XIX-Ouro.

Coração de ouro tinha a menina,

Que com olhos de céu fitava o mar.

Penetrava suas ondas,

Visava os seus feixes,

Criava seus sonhos,

Mergulhava com seus peixes.

Coração de ouro brilhante,

Polido e inebriante,

Porém ingênuo e infantil,

Que sonha sonho viril,

E ninguém se importa deles.

Quantos problemas, aqueles!

Menina do coração dourado,

E os olhos de céu.

Pele doce e sensível,

Intocável como um véu;

Coração piedoso de criança,

Olhando as ondas do mar,

Perdida entre elas, a esperança,

De um dia seu amor voltar.

A menina firme e sem lágrimas,

E o mar ainda a fitar.

Seus sonhos todos destruídos,

Mas seu coração ainda a brilhar.

Ninguém teme o que não o faz,

Ninguém teme o que não acontece,

Enquanto o sol desce,

A menina cresce,

E uma mulher tende a virar.

Coração de ouro, o dela.

Que ainda sim, tão singela,

Cantando virou bagatela,

E ninguém mais a viu mirar,

As belas ondas do mar.

Com o tempo a mulher baixou

Seus olhos ele envenenou.

O tempo para ela passou,

E quando as ondas do mar

Foi olhar,

Muito tempo deixou passar,

O ouro derreteu,

E foi roubado por aquele,

Que junto delas foi a culpa

De se apaixonar.

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