Out Of Myself
3 Capítulo 2
A cidade não havia mudado nada desde que ele saiu dali quando ele tinha 18 anos. Já estava na Sagan Street. Estava indo ao Alchemilla Hospital para ver se achava alguma pista que levasse a seu irmão e pais.
No caminho, relembrava os gritos de sua mãe com ele quando tinha uns 13 anos:
- Um idiota imprestável é isso que você é. Vai mal nos estudos, sai com os amigos e chega tarde a noite. Seu irmão tem 3 anos menos e é mais maduro que você, estúpido.
Garcia passou a infância e adolescência inteira com um ódio fervente de sua mãe e seu pai.
- VEM AQUI MOLEQUE – dizia o pai de Garcia, chegando bêbado de noite – VOU TE ENSINAR OS BONS MODOS AGORA – e começava a bater em Garcia de cinta
Quando Garcia conseguiu escapar do domínio dos pais aos 18 anos foi como se nascesse de novo. Pela primeira vez se sentia feliz, livre. Começou a trabalhar numa mecânica em Brahms. Foi então que seu irmão se mudou para lá e o inferno voltou a fazer parte da vida de Garcia quando seus pais iam visita-los.
Estava na frente do hospital. Tirou a doze da mochila e a carregou. Entrou no hospital. A recepção estava vazia. Havia um rastro de sangue no chão.
”Merda”
Garcia seguiu o rastro até ver que ele parava na porta dupla que dava aos fundos do Hospital. Abriu-a. Haviam três figuras no pátio, figuras que não eram humanas. Elas eram totalmente brancas, tirando por um pequeno buraco negro na face que Garcia supôs ser a boca. Um de seus braços tinha uma espécie de cauda no fim que se assemelhava a um chicote. As criaturas o viram e começaram a gritar. Era o grunhido que ele ouviu na ligação de seu irmão.
Garcia apontou a doze para uma das criaturas e atirou. A potência do tiro praticamente arrancou a cabeça da criatura fora. A criatura do centro deu um salto em direção a ele. Ele atirou nela enquanto ela ainda estava no ar. Caiu de borco. A terceira criatura correu em sua direção. Sem tempo para recarregar e atirar, Garcia fechou as portas duplas. A criatura tentava entrar jogando seu corpo contra a porta. Garcia examinou e viu que a porta era de uma madeira fraca, não iria aguentar por muito tempo.
”Vamos ver o que a minha doze consegue fazer nessa belezinha”
Garcia, segurando a porta com o corpo, recarregou a doze, deu um passo para trás e atirou no centro da porta. O buraco feito pelo tiro fora enorme. A criatura foi atingida em cheia no que deveria ser o estômago dela. Garcia abriu a porta e examinou as criaturas.
”Devem ser essas as criaturas que meu irmão chamou de monstros na ligação, da onde diabos essas coisas saíram?”
O celular de Garcia começou a dar estática e mais três criaturas apareceram em sua frente. Querendo economizar balas, Garcia correu para dentro do hospital. Os passos e grunhidos atrás dele informavam que as criaturas o perseguiam. Saiu do hospital pela porta de entrada e correu em direção a Crichton Street para poder atravessar a ponte para a Old Silent Hill.
Percebeu que as criaturas já não mais o perseguiam quando ele chegou a ponte. Aliviado, Garcia começou a atravessar a ponte, porém no meio do caminho, parou. A ponte havia sido rachada no meio. A outra metade estava a metros de distância, ele não conseguiria saltar até ela.
”O que será que aconteceu aqui? O que poderia ter feito isso? Vou ter que ir pela outra ponte agora.”
- A outra ponte está exatamente igual a essa – disse uma voz atrás de Garcia.
Ele virou apontando a doze e reconheceu o homem que havia falado, era o mesmo que estava parado no meio da estrada.
- Você. – vociferou Garcia – Você era o homem parado no meio da estrada, você quase me fez cair de um barranco junto com a minha moto.
- Minhas desculpas por isso – disse o homem, fazendo uma irônica referência.
- Qual o seu nome?
- Me chamo Vincent – respondeu o homem, Garcia achou o nome familiar – É um prazer conhecê-lo.
- Pois pra mim não há prazer algum. O que você estava fazendo no meio da estrada aquela hora?
- Estava querendo dar as boas vindas ao nosso convidado.
- Nosso?
- Sim. Meu e da cidade.
Garcia o encarou por um momento, então baixou a doze rindo.
- Você é pirado.
- E todos não somos? – disse Vincent em sua voz debochada.
- Okay Sr. Pirado, obrigado me recepcionar tão bem – disse Garcia, num tom irônico, e começou a caminhar de volta a Crichton Street.
Quando ele passou pelo lado de Vincent, o homem pálido lhe disse:
- Já achou seus parentes?
Garcia virou-se para ele apontando a doze.
- Como você sabe que estou aqui por eles?
- Talvez eu os tenha visto. E como lhe achei parecido com o mais jovem, supus que você veio aqui por eles.
- Aonde os viu?
- Na Bachman em direção a Old Silent Hill.
Garcia não sabia se acreditava ou não no estranho, mas era a única pista que tinha. Sem dizer nada, ele voltou a caminhar em direção a Crichton.
- Não se esqueça de checar a casa de seus pais – disse Vincent, rindo.
Quando Garcia virou com a doze engatilhada, pronto para dar um tiro nele, Vincent havia sumido.
- É melhor se esconder mesmo – gritou Garcia para a névoa, mas nada respondeu.
”Idiota”
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