Out Of Sight, Out Of Mind - Rose & Scopius
2 A viagem
Notas iniciais
Sim, já haviam se passado 7 horas. E sim, ele ainda estava pensando nela.
Scorpius Malfoy ainda sentia aquela estranha sensação de vazio depois que Rose se fora, era como se ele não estivesse completo sem ela. Não que ele quisesse se sentir assim, mas não podia evitar.
Sentia falta de seus cabelos castanho-avermelhados, – ela era a única Weasley cujos cabelos não eram ruivos – de seus olhos azuis misteriosos, que sempre despertavam sua curiosidade, de seu sorriso... Ah seu sorriso era sua melhor qualidade, nunca entendera como ela conseguia fazer as pessoas se sentirem muito melhores apenas sorrindo, mas ela conseguia.
Hogwarts estava quase vazia, com exceção de uns vinte alunos que vagavam silenciosamente pelos corredores, estava se perguntando se ela já havia chegado, afinal, o Expresso nunca demorava mais de 6 horas para chegar. Mesmo assim, ela já o teria avisado, mandado uma carta ou qualquer coisa do tipo.
Ele decidiu afastar esses pensamentos e ir dar uma volta pelos jardins. Eles ficavam lindos nessa época do ano, cobertos por uma fina camada de neve, com suas flores ainda apresentando uma coloração forte e uma fragrância maravilhosa. Ela adora isso. Não, não podia passar essas duas semanas só pensando nela, não era aceitável, muito menos saudável.
Quanto mais tentava afastar esses pensamentos, mais eles insistiam em retornar à sua mente. Com certeza ela não estava pensando nele, não com todas as coisas que ocupavam suas idéias, afinal ela era brilhante, – assim como sua mãe – nunca deixaria uma coisa tão banal quanto ele tomar conta de seus pensamentos.
O garoto estava completamente errado.
Durante toda a viagem de volta à Londres os pensamentos de Rose foram todos sobre Scorpius. A garota não podia deixar de prestar atenção no que a rodeava, afinal estava compartilhando sua cabine com seus três primos: James, Albus e Lilly, e também com seu irmão Hugo, e eles com certeza notariam se ela ficasse fora do ar por muito tempo.
Seu primo James – o mais velho de todos que ainda estudavam em Hogwarts, estava no último ano – era o único da família que sabia de sua amizade com Scorpius, e para falar a verdade ele apoiava totalmente, gostava do Malfoy e era completamente contra a “regra” que dizia que eles tecnicamente não poderiam se falar.
A viagem demorou cinco horas e meia, e Rose foi obrigada a despertar de seus devaneios para olhar pela janela, onde praticamente toda sua família os aguardava na Plataforma 9 3/4. Lilly e Hugo, que estavam no seu primeiro ano em Hogwarts, ficaram aliviados e super animados por estarem em casa, já que nunca tinham passado tanto tempo longe dos pais.
James, Rose e Albus já tinham se acostumado com a distância, então, ver os pais os esperando do lado de fora do trem não era uma grande novidade.
Quando as portas do Expresso se abriram, os alunos do primeiro ano – incluindo Hugo e Lilly – saíram apressados do trem e correram em direção a seus pais. Antes dos três que sobraram na cabine pensarem em se levantar, os mais novos já estavam abraçados com seus pais.
Pela primeira vez na viagem toda Rose não estava pensando em Scorpius, o que ela considerava razoavelmente saudável.
Antes de perceber, ela já estava desembarcando, e sua mãe vinha de braços abertos em sua direção.
- Rosie! – Hermione Granger (Quero dizer, Weasley) estava com lágrimas nos olhos, de saudades, mas principalmente de orgulho. Sua filha estava linda, praticamente uma mulher. – Que saudades! Como foram as aulas? Tirou notas boas? Tomou conta do Hugo? Alguém já te convidou para o baile de inverno?
- Calma mãe! – disse Rose entre risos – Sim, estou ótima! – a presença de sua mãe a deixou extremamente feliz – Como foi a metade do ano letivo para vocês? Sem seus dois filhos?
- Ah, não sei como todos os outros pais aguentaram isso! – Seu pai Ron, e seu tio Harry estavam descarregando as malas de seus filhos. – A casa fica tão vazia!
Rose e Hermione seguiram abraçadas pela estação, rindo e conversando, até serem interrompidas por Ron.
- Então quer dizer que os pais não ganham abraço é? – Os dois riram, ela correu para abraçar seu pai como se fosse uma garotinha. – Que saudades! Como você está linda!
- Oi pai! Também estava morrendo de saudades!
Rose cumprimentou todos os que estavam esperando: Harry, Ginny, Neville, Luna, George, Angelina, Bill, Fleur, e finalmente seus avós – paternos, pois os maternos eram trouxas, e depois do obliviate não gostavam mais tanto assim de magia. – Arthur e Molly.
Nas duas semanas das férias de natal, toda a família ficava reunida n’ A toca, então aparataram para lá.
A toca era a casa de seus avós, Arthur e Molly. Era enorme, tinha sete andares não-centralizados entre si, uma cabana em que seu avô guardava artefatos trouxas, – tinha uma curiosidade imensa por eles – um jardim enorme e uma espécie de garagem.
A família toda conversava animadamente enquanto entravam na casa. Rose e James sempre dividiam um quarto, e foram os primeiros a subirem porque James queria saber se Rose contaria para a família sobre Malfoy nestas férias. Eles escolheram o segundo quarto do sexto andar, porque no sétimo dava para se ouvir os barulhos do vampiro do sótão com mais clareza. Quando finalmente fecharam a porta, e Rose já ia começar a falar, notou que James olhava pela janela com certo receio, então foi se juntar a ele para ver o que estava lhe incomodando.
Quando olhou para o jardim seu queixo caiu.
Ele estava lá, sorrindo e acenando para ela.
O que ele estava fazendo ali? Como foi que ele conseguiu chegar?
Todas estas perguntas estavam sem resposta, mas de uma coisa tinha certeza. Scorpius Malfoy estava n’A toca, completamente longe de Hogwarts, onde ele deveria estar.
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