. Para o garoto, só o que havia em seus ouvidos era uma linda e ressonante sinfonia similar a Couperin, e sonhava com um campo que ventava muito, não era nada bonito, mas para ele era um local sozinho, como ele gostava. Logo seu sonho fora levado junto com a ventania que abriu sua janela violentamente. Articulou um bocejo, mas sua boca estava travada de frio, então a dor o fez segurar-se. Em poucos minutos ele olhou para fora da sua janela e conseguiu ver West Bright mais uma vez em caos.
–Mas que porra ... – Falou Noah, mas sem completar, a dor ainda imperava em sua mandíbula.
Era fato, o local parecia ter passado por mais uma guerra, mas nenhum sinal de pessoas fuziladas, somente os prédios derrocados, casas com seus pedaços destruídos, e algumas pessoas aparentemente estavam na rua desnorteadas. Era definitivamente um estado preocupante, mas Noah apenas seguiu a seu guarda-roupa, pegou sua camisa e abotoou-a, esqueceu de mudar suas calças de pijama, que na verdade eram calças jeans comuns, mas já desgastadas que se tornavam folgadas o suficiente para se deitar em conforto com elas. Ao sair de casa a tempestade tinha se acalmado, e os céus tinham aberto o suficiente para o sol iluminar a cidade de uma forma estranha, mantendo feixes de luz agora “normais”(Obviamente ter feixes de luz ao invés de luz incidida de forma forte, não eram nada normais, mas como a cor já não era mais verde, relevou-se o fato).
Na mente do garoto de 19 anos só o que ainda restava eram os trechos de “Troisieme Livre de Clravecin,Baumont” de Couperin, e ele seguia pela cidade, que estava em escombros em alguns locais, com a maior naturalidade, apesar de não ser isso o que se passava na sua mente. Existia um sentimento de inquietação formigando na entre o órgão que ressoava em sua mente. Seguiu até um prédio onde seus amigos costumavam se encontrar e sentou-se perto, onde pode avistar Linart, uma amiga de longa data.
–Linart! O que houve aqui? – Disse Noah, agora tendo a sensação de relaxamento em seu maxilar.
–Não sei, Noah, muita gente só... sumiu, meus pais... Não sei... – Na voz doce da garota, parecia haver algo não dito.
Ignorando totalmente o ar de mistério que a garota tinha criado, os dois correram até a parte baixa da cidade, onde os comerciantes se alojavam, e no meio do caminho se deparavam com pessoas chorando, algumas confusas demais, outras vagando por ai, e até mesmo, e de forma estranha, grupinhos de pessoas rindo.
Chegando a área comercial, eles viram que as pessoas estavam espalhadas, de forma que um circulo no meio com quatro pilares que estavam em pares, dois a dois , e haviam 2 pessoas no meio, dois jovens, que estavam sentados em uma pequena área que os mantinha mais alto que o resto.
–Vamos , me deem comida, não vou falar outra vez antes de acabar com seu comércio idiota – Falou o garoto mais velho de cabelos longos e negros.
E logo fora concedido comida ao garoto que se portava de forma ignorante e agressiva.
Depois de analisar a cena, Noah perguntou a um estranho o que estava havendo naquele local.
–Parece que de alguma forma, esses garotos são enviados dos deuses, e eles destruíram uma venda em troca de comida, com algo parecido com... um chicote pesado de ferro, que ele mesmo fez aparecer do nada. A cidade já está um caos, todos aqui vieram ver se suas vendas tinham sido afetadas por esse estranho acontecimento, e agora isso... – Disse o senhor que já estava assustadíssimo com a situação.
Noah estranhamente parou de agir de forma coerente , e saiu andando até o meio do círculo onde os dois garotos degustavam das comidas da cidade
–Noah, volte, idiota, não ouviu o que o senhor falou ? – Linart sussurrou
Mas o garoto já nem sabia mais o que estava fazendo, só continuou a avançar pela multidão até chegar na frente dos “enviados dos deuses”.
–Hey Kiddo, o que quer de nós? Veio nos oferecer comida? Diga logo, está me incomodando te ver com esses olhos vazios. – O garoto de cabelos longos bravejou
–Seulement mourir... – Disse Noah com a mão em direção ao pescoço do garoto.
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