Out of Tune

4 Capitulo 4 : The number of the beast


Naquele mesmo dia ainda durante as aulas. Kid se levanta da carteira com um estrondo, ele simplesmente chuta a mesa para frente e sai enfurecido do local. Já fazia quase meia hora que Bonney tinha saído da sala em prantos. Não esperava que ela fosse voltar, mas se sentia irritado pela atitude da jovem.

Killer logo aparece ao seu lado, ele não diz nada e juntos caminham para os portões do colégio. O loiro percebia que o rapaz não estava de bom humor, poderia até mesmo ver uma áurea negra ao seu redor e isso fazia todos os alunos recuarem para trás assim que Kid se aproximasse.

Quando os dois já estavam longe das muralhas da Oda School, Kid pegou o celular e discou o numero da namorada, mas após alguns minutos, caia na caixa postal, sentindo sua irritação aumentar mais ainda, ele simplesmente aperta o aparelho entre as mãos, com a clara intenção de quebrá-lo.

—Vamos atrás dela

Killer responde com um aceno da cabeça e acompanha os passos do líder. Após alguns minutos, os dois entram numa parte afastada e suja da cidade, a rua terminava num grande beco, havia latas de lixo espalhados pelo local e o fedor era quase insuportável. Eles caminham até uma casa mal cuidada, as paredes estavam todas pixadas e sujas, a casa parecia abandonada há muito tempo, mas após algum tempo um velho abre a porta.

Ele tinha uma estatura baixa e avantajada, seus cabelos eram ralos e oleosos, os poucos fios que lhe restavam, pareciam estar colados na sua cabeça. Usava uma camiseta regata suja e engordurada, que deixava sua barriga bem a mostra. O velho fedia a sakê barato e parecia não tomar banho à dias, apoiado com a mão na porta, percebia que estava com dificuldade de ficar em pé.

—Chama a garota para mim. — Kid diz de maneira ríspida

O velho demora a entender essa informação e Kid estava quase o socando por isso, só não se aproximava mais do velho, pois sentia verdadeiro asco. Com um sorriso grotesco pela falta dos dentes e um mau hálito insuportável, o velho responde.

— Não vi.... E eles me devem o aluguel... até o fim da semana...ou.... rua.

Sua voz e raciocínio eram lentos por conta da bebida. Mas Kid já sabia de tudo, Bonney vivia naquela imundice por incompetência do pai que não conseguia manter um emprego fixo e por causa do vicio dele com os jogos. Kid já havia emprestado algum dinheiro, mas ele sempre gastava tudo na primeira mesa que encontrasse. E hoje Kid não estava amável com ninguém, ele virou as costas para o senhorio bêbado e voltou a caminhar, sentia seu sangue ferver de frustração, uma vontade insana e demoníaca de agredir alguém surgia em sua mente.

Kid e Killer começaram a subir a rua e viram uma silhueta de um homem descendo, para eles era apenas mais um assalariado infeliz voltando do trabalho, exceto pelo fato de que aquele horário todos deveria estar trabalhando. Kid olha com mais atenção para o homem que andava cabisbaixo.

— Ora, quem diria. Veio pagar o que deve, velho? – O rapaz cruzou os braços e olhou com escárnio para o senhor à sua frente. Era um homem de aparência humilde e andava com um terno surrado e uma pasta velha de couro. – Vamos, pelo menos me olhe nos olhos!

No meio do beco escuro onde estavam, o homem ergueu o rosto e reparou que havia algo de diferente no olhar do rapaz. O ruivo que sempre lhe emprestava dinheiro mostrava um sorriso sarcástico, como se sentisse prazer em vê-lo submisso dessa forma.

— Err...mais um dia ruim...não consegui nada hoje – O pai de Bonney volta a caminhar, mas é barrado pela mão de Killer que segura firme seu ombro.

—Não vai me dizer que perdeu MEU dinheiro no jogo? – Kid faz esse comentário maldoso com grande satisfação.

—Por favor Kid, eu preciso de mais alguns dias, eu juro que conseguirei pagar até o fim da semana – O velho sentiu os olhos marejarem. Tinha plena noção da humilhação a que estava se sujeitando, mas não havia outra escolha. Conhecia a fama daquele rapaz, afinal ele era o namorado de sua filha Bonney.

Mas Kid não estava propenso a desculpas, ele fecha o punho e desfere um soco no abdômen do velho. O pai de Bonney até se curva de dor, não conseguia respirar e sentia o conteúdo gástrico subir até a garganta, ele cai de joelhos no chão com um estrondo, a pasta cai em algum lugar da rua imunda, enquanto o homem tenta lutar pelo um pouco de ar e para conter a ânsia de vomito.

— Sem essa, seu prazo se esgotou há dois dias. Já fui bondoso demais em deixar passar essas 48 horas de atraso. Você não vai querer me ver irritado, vai?

— Kid...por favor...eu...

Mas suas suplicas é em vão, pois o ruivo avança sobre ele com tal veracidade que parecia ter incorporado o próprio demônio. Kid chuta inúmeras vezes o homem no chão, que tentava inutilmente se proteger dos golpes. Após sua irá ter cessado, Kid recua e respira mais aliviado, durante esse tempo todo Killer apenas observava a situação sem esboçar qualquer emoção.

—Vê se aprende a lição...otário.

Os dois começam a sair do beco, enquanto o velho espancado e humilhado, chorava na rua.

Bonney havia recebido a ligação do velho grotesco que alugavam um cômodo imundo, ele disse que seu pai havia sido espancado quando chegava em casa e foi levado ao hospital. Ao chegar lá a jovem corre pela recepção.

—Onde está meu pai? Ele está bem? – A garota parecia genuinamente preocupada

A atendente com a mais absoluta calma e de forma passível anota os dados que Bonney dizia e indica à enfermaria, Bonney sai correndo para lá, sem nem suspeitar que Law a esteve seguindo de perto todo esse tempo.

Ele caminha em direção a mesma atendente, que o observa com a mesma cara de paisagem que antes.

—Gostaria de saber qual é o numero do quarto do pai daquela jovem.

—Só familiares podem ter acesso a essas informações – dizia a jovem, mas Law retira um documento do bolso e mostra para a atendente.

Rapidamente ela checa as informações no computador e passa para o jovem. Quando ele começa a se afastar, a atendente fala novamente, desta vez bem mais disposta que anteriormente.

—Quer que eu avise o Dr. Trafalgar que está aqui? – Mas o jovem apenas nega com a mão e continua caminhando pelo corredor. Quando seu pai é diretor do hospital, é muito fácil conseguir o que quer.

Law observa de longe Bonney se debruçando no leito de uma cama, ele pega a prancheta correspondente ao numero do leito, que estava no balcão da enfermaria. No prontuário relatava múltiplas fraturas nas costelas, diversas escoriações e ferimentos derivados de luta corporal. O nome do paciente era Eren Jewelry, mas ele não se parecia em nada com a filha. Seus cabelos eram escuros, curtos, a aparência curvada atribuía mais anos do que sua verdadeira idade.

Após verificar que não era nada grave, Law caminha em direção a saída, não queria que seu pai descobrisse que ele esteve no hospital.

CONTINUA.