Out Of Myself

7 Capítulo Final


Lá estava ele, em frente a sua casa.

Fora ali que vivera seus primeiros 18 anos de vida.

Ele se perguntava o que encontraria lá dentro. Qual truque a cidade havia preparado pra ele. Será que algum monstro estava-o esperando? Ou os fantasmas de seu irmão e seus pais?

Respirando fundo ele entrou na casa. Não havia mais bagunça, os móveis não estavam mais desarrumados, estava tudo perfeito, tudo em seu lugar. Garcia teria se chocado se tivesse voltado algumas horas antes mas agora sabia que a cidade estava brincando com sua mente.

Foi em direção do quarto dos seus pais esperando encontrar alguma coisa que lhe fizesse sofrer lá.

Em cima da cama, completamente arrumada, havia um envelope.

Para: Garcia Rivera

De: Maria Rivera

Garcia abriu o envelope e encontrou uma carta e uma foto. Viu primeiramente a foto. Estavam ele e seu irmão abraçados. O pequeno Garcia da foto fora obviamente forçado aquilo, porém seu irmão expressava um sorriso sincero. Ao fundo estava sua casa. No lado detrás da foto estava escrito na caligrafia de sua mãe: Meus filhos amados

”Amados? Pelo menos um foi"

Garcia examinou a carta agora. A caligrafia era de sua mãe também:

Querido Garcia,

Sei que o nosso relacionamento não é dos melhores, e me culpo por isso. Hoje, quando penso no homem integro que se formou, me arrependo do fundo da minha alma pela sua infância horrível qual eu lhe proporcionei. Eu deveria ter lhe amado mais, cuidado mais, protegido mais, mas fiz o contrário disso. Decidi escrever essa carta pois aqui quero dizer algo que eu não tenho coragem de lhe falar cara-a-cara: Eu te amo meu filho.

Não sei se algum dia terei coragem de lhe enviar essa carta. Rezo que você me perdoe do fundo do coração se lê-la algum dia.

Com amor,

Maria.

O remorso encheu o peito de Garcia. As lágrimas começaram a cair de seus olhos.

Sua mãe o amava, e pediu perdão pelo que havia feito, e saber disso depois de tê-la matado era mais do que Garcia pudesse agüentar.

O mundo começou a mudar novamente. A ferrugem e o sangue haviam coberto as pares e o chão novamente.

- Ora, ora, temos um bebê chorão aqui – disse a voz debochada de Vincent ao lado de Garcia.

Garcia o encarou. Não estava pálido, pelo contrário, a cor de sua pele era vívida e seus cabelos eram castanho-escuros em vez de preto.

- O que está fazendo aqui? – perguntou-lhe.

- Vim te levar para um velho amigo meu que logo voltará de verdade a cidade – respondeu Vincent.

- Levar? – zombou Garcia – Como? Você não passa de uma lembrança não é?

- No mundo real sim, mas aqui, no “Outro Mundo”, sou muito mais que uma simples lembrança – disse ele.

- Verdade? – falou Garcia, abaixando a cabeça – Bom saber.

Num movimento rápido, Garcia, colocando toda a sua força no braço esquerdo, transferiu um murro na face de Vincent.

- AAAAAAAAAAAAAAAAAAA – berrou de dor Garcia. Parecia que a pele de Vincent era de metal puro. Sua mão começou a sangrar e inchou rapidamente.

Vincent começou a Gargalhar.

- EU lhe disse, tolo. Sou muito mais que uma lembrança aqui – e antes que Garcia pudesse fazer alguma coisa, Vincent agarrou o pescoço dele e o levantou.

Garcia se debatia para se livrar do estrangulamento, porém o aperto era forte demais.

”Será assim que eu vou morrer então? Pelas mãos de alguém que não passa de uma lembrança? Me perdoe Henrique. Me perdoe Mãe. Não os verei para aonde eu vou.”

Sua visão começou a embaçar. Mas antes que pudesse dar o ultimo sopro de vida, Vincent o largou no chão, arquejando. Não tinha forças para se levantar. Apenas olhou para Vincent. O homem, outrora pálido, tinha um sorriso doentio no rosto.

- Nos vemos daqui a pouco – disse ele, e a ultima coisa que Garcia viu foi o pé de Vincent indo de encontro a sua face. A dor foi forte demais e ele desmaiou.