Ouro Preto

1 Capítulo único - Ouro Preto.


Notas iniciais
Conto estranho de terror.

Baseado em obras de autores como Edgar A. Poe, H. P. Lovecraft, Horacio Quiroga, Guy de Maupassant etc.

Uma estória grotesca e chocante.

Espero que agrade.

Faz muito tempo. Esse assunto era um caroço entalado na minha garganta e ainda dói.

Tudo começou num sábado à noite. Eu e mais quatro amigos aguardávamos uma pizza, enquanto bebíamos a terceira garrafa de vinho. O quarto amigo era meu namorado, estávamos juntos há dois anos e tudo era maravilhoso.

A pizza chegou em vinte e cinco minutos. Eu sei porque ficava acompanhando o grande relógio quadrado de vidro da sala. Meu namorado, Edgar, e Howard, nosso amigo, foram à cozinha para cortar a fabulosa pizza de lombo canadense.

Uns minutos depois, estávamos todos à mesa com nossos respectivos pedaços de pizza. O meu tinha uma grande azeitona preta sem caroço e foi a primeira coisa que coloquei na boca. Coloquei com gosto, faminta. A quinta garrafa de vinho acabava de terminar e na terceira mordida que dei na azeitona, engoli e engasguei. Engasguei e tossi como se não houvesse amanhã e realmente achei que não haveria. De repente, numa das tentativas de fazer o ar entrar e sair pelos meus pulmões, senti algo roçando na minha cavidade nasal e isso voou reluzente pra fora de meu nariz. Um anel de noivado! Me dei conta e todos à mesa se mostravam espantados, quase mais que eu, que tinha até os olhos lacrimejando. Edgar era o mais espantado e com aparência frustrada me olhou e disse:

- Quer casar comigo, Lizze?

Paralisei não sabendo se ria ou se chorava. Decidi fazer os dois. Abracei Edgar e disse que sim.

Minha garganta ainda doía naquela noite, que, horas depois, foi terminar em gargalhadas e todos dormindo no chão da sala.

Um ano se passou, Edgar e eu nos casamos. Nosso casamento foi todo decorado de rosas brancas e vermelhas. Nossos convidados se divertiram e finalmente minha vida estava começando de verdade. Casa, marido e muita responsabilidade. Tudo corria muito bem, nossa vida era perfeita e achei que seria para sempre. Eu estava enganada.

Certa noite, quase madrugada, Edgar chega em casa embriagado. Tinha bebido muito. Entra na cozinha tonto, abre a geladeira e pega um vidro de azeitonas pretas; abre e começa a comê-las cuspindo os caroços no chão. Eu grito com ele e então um caroço sai de sua boca e atinge meu olho. Fritando de cólera pela sua falta de atenção, pego uma grande faca e miro em seu braço. Lá se ia a mão esquerda de meu marido e o vidro de azeitonas pretas, que se espatifa no chão.

Quarenta minutos depois, a ambulância chega e, antes de fecharem as portas do carro, olho séria e sarcástica para o rosto de meu amor e digo:

- Edgar, querido, você vai ser pai.

Os paramédicos fecham a porta antes mesmo de Edgar conseguir arregalar os olhos.

Mais tarde recebo a notícia de que Edgar pegou uma infecção muito forte e terá de permanecer alguns meses no hospital. Acabo dobrando minhas medicinas e um pouco fora de minha sanidade decido me separar de Edgar e aborto o feto com um médico conhecido.

Umas semanas se passam e começo a receber muitas cartas de Edgar; não respondo nenhuma. Meu ódio pela sua pessoa é triplicado radicalmente e decido mandar-lhe, como um sinal de adeus, um presente.

Entrego o presente no hospital. É um vidro grande e gelado. Um vidro de azeitonas pretas sem caroços. Mas apenas isso seria pouco demais para alguém que nunca sofreu com as azeitonas pretas. Lá no meio tem uma surpresa, uma vida morta. É seu filho prematuro.

Notas finais
E então?? Reviews por favor!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!