Out of Control
1 Out of Control!
Notas iniciais
Shion chegou tarde em casa, estava cansada de tanto olhar o computador e seus dedos estalavam sem parar de tão doloridos.
O mínimo que esperava era encontrar Yayoi na porta, lhe esperando... Mas a casa parecia vazia.
Suspirou.
– Poxa, pelo menos podia avisar que não queria dormir comigo... -a analista resmungou para si. Foi até a cozinha e abriu a geladeira: a comida estava intacta, significava que Yayoi não comera enquanto lhe esperava.
Pegou um pouco de água e logo depois, foi para o quarto...
*
*
– Eh?... -Shion observou a bagunça que havia ali.
Uma Yayoi deitada na cama cheia de folhas de papel em cima de sua cabeça, o violão do outro lado, recostado no travesseiro, lápis e caneta jogados pelo chão e um texto peculiar e maravilhosamente especial.
Os papéis escritos caíam pela cabeça da morena, que dormia sem ligar para as preocupações do mundo... Karanomori olhou-a com um sorriso mínimo no rosto.
– Acho que hoje, irei te mimar o quanto quiser... -falando baixo, a loira pegara as folhas espalhadas pelo quarto e colocou-as em cima da mesa, foi quando finalmente reparara no que estava escrito;
A noite era fria apesar do céu estar limpo. Ouviu a coatora gemer baixo e remexer na cama. Com cuidado, Shion lhe cobrira com as cobertas pesadas, tirou o violão da cama e o pôs no devido lugar.
Ela também precisava dormir, precisava ter um tempo para sua mente descansar e abster-se da melancolia e do tédio do trabalho.
Livrou-se de suas roupas, deixando-as no chão mesmo, ainda nua, apagou as luzes do quarto e deitou-se ao lado da jovem. Não demorou para sentir os braços dela buscarem seu colo.
– Boa noite, Yayoi... -num sussurro, Shion beijara a testa da amada e fechou os olhos, envolvendo-a mais em seu abraço.
*
*
*
A manhã avançou contorcida pelo dia passado. Um súbito frio atingira a cidade e Yayoi nunca pareceu sentir tanto frio quanto agora... Ao olhar pro lado, viu que não tinha nenhuma mulher de cabelos dourados junto de si, estava uma cama grande e vazia...
– Bom dia, Yayoi... -a voz que mais ama lhe chamara, Kunizuka virou-se rapidamente na direção da voz.
Encontrou uma Shion enrolada num roupão de banho, mesmo àquela hora, já tragava um cigarro nos lábios, os cabelos estavam úmidos e quentes.
Conclusão óbvia: acabou de sair do banho.
– Bom dia, Shion... -ela esfregara os olhos manhosamente, vendo que o quarto estava limpo- que horas chegou ontem?
– Tarde... Mas quando cheguei você já estava dormindo.
– Desculpe... -bocejou- eu tentei te esperar acordada, mas...
– Está tudo bem... -a analista sorriu, deixando a fumaça escapar pela garganta e o cigarro largado no cinzeiro da escrivaninha. Andou em passos curtos até a coatora e lhe beijou com carinho, evidenciando aqueles sentimentos que sempre ficam discretos durante a maior parte do tempo.
Yayoi lhe puxou para mais perto, querendo mais contato. -Mas... O quarto estava uma zona ontem, o que aconteceu?
– Eu estava compondo, acabei nem terminando.
– Pode cifrar para mim?
– S-Shion... -corou a jovem- eu...
– Vamos lá, é uma música, não um monstro de sete cabeças.
– Bom... Na verdade, eu fiz pra você...
"Ah... Por que tão fofa, hein Kunizuka?" Foi exatamente o que pensou a sádica analista. Pegou os papéis em cima da mesa e o violão, no canto do quarto, entregara tudo a Yayoi e sentou-se de frente para ela. -Só prometa que não vai rir.
– Prometo... -sorriu Shion.
"I have copied you
And made up myself
So crash and splash
I fight with my obsession
I feel the tension
A need for caution"
Eu copiei você
E fiz disso eu mesmo
Então colida e respingue
Eu luto com minha obsessão
Eu sinto a tensão
Uma necessidade por cautela
Shion não conseguia não avaliar os dedos da menor no violão, dizendo como se sentia naquele momento. Porque afinal, quando artistas compõem algo, é uma expressão de como se sentem em dado instante da vida.
Sejam coisas tristes, alegres ou perturbadas, ainda sim, são sentimentos frágeis que estão expostos para outras pessoas.
"I would like to show
Cut open my skull
Look into my head
I don't know why I'm so hurt
I could be so brash
I'm going to crash"
Eu gostaria de mostrar
Abrir meu crânio
Para que olhe dentro de minha cabeça
Eu não sei porque estou tão ferido
Eu poderia ser tão prepotente
Eu vou falhar
Era assim que ela se sentia: Um verdadeiro Cão de Caça para a "Justiça" e apenas um brinquedo para o Psycho-Pass.
Sem contar que se sentia humana ao lado de Shion. São três estados emocionais diferentes referentes a mesma pessoa. Três estados que bem equilibrados, levam a sobrevivência, mas que mal distribuídos, podem lhe tornar um perigo para a humanidade;
Exceto para a analista de sistemas, já que seu maior perigo talvez, seja comida instantânea e cigarros. Mas para Yayoi, o mundo é totalmente invertido.
