Outcasts

1 A opção mais segura


Notas iniciais
Primeiramente, perdoem qualquer erro no formato do texto. Nyah é péssimo pelo celular.
Segundamente, falas em itálico significam que os personagens estão se comunicando por linguagem de sinais.
Terceiramente... Boa leitura! ♡

O dia mal havia começado, e minha paciência já estava sendo testada. Meu amigo foi expulso de casa, mas não antes de apanhar até ficar roxo. E pelas mãos do próprio pai.

Que jeito tranquilo de iniciar o fim de semana!

Apressei o passo ao ver Luca em pé na frente do portão do seu apartamento. Ele veio em minha direção, com uma expressão preocupada, gesticulando furiosamente.

— Eu não acredito que fizeram isso. A mãe dele não disse nada?

— Não. -— Respondi, sacudindo a cabeça. -- Ela disse que era o melhor a ser feito.

— Vaca.

Luca é surdo-mudo de nascença, então só nos comunicamos por sinais. Os pais dele não deixam ele sair sozinho, então eu precisei passar pra buscá-lo. Fomos andando e gesticulando. Algumas pessoas nos encaravam, mas tanto ele quanto eu aprendemos a ignorar isso a partir dos anos.

— Como alguém consegue fazer isso com o filho? Como... -- Ele deixou as mãos caírem ao lado do corpo. --

— Eu também não entendo.

— Como ele está?

— Ele é forte. Vai superar. Mas Jules me disse que ele quebrou um dedo quando socou o irmão.

— Bem feito. Um imbecil daquele merecia um soco.

— Vou ter que concordar.

Por sorte, não estávamos muito longe do nosso objetivo. Entramos no outro apartamento, pegamos o elevador para o sexto andar e batemos na porta do apartamento sessenta e três. Jules a abriu.

Seu rosto estava vermelho, como se tivesse chorado. Seu cabelo loiro estava bagunçado. Sem dizer nada, ele simplesmente nos deixou entrar.

Javi estava sentado no sofá, com uma tala nos dedos da mão direita. A mão esquerda estava tremendo, mas segurava gelo contra a bochecha. Vi manchas de sangue na sua clássica blusa branca do Star Wars.

— Como você tá? -- Perguntei. --

— Como você pode imaginar, já estive melhor. -- Ele sorriu fracamente pra mim. -- Mas vou sobreviver.

— Pelo menos ele não perdeu o bom humor. -- Jules sorriu de volta pra ele, se sentando ao seu lado. -

— E aí, Luca? -- Javi acenou com a cabeça. --

Luca acenou de volta e fez um gesto rápido. Quanto mais ele gesticula com pressa, mais nervoso ele está.

— O que aconteceu? -- Traduzi. --

Ele respirou fundo por um momento.

— Eu saí do armário pra os meus pais, eles não aceitaram e a gente começou a discutir. Eu comecei a brigar com eles, e meu pai veio pra cima de mim. E aí ele disse pra pegar minhas coisas e ir embora.

A medida que Javi foi falando, eu fui contando a história pra Luca por sinais. A expressão dele ficou azeda.

— Então eu fui pro hospital. Quebrei o dedo do meio e o indicador. Depois de botarem essa coisa na minha mão, eu vim pra cá. Era o único lugar que me restou.

Luca soletrou um palavrão e cruzou os braços quando eu terminei de lhe contar. Jules fez um barulho estranho com a garganta, abaixando a cabeça.

— É minha culpa. Se eu não tivesse te falado pra dizer a eles...

— Ei. -- Javi o interrompeu. -- Para com isso. Você só tava tentando me ajudar. Não se culpe por eles serem babacas preconceituosos.

— O que foi? Não consegui ler os lábios deles. -- Perguntou Luca, franzindo a testa. --

— Depois eu te conto.—- Suspirei. --

— Eles são um ótimo casal. Vão superar isso.

— Concordo totalmente. -- Fiz que sim com a cabeça. -- Ele disse que vocês são um bom casal. Vocês conseguem passar por isso.

— Viu? Todo mundo shippa a gente! -- Javi piscou para o namorado. --

Jules sorriu um pouco, mas ainda não parecia muito feliz. Eles estavam namorando já faz alguns meses... Depois de anos estando apaixonados, mas nunca conseguindo dizer ao outro.

— Vamos mudar de assunto antes que eu fique doido. -- Javi sorriu maldosamente. -- Falando em shippar... E você e a Airi?

Senti meu rosto pegar fogo. Luca deu um empurrãozinho no meu braço, sorrindo também. Ah, Deus.

— A... A Airi? O que tem ela?

— Quando você vai se confessar pra ela?

— Confessar o quê?

— Kalani, todo mundo sabe que você está apaixonada por ela. Até sua mãe sabe.

— Claro que não! Vocês estão loucos!

— Vai nessa, Kiwi. -- Zombou Javi. --

Desde que nos conhecemos, ele me chamava por esse apelido, porque ele ouviu errado o meu sobrenome. Kaiwi não se parece tanto com Kiwi... Ou só um pouquinho. Não é minha culpa se meu nome é havaiano!

— Eu... Eu não posso dizer nada pra ela!

— Por que não? -- Perguntou Jules. --

— E se...

Me encolhi só em pensar no que poderia acontecer a Airi se alguém descobrisse que ela gosta de garotas. Os pais dela eram iguais aos pais de Javi. Ou até piores. A família Himura tinha muita influência e poder. Se algo manchasse a reputação deles aos olhos do povo... As consequências seriam horríveis. E se a culpa fosse da Airi, eles iriam acabar com a vida dela. Javi pelo menos está acostumado com o preconceito. Já ela...

— ...E se os pais dela descobrirem?

A sala ficou em silêncio. Nosso amigo apanhou e foi expulso de casa, só por ser ele mesmo. Não queria que mais uma pessoa importante pra mim sofresse assim. Não por minha causa.

Esconder os sentimentos é a opção mais segura.

O clima ficou tenso. Fechei a mão, tentando engolir as lágrimas. Luca, por sorte, percebeu meu desconforto.

— Eu sei como você se sente. Não se preocupe. Vai ficar tudo bem.—- Ele gesticulou. -- Diz pra eles que eu tô com fome.

— Ele... Quer saber o que tem pra almoçar.

— Ah, que bom que você perguntou, porque minha mãe fez aquela macarronada! -- Jules se levantou. --

— Opa, mas só se tiver muito molho! -- Javi se animou. --

— Pelo amor de Deus, não, eu odeio tomate. -- Ri. --

— Macarrão, né? Da mãe dele? -- Perguntou Luca. --

Fiz que sim com a cabeça.

— Ainda bem. Da última vez que eu comi algo que o Jules cozinhou, fiquei com dor de barriga.

— Não me lembre. Aquele bolo tinha gosto de morte.

— Você tá preocupada com a Airi. -- Não era uma pergunta. -- Ela é mais forte do que parece. Fica bem, tá?

— OK. Vou tentar.

E depois dessa conversa, fomos até a cozinha pra comer a melhor macarronada, que se Deus quiser não era igual ao bolo da morte.

Notas finais
Se você leu até aqui, muito obrigada, e por favor, deixe um comentário dizendo o que achou. Sua opinião é deveras importante ♡♡
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.