Out On The Town

17 Capítulo 17 - Klaus


Notas iniciais
Oiee! Queria anunciar que, a partir de hoje, teremos uma participação especial no fim de cada capítulo. Eu não sei vocês, mas eu sentia falta do ponto de vista da Hope, até porque ela é uma personagem muito importante dessa "segunda fase" da fic. O que ela tava sentindo quando descobriu a verdade sobre a história dos pais? Como foi pra ela conhecer o Klaus? Sendo eu a pessoa capaz de preencher essa lacuna, resolvi colocar no final de cada capítulo um tweet da Hope com a impressão dela dos acontecimentos. Também coloquei retroativamente a partir do capítulo 12, então, se tiver interesse em ver, sinta-se à vontade, mas, se estiver com preguiça, não precisa, já que não adiciona informações novas na história. Sem mais delongas, espero que gostem desse capítulo! Não tem muito Klaroline (perdão, eu sei que vocês amam Klaroline), mas ele é importante para formar a base de um dos próximos capítulos. Beijos, Mavelle

1° de julho de 2022

— Eu preciso de ajuda.

Respirei fundo, tentando controlar a raiva que estava sentindo.

Um dia.

Eu pedi um dia de folga para que eu pudesse conhecer melhor minha filha. Um dia em que eu pudesse esquecer as minhas responsabilidades e focar nela. Não achava que isso era pedir demais, mas, pelo visto, era.

— Só um minuto, Kol. — tirei o telefone de perto do rosto e virei para Hope. — Pare o carro aqui perto da calçada. — ela fez o que eu disse. — Coloque em ponto morto e puxe o freio de mão. Isso. — voltei a minha atenção para Kol. — O que é?

— Você está ensinando alguém a dirigir? — ele estava estranhando a situação.

— Isso não é da sua conta. O que você quer?

— Ok, estressadinho. Preciso que você venha para a empresa.

— Eu estou de folga. Eu te avisei hoje de manhã.

— Eu sei, mas surgiu um problema. Tem dois advogados no telefone ameaçando processar a empresa e eu não estou conseguindo ver o que aconteceu de errado. Ou eu te ligava ou ligava para Elijah.

Engoli um xingamento. Ligar para Elijah não adiantaria de nada, só estressaria ele.

— Tá bom, eu estou indo. Estarei aí em 15 minutos.

— Se apresse, por favor.

Desliguei a chamada e olhei para Hope.

— Desculpe. Vou ter que ir trabalhar.

— Tudo bem. — ela me deu um meio sorriso.

Desci do carro e trocamos de lugar.

— Você prefere que eu te deixe no hotel ou com a sua mãe? — perguntei, já saindo dali. Se fosse em outra situação, eu teria perguntado se ela queria ir comigo, mas não queria jogá-la para os lobos, não quando eu ainda não a conhecia bem.

— No hotel. — ela disse, então acrescentou. — Eu estou com a chave do quarto. Além do mais, ela precisa conversar com as amigas.

— Ok. — ficamos em um silêncio confortável até chegar na frente do hotel.

— Obrigada por me ensinar a sair com o carro. — Hope disse, um sorriso estampado no seu rosto.

— Por nada. E desculpe ter que interromper.

— Tudo bem. — ela deu de ombros. — Eu sei que seu trabalho é importante.

— É importante, mas não tanto assim. Não na maior parte do tempo. No momento, estão no telefone com meu irmão ameaçando processar a empresa e ele não consegue achar qual o erro no contrato, então eu preciso ir.

— Meu Deus. — ela arregalou os olhos. — Não vou mais te atrasar. — ela colocou a mão na maçaneta do carro. — Ah, e, quando você tiver tempo, podemos continuar a aula?

— Claro. — sorri para ela. — Estou livre o fim de semana inteiro.

— Obrigada, Klaus. — ela já estava com a mão na maçaneta, quando eu lembrei que Caroline tinha pedido para avisar se algo fora do previsto acontecesse.

— Lembre de avisar a sua mãe que você está aqui.

— Tá bem.

Ela me surpreendeu me dando um beijo na bochecha e saiu do carro. Esperei ela entrar no hotel para sair. Depois disso, fui para o trabalho o mais rápido que pude.

Coloquei o carro na minha vaga e fui logo chamando o elevador, onde encontrei Kol já me esperando.

— Finalmente. — ele apertou o botão do último andar, o 18°.

— Eu levei menos de 15 minutos, o que mais você queria?

— Que você tivesse atendido de primeira, como sempre. — ele zombou. — Aliás, eu sei que te disse que você devia encontrar alguém, mas uma garota com menos de 20 anos não era bem o que eu tinha em mente. Pense na nossa imagem.

Olhei para ele, incrédulo.

— Você de todas as pessoas está me pedindo para pensar na nossa imagem? Não fui eu que fui pra clínica de reabilitação.