"'Cause I feel
I can always show my everything to you
If this moment was for me
I try to hear, lend my ear
Voices inside
One link to join it all
Again"
Porque sinto
Que posso sempre mostrar tudo de mim para você
Se esse momento fosse meu
Eu tento ouvir, emprestar meu ouvido
Mas as vozes interiores
Desejam se juntar a tudo isso
Novamente
O coração da loira palpitou por um momento: ela não estava errada sobre tudo que analisou até agora daquela letra, mas não esperava que a morena fosse mostrar sua fraqueza tão de cara; Tão única e detalhadamente feita por um sentimento mais complicado e ao mesmo tempo, simples. Os olhos caramelados surpreenderam-se com aquilo tudo...
"All the things I knew
The world I trusted
Would be the same
If I remained inside my
Protective castle
And kept my eyes closed"
Todas as coisas que conhecia
O mundo que eu confiava
Seriam os mesmos
Se eu permanecesse dentro do meu
Castelo de proteção
E mantivesse os olhos fechados
De fato, Yayoi sempre foi uma mulher difícil de pegar confiança, quem diga de sua última experiência amorosa.
Foi por confiar demais que acabou se tornando uma criminosa latente. Agora, sente medo até mesmo de confiar em si própria. Raras vezes se dá ao luxo de refletir sobre o assunto, assunto este que lhe causa lembranças dolorosas e sofregas... Shion não quer vê-la assim, quer que ela se sinta feliz ao seu lado e, também deseja apenas ficar com Yayoi se algum dia, precisar abandonar tudo o que construiu neste lugar, esta cidade que agora não passa de uma "ilusão perfeita".
"Words are just a toy
That people play with
It's superficial
I know the proof is out there
The hidden answer
That someone left there"
Palavras são apenas brinquedos
Com os quais as pessoas brincam
São superficiais
Eu sei que a prova está lá fora
A resposta oculta
Que alguém deixou
Sim, as palavras foram feitas para muitas coisas, mas elas servem tanto para ferir do que para curar.
E aquelas palavras que a Kunizuka dizia agora, eram as mais sinceras que já ouviu. Sim, palavras são a pior arma que o ser humano já criou.
"'Cause I feel
I can always show my everything to you
If this moment was for me
I try to hear, lend my ear
Voices inside
One link to join it all
If I can"
Porque sinto
Que posso sempre mostrar tudo de mim para você
Se esse momento fosse meu
Eu tento ouvir, emprestar meu ouvido
Mas as vozes interiores
Desejam se juntar a tudo isso
Se eu pudesse
E é verdade também que, Shion consegue ver Yayoi transparecer tanto quanto uma folha ou um espelho. Mais limpa que seu Psycho-Pass, mais sã que a loucura da Sibila, mais intérprete que muitos poetas. Ela vê a vida dos dois lados.
Por viver nas duas faces simultaneamente, sabe bem que a única saída é não desafiar o inimigo, desafiando-o.
Sempre é mais fácil compreender a forma deste mundo quando se abaixa a cabeça por um instante para perceber seus erros, foi quando Shion notou que estava apaixonada não só pela Justiceira, mas pela forma dela pensar. Modo estúpido e simples de ver a vida como uma faca de dois gumes.
"Go travel back in time
Start it all over again
Follow a calculated path to live
But one day I will come across the same
Feeling again and know that it will carry over"
Viajar de volta no tempo
Começar tudo isso de novo
Seguir uma trajetória calculada para viver
Um dia eu me depararia com o mesmo
Sentimento e sei que isso vai continuar
Ela tinha razão, Shion desde que conhecera Yayoi nunca conseguiu larga-la de vista e pensamentos.
Justamente porque a morena vê o mundo do mesmo jeito que ela. Apesar de tantas diferenças na personalidade, o modo de agir era quase igual em muitas situações.
E talvez, aí seja o início deste 'romance latente'...
"'Cause I feel
I can always show my everything to you
If this moment was for me
I try to hear, lend my ear
Voices inside
One link to join it all
So it goes
Again"
Porque sinto
Que posso sempre mostrar tudo de mim para você
Se esse momento fosse meu
Eu tento ouvir, emprestar meu ouvido
Mas as vozes interiores
Desejam se juntar a tudo isso
E assim acontece
Novamente
Quando Yayoi terminou, olhou para baixo, encarou as letras e então, sentiu o dedo indicador da amante lhe forçar o olhar direto.
– Kunizuka Yayoi, eu te amo tanto que nem mesmo uma música como essa poderia dizer melhor que eu o que estou sentindo agora... -Com um sorriso meigo, Shion lhe abraçara, foi a primeira vez que aquela jovem mulher realmente lhe mostrou seus sentimentos como são.
Estava feliz por saber que foi escolhida para tê-los compartilhados.
– Também te amo, Shion...
A loira lhe fez largar o instrumento, o deixando no canto do quarto novamente, as folhas voltaram para mesa e Yayoi... Foi obrigada a deitar na cama.
Sentia os toques fervorantes e ansiosos da analista, sorriu de canto e inverteu as posições.
– Vamos fazer de um jeito mais divertido... -sussurrou no ouvido de Shion, que contorceu-se de prazer mínimo.
Yayoi abriu o roupão branco e sorriu maliciosa com a visão que estava tendo. -Vamos perder o controle, só um pouco...
Suas mãos eram rápidas e precisas, indo dos ombros até a cintura com a peça de banho já retirada.
Shion queria vê-la nua também, mas pelo visto, não era agora que domaria a Justiceira...
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