Outono Enfumaçado

1 Cap 1 - Recrutamento, parte 1


Notas iniciais
Pretendo postar outros capítulos o mais rápido possível

Um dia incrivelmente frio para um final de tarde de primavera, o céu estava mais nítido do que o normal e o pássaros não cantavam como de costume. Aki sentia a mudança no ar, sua mala perto da porta parecia muito maior do que imaginava – mas comparando a mala de Lótus, ela era minúscula.

Esperava calado na porta, porque sabia que se olhasse para dentro e visse seus tios se despedindo de Lótus, começaria a chorar junto com eles. Agradeceu aos céus da carroça que iria os buscar ter chegado mais cedo. E antes que o resto da família percebesse, Aki já havia posto as malas para dentro e conversava com o senhor quase cego que guiava os cavalos.

Lótus correu como se eles não fossem esperar por ela, sentando em uma almofada velha e rasgada dentro da carroça, abriu espaço para que Aki sentasse em seu lado, e assim que ele estava razoavelmente confortável, Lótus segurou sua mão e sorriu. A carroça então começara a se mover, e a casa de madeira ficava mais distante a cada minuto.

Quando não podiam mais ver a pequena casa, apenas campos de trigo, Lótus começava a chorar. Abraçou Aki com todas suas forças, tudo que não chorou quando se despedia, estava sendo posto para fora. Aki não sabia o que dizer, então apenas abraçou de volta, pode sentir seus olhos encherem de lágrimas, mas olhou para cima para se forçar a não chorar. A viagem seria longa, e tudo mudaria assim que saíssem daquela carroça. Depois de pouco tempo chorando, Lótus perdeu as forças e caiu no sono, Aki então se forçou a dormir, mesmo que estivesse super ansioso pelo dia seguinte, fechou os olhos e começou a sonhar. Agora, tudo que podiam fazer era esperar o futuro os atingir.

Aki acordou com a luz do sol batendo em seu rosto, tentou não se mexer para que Lótus não acordasse – sem sucesso – ela levantou o rosto, olhando em volta procurando algo que reconhecesse... de longe podia ver a cidade central, tinha um cheiro diferente do campo, fedia.

– É para lá que vamos, Aki? – Os olhos dela brilhavam, nunca havia saído do campo.

– Na verdade... – se intrometeu o velhinho apontando para outro lado, longe da cidade – É para lá que vocês estão indo.

Lótus olhou esperançosa, ainda não dava para ver nitidamente, mas parecia outra cidade, talvez um pouco menor do que essa que acabaram de passar. Enquanto Lótus discutia com o senhor sobre a cidade, Aki abria uma das malas para pegar comida, um sanduiche de galinha, feito com amor por sua tia. Não sabia quando poderia comer outro assim, então aproveitou cada mordida.

Ainda faltava um pouco para seu destino, então Aki fechou os olhos novamente e tirou um cochilo. Não sentiu o tempo passar. Acordou com Lótus o cutucando, quando olhou para ela, estava com parte do sanduiche na boca.

– Che...gamo...s – Lótus falava com a boca cheia.

Aki olhou em volta, a carroça já havia parado, e suas malas não estavam mais lá. O velhinho havia as levado para a central das malas. Enquanto Lótus terminava de comer seu sanduiche, Aki descia da carroça. Podia ver muitos outros meninos, de sua idade aproximadamente andando em uma certa direção.

– Vamos, Aki! – Lótus pegou no braço dele e começou a andar no mesmo sentido dos outros – A inscrição é para lá! – Ela apontava para a multidão que cada vez aumentava mais.

Enquanto era puxado, sentia que atraia atenção de olhares. Não necessariamente para ele, mas sim para Lótus, uma menina pequena e ruiva, mas com muita presença. A maioria das pessoas ali eram caras, e isso preocupava um pouco Aki. Então estufou o peito, e começou a encarar todos aqueles que olhavam para sua prima. De uma forma sentiam, sentiam que um cara de quase dois metros estava ali para defende-la. Então Lótus ficou invisível para todos, Aki chamava atenção com sua vontade.

Logo chegaram a um grande balcão. Onde vários superiores preenchiam papéis e davam direções. Lótus correu na frente, e em seguida Aki chegou ao seu lado. O homem que estava a sua frente não olhara para eles, estava ocupado lendo. Lótus esperava que os notasse ali, mas Aki não tinha tanta paciência assim.

–- Bom dia. – se forçou a falar para chamar atenção — Eu gostaria de fazer a inscrição. — O homem levantou a cabeça, Aki ficou um tanto surpreso, o rosto dele era marcado por uma enorme cicatriz, que ia da testa até o canto da boca. Ele avaliou Aki de cima a baixo.

— Nome? — A voz dele era firme e assustadora.

— Aki Sato Riverstyle.

— Sexo? — Se o oficial tivesse levanto o rosto, viria a expressão debochada de Aki.

— Masculino.

— Altura, peso, idade e saúde?

— 1,86m; 98kg; 18 anos e alergia a amendoim.

Esperava outras perguntas além dessas, mas o careca ficou em silencio. Fazendo anotações e carimbando papeladas. Rapidamente entregou um papel a Aki.

— Cabana número 8. Apresente esse papel e espere pela orientação.

Lótus observava o procedimento atentamente.

— Depois nos encontramos – Aki não queria se separar de Lótus, mas não havia jeito. Aki então desapareceu na multidão. O careca já havia gritado “próximo”, e Lótus já estava preparada para responder as perguntas.

— Nome?

— Lótus Mowf Riverstyle.

O homem então levantou a cabeça para analisá-la. Foi quando Lótus pode perceber que ele não era velho, devia ter no máximo 25 anos. Seus olhos se encontraram por alguns segundos, mas logo ele voltou a olhar para o papel.

— Qual seu relacionamento com Aki Sato Riverstyle? — Ele parecia um pouco envergonhado ao perguntar.

— Ele é meu primo. — Ela não entendeu muito bem o motivo dessa pergunta, mas questioná-la daria muito trabalho.

— Ah, claro... — parecia um tanto aliviado. Limpou a garganta tentando disfarçar — altura, peso, idade e saúde?

— 1,64m; 69kg; 18 anos e sou saudável. — Lótus falava sorrindo, diferente da maioria das pessoas que faziam as inscrições. Rapidamente, ele entregou os papeis a Lótus.

— Apresente esse papel na cabine 13, e boa sorte Senhorita Riverstyle. — Quando sorria, sua cicatriz basicamente sumia, ele era realmente muito charmoso.

— Obrigada... — procurou a identificação no uniforme dele — tenente Camark.

Lótus então se virou e foi em busca da cabana de número 13, desviando de todos a sua frente.

Notas finais
Espero que tenham gostado ^^