— Não se deve mencionar a reabilitação. — ele falou, num tom sombrio. — Eu sou um homem mudado. Além do mais, se você tivesse piorado um pouco, esse era o seu caminho também.

— Eu sei.

— Só tome cuidado, por favor. — ele disse.

— Você realmente acha que eu estou saindo com uma garota com metade da minha idade?

— Você disse que estava ensinando alguém a dirigir.

— Eu disse que não era da sua conta.

— O que quer dizer que era exatamente o que você estava fazendo e que era uma mulher. Considerando as estatísticas, não acho que seja alguém maior de 21 anos.

— Não é o que você está pensando.

— Então o que é?

— Eu não vou te dizer agora.

— Você percebe o quão incriminador isso é?

— Sim, mas eu te prometo que não estou fazendo nada ilegal. E você me conhece. Isso parece com algo que eu faria?

— Não, mas você está sendo muito evasivo. Estou preocupado.

— Não se preocupe. Eu vou te contar tudo quando a hora certa chegar. Agora podemos focar no problema que você me chamou aqui para resolver? — falei, já saindo do elevador, cujas portas tinham acabado de abrir.

— Tá.

●●●

Depois de quase uma hora para descobrir o que tinha acontecido de errado e mais 40 minutos de negociação, tudo estava certo de novo. O carregamento seria enviado amanhã pela manhã e tudo ficaria bem. Eu tinha prometido supervisionar e conferir pessoalmente o empacotamento da carga e a entrega no aeroporto, então, depois que a reunião terminou, fui para a indústria. O prédio em que eu trabalhava abrigava a parte administrativa da empresa, enquanto a parte industrial ficava numa parte mais afastada da cidade, e era de lá que todos os pedidos saíam para entrega.

Quando cheguei lá, vi que a maior parte desse carregamento já estava separado, mas o avião só sairia amanhã de tarde, então alguns funcionários viriam terminar de arrumar pela manhã. Falei com o grupo que estava responsável por organizar e pedi para que, se possível, eles ficassem até mais tarde, com pagamento de hora extra, claro.

Tentei ajudar a encaixotar, mas logo me disseram gentilmente que minha ajuda estava atrapalhando mais do que ajudando, então fiquei de lado e conferi mais uma vez se estava tudo certo com o carregamento. Fiquei lá até o último dos funcionários sair. O horário normal do fim do expediente era 18 horas, mas ficamos lá até as 19, quando o caminhão que iria para o aeroporto terminou de ser carregado. O motorista estaria aqui às 6 da manhã e iríamos para o aeroporto de cargas da cidade vizinha.

Suspirei aliviado quando finalmente cheguei em casa, já perto das 20 horas. Entre a conversa com Caroline, ensinar Hope a dirigir, as acusações de Kol, a reunião de emergência na empresa e ter ficado até depois do horário, eu podia afirmar que o dia tinha sido intenso pra mim.

E eu nem tinha dormido na noite anterior. Tinha completamente esquecido disso.

E também que estava com fome.

Pedi um sanduíche pelo serviço de delivery e, enquanto esperava, fui checar minhas mensagens. Tinha recebido algumas mensagens de Caroline.

"Caroline: Obrigada pelo dia de hoje.

Caroline: Espero poder te ver de novo amanhã."

Tive que sorrir com a mensagem.

"Klaus: Também espero.

Klaus: O que tem planejado?"

Esperei alguns segundos para receber uma resposta.

"Caroline: Acho que vou visitar os túmulos da minha mãe e de Stefan de manhã.

Caroline: Mas à tarde ainda não tenho uma programação.

Klaus: Ótimo.

Klaus: Vou ter que trabalhar amanhã de manhã, mas também estou livre à tarde.

Caroline: O problema era maior do que você deixou Hope pensar?

Klaus: Sim e não.

Klaus: Eu acho que passei bem o tamanho do problema, mas eu prometi que supervisionaria tudo pessoalmente, então acabei trazendo mais responsabilidade para cima de mim.

Caroline: Ah, sim, entendi.

Caroline: Você quer vir e aproveitar a piscina amanhã de tarde?"

Meus músculos tensos começaram a relaxar com o simples pensamento.

"Klaus: Sim. Piscina seria uma ótima ideia.

Caroline: Estamos combinados então.

Klaus: Mal posso esperar."

Poucos minutos depois disso, meu jantar chegou. Comi, tomei banho e fui me deitar, mas vi uma mensagem de Elijah e me obriguei a ficar acordado por mais alguns minutos.

"Elijah: Kol acabou de me mandar uma mensagem perguntando se você já tinha me contado, não quis me responder quando eu perguntei o que era e disse que tudo já tinha sido resolvido.

Elijah: O que diabos aconteceu?"

Passei a mão pelo cabelo e pensei em como responder a mensagem.

"Klaus: Tivemos um problema, mas tudo já se resolveu.

