Ouro e Escuridão
10 Capítulo 10- O Fim de uma era
Hillian
Depois da crise de choro me troquei rápido. Quando estava quase pronta ouvi uma batida na porta. Sirius entrou, já trocado e ainda com lagrimas nos olhos nos seus olhos cinzas, que deixavam ele com olhar ainda mais profundo.
— Eu vou com você, Hi – Ele disse, vindo na minha direção me abraçar. Enfiei minha cara no seu peito, sentindo conforto do cheiro dele e nas batidas do seu coração. Ele passou seus braços em volta do meu corpo e pousou a cabeça em no meu ombro. Era como se fosse uma remédio, era como se ali fosse o meu lugar.
Foi com muita dificuldade que nos separamos e saímos do quarto. Passamos no quarto da frente para nos despedir de todos e não pude deixar de notar que a Lily estava sentada ao lado de James, de mãos dadas para acalmá-lo. E então aparatamos para Godric’s Hollow.
Apesar de ter nascido em Londres, sempre considerei Godric's meu lar. Me mudei tão nova para cá, cresci aqui, e conheço a maioria dos moradores daqui. A casa onde cresci é na frente da casa dos Potter. James sempre esteve presente na minha, assim como Charlus e Dorea. Talvez, se eu não fosse tão amiga dele, se eu não tivesse escutado tanto sobre Hogwarts e o quão incrível ela é, eu teria topado ir com minha mãe e meus outros irmãos para New York, talvez eu fosse mais ninfa e menos bruxa. Mas a verdade é que eu não me arrependo nem um pouco.
Charlus havia me dado a chave de casa na noite passada. Chegamos até a frente e não pude deixar de ficar frustrada ao não ver Aretha ali, num momento que eu precisava tanto dela. Pensei em escrever uma carta pra ela, contando sobre a perda. Se bem que ela não havia me enviado nenhuma desde que chegou lá.
Minha casa estava arrumada com toda a mobília — se minha irmã não tivesse me avisado que tinha ido embora, com certeza teria achado que eles estavam dormindo em seus quartos- mas eles já tinham partido há mais de 3 meses pros Estados Unidos. Achei que era melhor fazer o velório no meu jardim ao invés de usar a casa dos Potters, assim James e Charlus não teriam lembranças de dor naquela casa.
Sirius estava do meu lado, e assim que entramos em casa eu comecei a chorar, ele então me abraçou e me levou até o sofá. Ficamos sentados juntos abraçados ele me consolando, eu consolando-o. Dorea tinha sido nossa quase-mãe e faria muita falta pra nós dois.
Sirius
Cara, as vezes eu pergunto: Por que a vida é tão injusta? Sério, em vez da bruxa encantadora que é minha mãe morrer, quem morre é a Tia Dorea! Isso simplesmente não está certo. Tipo, minha mãe é uma inútil que só liga para status e sangue, uma mulher arrogante que despreza quem tem uma vida diferente da qual ela acha a certa. Ela nunca fez nada pelos outros. Já tia Do, que era tia dela, nunca ligou para laços de sangue- não, pelo menos desse modo mesquinho- sempre foi bondosa e preocupada com todos. Por isso a maior parte dos Black haviam parado de falar com ela.
Depois de uma meia hora abraçados e muito esforço pra sair daquele sofá, nós começamos a preparar o jardim e a sala. Hilly resolveu que faria uma mortalha pra Dorea e se caso Charlus não quisesse usa-la, ela depois queimaria.
— Hilly, tia Dorea vai pra onde em Erabus? — Perguntei.
— Eu não tenho certeza, irá provavelmente pra Asfódelos- Ela disse.
— Talvez ela consiga o Eliseo, afinal ela foi uma boa pessoa- Ela completou num sussurro.
Hillian mesmo que não admitisse, sabia muito da tradição de seu povo. E eu adorava faze-la falar disso, pois sei que é importante para ela. Ela se distanciou do seu povo, mas ainda gosta de ser ninfa.
Preparamos o jardim, colocamos cadeiras para todos, fizemos uma mesa de recepção e Hillian fez uma mortalha graciosa de plantas e flores para Tia Dorea. Eu me peguei simplesmente encarando-a enquanto confabulava comigo mesmo.
Olhando pra ela ali, eu não conseguia acreditar que já estavamos a dois meses juntos. Era tão simples, tão fácil estar com ela. Mesmo depois dessa semana- que alem de triste foi a primeira semana depois de assumirmos o nosso relacionamento- não me sentia preso, ou precionado a nada. Eu só quero estar com ela, agora e talvez para o resto da minha. Nossa, eu to muito apaixonado mesmo, que se dane, isso é tão bom.