Elijah: E o que foi esse problema?

Klaus: O carregamento que ia para a Nova Zelândia. Concordamos que chegaria até o dia 10 de julho, mas alguém digitou errado e no contrato saiu 1 de julho.

Klaus: Eles ligaram hoje porque o contrato dizia que mandaríamos a carga com um rastreador, para que eles pudessem acompanhar tudo, mas, como eles não tinham recebido um código de rastreio, imaginavam que era um golpe.

Klaus: E lá já era dia 2, então estávamos com um dia de atraso.

Klaus: O avião já sairia amanhã, mas só à tarde, então apressamos tudo para dar um jeito de fazer o carregamento sair de manhã.

Klaus: Tivemos que dar um desconto de 20% ao comprador para compensar pelo atraso.

Klaus: Enfim, foi resolvido.

Klaus: Aproveite suas férias e não se preocupe com a empresa.

Klaus: Estamos lidando com os problemas que estão surgindo."

Menos de um minuto depois ele me respondeu.

"Elijah: Ok.

Elijah: Espero que tudo corra bem de agora em diante.

Elijah: Posso perguntar como foi com a razão da sua folga?

Elijah: Queremos saber.

Klaus: Bom, eu me encontrei com ela de manhã e falamos sobre o que fizemos nesses últimos 17 anos e como o pai arruinou todas as nossas chances de felicidade naquela época.

Elijah: Ah, sim.

Elijah: Ele realmente não gostava dela.

Elijah: Quer dizer, ele também não gostava da Hayley, Camille, Davina ou Marcel, mas era muito forte com a Caroline.

Klaus: Sim.

Klaus: Você sabia que o acidente dela não tinha sido um acidente?

Elijah: ...

Elijah: Você quer dizer que ele armou o acidente?

Klaus: Sim.

Klaus: Ainda bem que ele já está morto, se não eu provavelmente cometeria um crime.

Elijah: Eu sinto muito, Niklaus.

Elijah: Não fazia ideia de que ele faria algo como isso.

Klaus: Não me surpreendeu tanto assim quanto o fato de eu não ter pensado nisso até ela me falar.

Klaus: O pior é que isso não é o pior.

Elijah: O que mais ele poderia ter feito?

Klaus: Ele ameaçou matar ela, eu e o bebê.

Klaus: Depois lembrou as consequências de não fazer o que ele queria e obrigou ela a mentir pra mim.

Elijah: Quando ela foi embora da segunda vez, certo?

Klaus: Sim.

Klaus: E, pra completar, ainda dava uma pensão para Hope.

Klaus: Eu sabia que nunca iria entender ele, mas dessa vez ele se superou.

Klaus: Como que alguém vai de "quero te matar" para "tome esta pensão de milhares de dólares todos os meses pelo resto da sua vida"?

Elijah: Também nunca consegui entender.

Elijah: Hope?

Elijah: Seu corretor automático corrigiu Care para Hope?"

Respirei fundo, não acreditando que tinha deixado escapar. Eu sabia que em algum momento ia ter que começar a falar para as pessoas, mas queria estabelecer uma relação com ela primeiro. Meu irmão favorito era um bom lugar para começar, então resolvi não enrolar

"Klaus: Não, o celular não corrigiu.

Klaus: Hope é minha filha.

Elijah: Sua filha?

Klaus: Sim.

Klaus: Caroline não tinha perdido o bebê.

Elijah: Puta merda.

Elijah: Você tem uma filha de 16 anos.

Klaus: É.

Klaus: Eu descobri sobre ela ontem à noite no aeroporto.

Elijah: Meu Deus.

Elijah: Você realmente não suspeitava?

Klaus: Não.

Klaus: Por que eu pensaria que Caroline estava mentindo sobre ter perdido o bebê?

Klaus: Sim, nosso pai tinha acabado de ameaçar a vida dela, mas eu não imaginava que ele fosse descer tão baixo a ponto de escondê-la de mim por tanto tempo.

Elijah: Não acredito que ele fez isso com você.

Klaus: Pois é."

Parei um momento e bocejei. Precisava ir dormir para acordar cedo e acompanhar a entrega.

"Klaus: Preciso ir.

Elijah: Boa sorte amanhã.

Klaus: Obrigado.

Klaus: E vá aproveitar suas férias que estamos tomando conta de tudo.

Elijah: Obrigado.

Elijah: Hayley acabou de pedir para nos atualizar, quando lembrar."

Revirei os olhos. Ele colocava a culpa em Hayley, mas o maior curioso era ele mesmo. Elijah sempre levou tudo a sério e se tinha uma coisa que realmente era sagrada para ele era a família.

Programei um alarme para as 5 da manhã e coloquei o telefone na mesinha ao lado da cama. Fechei os olhos e tudo o que eu podia pensar era que, apesar de tudo, o dia tinha sido ótimo.