Deitamos na cama de Hilly, depois de deixar tudo pronto, abraçados, e pela primeira vez na minha vida eu não quis fazer nada ah 'sexual' com uma garota que estava deitada do meu lado na cama. Só queria ficar abraçado a ela pra sempre. Fiquei com ela em cima do meu peito, acariciando seu cabelo, sentindo seu cheiro, de vez em quando ela acariciava o meu peito, e quando fazia isso nós dois nos arrepiávamos. Era a sensação mais reconfortante que eu poderia ter.
Hillian
A campainha tocou, e com muito esforço me desvencilhei dos braços de Sirius e segui pra andar de baixo. Era Charlus com os outros, e com o corpo de Dorea. Deixei eles entrarem e mostrei aonde o corpo ia ficar no jardim. Eles colocaram o caixão dela na mesa e eu comecei a rodeá-lo com flores. Enquanto isso Sirius fez o favor de fazer uns sanduíches e suco pra todos.
—Hillian eu... nem sei como agradecer- Disse Charlus, rouco. Olhando o jardim a nossa volta.
—Magina tio, não precisa agradecer- Falei, sem graça.
—Tio... eu fiz uma mortalha pra tia Dorea- Falei meio encabulada.
— Certo. Isso significa o que?- Ele me perguntou num tom sério.
— Nós costumamos queima-la com o corpo pra que faça uma passagem completa, mas se senhor não quiser posso queimar depois, o que importa é a intenção- Disse, séria. Eu no final acredito no que minha mãe me ensinou a muito tempo sobre o Mundo dos Mortos.
— Prefiro não te expor querida, acho maravilhoso você fazer isso, mas vamos receber certos parentes...-Ele disse docemente.
— Ok, mas quero pelo menos colocar uns dracmas pra ela pagar o Caronte- Falei.
— Certo, se quiser pode já colocar, acho que logo as visitas vão chegar.
Dei um sorriso, e ganhei um de volta dele. Segui para o corpo da Tia Do e coloquei ao lado algumas moedas dentro do caixão de forma discreta. Fiz uma pequena oração. Pelo menos eu me senti em paz.
Sirius
Então as visitas chegaram. Muitos Blacks distantes, alguns amigos dos meus pais, ficaram me fuzilando. Aguns reclamavam de estar na cMansão Hundoph. Meus pais, graças a Merlim, não apareceram. Mas eles nunca iriam vir pela tia Dora, que me abrigou quando fugi.
Meu Tio Alphard foi o único que veio me dar um olá. Ele é meu tio avô e sempre gostou muito de mim, tinha até oferecido a casa dele quando soube que fugi dos meus pais. Depois do abraço, ele me chamou pra um canto:
— Sirius meu caro...
— Tio, como o senhor está? — Eu perguntei, ele parecia mais velho que me lembrava.
— Cansado, e tenho certeza que o próximo velório é o meu- Disse num tom que não combinava em nada com o que ele havia acabado de dizer. Ele até parecia animado com a ideia.
— Tio, não diga uma coisa dessas! — censurei. Se ele morrer, então não terá nenhum Black que goste de mim.
— Meu caro, já vivi demais, mas você não. Por isso queria falar com você- Ele falou sério. Seus olhos encaram os meus e tinha um ar de quem iria aprontar em seu semblante.
— Como assim? — Perguntei sem entender.
— Bem, sei que você não pode contar com seus pais, e mesmo que não ache isso completamente certo e que vocês deveriam se acertar, entendo que pode ser complicado. E também sei que você será um orgulho pra família um dia, por isso quero lhe dar isso- Ele me disse sério, entregando-me um saco, olhei dentro, tinha muita grana ali, muita mesmo.
— Tio, eu não posso aceitar! – Falei incrédulo. Eu nunca conseguiria tanto dinheiro nos começo da minha vida adulta como havia naquela sacola.
— Você já aceitou, Sirius, vou morrer bem sabendo que fiz algo de bom pra um sobrinho! Agora vá ficar com seu amigo ele precisa de você!- Ele falou me dando uma piscadela. Eu o abracei, e levei o dinheiro para o quarto que antes era de Henry.
Era estranho, os Millers haviam levado muito pouco. O quarto de Henry só não tinha roupas, o resto tava tudo lá. Por algum motivo isso me incomodava. Algo não perecia certo nisso.
O resto do velório foi tranquilo, sem incedentes maiores que sussurros ou olhares, que pioraram quando me viram abraçado com a Hilly. Então, lá pelas 15 horas já estávamos no cemitério dando nosso último adeus a Tia Dorea.
Eu chorava, ou melhor: estava aos prantos, enquanto a terra cobria o caixão dela. James e Charlus estavam abraçados de lado, chorando baixo. Hilly estava abraçada comigo, o rosto escondido no meu peito. Eu podia sentir as lagrimas molhando minha camiseta. Tudo que eu sentia é que naquele caixão ia se enterrando a minha infância.
Fale com o autor